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2.4 Revisors rapportering

2.4.1 Revisjonsberetningen

Ao usar uma estratégia de realização, o aprendiz tenta transmitir sua mensagem expandindo seus recursos comunicativos, ao invés de reduzir sua meta comunicativa.

As estratégias de realização, classificadas por Faerch e Kasper (1983) de acordo com os recursos empregados pelo aprendiz, se dividem em quatro grupos: (1) estratégias baseadas na L1, (2) estratégias baseadas na IL, (3) estratégias cooperativas, e (4) estratégias não-linguísticas.

As estratégias baseadas na L1 se subdividem em quatro categorias: (a) mudança de código, (b) transferência interlingual, (c) transferência inter- /intralingual, (d) estratégias baseadas na IL.

Ocorre mudança de código quando uma palavra ou locução da LM é incorporada à LAL sem qualquer modificação (e.g.: ‘My telefone number is...’).

37One cannot be sure whether a certain linguistic structure is being avoided or is simply not available nor whether the topic expressed is exactly the intended one or just an approximation due to insufficient means of expression. Message abandonment seems to be, at least in spoken discourse, the only reduction strategy detectable without resorting to the speaker’s introspection.

Enquanto na mudança de código, o aprendiz ignora o sistema da IL, a

transferência interlingual é o resultado da tentativa do aprendiz de combinar

características da IL e da LM. A transferência interlingual subdivide-se em duas categorias: (a) ajuste fonológico e morfológico e (b) tradução literal. Exemplos de ajuste morfológico são as sentenças a seguir, extraídas da produção escrita de um dos participantes desta pesquisa: Ex.1: I work in a particuly school; Ex.2: My mother is religiose. A estratégia ajuste morfológico é também conhecida como estrangeirização (ICKENROTH 1975, apud FAERCH; KASPER, op. cit., p. 47). A tradução literal consiste em ajustar o sistema da IL, em nível lexical, traduzindo locuções ou expressões idiomáticas literalmente da LM para a LAL. Exemplos de tradução literal são as sentenças a seguir, identificadas na produção escrita de nossos participantes: Ex.1: I’m a Young of

20 years old; Ex.2: I like of to go the church and the cinema.

A estratégia de transferência inter-/intralingual acontece especialmente quando o aprendiz considera a LAL formalmente semelhante à LM. Como resultado do uso dessa estratégia, tem-se uma generalização de uma regra da IL influenciada, ao mesmo tempo, pelas propriedades das estruturas correspondentes da LM. Faerch e Kasper (1983) citam um caso de generalização, por parte de aprendizes dinamarqueses de inglês, do sufixo regular –ed para verbos irregulares, tendo como base a maneira como os verbos são distribuídos em dinamarquês entre as classes declináveis regular e irregular (e.g., Dinamarquês sØmme – sØmmede (passado), Inglês swim – swimmed).

As estratégias baseadas IL consistem na utilização do próprio sistema da IL, por parte do aprendiz, na tentativa de superar problemas de comunicação. As estratégias baseadas IL se dividem em quatro categorias: (1) generalização; (2) paráfrase; (3) cunhagem de palavra; (4) reestruturação. Na generalização, o aprendiz tenta resolver problemas na fase de planejamento preenchendo lacunas em seus planos com itens da IL em contextos aos quais estes não se aplicam. O trecho a seguir, transcrito de uma sentença produzida por um de nossos participantes, exemplifica esse tipo de estratégia: “I don’t must...”. A generalização se diferencia da estratégia substituição de significado (estratégia de redução funcional) pelo fato de o aprendiz, na generalização,

não mudar sua meta comunicativa. O aprendiz supõe que o item generalizado pode expressar o significado pretendido, na situação ou no contexto em questão.

Na paráfrase, o aprendiz tenta resolver um problema na fase de planejamento preenchendo a lacuna no seu plano com uma construção alternativa e aceitável na LAL de acordo com o sistema de sua IL. A paráfrase pode ocorrer na forma de descrições ou circunlóquios, nos quais o aprendiz focaliza propriedades ou funções do referente pretendido (FAERCH; KASPER, 1983).

Como sugere o próprio termo, a cunhagem de palavra consiste na construção criativa de uma nova palavra, com a finalidade de comunicar um conceito desejado pelo aprendiz. A título de exemplo, transcrevemos um exemplo extraído do corpus de nossa pesquisa (“The urban city presents dance’s clubs...”), no qual o aprendiz pretende se referir à zona urbana de seu município.

A reestruturação, verificável apenas na fala, ocorre sempre que o aprendiz percebe que não é capaz de completar um plano local ao qual ele deu início e, portanto, desenvolve um plano local alternativo que lhe permita transmitir a mensagem que ele tem em mente sem a necessidade de recorrer à redução. Para ilustrar a estratégia da reestruturação, transcrevemos este exemplo, citado por Albrechsten, Heriksen e Faerch (1980 apud FAERCH; KASPER, 1983, p. 50), no qual o aprendiz, desconhecendo a palavra daughter, reestruturando seu enunciado: “...my parentes has... I have er... four elder sisters...”.

As estratégias cooperativas, como sugere o próprio termo, consistem na tentativa mútua de dois interlocutores de chegarem a um acordo em torno de um determinado significado quando as estruturas necessárias parecem não ser compartilhadas. No entanto, Faerch e Kasper (1983) observam que, apesar de os problemas na interação serem necessariamente compartilhados e resolvidos por um esforço conjunto, esses problemas têm origem em cada um dos interactantes, cabendo a cada um deles a decisão de tentar uma solução individual. Nesse caso, o indivíduo pode, por exemplo,

lançar mão de uma estratégia de realização ou então sinalizar o problema para seu interlocutor a fim de encontrar uma solução compartilhada.

Dentre as estratégias não-linguísticas, usadas com frequência pelos aprendizes na comunicação face a face, encontram-se a mímica, os gestos e a imitação de sons. Segundo Faerch e Kasper (1983), às vezes as estratégias não-linguísticas são o único recurso para tentar resolver um problema comunicativo.

O quadro 2 apresenta, de forma resumida, a categorização das EC proposta por Faerch e Kasper:

Quadro 2:Taxonomia proposta por Faerch e Kasper Estratégias de redução formal

O aprendiz se comunica por meio de um sistema reduzido a fim de evitar frases não- fluentes ou incorretas. Subtipos Fonológico Morfológico Sintático Lexical Estratégias de redução funcional

O aprendiz reduz sua meta comunicativa a fim de evitar problemas

Subtipos Redução acional Redução modal

Redução do conteúdo proposicional:

Evitação de tópico

Estratégias de redução funcional

O aprendiz reduz sua meta comunicativa a fim de evitar problemas

Subtipos

Redução do conteúdo proposicional:

Abandono de mensagem Substituição de significado

Estratégias de realização

O aprendiz tenta resolver problemas comunicativos expandindo seus recursos comunicativos

Subtipos

Estratégias compensatórias:

(a) mudança de código (b) transferência interlingual Subtipos (c) transferência inter-/intralingual (d) estratégias baseadas na IL (i) generalização (ii) paráfrase

(iii) cunhagem de palavra (iv) reestruturação

(e) estratégias cooperativas (f) estratégias não-linguísticas

Posteriormente, Faerch e Kasper (1984) assinalam que a tipologia por eles proposta não deve ser considerada puramente psicolinguística, tendo em vista que

[...] os usuários de uma língua podem decidir empregar estratégias não linguísticas, tais como gestos e mímica, categorizados mais adequadamente como estratégias comportamentais; ou então eles podem recorrer a estratégias cooperativas que envolvam o interlocutor na atividade de solução de problemas. 38 (FAERCH; KASPER, 1984, p. 46).

Ao fazerem tal afirmação, os autores reconhecem que, em certas ocasiões, a interação é imprescindível na solução de problemas comunicativos. Faerch e Kasper (1984) argumentam que a abordagem interacional e a abordagem psicolinguística podem se completar. Nas palavras dos autores, “as EC, definidas em termos interacionais, formam um subconjunto daquilo que consideramos estratégias tendo como base a definição psicolinguística”. 39 (FAERCH; KASPER, 1984, p. 59).

2.4.2.3 A visão estendida das estratégias de comunicação de Dörnyei e