7.1 Sami FGC model in social work
7.1.3 Revitalization
dos periódicos no campo científico e acadêmico.
3.2.1 - Índices de mensuração de periódicos: introdução
Bourdieu (1975, p.19), ao analisar o campo cientifico lembra-o como ―locus de lutas competitivas nas quais está em questão o monopólio da autoridade científica sobre um tema‖. E a formação deste poder tem estado cada vez mais calcado na ―produção‖ dos cientistas. E esta produção passa, necessariamente, por algum tipo de processo de avaliação.
Para atender a necessidade de critérios de avaliação, tornou-se necessário criar critérios para avaliação da produção científica e acadêmica. Archambault e Larivière (2009, p. 637) citam que, em 1927, P.L.K Gross e E.M. Gross foram os primeiros a desenvolver um método uniforme o impacto de um periódico. Em artigo publicado no periódico Science, Gross e Gross (1927) apresentavam solução para que as Faculdades de Química pudessem selecionar quais periódicos deveriam assinar. Para tal propunham metodologia de mensuração no número de citações que cada periódico tinha em outros da área em período de dez anos (GROSS; GROSS, 1927, p. 387).
Este critério de avaliação proposto por Gross e Gross, foi utilizado, nos anos subsequentes por vários pesquisadores para avaliação de periódicos (TAB. 02).
TABELA 02
Primeiros trabalhos de levantamentos bibliométricos
Ano Autor Fontes Nº referências Nº de Campos Campo
1929 Allen 9 2.165 1 Matemática
1930 McNeely e Crosno 7 17.991 1 Engenharia Elétrica
1931 Gross e Woodford 6 3.574 1 Geologia
1934 Gregory 40 26.760 1 (27 subcampos) Medicina
1935 Hooker 5 12.794 1 Física
1936 Hackh 20 22.575 1 Odontologia
1938 Henkle 1 17.198 1 Bioquímica
1956 Brown 57 ~38.000 8 Diversas
Fonte: Archambault e Larivière (2009, p. 637)
Este sistema de mensuração de periódicos através de metodologia pré-estabelecida e linear, se intensificou a partir da década de 1970, com a criação do fator de impacto. A este esquema de mensuração, seguiram-se outros como o h-index23 (voltado à mensuração da produtividade
individual do pesquisador/cientista), Scimago journal rank (SJR)24, Source normalized impact per
paper (SNIP)25, European Reference Index for the Humanities (ERIH) 26, Norwegian Reference List27,
Australian ERA Humanities and Creative Arts (ERA-HCA). No Brasil, também existe uma classificação de periódicos, organizada e divulgada pela Capes, o Qualis Capes.
3.2.2 - Índices de mensuração de periódicos: o Fator de Impacto
O Fator de impacto (impact fator) foi criado em 1975 pelo Institute for Scientific Information (ISI) e, desde então, seus resultados são publicados pelo Journal Citation Reports (JCR). O Journal Citation Reports disponibiliza uma classificação dos periódicos de acordo com seu fator de impacto (RÖDDER; FRANZEN; WEINGART, 2011, p. 339).
O indicador de impacto de um periódico (fator de impacto) é a mensuração do número de vezes que artigos publicados em um período censitário específico (1) citam artigos publicados em período imediatamente anterior (2). O fator de impacto mensurado no Journal Citation Reports utiliza o período de mensuração (1) é de um ano e o período anterior (2), chamado de "janela objetivo", correspondente aos dois anos imediatamente anteriores ao período de mensuração (1) (DORTA-GONZÁLEZ; DORTA-GONZÁLEZ, 2012)28.
23 Em 2005, Jorge E. Hirsch em artigo publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences of the
United States of America, propunha a criação de ―um índice para para quantificar resultados da investigação científica de um indivíduo‖, o h-index (HIRSCH, 2005). Este índice baseia-se em conjunto de artigos mais citados de determinado pesquisador/cientista e no número de citações que estes artigos receberam em outras publicações (LSE-London School of Economics and Political Science, 2014).
24 Avalia revistas e indicadores científicos dos países desenvolvidos a partir das informações contidas na base de dados
Scopus da Elsevier (SCIMAGO, 2007).
25Calculado pelo Centro de estudos em ciência e tecnologia da Universidade de Leiden, Holanda, baseado na base de
dados Scopus da Elsevier (CWTS, 2013).
26 Criado a partir de estudos desenvolvidos por equipe multidisciplinar coordenada pelo Prof. Ben Martin do SPRU da
University of Sussex, Inglaterra (MARTIN, 2010).
27 Desenvolvido pelo Nordisk institutt for studier av innovasjon, forskning og utdanning (NIFU) e pelo STEP – Centre for
Innovation Research (MARTIN, 2010, p.9).
Para estabelecer os critérios das citações de artigos, o JCR entende o fator de impacto como sendo baseado em médias, para tal, baseia-se em dois elementos: o primeiro pode-se dizer que é um número absoluto que é a mensuração precisa do número de citações no período de mensuração (1) para quaisquer itens publicados em periódicos nos dois anos anteriores (período anterior - 2), o chamado fator denominador, é o que a publicação chama de número de "itens citáveis" publicados nos mesmos dois anos anteriores. Como itens do periódico incluem-se nos "itens citáveis" além dos artigos, notas e resenhas, itens como cartas, correções e retratações, editoriais, notícias e outros itens (DORTA-GONZÁLEZ; DORTA-GONZÁLEZ, 2012)29
Para obtenção do número final, o fator de impacto, o JCR utiliza-se da seguinte fórmula30:
Onde IF é o Fator de Impacto;
A é o número de itens citáveis no periódico i no ano t;
Ncited é o número de vezes que no ano t que o periódico i, nos anos t-1 e t-2, é citado por
periódicos no JCR.
O fator de impacto calculado e publicado no Journal Citation Reports (JCR) da base Thomson Reuters é, atualmente, um dos índices mais aceitos e utilizado como mensurador de importância de um periódico por parte da comunidade acadêmica internacional,e principalmente, pelas bases de periódicos. Cumpre-se, entretanto, ressaltar desde sua formulação o fator de impacto tem sido criticado por algumas decisões arbitrárias e envolvidas em sua elaboração. São alvo destas críticas a definição dos chamados itens citáveis (artigos notas e resenhas), o foco exclusivo nos dois anos precedentes como representativos de impacto, entre outras críticas. Como contraponto a estas críticas, o JCR passou a calcular o Fator de Impacto de cinco anos, o Eigenfactor Score (fator de pontuação Eigen) e a contagem de influência do artigo (Article Influence Score) para periódicos na versão on-line do JCR (JCRe), a partir 2007.
3.2.3 - Índices de mensuração de periódicos: o Qualis Capes
O sistema Qualis foi criado pela Capes para avaliação dos meios de produção acadêmica direcionado aos programas de pós-graduação brasileiros. Para tal, o sistema de avaliação é baseado nas informações fornecidas através da Coleta de Dados31. Através de comissões de
29Documento sem paginação, as informações foram obtidas na quarta página.
30 Fórmula obtida em Dorta-González e Dorta-González (2012) (documento sem paginação, a fórmula encontra-se na
quarta página).
31 Coleta de dados Capes é um sistema com objetivo de coletar informações dos cursos de mestrado, doutorado e
áreas e subáreas é elaborado um ranking de periódicos que tem como objetivo ser de base para a mensuração da ―produção‖ dos programas de pós-graduação.
O Qualis Capes utiliza-se de sistema de ―estratos indicativos da qualidade‖, ordenados, sequencialmente em A1 (o mais elevado), A2, B1, B2, B3, B4, B5 e C (este último com ―peso zero‖). O sistema Qualis necessário e importante por, de certa forma, criar parâmetro de avaliação de periódicos brasileiros, apresenta algumas incongruências e necessita algumas reformulações.
Um dos problemas detectados nesta pesquisa, ao se analisar os critérios de diversas áreas e subáreas é a falta de homogeneidade de regras e critérios para as avaliações. Por exemplo, a área de Antropologia os fatores estão mais vinculados a fatores formais e estruturais que o conteúdo32. Já na área de Arquitetura e Urbanismo são incluídos índices como o fator de Impacto
(JCR) e Latindex, sem entretanto, explicitar como estes e outros critérios compõem o sistema de pontuação33. Já a área de Planejamento Urbano e Regional apresenta critérios mais detalhados,
na qual se considera, por exemplo, o Fator de impacto JCR/ISI, divulgado em julho/2011 (JCR 2010), embora o documento no qual são apresentados os critérios de classificação, não explicita de que maneira são mensurados ou qual o ―peso‖ de cada um dos itens que compõe o conjunto de critérios classificatórios (RANDOLPH, 2012)34.
Outra questão é a ―transparência‖ das classificações. Embora os comitês avaliadores divulguem além do quadro classificatório, um relatório das avaliações, não são disponibilizados os critérios de pontuação que colocaram este ou aquele periódico naquela qualificação.
Embora a base dos critérios de avaliação seja a ―Coleta Capes‖, a qual são listadas as produções do corpo docente e discente dos programas de pós-graduação, as classificações não denotam verificação de ―compatibilidade‖ entre a linha editorial do periódico e o campo (ou área e subárea, conforme nomenclatura adotada pela Capes) no qual são inseridos. Pode-se citar como exemplo desta ausência de verificação, a inclusão do periódico ―O Mundo da Saúde‖35 na área
de Arquitetura e Urbanismo. Uma justificativa para um autor vinculado a esta área que publicou
32 Normalização (apresentação de ficha catalográfica, legenda bibliográfica, normas de submissão, linha editorial,
sumários em inglês e português, referências bibliográficas, nominata da afiliação institucional dos autores, resumo e abstract dos artigos, descritores em português e inglês); Publicação (tempo de publicação, regularidade, periodicidade, projeto gráfico); Circulação (tiragem, veiculação Virtual); Gestão Editorial (nominata da comissão executiva ou editorial com afiliação institucional, composição do conselho editorial com presença de afiliados a instituições estrangeiras e a nacionais de instituições diversas; presença dos procedimentos de tramitação do manuscrito, nominata dos pareceristas); Autoria e Conteúdo (número de artigos por volume, diversidade de autoria, autoria estrangeira, autoria nacional, resenhas, diversidade de autoria de resenhas, presença de outras sessões, número de páginas por volume, indexação em bases de dados (MACHADO, 2012) (documento sem paginação).
33―foram consultados fator de impacto (JCR, ISI ou SJR) no caso dos periódicos internacionais, presença na base Latindex
dos periódicos latino-americanos e presença na base Scielo dos periódicos nacionais; obtiveram-se assim os dados para orientar as decisões de inserção nos estratos correspondentes‖ (TRISKA, 2012) (documento sem paginação).
34Documento sem paginação.
35 No site do periódico, esclarece qual é sua linha editorial: ―O Mundo da Saúde publica manuscritos relacionados às
seguintes áreas de investigação: Administração Hospitalar, Bioética, Ciências Biológicas, Educação em Saúde, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Informática em Saúde, Nutrição, Psicologia, Saúde Ambiental, Saúde Pública, Tecnologia em Radiologia, Terapia Ocupacional, entre outras‖ (CUSC, 2013).
neste periódico, seria o fato de que tal artigo seria o resultado de uma pesquisa multidisciplinar, na qual foi um dos participantes. Entretanto, cabe um questionamento, que pesquisador, nesta área (arquitetura e Urbanismo) procuraria, neste periódico, ―material‖ para sua eventual pesquisa? Uma ampliação do tema anterior, seria a inserção em periódicos em áreas que não são aquelas preconizadas em sua linha editorial. Na pesquisa para a seleção de periódicos chamou atenção a Revista Árvore classificada nas três áreas selecionadas A1 em Planejamento Urbano e Regional, A2 em Geografia e B1 em Arquitetura e Urbanismo, na classificação acessada em maio de 2013 e em mais 24 outras áreas do conhecimento (CAPES, 2013n)36. Além desta
peculiaridade de estar classificado em 27 37 nas 48 diferentes áreas avaliadas pelo sistema Qualis
Capes (56,25%), pode-se destacar o fato de que embora seu escopo esteja voltado para a ―ciência florestal‖, em sua área específica seu impacto é menor (A2 em Ciências Ambientais, B1 em Ciências Agrárias e B1 em Engenharias I - que abrange a Engenharia Ambiental) que no de Planejamento Urbano e Regional/Demografia (A1).
Pode-se ainda questionar, nos parâmetros de análise de periódicos no sistema Qualis Capes, a ausência de parâmetros de análise do co-citação nos artigos e periódicos. Sobre a importância da co-citação, lembra Liu (2005, p. 385) que sua análise é método bibliométrico que produz conjunto maior de escalonamento multidimensional de mapeamentos e analise dos artigos e ―tem sido usado como um método efetivo de visualização de assuntos relacionados em um campo interdisciplinar‖.