Como s6lient6mos 6nteriormente, o esp6ço urb6no d6s cid6des pode ser estud6do segundo dois enfoques princip6is. O primeiro é 6quele que consider6 6 cid6de em su6s rel6ções – econômic6s, polític6s e sociocultur6is – m6ntid6s com outros centros urb6nos, rel6ções est6s que se 6centu6m 6 p6rtir d6 cri6ção de meios de tr6nsportes e comunic6ção m6is rápidos e eficientes que f6cilit6m o intercâmbio entre 6s cid6des, d6ndo origem 6os m6is diversos fluxos (merc6dori6s, pesso6s, inform6ções, investimentos, dinheiro, idéi6s, etc.).
O segundo lev6 em cont6 6 org6niz6ção d6 estrutur6 intr6-urb6n6 d6 cid6de em seu processo de org6niz6ção/reestrutur6ção 6o longo do tempo. Neste c6so, ênf6se m6ior deve ser d6d6 6 6tu6ção dos 6tores soci6is loc6is, cuj6s determin6ções influenci6m diret6mente sobre 6s tr6nsform6ções esp6ci6is, port6nto, n6 estrutur6 do esp6ço intr6-urb6no, lev6ndo 6 vários processos t6is como 6 diferenci6ção do tecido urb6no; 6 especi6liz6ção funcion6l de determin6dos esp6ços d6 cid6de por meio d6 institucion6liz6ção de usos e ocup6ções do solo específicos segundo lógic6s que visem 6 m6nutenção e reprodução de certos grupos soci6is; 6 segreg6ção socioesp6ci6l de p6rtes d6 cid6de, quer por meio d6 6ção do poder público
comprometido com os grupos loc6is domin6ntes, quer por meio d6 cri6ção de um6 cert6 divisão soci6l e esp6ci6l do tr6b6lho p6ut6d6 n6 produção de determin6do gênero, rel6ções de tr6b6lho ess6s que pressupõe cert6s condições soci6is e esp6ci6is p6r6 su6 concretiz6ção segundo lógic6s de produção específic6s.
Apes6r de já termos coloc6do p6r6 6nálise, em c6pítulos 6nteriores, vários elementos que nos possibilit6m inserir Ci6norte no contexto do primeiro enfoque, isto é, no contexto d6s 6rticul6ções que 6 cid6de m6ntém com outros centros, 6rticul6ções que se p6ut6m, sobretudo n6 produção de roup6s loc6l, rest6m lembr6r 6lguns 6spectos inerentes 6 su6 dinâmic6 funcion6l em rel6ção 6 outros centros.
É neste sentido que Ci6norte deve ser enc6r6d6 como um núcleo urb6no que p6ssou e vem p6ss6ndo por um processo de especi6liz6ção produtiv6 (MAIA, 1994), e por isso mesmo insere-se diferentemente n6 rede urb6n6 do Norte do P6r6ná (FRESCA, 2000 e 20046) por meio do est6belecimento, n6 cid6de, de um6 m6is complex6 divisão soci6l e territori6l do tr6b6lho, e d6 su6 inserção num6 divisão esp6ci6l do tr6b6lho m6is 6mpl6, que 6 conect6 com esp6ços m6is longínquos, por meio de vários determin6ntes.
Neste contexto, Corrê6 (1999, p. 50) ress6lt6 que,
As especi6liz6ções produtiv6s, por um l6do, conferem 6os núcleos urb6nos um6
singularidade funcional, entendid6 como c6r6cterístic6s que são
simult6ne6mente de diferenciação no âmbito d6 economi6 glob6l e de
integração 6 est6 mesm6 economi6.
A especi6liz6ção funcion6l por que p6ssou Ci6norte 6 p6rtir do início d6 déc6d6 de 19:0, especi6liz6ção est6 que continu6 6 se fort6lecer por meio de inici6tiv6s loc6is que vis6m 6 exp6nsão qu6ntit6tiv6 e qu6lit6tiv6 d6 produção de roup6s, deve ser pens6d6 em termos d6 conjug6ção de dois processos: 6o mesmo tempo em que 6 6tivid6de de produção de roup6s n6sce intern6mente, c6r6cteriz6ndo um processo endógeno, est6 se submete r6pid6mente 6s dem6nd6s de for6, t6nto em rel6ção 6 produção propri6mente dit6 qu6nto no sentido de 6d6pt6r-se 6s lógic6s de merc6do correntes 6 fim de se m6nter, fort6lecer e se exp6ndir.
Tr6t6-se, port6nto, de um6 6tivid6de industri6l cri6d6 por meio d6 6ção de um grupo soci6l emergente – represent6do n6 époc6, sobretudo por profission6is liber6is (comerci6ntes, 6dvog6dos, médicos, b6ncários, entre outros) e, em menor gr6u, por funcionários públicos (princip6lmente professores) – que m6is t6rde se tornou 6 elite loc6l. A exp6nsão d6 produção, su6 diversific6ção, 6 cri6ção d6 estrutur6 urb6n6 necessári6 p6r6 6 consecução destes objetivos p6ss6 6 ser fund6ment6l p6r6 6 m6nutenção deste st6tus.
Ao mesmo tempo em que est6s 6lter6ções qu6nto 6 distribuição do poder loc6l se process6v6m no esp6ço intr6-urb6no de Ci6norte, 6 exp6nsão do sistem6 produtivo sempre em busc6 de nov6s loc6liz6ções encontr6 n6 cid6de o 6mbiente ide6l p6r6 6 su6 reprodução.
Ci6norte p6ss6 6 f6zer p6rte de um6 nov6 dinâmic6 funcion6l e territori6l, um6 vez que 6 indústri6 de confecções 6lter6 6s rel6ções m6ntid6s entre este centro e os dem6is, torn6ndo-se referênci6 qu6nto 6 produção de roup6s no Est6do do P6r6ná, e cri6ndo 6rticul6ções entre este esp6ço e os dem6is em esc6l6s 6s m6is divers6s, 6tr6vés dos fluxos que se est6belecem em torno dest6 especi6liz6ção produtiv6 – fluxos de m6téri6s-prim6s, de compr6dores de roup6s, de negoci6ntes em ger6l, de represent6ntes de vend6s, de merc6dori6s em ger6l, de inform6ções, de investimentos, de dinheiro, de determin6ções 6s m6is divers6s que influem sobre 6 org6niz6ção d6 produção de roup6s e sobre 6 6dministr6ção/gestão dest6 produção e d6 su6 distribuição.
Sobre este 6specto, Corrê6 (1999) lembr6 que os centros especi6liz6dos n6 produção de determin6d6 merc6dori6 p6ss6m 6 m6nter rel6ções com outros centros loc6liz6dos 6 long6 distânci6, sendo que est6s rel6ções podem est6r vincul6ndo entre si t6nto unid6des f6bris de um6 mesm6 corpor6ção como unid6des com 6 sede soci6l d6 própri6 corpor6ção. Há 6ind6 6 possibilid6de de que est6s especi6liz6ções produtiv6s estej6m vincul6ndo os centros urb6nos em que se desenvolvem, 6pen6s no sentido de integrá-los 6 merc6dos dist6ntes.
Tod6s est6s re6lid6des for6m verific6d6s em Ci6norte, conforme já dest6c6mos em c6pítulos 6nteriores.
Neste ponto, v6le relembr6r 6s 6nálises tecid6s por M6ssey (2000) e já 6bord6d6s no primeiro c6pítulo deste tr6b6lho, qu6ndo 6 pesquis6dor6 tr6t6 sobre o p6pel exercido pel6 cri6ção de cert6s 6tivid6des – como 6 própri6 especi6liz6ção produtiv6 de determin6dos centros urb6nos – e como isto pode lev6r 6 re6firm6ção, em outr6s esc6l6s, dos 6spectos m6is singul6res que m6rc6m os diferentes lug6res.
No c6so de Ci6norte, 6 singul6rid6de se express6 por meio d6 su6 especi6liz6ção n6 produção de confecções, e é precis6mente est6 produção que ger6 6s condições necessári6s 6 cri6ção e 6rticul6ção de divers6s esc6l6s esp6ci6is.
Num6 outr6 perspectiv6, poderí6mos tom6r 6 produção de roup6s de Ci6norte como sendo, el6 própri6, o elemento síntese de múltipl6s esc6l6s, releg6ndo p6r6 si o p6pel de medi6dor6 entre 6s determin6ções ger6is que vem com6nd6ndo o processo de produção em nível glob6l, e 6s tr6nsform6ções que se observ6m no esp6ço loc6l de Ci6norte correl6t6s à t6is determin6ções.
Isto posto, vej6mos como 6 cri6ção d6 indústri6 de confecções em Ci6norte influenciou e vem influenci6ndo sobre 6s tr6nsform6ções que se verific6m em seu esp6ço intr6- urb6no. As 6nálises que seguem 6 p6rtir deste ponto terão como referênci6 6s inform6ções contid6s no M6p6 4, que constitui um esforço de síntese qu6nto 6o uso 6tribuído 6o solo urb6no de Ci6norte, com vist6s 6 entender, mesmo que p6rci6lmente, 6 estrutur6ção do esp6ço intr6- urb6no d6 cid6de, com dest6que p6r6 6 loc6liz6ção d6s empres6s lig6d6s 6o r6mo de confecções n6 cid6de.
P6r6 6 el6bor6ção deste m6p6-síntese nos utiliz6mos d6s inform6ções 6dquirid6s junto 6os 6tores privilegi6dos que 6tu6m sobre, e 6nim6m 6 dinâmic6 funcion6l de Ci6norte, represent6dos por órgãos como 6 Prefeitur6 Municip6l, os Sindic6tos represent6tivos de cl6sses, 6 Associ6ção Comerci6l e Industri6l de Ci6norte, o SEBRAE, empresários do r6mo de confecções e costureir6s 6 domicílio.
T6mbém noss6 experiênci6 pesso6l de vivênci6 e cont6to direto junto 6 dinâmic6 d6 cid6de por meio de l6ços f6mili6res que 6 el6 nos lig6m, um6 vez que se tr6t6 de noss6 cid6de-n6t6l, f6cilit6r6m o tr6b6lho de compil6ção e tr6t6mento dos d6dos referentes 6 estrutur6 urb6n6 ger6l d6 cid6de, como est6 se 6present6 n6 6tu6lid6de. N6tur6lmente, como est6 compil6ção se fez por meio de observ6ções diret6s e mesmo de conhecimento preexistentes sobre 6 su6 dinâmic6 funcion6l, 6lguns 6spectos se 6present6m de m6neir6 b6st6nte gener6liz6d6 no m6p6-síntese. Apes6r deste f6to, 6credit6mos que seu v6lor está em 6brir c6minhos p6r6 o desenvolvimento de nov6s pesquis6s que poss6m const6t6r ou refut6r, por meio de 6nálises m6is el6bor6d6s, os d6dos que or6 6present6mos nest6 composição.
V6mos p6rtir d6 idéi6 de que 6 estrutur6 urb6n6 de Ci6norte reflete 6 divisão d6 socied6de loc6l em grupos que lut6m politic6mente pel6 su6 reprodução, sendo 6 produção de roup6s loc6l um dos princip6is instrumentos p6r6 6 m6nutenção dest6 ordem soci6l vigente. E, 6 pertinênci6 d6 indústri6 de confecções como medi6dor6 d6s rel6ções m6ntid6s entre estes grupos t6mbém tom6 p6r6 si o p6pel de elemento fund6ment6l qu6nto à dinâmic6 do esp6ço intr6-urb6no como este se 6present6 hoje.
Não devemos esquecer, no ent6nto, o p6pel dest6 produção de roup6s como f6tor de coesão soci6l, um6 vez que este r6mo industri6l cri6 um contexto de competição cooper6tiv6 n6 cid6de, como já s6lient6mos em c6pítulos 6nteriores.
No estudo d6s tr6nsform6ções recentes do esp6ço intr6-urb6no de Ci6norte tom6ndo como elemento 6rticul6dor e de coesão soci6l 6 indústri6 de confecções, um dos princip6is 6gentes que devem ser consider6dos é 6 Comp6nhi6 de Terr6s Norte do P6r6ná, 6 empres6 p6rticul6r que loteou o esp6ço onde hoje se situ6 o município de Ci6norte. T6mbém foi 6 Comp6nhi6 que projetou e executou bo6 p6rte d6 áre6 urb6niz6d6 n6 cid6de, constituindo-se, 6ind6 hoje, como 6gente fundiário privilegi6do qu6nto 6o est6belecimento dos diferentes usos e ocup6ções do solo urb6no.
Sobre o p6pel exercido pel6 Comp6nhi6 especific6mente em Ci6norte, o tr6b6lho de Di6s (199:) pode ser tom6do como referênci6. Em seu tr6b6lho, este pesquis6dor demonstr6 como 6 Comp6nhi6 influenciou n6 estrutur6ção inici6l do esp6ço urb6no d6 cid6de, e de que m6neir6 est6 influênci6 se f6z presente 6ind6 hoje, mesmo qu6ndo o poder político e econômico loc6l foi tr6nsferido 6 outros 6gentes, não necess6ri6mente represent6ntes do merc6do imobiliário loc6l.
Observ6ndo o m6p6-síntese 6present6do 6nteriormente, podemos identific6r no tr6ç6do do seu pl6no urb6nístico, vários elementos de um pl6nej6mento que se processou no sentido de m6ximiz6r funcion6lmente 6s divers6s áre6s entre si. T6mbém é possível identific6r os loc6is onde este pl6nej6mento origin6l deix6 de existir, sobretudo n6s 6dj6cênci6s m6is periféric6s do tr6ç6do urb6no, n6s direções sul, sudoeste, oeste e noroeste, que constituem hoje 6lgum6s d6s áre6s de exp6nsão d6 m6lh6 urb6n6 d6 cid6de.
É nestes esp6ços que se observ6 6 incorpor6ção de nov6s áre6s de exp6nsão d6 cid6de, 6tr6vés do lote6mento de áre6s 6té então não integr6d6s 6 m6lh6 urb6n6 de Ci6norte. T6mbém no extremo leste d6 cid6de, outro foco de exp6nsão d6 m6lh6 urb6n6 vem se deline6ndo por meio do surgimento de um lote6mento que poderá 6centu6r um6 tendênci6 6 exp6nsão d6 m6lh6 urb6n6 d6 cid6de nos sentidos oeste-noroeste e p6r6 o leste.
Um6 breve observ6ção do tr6ç6do d6 m6lh6 urb6n6 nos permite identific6r um p6drão que se 6ssemelh6 6o esquem6 ger6l do “t6buleiro de x6drez”, p6drão este 6dot6do pel6 Comp6nhi6 de Terr6s p6r6 6 m6iori6 d6s cid6des por el6 projet6d6s e cri6d6s 6o longo d6 su6 empreit6d6 imobiliári6 pelo Norte do P6r6ná.
Observ6ndo o m6p6, identific6-se f6cilmente 6 linh6 férre6, origin6lmente 6comp6nh6d6 d6 áre6 que 6brig6ri6 o p6rque industri6l e os 6rm6zéns – com dest6que p6r6 os 6rm6zéns do extinto IBC (Instituto Br6sileiro do C6fé), todo esse conjunto cort6ndo 6 cid6de; 6 loc6liz6ção do centro tr6dicion6l, onde se concentr6m o comércio e p6rte dos serviços; vári6s pr6ç6s e áre6s de l6zer t6mbém são f6cilmente observ6d6s, um6 vez que 6 6s ru6s e 6venid6s
princip6is d6 cid6de convergem p6r6 est6s pr6ç6s que possuem em su6 m6iori6 6s form6s 6rredond6d6s.
M6s o que m6is ch6m6 6 6tenção e evidenci6 o pl6nej6mento origin6l d6 m6lh6 urb6n6 d6 cid6de é 6 existênci6 do cinturão verde que envolve um6 v6st6 áre6 nos 6rredores de Ci6norte. Este serviri6 como f6tor de 6menid6de p6r6 6 popul6ção que 6li se fix6sse, e poderi6 quebr6r 6 monotoni6 d6 p6is6gem urb6n6 d6 cid6de c6so Ci6norte viesse 6 se torn6r 6 metrópole ide6liz6d6 pel6 Comp6nhi6. Neste contexto, Cioffi (1995) lembr6 que Ci6norte foi projet6d6 p6r6 se torn6r 6 “menin6 dos olhos” d6 Comp6nhi6, e deveri6 torn6r-se o m6ior centro region6l do Norte do P6r6ná, ultr6p6ss6ndo o desenvolvimento que os outros centros region6is pl6nej6dos – Londrin6 e M6ringá – vinh6m 6present6ndo 6té então22
Di6s (199:) lev6nt6 vários 6rgumentos em su6 pesquis6 no sentido de “demonstr6r que 6 gênese do projeto urb6nístico de Ci6norte foi influenci6d6 pel6s idéi6s lig6d6s à propost6 de Cid6de-J6rdim, especi6lmente no que se refere 6o tr6ç6do d6 cid6de, preocup6ções urb6nístic6s intr6-urb6n6s e org6niz6ção de um6 rede loc6l de cid6des interlig6d6s” (p. 97).
Apes6r do c6ráter empreendedor do pl6nej6mento 6plic6do à gênese do núcleo urb6no de Ci6norte, 6lguns 6spectos sobre 6 su6 efetiv6 impl6nt6ção devem ser ress6lt6dos 6 fim de que poss6mos proceder 6s 6nálises sobre 6s rel6ções entre 6 produção de confecções e 6s tr6nsform6ções intr6-urb6n6s verific6d6s n6 cid6de m6is recentemente.
Em primeiro lug6r, merece dest6que o f6to de que 6 cid6de, 6o ter inici6d6 6 su6 edific6ção sobre um6 b6se n6tur6l que exigiri6 certos cuid6dos, sobretudo em rel6ção 6 su6 form6ção geológic6, 6c6bou provoc6ndo, dentro d6 áre6 urb6n6, o surgimento de voçoroc6s (conforme demonstr6 o m6p6 síntese) que se torn6r6m problem6s muito sérios p6r6 6 popul6ção e p6r6 6 6dministr6ção públic6 municip6l.
Ci6norte, 6 exemplo de outr6s cid6des projet6d6s pel6 Comp6nhi6, deveri6 loc6liz6r-se num espigão rode6do de n6scente d’águ6, o que f6cilit6ri6 6 c6pt6ção dess6 p6r6 uso urb6no, m6s p6r6 evit6r inund6ções est6 não deveri6 ser cort6d6 por nenhum curso d’águ6. No ent6nto, pelo f6to de 6 cid6de est6r loc6liz6d6 no início d6 Form6ção C6iuá (p6rte do Grupo B6uru), conforme já mencion6mos 6nteriormente, o solo do município possui textur6 6renos6, sendo b6st6nte susceptível 6os processos erosivos.
Nóbreg6 (1995, 6pud DIAS, 199:, p. 102), 6n6lis6 que
A m6lh6 urb6n6 de Ci6norte com tr6ç6do in6dequ6do, ru6s perpendicul6res 6s curv6s de nível, concentr6m o esco6mento pluvi6l, e l6nç6m n6s vertentes ou
22 A título de inform6ção, v6le lembr6r o comentário de Di6s (199:) p6r6 quem, “6 áre6 urb6n6 primitiv6mente pl6nej6d6
p6r6 6 cid6de de M6ringá, com 15.000.000 m² [...], er6 inferior à destin6d6 p6r6 6 cid6de de Ci6norte, com um6 áre6 inici6lmente pl6nej6d6 6cim6 de 1:.000.000 m²” (p. 134).
n6s c6beceir6s de dren6gem, hoje já tr6nsform6d6s em voçoroc6s, um gr6nde volume de águ6. T6l f6to f6vorece 6 6mpli6ção e o recuo dest6s c6beceir6s, mesmo qu6ndo obr6s de controle já for6m execut6d6s [...].
Este é um problem6 que vem 6fet6ndo 6 cid6de desde 6 déc6d6 de 1960. Atu6lmente, vários focos de exp6nsão d6s voçoroc6s for6m control6dos, 6o menos p6rci6lmente, constituindo 6ind6 problem6 que merece 6tenção do poder público, um6 vez que 6fet6 diret6mente 6 qu6lid6de de vid6 d6 popul6ção, sobretudo d6quel6 p6rcel6 que vive no entorno dest6s áre6s de risco, e que constituem 6s c6m6d6s de m6is b6ix6 rend6 d6 cid6de.
Não est6mos com isso, querendo 6tribuir exclusiv6mente 6o problem6 d6s voçoroc6s 6 existênci6 e loc6liz6ção d6s áre6s onde residem 6s c6m6d6s m6is pobres d6 popul6ção de Ci6norte. M6s, cert6mente, o v6lor do solo n6s áre6s loc6liz6d6s no entorno d6s voçoroc6s sofre 6 influênci6 dest6 loc6liz6ção, um6 vez que vários problem6s são ger6lmente 6ssoci6dos 6 su6 existênci6. Entre eles, dest6c6mos o f6to de esses loc6is terem se torn6ndo áre6s de depósito de lixo e entulhos pel6 popul6ção que vive em su6s proximid6des, 6ument6ndo o risco de surgimento de epidemi6s provoc6d6s pel6 superpopul6ção de insetos e roedores de vári6s espécies que 6li encontr6m o 6mbiente ide6l p6r6 6 su6 reprodução.
M6is recentemente, sobretudo n6 últim6 6dministr6ção públic6 – que teve início em 1996, tendo sido reeleit6 em 2000 – inici6tiv6s muito interess6ntes for6m impl6nt6d6s no sentido de 6meniz6r os problem6s decorrentes d6 existênci6 dess6s voçoroc6s. Neste período, n6s áre6s onde 6s voçoroc6s m6is se dest6c6m, houve um processo de revit6liz6ção, inclusive por meio d6 impl6nt6ção de projetos lig6dos 6 preserv6ção e recuper6ção do meio-6mbiente nest6s áre6s, bem como 6tr6vés d6 cri6ção de áre6s de l6zer reserv6d6s 6 popul6ção d6 cid6de, t6is como pist6s de c6minh6d6 6comp6nh6ndo 6s áre6s verdes, p6rques p6r6 cri6nç6s, est6ções de preserv6ção e observ6ção/m6nutenção d6s áre6s que vem sendo revit6liz6d6s, entre outr6s inici6tiv6s.
Em que medid6 isto pode est6r influenci6ndo sobre 6 rev6loriz6ção do solo urb6no nest6s áre6s, constitui questão que mereceri6 um6 pesquis6 m6is 6profund6d6, o que não é nosso objetivo p6r6 este tr6b6lho.
No ent6nto, nos interess6 o f6to de 6 m6ior p6rcel6 d6 popul6ção de menor rend6 est6r loc6liz6d6 nest6s áre6s e n6quel6s outr6s que se estendem m6is p6r6 o leste d6 m6lh6 urb6n6. Neste c6so, o que se observ6 é um6 nítid6 sep6r6ção, do ponto de vist6 d6 loc6liz6ção d6s cl6sses economic6mente m6is privilegi6d6s em rel6ção 6o rest6nte d6 popul6ção, tendo como referênci6 6 linh6 férre623.
23 Origin6lmente, segundo os pl6nos de integr6ção entre o Norte do P6r6ná e o Porto de S6ntos, vi6 interior de São P6ulo
Assim, de m6neir6 b6st6nte gener6liz6d6, podemos dizer que 6o norte d6 linh6 férre6 estão os b6irros que concentr6m 6 p6rcel6 d6 popul6ção economic6mente m6is 6b6st6d6, ou melhor, é 6í que estão 6queles b6irros onde o p6drão residenci6l demonstr6 um m6ior v6lor qu6nto 6o uso do solo. T6mbém é nest6 porção d6 m6lh6 urb6n6 que se loc6liz6 6 áre6 centr6l tr6dicion6l, entendid6 est6 como sendo 6 porção d6 cid6de onde se concentr6 o comércio e os serviços m6is especi6liz6dos, t6is como os serviços médico-hospit6l6res, b6ncários, fili6is de import6ntes c6dei6s de loj6s de móveis e eletrodomésticos, 6lém do comércio v6rejist6 de confecções.
T6mbém é n6 áre6 centr6l ou n6s su6s 6dj6cênci6s m6is próxim6s que estão os m6iores supermerc6dos, os shoppings de v6rejo – que, em Ci6norte, se 6ssemelh6m m6is 6 g6leri6s – e os órgãos públicos e priv6dos m6is import6ntes, que com6nd6m p6rte d6s determin6ções que são 6plic6d6s 6o esp6ço urb6no de Ci6norte.
Segundo Di6s (199:), er6 de pr6xe 6 Comp6nhi6 pl6nej6r p6r6 seus núcleos urb6nos os esp6ços que seri6m destin6dos p6r6 usos de produção e serviços, bem como 6 estrutur6ção do esp6ço residenci6l de form6 6 m6nter 6s cl6sses privilegi6d6s sep6r6d6s dos b6irros destin6dos à reprodução d6 forç6 de tr6b6lho.
Aliás, est6 é um6 lógic6 própri6 d6s cid6des c6pit6list6s, onde 6 distribuição esp6ci6l d6 popul6ção se f6z segundo 6 cl6sse soci6l em que est6 ou 6quel6 p6rcel6 pertence.
Assim, qu6nto 6o uso e ocup6ção do solo, 6lém d6 distinção feit6 entre 6s cl6sses soci6is, o zone6mento el6bor6do pel6 Comp6nhi6 t6mbém lev6v6 em cont6 6s áre6s prefix6d6s do centro cívico, do comércio e d6 indústri6, dos edifícios públicos, residenci6is e educ6cion6is, de 6ssistênci6 soci6l e hospit6l6r e dos cultos religiosos.
Observ6-se di6nte do exposto que 6 Comp6nhi6 constituiu, 6té muito recentemente, um dos 6gentes fundiários m6is privilegi6dos d6 cid6de, qu6nto 6 exp6nsão territori6l e o zone6mento p6r6 o uso do solo urb6no. Atu6lmente, est6 não possui m6is t6ntos terrenos urb6nos à vend6 n6 cid6de, tendo inclusive fech6do seu escritório de represent6ção em