• No results found

Reviewed by Sindre Bangstad

In document Book Reviews EditorialArticles Contents (sider 175-178)

Para um melhor enquadramento estratégico, é essencial avaliar a situação dos gabinetes de comunicação de universidades e politécnicos nacionais, comparando a sua natureza, as estratégias e os problemas comuns. Estes gabinetes são encarados culturalmente como coopetidores, mas também competidores, o que pode ou não beneficiar a partilha de experiências e a evolução do setor. As melhores instituições concentram-se nos pontos fortes e tornam irrelevantes os restantes – e isso funciona para as pessoas também (Rath, 2007, p. 8). Ao nível dos pontos fracos, o GCII parece ter carência de recursos humanos face à sua dimensão quando comparado com alguns congéneres no Norte e Centro do país (ver tabela 10).

UNIVERSIDADE

Número

de alunos Membros do gabinete de comunicação da Reitoria Membros do gab. comunic. afetos à informação Outros colaboradores Aveiro 13.779 21 n.d. n.d. Porto 31.676 11 4 2 Beira Interior 6931 10 3-4 3 Minho 18.490 8 3 3 UTAD 7808 7 2 -

Tabela 10 - Recursos de gabinetes de comunicação de algumas universidades públicas.138

No caso dos institutos politécnicos do Minho, o de Viana do Castelo referiu ter quatro elementos para a comunicação (um deles na informação) e o do Cávado e Ave três (dois na informação), ao passo que a Universidade Católica de Braga mencionou ter um funcionário. Cada instituição tem um modus operandi próprio, face ao seu contexto interno e externo. Daí que os colaboradores na comunicação possam eventualmente acumular outras funções, desde cobertura fotográfica/audiovisual, gestão de sites e redes sociais, assessoria de imprensa, relações internacionais, organização de eventos, design gráfico, produção de materiais de divulgação, logística, gestão, transporte de convidados e professores, participação em ações promocionais, atendimento, secretariado e suporte informático.

138 Número de alunos obtido em www.crup.pt/pt/crup/membros, a 15 de setembro de 2014. Número de elementos

136

Isto sucede num quadro de algum desconforto na função pública, acentuado pelos limites na contratação, na remuneração e na progressão. O trabalhador está numa posição vulnerável.

Almerindo Afonso reflete o tema exemplificando139 com o caso do professor: de “missionário” na

ideologia do Estado Novo, passou a “profissional” após a revolução de Abril e, hoje, a “funcionário” que executa coisas e sem autonomia para fazer escolhas e pô-las em prática. A burocracia, um fenómeno caraterístico das sociedades modernas, não deixou de afetar as universidades, minando nelas a cultura de livre inquirição e pensamento necessário para se chegar à descoberta científica, à inovação tecnológica e à criação artística-literária-filosófica (Mendes, 2015, p. 28).

Num inquérito a 31 gabinetes de comunicação de universidades, politécnicos e laboratórios do Estado, Lúcia Rodrigues (2012, p. 40) verificou que a maioria destes não tem recursos especializados em fotografia, metade não os tem no audiovisual e em poucos casos se investe

no design (gráfico, web e motion design). Segundo a autora, as equipas de comunicação em

geral incluem técnicos de comunicação, técnicos superiores de outras categorias e bolseiros. A tarefa mais comum e com maior volume de recursos é o comunicado de imprensa; elaborar “notícias” para o site institucional e organizar eventos são outras missões prioritárias, enquanto a reportagem audiovisual e o registo de vídeo e fotografia são menos comuns. Aqueles gabinetes conseguem divulgar melhor os seus conteúdos nas redes sociais e nos jornais e menos nas

televisões e nos sites externos. As maiores dificuldades na inserção de notícias nos media

devem-se, por ordem, à falta de jornalistas de ciência, ao desinteresse dos media pelos temas propostos e ao desinteresse dos cientistas a divulgar os seus trabalhos (Rodrigues, 2012, p. 44). Além do serviço central de comunicação, as instituições superiores têm generalizado lentamente a aposta em profissionais da comunicação sobretudo nas suas unidades orgânicas de ensino e de investigação, permitindo dar visibilidade ao trabalho realizado, facilitar os procedimentos quotidianos e apoiar eventuais carências de serviço. A Universidade do Porto criou, aliás, o Conselho Coordenador de Comunicação e Imagem, formado pela chefia de comunicação das 15

faculdades e da Reitoria140. Outras instituições recorreram a consultoras e assessorias privadas.

139www.educare.pt/noticias/noticia/ver/?id=30382&langid=1, consultado em 4 de julho de 2018.

137

Por exemplo, a agência de comunicação Central de Informação teve clientes141 como a

Universidade Católica do Porto, o Instituto Politécnico do Porto, o Instituto Português de Administração e Marketing, o IADE e as Escolas do Turismo de Portugal.

Na ligação aos media, várias academias procuram rentabilizar o facto de acolherem uma

delegação do grupo RTP, como sucede nas universidades do Minho142 e de Trás-os-Montes e Alto

Douro e no Instituto Politécnico de Beja. Procuram igualmente mais-valias por terem ex-alunos nos quadros das empresas jornalísticas. A UMinho é reputada na formação em Ciências da

Comunicação (licenciatura desde 1991/92143, mestrado desde 2007/08144, doutoramento desde

2009/10145 e mestrado em Comunicação de Ciência anunciado para 2018/19146), sendo uma

das que pode ser bafejada. Isto permite a jornalistas regionais e nacionais conhecerem esta instituição e algum(ns) membro(s) do GCII, terem outra sensibilidade para a importância de certos temas e serem um canal privilegiado nas abordagens daquele gabinete. A promoção de encontros anuais de jornalistas ex-alunos, como já sucedeu numa universidade da capital, ajuda a fortalecer estas ligações.

A Universidade Nova de Lisboa é das que marca pontos com um curso intensivo de comunicação de ciência, lançado em 2013, com formadores na área e em jornalismo e teatro, capacitando a sua comunidade e atraindo a sociedade. A UMinho tem tido formações do género esporádicas, como uma edição do minicurso “Science Communication”, pelo INL e Instituto de Ciências Sociais, duas edições do workshop “From geek to easy speak”, pela TecMinho, o workshop “Engenharia: falar é fácil?”, pela Escola de Engenharia, e sessões isoladas de centros de investigação e núcleos de estudantes.

141www.centraldeinformacao.pt/clientes.php, consultado em 1 de novembro de 2014.

142 Situa-se desde o outono de 2018 no rés-do-chão do edifício dos Congregados, no centro de Braga. O futuro

Centro Multimédia do Instituto de Ciências Sociais da UMinho também pode acentuar a ligação aos media, sobretudo de alunos e investigadores em Ciências da Comunicação. A UMinho já tinha acolhido a delegação da SIC.

143 www.comunicacao.uminho.pt/ensino/content.asp?startAt=2&categoryID=624&newsID=5216, consultado em 25

de outubro de 2018.

144www.comunicacao.uminho.pt/ensino/content.asp?startAt=2&categoryID=695&newsID=1881, consultado em 25

de outubro de 2018.

145 www.comunicacao.uminho.pt/upload/docs/dirio_do_minho.pdf, consultado em 25 de outubro de 2018,

referindo a abertura da terceira edição do doutoramento em 2011.

146 dre.pt/web/guest/home/-/dre/116696265/details/maximized?parte_filter=33&dreId=116696198, consultado

em 25 de outubro de 2018. Surge 14 anos após o mestrado de Comunicação e Educação de Ciência da Universidade de Aveiro e oito anos após o mestrado de Comunicação de Ciência da Universidade Nova de Lisboa.

138

Haver formação intramuros e uma almofada financeira para recorrer a empresas e formadores qualificados permite o aperfeiçoamento pessoal e profissional dos cientistas e, em particular, dos elementos da comunicação, assegurando uma melhor gestão e resposta aos novos desafios diários. Porém, dos gabinetes de instituições no Norte e Centro contactados nesta investigação, houve o sentimento geral de uma aposta ténue neste âmbito, confirmando a visão de Antunes (2014, p. 114) e de Granado e Malheiros (2015, p. 38).

A visita de trabalho de equipas congéneres e a mobilidade de funcionários não docentes pelo Programa Erasmus+ é um modo complementar de atualização de conhecimentos e do contacto com outras realidades. Nesta década, a equipa do GCII recebeu equipas de Évora e Trás-os- Montes e Alto Douro, além de membros de universidades de Timor-Leste, Brasil, República Checa, Colômbia, Estónia, Itália, Espanha e Arménia. No sentido inverso, não se deslocou em grupo a outra universidade, mas já levou elementos a universidades de Grécia, Espanha, Itália, Tailândia e Moçambique, além de estar em reuniões periódicas com colegas do consórcio UNorte.pt e do consórcio europeu Graphene Flagship. Em termos comparativos, merece referência o relato do caso timorense: o seu representante da comunicação explicou, na vinda à Minho, as grandes diferenças que havia em 2013: só emitia press releases de cerimónias, mais cartas enviadas do que emails, a base de dados com jornalistas era limitada e o site oficial

estava alojado como blogue, com poucas notícias recentes147.

Ao contrário da vizinha Espanha, Portugal não tem associação portuguesa de profissionais de relações públicas do ensino superior, em parte devido a ser uma profissão com poucos anos.

Entretanto, em novembro de 2014 nasceu148 a associação SciComPt – Rede de Comunicação de

Ciência e Tecnologia em Portugal, a primeira associação do género no país, unindo assessores, jornalistas, cientistas, divulgadores de ciência, professores, investigadores e tendo parcerias com a Associação Espanhola de Comunicação Científica e a Associação Galega de Comunicação da Cultura Científica e Tecnológica, entre outras. É o afirmar da massa crítica e da maior ambição do setor. Os eventos nacionais na área são dois: SciComPt - Congresso Anual de Comunicação de Ciência de Portugal, lançado pela rede homónima, e G-icom - Encontro Nacional de Gabinetes

147 A situação melhorou significativamente nos últimos anos. O site teve cofinanciamento da Comissão Europeia e o

Departamento de Media e Comunicação da universidade tem uma atividade afirmada (www.untl.edu.tl/pt/noticias-e-

eventos/departamento-de-media-e-comunicacao, consultado em 28 de outubro de 2018).

139

de Imagem e Comunicação, com apoio da revista Fórum Estudante. São ambos anuais e têm

tido a presença de elementos do GCII, que também têm ido pontualmente ao Encontro Hispano- Luso de Protocolo Universitário, paralelo ao Encontro de Responsáveis de Protocolo e Relações Institucionais das Universidades Espanholas.

A organização de rubricas nos media, inclusive nas televisões, é uma aposta regular entre as instituições de ensino superior, envolvendo amiúde os seus gabinetes de comunicação. Os programas são por vezes realizados por produtoras independentes e apoiados por fundos comunitários, pela Ciência Viva149 ou por sociedades científicas e civis, mostrando que vale a

pena arriscar e de forma inovadora. No caso da UMinho foram lançadas, sem intervenção direta

do GCII, as séries documentais “O Extraordinário Mundo das Fibras” na RTP2 (oito episódios

sobre tecnologia, em 2013/14) e “O Som e a Forma” na RTP África (12 episódios sobre música, em 2018) e a rubrica “Ouvido Crítico” na Antena 1 (semanal, sobre literacia mediática, criada em 2018), por exemplo. A RUM emite programas que partiram de desafios do GCII/Reitoria, como os espaços semanais UM em Antena (sobre a atualidade da UMinho, desde 2011) e UM I&D (com entrevistas semanais a cientistas da UMinho, desde 2014). Outras instituições têm rubricas como “90 Segundos de Ciência” (Antena 1), da Universidade Nova de Lisboa e aberta a cientistas de outras academias, “ESEC TV” (RTP2), ligada à Escola Superior de Educação de Coimbra, e “Universidade Aberta” (RTP2), daquela instituição. Já os programas especializados dos próprios órgãos de informação são alvo de forte concorrência entre as academias, que lutam

por janelas de visibilidade, designadamente em The Next Big Idea (SIC Notícias), Mentes que

Brilham (Porto Canal), Futuro Hoje (SIC), Biosfera (RTP2), Os Dias do Futuro, Ponto de Partida (ambos da Antena 1), Antena 2 Ciência (Antena 2) ou a página de ciência do Público.

Comparando entre universidades nacionais públicas e privadas, a UMinho ocupa o 2º lugar no volume de notícias gerado nos media, atrás de Coimbra, subindo do 4º lugar que ocupava em 2015 (ver tabela 11). No número de seguidores digitais, a UMinho é a 3ª no LinkedIn, 4ª no facebook e no YouTube, 5ª no Instagram e 10ª no twitter. A Universidade do Porto domina nas redes, salvo no twitter, liderado por Coimbra. Das 22 instituições analisadas, todas têm facebook, LinkedIn e YouTube, mas três delas estão ausentes do Instagram e quase metade do twitter.

140

Referência ainda para as estratégias de marketing e de captação de fundos que as academias nacionais, incluindo por vezes os seus gabinetes de comunicação, têm vindo a assumir, com ou sem parcerias de empresas. Neste âmbito inclui-se a venda de produtos como vinhos de ex-alunos (UTAD), biscoitos (Universidade de Coimbra), relógios (Universidade Nova de Lisboa) e perfumes (Politécnico de Beja). O intuito é estender a marca e imagem da instituição para outros campos.

UNIVERSIDADE Facebook oficial LinkedIn oficial Instagram oficial YouTube oficial Twitter oficial

Notícias (set’14- ago’15) Notícias (set’17- ago’18) Porto 141.337 71.189 24.522 3938 82.063 19.786 13.137 Coimbra 132.765 63.592 17.341 4852 4211 22.895 28.443 Aberta 131.483 11.137 - 408 847 n.d. 1648 Minho 83.567 61.525 9753 1147 1205 15.399 16.832 Aveiro 83.432 50.784 11.448 992 10.903 10.558 9159 Algarve 38.167 21.942 3380 1119 8091 5799 7371 ISCTE – IUL 48.198 12.784 3558 789 3024 4351 4908 Beira Interior 50.585 16.749 2808 440 - 4245 4640 Lisboa 36.375 59.925 10.549 1147 - 20.684 15.970 UTAD 26.546 16.137 1753 587 - 3889 5349 Évora 25.136 16.965 1201 237 902 n.d. 5566 Nova de Lisboa 19.466 54.884 - 668 2243 12.482 14.082 Madeira 6903 8476 574 94 1332 n.d. 3064 Açores 2905 6825 - 47 129 n.d. 4124 Autónoma 63.303 17.130 2269 214 - n.d. 1070 Europeia 57.599 7511 1319 n.d. 1612 n.d. 1119 Lusófona 35.792 29.866 3054 1341 2277 3502 1932 Católica Portuguesa 14.613 50.512 776 150 - 9965 10.782 Fernando Pessoa 12.480 12.895 1970 n.d. - n.d. 730 Portucalense 12.340 9518 1315 360 - n.d. 310 Lusíada de Lisboa 11.244 22.557 641 190 - 830 1043 Atlântica 6695 9384 181 70 - n.d. 105

Tabela 11 - Universidades nacionais no volume de seguidores digitais e de notícias geradas.

141

In document Book Reviews EditorialArticles Contents (sider 175-178)