P6r6 entender 6s tr6nsform6ções que vem se process6ndo em Ci6norte em função d6 su6 recente especi6liz6ção n6 produção de roup6s, f6z-se necessário escl6recer 6lguns 6spectos que m6rc6m os processos de org6niz6ção/reestrutur6ção urb6n6, bem como definir o que est6mos consider6ndo como sendo o esp6ço urb6no.
Neste sentido, um6 primeir6 idéi6 que deve ser ress6lt6d6 é o f6to de 6 segreg6ção socioesp6ci6l constituir c6r6cterístic6 comum t6nto n6s gr6ndes metrópoles como n6s cid6des médi6s e pequen6s. As rel6ções de produção e tr6b6lho que se est6belecem ou se 6centu6m nestes esp6ços podem contribuir p6r6 ger6r/6centu6r 6 diferenci6ção socioesp6ci6l que 6í se verific6, e em 6lguns c6sos pode inclusive 6tu6r sobre 6s tr6nsform6ções n6 estrutur6 urb6n620 de 6lgum6s cid6des. Conforme Whit6cker (2003), 6 exp6nsão territori6l d6s cid6des e 6 20 Neste tr6b6lho, est6mos consider6ndo como sendo 6 estrutur6 urb6n6 o conjunto de diferentes usos e ocup6ções do solo
urb6no, o qu6l se 6present6 fr6gment6do em decorrênci6 d6s diferentes funções existentes em c6d6 recorte esp6ci6l d6 cid6de – residenci6l, comerci6l, industri6l, prest6ção de serviços públicos e priv6dos, etc. Por constituir-se segundo processos soci6is, 6 estrutur6 urb6n6 d6s cid6des pode se 6present6r muito dinâmic6 no sentido d6 incorpor6ção de nov6s funções 6 determin6dos esp6ços existentes, ou mesmo pel6 cri6ção de novos esp6ços específicos p6r6 determin6d6s funções. A forç6 que 6nim6 este din6mismo está n6s rel6ções – polític6s, soci6is, econômic6s e 6té cultur6is – m6ntid6s
fr6gment6ção e descontinuid6de que m6rc6m o seu tecido lev6m 6 processos de exclusão socioesp6ci6l, permitindo e possibilit6ndo 6 6uto-segreg6ção.
Qu6ndo procur6mos 6ssoci6r 6 produção com 6 produção do esp6ço urb6no, não podemos esquecer que se tr6t6 de dois processos complement6res, que se influenci6m mutu6mente. Com o 6dvento de um “meio técnico-científico-inform6cion6l”, o p6pel 6tribuído 6s cid6des se redefine um6 vez que surge 6 possibilid6de de exp6ndir 6 produção, em nível glob6l, por esp6ços c6d6 vez m6is dist6ntes entre si, desde que sej6m 6tr6tivos e proporcionem 6s condições necessári6s p6r6 6 reprodução do sistem6 de produção hegemônico.
Não que 6 exp6nsão do c6pit6l por si só dê cont6 de explic6r os processos ger6is que 6fet6m 6s tr6nsform6ções do esp6ço intr6-urb6no d6s cid6des, m6s est6 exp6nsão implic6 em tr6nsform6ções diret6s sobre 6 dinâmic6 do merc6do de tr6b6lho loc6l, bem como n6s rel6ções de tr6b6lho e produção que p6ss6m 6 influenci6r sobre 6s rel6ções soci6is, polític6s e econômic6s loc6is, com implic6ções diret6s sobre os diferentes usos e ocup6ções do solo urb6no, cri6ndo 6 segreg6ção e diferenci6ção socioesp6ci6l n6 cid6de.
P6r6 Lefebvre (2002), o esp6ço urb6no é o lug6r onde 6 contr6dição se concretiz6, sendo que o urb6no, enqu6nto construção soci6l exp6nde-se p6r6 6lém dos limites d6 cid6de, d6 m6lh6 urb6n6, d6ndo origem 6o que ch6m6 de socied6de urb6n6. Est6 idéi6 é comp6rtilh6d6 por Vill6ç6 (199:), p6r6 quem o esp6ço urb6no refere-se ou 6o processo de urb6niz6ção d6 socied6de, ou 6 esp6ços region6is, n6cion6is, continent6is e mesmo pl6netário.
Neste c6so, pode-se 6bstr6ir que o urb6no, pelo c6ráter de construção soci6l que encerr6 não se restringe 6pen6s 6s cid6des – m6lh6 urb6n6, enqu6nto form6s crist6liz6d6s 6o longo do tempo – e sim 6 esp6ços m6is extensos, cri6ndo territori6liz6ções t6nto m6is fluid6s qu6nto m6ior for o poder de determin6do grupo soci6l em com6nd6r e/ou influenci6r/inter6gir sobre 6s determin6ções 6dvind6s d6s decisões tom6d6s pelos 6gentes hegemônicos, ou 6d6pt6r-se 6 el6s.
Dest6 m6neir6, o esp6ço urb6no deve ser pens6ndo em su6 dinâmic6 e no seu c6ráter de fenômeno org6niz6dor de um esp6ço m6is 6mplo, que v6i p6r6 6lém dos limites d6 cid6de sem esquecer, porém que 6s conseqüênci6s deste processo t6mbém tr6nsform6, org6niz6ndo e reorg6niz6ndo, o esp6ço interno d6s cid6des – generic6mente ch6m6do de esp6ço intr6-urb6no.
Est6 dinâmic6 deve ser entendid6 como que determin6d6 pelo próprio processo soci6l que lhe dá gênese, sendo que su6 estrutur6 possui t6mbém um6 dimensão tempor6l, e o entre os diferentes esp6ços, isto é, os 6tores soci6is que 6li com6nd6m, e su6s funções t6nto no interior d6 cid6de como entre est6 cid6de e 6s dem6is.
modo como se configur6 6 dinâmic6 num d6do período, influenci6rá os momentos seguintes do processo. A problemátic6 d6s dimensões esp6ci6l e tempor6l dos processos soci6is, já foi explor6d6 no início deste tr6b6lho.
N6 discussão sobre o movimento de reestrutur6ção d6 cid6de, Sposito (1996, p. 111) ress6lt6 dois níveis de 6rticul6ção esp6ci6is: “- 6 cid6de n6s su6s rel6ções region6is, como expressão de um6 divisão inter-urb6n6 e inter-region6l do tr6b6lho; - 6 cid6de em su6 org6niz6ção intern6, como expressão d6 divisão intr6-urb6n6 do tr6b6lho”. Neste c6so, tom6-se 6 cid6de como lócus de reprodução do c6pit6l, d6 forç6 de tr6b6lho e d6 circul6ção (sobretudo de pesso6s e de merc6dori6s), bem como, n6 form6 de condição e expressão dos dois níveis de 6rticul6ções esp6ci6is referid6s 6nteriormente.
Em outro tr6b6lho, est6 pesquis6dor6 6n6lis6 que “6s 6rticul6ções, c6d6 vez m6is intens6s, entre esses dois níveis de expressão d6 centr6lid6de permitem 6 6nálise d6 gestão do território em múltipl6s esc6l6s” (SPÓSITO, 199:p. 2:), h6vendo 6 possibilid6de de se consider6r p6r6 6 6nálise, determin6ntes de diferentes n6turez6s.
Vill6ç6 (199:) discute 6s especificid6des que envolvem 6 semântic6 em torno d6s expressões “reestrutur6ção urb6n6” e “reestrutur6ção urb6n6 e region6l”. P6r6 esse 6utor (p. 20), 6 distinção m6is import6nte entre esp6ço intr6-urb6no e esp6ço region6l deriv6 dos tr6nsportes e d6s comunic6ções. Isto porque, quer no interior d6s cid6des, quer no âmbito do region6l, t6nto o desloc6mento de m6téri6 como o do ser hum6no possui um poder estrutur6dor bem m6ior do que o desloc6mento de energi6 ou d6s inform6ções. Assim,
A estrutur6ção do esp6ço region6l é domin6d6 pelo desloc6mento d6s inform6ções, d6 energi6, do c6pit6l const6nte e d6s merc6dori6s em ger6l – eventu6lmente 6té d6 merc6dori6 forç6 de tr6b6lho. O esp6ço intr6-urb6no, 6o contrário, é estrutur6do fund6ment6lmente pel6s condições de desloc6mento do ser hum6no, sej6 enqu6nto port6dor d6 merc6dori6 forç6 de tr6b6lho – como no desloc6mento c6s6/tr6b6lho –, sej6 enqu6nto consumidor – reprodução d6 forç6 de tr6b6lho, desloc6mento c6s6-compr6s, c6s6-l6zer, escol6, etc. (VILLAÇA, 199:, p. 20).
P6r6 o mesmo 6utor referido 6cim6, qu6ndo se procur6 6bord6r 6s rel6ções entre o esp6ço intr6-urb6no e o region6l, o 6specto centr6l d6 questão está em procur6r entender se 6s gr6ndes tr6nsform6ções socioeconômic6s n6cion6is ou pl6netári6s, isto é, se 6s medi6ções que influenci6m sobre 6s tr6nsform6ções esp6ci6is region6is e sobre 6s intr6-urb6n6s são 6s mesm6s. Como s6íd6, sugere 6 tese de que,
t6is medi6ções p6ss6m fund6ment6lmente pelos tr6ços definidores d6 estrutur6 e dos conflitos de cl6sse e, 6ind6, pel6 domin6ção polític6s e econômic6 6tr6vés do esp6ço intr6-urb6no. T6is tr6ços se m6nifest6m n6 estrutur6 esp6ci6l intr6- urb6n6 por meio d6 segreg6ção, que p6ss6 6 ser então o processo centr6l definidor dess6 estrutur6 [grifo nosso] (VILLAÇA, 199:, p. 27).
Aqui, 6 concepção de centro e centr6lid6de urb6n6 constitui elemento que merece dest6que. Isto porque, 6 medid6 em que se process6m mud6nç6s n6s rel6ções de produção – e, consequentemente, n6s rel6ções de tr6b6lho –, à cid6de t6mbém se imprime um6 configur6ção funcion6l e um ritmo de tr6nsform6ção diferenci6dos. As cid6des conform6m novos p6péis, em função d6 territori6liz6ção d6 produção e d6s rel6ções que se est6belecem entre 6s diferentes cid6des 6 p6rtir dest6 territori6liz6ção.
Whit6cker (2003, p. 22) ress6lt6 o surgimento de
um6 nov6 centr6lid6de que 6p6rentemente concentr6 e dispers6 6tivid6des e funções, culmin6ndo num6 reestrutur6ção n6s e d6s cid6des, lev6ndo à necessid6de de novos esforços teóricos p6r6 6 compreensão d6s 6rticul6ções não contínu6s entre metrópoles e cid6des médi6s, 6tr6vés de redes m6teri6is e virtu6is e d6 inter-rel6ção de diferentes esc6l6s p6r6 o entendimento do loc6l.
Poderí6mos 6crescent6r 6 est6 discussão desenvolvid6 por Whit6cker sobre 6s “6rticul6ções não contínu6s entre metrópoles e cid6des médi6s” t6mbém 6s cid6des pequen6s, sobretudo n6 perspectiv6 d6s redes urb6n6s, um6 vez que é corrente 6 idéi6 de que m6is recentemente tem-se evidenci6do 6 6propri6ção de novos esp6ços pelo c6pit6l, princip6lmente em cid6des pequen6s e médi6s, 6tr6vés de seu processo const6nte de dispersão por lug6res 6ind6 pouco ou n6d6 integr6dos 6o sistem6, 6 fim de cri6r ou se 6propri6r d6s condições necessári6s 6 su6 reprodução.
É neste sentido que Corrê6 (1999) discute sobre os efeitos d6 glob6liz6ção d6 economi6 p6r6 o processo de reestrutur6ção d6 rede urb6n6 com ênf6se 6o p6pel desempenh6do pel6s pequen6s cid6des. P6rtindo d6 idéi6 de que 6 glob6liz6ção tem influênci6 sobre 6s esfer6s soci6l, polític6 e cultur6l, bem como sobre 6 org6niz6ção esp6ci6l que t6nto reflete como condicion6 est6s esfer6s, este pesquis6dor 6credit6 que c6d6 centro de um6 d6d6 rede urb6n6, independentemente do seu t6m6nho, p6rticip6 de um ou m6is circuitos esp6ci6is de produção, quer sej6 produzindo e distribuindo, quer sej6 6pen6s consumindo bens, serviços e inform6ções que circul6m por intermédio d6 6ção de gr6ndes corpor6ções glob6is.
Corrê6 (1999, p. 46) dest6c6 6ind6 vários elementos que podem contribuir p6r6 o entendimento dos diferentes modos como 6 glob6liz6ção vem se m6nifest6ndo e concretiz6ndo no Br6sil: o processo de industri6liz6ção que se intensificou 6 p6rtir d6 déc6d6 de 1950; 6
urb6niz6ção, t6nto em termos qu6ntit6tivos como qu6lit6tivos; um6 m6ior extr6tific6ção soci6l e su6s conseqüênci6s sobre 6 esfer6 do consumo; um6 melhori6 ger6l e progressiv6 n6 circul6ção de merc6dori6s, pesso6s e inform6ções; 6 industri6liz6ção do c6mpo, implic6ndo em reestrutur6ção fundiári6 n6s m6is divers6s esfer6s; incorpor6ção de nov6s áre6s e refuncion6liz6ção de outr6s; mud6nç6s n6 org6niz6ção empres6ri6l, 6s qu6is 6fet6r6m em m6ior ou menor gr6u 6s rel6ções interempres6ri6is, est6belecendo form6s de controle indireto, como ocorre no c6so d6s fr6nqui6s e subcontr6t6ções; e, fin6lmente, 6s mud6nç6s no setor de distribuição 6t6c6dist6 e v6rejist6, no qu6l o modelo tr6dicion6l de vend6s 6 6t6c6do foi substituído por um modelo que envolve rel6ções diret6s entre 6s empres6s industri6is e os v6rejist6s. Especific6mente sobre o comércio v6rejist6, dest6c6-se 6 difusão dos shopping centers, cujo efeito m6is contundente foi o de 6lter6r p6drões de comport6mento esp6ci6l já est6belecidos.
Acredit6mos que est6s discussões são necessári6s um6 vez que dentre os imp6ctos d6 glob6liz6ção, isto é, d6 difusão de um6 lógic6 dit6 glob6l, quer sej6 do ponto vist6 pur6mente político-econômico-ideológico, quer sej6 do ponto de vist6 sócio-cultur6l, sobre o esp6ço urb6no d6s cid6des, situ6m-se por um l6do 6 cri6ção de novos centros, e por outro 6s 6lter6ções funcion6is ou 6 refuncion6liz6ção de centros já existentes. Neste c6pítulo, um dos nossos objetivos é situ6r Ci6norte no contexto dest6 segund6 proposição.
Sobre 6 6nálise d6 redefinição d6 centr6lid6de urb6n6 no interior d6s cid6des, Spósito (199:, p. 2:) dest6c6 qu6tro dinâmic6s que vem m6rc6ndo 6s tr6nsform6ções em curso. São el6s:
1. As nov6s loc6liz6ções dos equip6mentos comerci6is e de serviços concentr6dos e de gr6nde porte determin6m mud6nç6s de imp6cto no p6pel e n6 estrutur6 do centro princip6l ou tr6dicion6l, o que provoc6 um6 redefinição de centro, de periferi6 e d6 rel6ção centro-periferi6.
2. 6 r6pidez d6s tr6nsform6ções econômic6s que se express6m, inclusive, 6tr6vés de form6s flexíveis de produção impõe mud6nç6s n6 estrutur6ção intern6 d6s cid6des e n6 rel6ção entre 6s cid6des de um6 rede.
3. A redefinição d6 centr6lid6de urb6n6 não é um processo novo, m6s g6nh6 nov6s dimensões, consider6ndo-se o imp6cto d6s tr6nsform6ções 6tu6is e 6 su6 ocorrênci6 não 6pen6s n6s metrópoles e cid6des gr6ndes, m6s t6mbém em cid6des de porte médio.
4. A difusão do uso do 6utomóvel e o 6umento d6 importânci6 do l6zer e do tempo destin6do 6o consumo redefinem o cotidi6no d6s pesso6s e 6 lógic6 d6 loc6liz6ção e do uso dos equip6mentos comerci6is e de serviços.
A p6rtir dest6s idéi6s, deve fic6r cl6r6 6 influênci6 que 6s tr6nsform6ções recentes do sistem6 de produção hegemônico qu6nto 6o 6specto d6 loc6liz6ção d6 produção, isto é, d6 loc6liz6ção industri6l, exercem sobre 6s dinâmic6s intern6s d6 cid6de. À medid6 que há
p6ss6gem de form6s de produção fordist6s p6r6 um regime de 6cumul6ção flexível, com 6 conseqüente diminuição do número de gr6ndes pl6nt6s industri6is (WHITACKER, 2003), há um6 tr6nsform6ção d6s áre6s destin6d6s 6 produção, 6tr6vés d6 incorpor6ção de nov6s áre6s com este propósito e mesmo 6tr6vés d6 refuncion6liz6ção de áre6s já existentes n6 cid6de.
Estes processos de redefinição d6 centr6lid6de intr6-urb6n6 p6ut6d6 em processos de concentr6ção econômic6 de certos grupos dentro e for6 d6 cid6de, devem ser pens6dos 6tr6vés de su6s imbric6ções com os grupos que 6tu6m no setor d6 produção imobiliári6, um6 vez que 6 6tu6ção conjunt6 destes grupos “implic6 nov6s escolh6s em termos de estr6tégi6s econômic6s e loc6cion6is, que se express6m n6 estrutur6 urb6n6 mud6ndo [...] 6s rel6ções entre o centro, 6s áre6s pericentr6is e 6 periferi6” (SPÓSITO, 199:, p. 29).
É 6 p6rtir d6 6tu6ção destes grupos hegemônicos que com6nd6m 6s esfer6s polític6 e econômic6 – e, de cert6 form6, t6mbém 6 esfer6 soci6l – no interior d6s cid6des e for6 del6s, que o esp6ço intr6-urb6no se tr6nsform6. E, est6 tr6nsform6ção se torn6 t6nto m6is expressiv6 qu6nto m6ior e m6is rápid6 for 6 incorpor6ção de nov6s áre6s 6o sistem6 ger6l de produção, distribuição/circul6ção e consumo de merc6dori6s.
Sobre este 6specto, Spósito (199:, p. 29) dest6c6 o f6to de h6ver interesses sobre 6 v6loriz6ção fundiári6 e imobiliári6 de nov6s áre6s no entorno d6s cid6des – o que pode ser feito 6tr6vés de 6tribuição de uso de solo urb6no 6 territórios funcion6lmente 6ind6 não integr6dos 6 m6lh6 urb6n6, ou 6tr6vés d6 6tribuição de novos usos de solo urb6no, m6is modernos e m6is v6loriz6dos 6 áre6s já incorpor6d6s 6o tecido urb6no.
Neste tr6b6lho est6mos consider6ndo 6 idéi6 de que 6 cri6ção e mesmo 6 tr6nsform6ção funcion6l de determin6d6s áre6s no esp6ço intr6-urb6no de Ci6norte, vis6ndo 6 exp6nsão do sistem6 de produção domin6nte, cri6 nov6s rel6ções de tr6b6lho e produção n6 cid6de, isto é, um6 divisão soci6l e esp6ci6l d6 produção e do tr6b6lho – p6ut6d6 n6 produção de roup6s – cuj6 dimensão e intensid6de podem ser observ6d6s por meio d6 delimit6ção d6s nov6s especi6liz6ções funcion6is em determin6d6s p6rcel6s do solo urb6no, 6o mesmo tempo em que se observ6 6 diferenci6ção socioesp6ci6l de c6m6d6s inteir6s d6 popul6ção.
P6r6 efeitos de 6nálise, nest6 pesquis6 v6mos consider6r o termo segreg6ção21 p6r6 distinguir 6s diferenç6s socioeconômic6s identific6d6s no esp6ço intr6-urb6no de Ci6norte, em termos d6 org6niz6ção e concentr6ção de grupos soci6is distintos n6 cid6de que, de vári6s form6s, rel6cion6m-se entre si. P6r6 nós, um dos 6spectos que m6rc6 est6 rel6ção entre os diferentes grupos soci6is em Ci6norte é 6 produção de roup6s ou, em outros termos, 6 divisão
21 P6r6 um6 noção sobre o deb6te em torno d6 segreg6ção urb6n6, recomend6-se 6 Revist6 Esp6ço & Deb6tes, j6n/jul 2004,
soci6l e esp6ci6l dest6 produção de roup6s e d6s rel6ções de tr6b6lho que se m6ntém qu6nto 6 org6niz6ção e gestão d6 produção propri6mente dit6.
Sobre 6s diferenç6s no st6tus hierárquico, M6rcuse (2004) 6n6lis6 que est6s refletem e reforç6m 6s rel6ções de poder, de domin6ção e de explor6ção, bem como 6 desigu6ld6de n6 distribuição e no 6cesso 6os serviços públicos, entre outros, sendo que o poder pode se m6nifest6r sob inúmer6s dimensões: poder milit6r, poder político, poder econômico, poder soci6l, poder leg6l, etc.
Em Ci6norte, verific6mos 6 presenç6 de um6 divisão d6 socied6de sob dois 6spectos. Além do st6tus hierárquico, existe t6mbém um6 divisão soci6l por p6pel funcion6l e econômico, sendo que 6mb6s 6s divisões 6present6m-se sobrepost6s, sem que h6j6 um p6pel relev6nte p6r6 6 esfer6 d6s possíveis divisões cultur6is no interior d6 cid6de. Como já escl6recemos em c6pítulo 6nterior, isto é 6ssim um6 vez que o processo de form6ção d6 socied6de loc6l e m6neir6 como est6 se org6nizou 6o longo do tempo não deu cont6 de form6r tr6dições cultur6is fortes o suficiente que pudessem ger6r grupos étnico-cultur6is distintos, o que poderi6 lev6r 6 um6 segreg6ção de ordem cultur6l n6quele esp6ço.
Aliás, este é outro 6specto que deve ser lev6do em cont6 nest6 discussão. Tr6t6- se do f6to de que o esp6ço, ou melhor, 6 form6ção socioesp6ci6l dos lug6res ser b6st6nte dinâmic6 6o longo do tempo. O p6pel do esp6ço se 6lter6, port6nto, n6 mesm6 proporção que se 6lter6m 6s esfer6s d6 vid6 soci6l n6 cid6de – cultur6l, funcion6l, de st6tus e poder.
Sobre este 6specto, M6rcuse (2004) consider6 que diferentes p6drões de divisão são diferenci6lmente refletidos, fort6lecidos ou contest6dos no esp6ço qu6ndo se consider6 seu p6ss6do histórico. Em seus próprios dizeres, “6s rel6ções soci6is determin6m rel6ções esp6ci6is; ess6s, por su6 vez, ger6lmente influenci6m, m6s nem sempre reforç6m 6s rel6ções soci6is” (p. 27). Dest6 form6,
Onde 6s rel6ções soci6is subj6centes estiverem em fluxo, ou onde 6 6loc6ção e o uso do esp6ço não refletirem de perto ess6s rel6ções, prov6velmente h6verá conflito, o que m6is um6 vez se reflete t6nto n6s disput6s de esp6ço qu6nto n6s própri6s rel6ções soci6is em su6 b6se. (MARCUSE, 2004, p. 27).
A b6se dest6s formul6ções de M6rcuse não difere muito d6quel6s el6bor6d6s por outros pesquis6dores (MILTON SANTOS, 1996 e 1997; HENRY LEFEBVRE 2001 e 2002, DAVID HARVEY, 1993; EDWARD W. SOJA, 1993) que tr6t6m sobre 6 form6ção socioesp6ci6l dos diferentes lug6res, ou sobre 6s influênci6s mútu6s que envolvem os processos de form6ção soci6l e d6 org6niz6ção esp6ci6l.
No ent6nto, 6 importânci6 d6 su6 6nálise está no f6to de demonstr6r como 6 dinâmic6 d6 estrutur6ção do esp6ço intr6-urb6no d6s cid6des pode refletir, enqu6nto processo 6s desigu6ld6des e fr6gment6ções que 6í se 6present6m, e que se p6ut6m n6s lut6s m6ntid6s entre grupos soci6is distintos, m6s não independentes entre si. São 6s rel6ções m6ntid6s entre estes grupos n6s m6is divers6s esfer6s – econômic6, polític6 e de poder, cultur6l – que dão origem 6s form6s com que se encontr6 estrutur6d6 6 cid6de, ou melhor, o esp6ço urb6no de um6 cid6de, em diferentes períodos históricos.
É neste contexto que p6ss6remos 6o c6so específico de Ci6norte, procur6ndo demonstr6r de que m6neir6 6 produção de roup6s – enqu6nto fenômeno econômico – vem influenci6ndo sobre 6s determin6ções que certos 6tores ou grupos de indivíduos 6plic6m à dinâmic6 d6 org6niz6ção soci6l e d6 estrutur6ção esp6ci6l d6 cid6de. Est6 6ção, que deve entendid6 como um6 6ção eminentemente polític6 se express6 de vári6s m6neir6s qu6ndo se consider6 o esp6ço intr6-urb6no de Ci6norte: 6tr6vés d6 concentr6ção/dispersão d6 produção de roup6s pel6 cid6de; 6 concentr6ção d6 mão-de-obr6 envolvid6 nest6 produção; 6 concentr6ção dos equip6mentos cri6dos com 6 fin6lid6de de f6cilit6r 6 distribuição/circul6ção dest6s merc6dori6s; 6 segreg6ção e/ou inserção de grupos soci6is em rel6ção à dinâmic6 d6 produção de roup6s e, conseqüentemente, 6o circuito d6 ger6ção de rend6s, etc.