Uma investigação é um caminhar para um melhor conhecimento e, como tal, com todas as hesitações, desvios e incertezas que isso implica (Quivy & Campenhoudt, 2005, p. 31). Esta investigação situa-se nas áreas da comunicação organizacional/estratégica e da assessoria de imprensa. Procura identificar mecanismos e práticas utlizados pela assessoria de imprensa para que a mensagem, os atores e a marca da organização sejam comunicados eficazmente para os seus públicos. Definir o tema não é das tarefas mais difíceis da investigação, mas este primeiro passo é infrutífero se os próximos não forem dados com rigor e cuidado (Frattari, 2014, p. 239). Nesse sentido, procura-se consolidar uma investigação que responda à questão de partida: “Em que medida as estratégias de comunicação interna e externa usadas pelo GCII-UMinho contribuem para a afirmação da ciência, dos cientistas e da imagem desta instituição?”. A escolha da problemática insere-se na trajetória pessoal do investigador, que trabalhou e contactou com diversas instituições na área da comunicação. Promover a consonância entre investigação e biografia atribui vida ao estudo, retirando da produção intelectual poeiras de artificialismo, que recobrem parte da pesquisa académica (Oliveira, 2001). O trabalho enquadra- se no paradigma de estudo de caso, assumindo caraterísticas interpretativas sobre o impacto dos gabinetes de comunicação do ensino superior em Portugal. Espera-se encontrar tais práticas no Gabinete de Comunicação, Informação e Imagem da UMinho (GCII-UMinho).
A partir desta questão, o objetivo é mostrar a unicidade das práticas de comunicação estratégica desenvolvidas numa universidade nacional. Em concreto, importa compreender se (e de que forma) essas práticas são basilares na implementação, inter-relação, difusão e afirmação dos membros e da reputação da instituição, nomeadamente na divulgação da sua ciência e nos media. Para orientar a pesquisa e escolher os dados principais, desenvolvem-se hipóteses a serem validadas. As hipóteses podem ser construídas pelo método hipotético-indutivo, que parte da observação para testar os factos; ou pelo método hipotético-dedutivo, que parte da interpretação do fenómeno social, testando a correspondência de hipóteses pré-formuladas perante a realidade social (Quivy e Campenhoudt, 2005, p. 144).
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Assim sendo, colocam-se algumas hipóteses para serem testadas:
- O trabalho diversificado do GCII na comunicação interna e externa, como aposta da Reitoria, permitiu mais visibilidade à comunidade da UMinho, mormente aos cientistas e à ciência aí produzida.
- O GCII é o principal recurso, senão o único, para a maioria dos cientistas da UMinho poder chegar à comunicação social.
- Os cientistas da UMinho e os jornalistas regionais/nacionais estão mais próximos e fazem esforços para adaptar-se às rotinas e solicitações da “outra parte”.
- Os jornalistas tendem a replicar sugestões do GCII para noticiar a UMinho, sobretudo os press releases, confiando nessas abordagens para contrariar a crescente falta de recursos nas redações. Com a pergunta de partida, as hipóteses e os objetivos definidos, foi necessário recolher informações para fundamentar as respostas. O trabalho começou pela pesquisa científica, com o levantamento da bibliografia em forma de livros, revistas, comunicação social e publicações eletrónicas, permitindo na investigação contactar diretamente com o material existente sobre o tema. Esse percurso foi concretizado no enquadramento teórico, como mostram os capítulos que cruzaram criticamente perspetivas sobre comunicação organizacional e estratégica, identidade e imagem institucional, assessoria de imprensa, jornalismo, comunicação de ciência e as universidades. A meta seguinte é o modelo de análise do caso a tratar, segundo Quivy e Campenhoudt (2005, p. 103), reunindo e organizando os dados de modo a fornecerem respostas ao problema proposto. O trabalho procurou identificar as estratégias aplicadas pelo referido gabinete de comunicação, através da análise de documentos e da observação das práticas, complementando com a análise de entrevistas a cientistas e jornalistas, para daí se partir para a discussão dos resultados, a resposta à pergunta inicial, a verificação das hipóteses e as conclusões.
Considera-se que o tema apresenta relevância teórica e prática, foi formulado de maneira clara, precisa e objetiva, é do interesse do investigador e este tem qualificação, recursos e tempo adequados para o seu tratamento (Gil, 2002, p. 62). O investigador deve assumir-se como artesão pertinaz, paciente, atento, sensível e, ao mesmo tempo, despretensioso, zelador do consórcio entre teoria e prática, reservando exemplos probantes a cada movimento importante de sua reflexão (Oliveira, 2001, p. 20).
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7.1. Metodologia
Definido o quadro teórico, avança-se agora para a metodologia, isto é, a escolha de técnicas sintonizado com o que é proposto, respeitando fundamentos e processos para apoiar a reflexão. Para Albertino Gonçalves (2004, p. 39), a metodologia expõe a seleção, construção e uso dos instrumentos aplicados nos diferentes momentos de pesquisa. Como já referido, nesta investigação optou-se pelo estudo de caso, visando a “análise aprofundada e detalhada, envolvendo uma ou poucas unidades, entendidas como pessoa, produto, empresa, entidade pública, comunidade, situação ou mesmo um país” (Vergara; e Godoy, citado em Piñol e Benetti, 2004, p. 3).
O estudo de caso debruça-se deliberadamente sobre uma situação que se supõe ser única ou especial, pelo menos em certos aspetos, procurando descobrir o que tem de mais essencial e característico, contribuindo assim para a compreensão global de um fenómeno (Ponte, 2006, p.
106). Trata-se da estratégia preferida para conhecer o como e o porquê do tema proposto,
quando o investigador tem controlo limitado dos acontecimentos e o seu foco é um fenómeno contemporâneo em contexto de vida real” (Yin, 1994, p. 1).
O objeto do estudo de caso é o Gabinete de Comunicação, Informação e Imagem da UMinho, enquanto serviço central responsável por aquelas áreas da instituição, em particular a da informação. O campo de estudo poderia ser alargado a outras áreas do gabinete, bem como a gabinetes congéneres no ensino superior nacional e internacional, nomeadamente no âmbito lusófono e ibero-americano. Porém, limitar o campo de estudo pode permitir conhecer melhor o objeto em análise e tratá-lo com relativa profundidade. O período de análise incide na presente década, coincidindo com o reitorado de António M. Cunha (2009-2017). O objetivo é identificar e compreender as estratégias de comunicação interna e externa aplicadas pelo GCII para a afirmação da ciência, dos cientistas e da imagem institucional, aferindo a sua frequência, os fins e a eficácia.
Nesta pesquisa recorre-se a técnicas documentais, como as estatísticas e o histórico do GCII, e a técnicas de grupo, nomeadamente a experimentação e a observação de campo. São analisados
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aspetos como os ritmos quotidianos de trabalho, as relações existentes e o impacto dos vários suportes e fluxos informativos a nível interno e externo, incluindo ainda uma comparação com gabinetes de comunicação nacionais.
Por outro lado, recorre-se ao tratamento qualitativo de entrevistas a cientistas e a jornalistas. O guião contém questões maioritariamente abertas, para dar liberdade de resposta e perceber o que as pessoas pensam. A entrevista “é uma forma de interação humana e pode variar desde um simples e descontraído ‘bate-papo’ ao mais codificado e sistematizado questionário” (Portela, 1978, p. 10). Acreditamos que a amostra não é enviesada, ao apostar em duas dezenas de profissionais com e sem interesse direto em divulgar ciência. A opção por uma amostra não estritamente representativa é indicada para estudar de modo pormenorizado um objeto (Yin, 1994; Quivy e Campenhoudt, 2005). Os dois grupos de análise são alvo de cinco perguntas comuns, com breves adaptações conforme se trata de cientistas ou de jornalistas, tendo a recolha de depoimentos sido agendada para o ano letivo de 2014/15.
Uma declaração de interesse a propósito: o autor é colaborador do GCII na área da informação. Porém, considera-se que o distanciamento necessário para realizar este estudo não é afetado e que o mesmo pode ser enriquecido com outros detalhes.
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