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5 Diskusjon

5.1 Hvordan presterer språklige minoriteter i skriving av beskrivende tekster?

5.1.5 Rettskriving og formverk

O Estado desenvolvimentista de Vargas exerceu papel importante como provedor de uma política de habitação em massa, criando as condições objetivas para a propagação de um novo conceito habitacional. Entre as medidas adotadas, a criação dos Institutos de Aposentadoria e Pensões – IAPs85 gerou recursos para investimentos em habitação. Ao final da

83Artigas dispôs os dois blocos no lote de forma a assegurar a melhor insolação na sala de estar e nos quartos (MINDLIN, 2000).

84O termo “programa” ou a expressão “programa de necessidades” são conhecidos no jargão arquitetônico para indicar a série de atuações que ocorrem no âmbito doméstico, ou todos os atos ou expectativas do destinatário com relação à residência (Homem, 1996). O programa de necessidade é a relação (lista) das dependências da habitação, em função das atividades predominantes no espaço

85 Os Institutos de Aposentadorias e Pensão (IAPs) surgiram na década de 1930 como resultado da luta dos trabalhadores urbanos por direitos à assistência médica e aposentadoria. Após 1964, foram unificados no Instituto Nacional de Previdência Social (INSS).

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década, estes institutos haviam promovido a construção de vários conjuntos habitacionais como proposta para solucionar o problema da moradia nos centros urbanos.

Novamente, as experiências nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo transformaram- nas em palcos desse importante processo na história da habitação coletiva no Brasil. A arquitetura moderna passou a ser associada à proposta para solucionar o problema habitacional com edifícios modernistas para a classe média, e os conjuntos habitacionais ou residenciais para a classe de baixa renda e média baixa. É o novo momento do Movimento Modernista no Brasil, considerado por muitos como o período áureo da arquitetura moderna (MINDLIN, 2000; BRUAND, 2002).

Segundo Bonduki, os temas que passaram a fazer parte da discussão sobre habitação não eram mais de ordem sanitarista, como no final do século XIX, e, sim, de ordem ideológica e política. Neste sentido, dois aspectos foram fundamentais: i) a habitação foi vista como condição básica de reprodução da força de trabalho e, portanto, como fator econômico na estratégia de industrialização do país; ii) a habitação passou a ser elemento na formação ideológica, política e moral do trabalhador, que implicaria a criação do “homem novo” e do trabalhador-padrão, que o regime queria forjar, como sua principal base de sustentação política (1998:73).

Embora os institutos tenham sido criados na década de 1930, foi na década de 1940 que suas principais obras foram construídas. Os recursos eram advindos de contribuições dos empregados, empregadores e governo. Muitos dos arquitetos envolvidos na produção da habitação social adotaram os princípios do Movimento Moderno, procurando compatibilizar “economia, prática, técnica e estética” (GALESE & CAMPOS, 2003). Nas décadas de 1940 e 1950, os conjuntos habitacionais tiveram grande impacto em várias cidades brasileiras, não só nas duas principais cidades do país. Segundo Bonduki,

não só pela áreas construídas, mas, sobretudo pelos seus programas inovadores, onde se associavam edifícios de moradia com equipamentos sociais e recreativos, áreas verdes e de lazer, sistema viário etc. Nesses verdadeiros núcleos urbanos procurou-se criar um espaço capaz de propiciar o surgimento de um novo modo de vida operário, moderno, coletivo, adequado ao modelo de desenvolvimento promovidos pelo Estado (1998:163).

Dentre os Institutos de Pensões, o IAPI (industriários), criado em dezembro de 1936, destacou-se pelos importantes projetos habitacionais da década de 1940 e 1950. O IAPI foi também o que mais fortemente assumiu a proposta do Movimento Moderno, adotando as

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orientações dos técnicos do Conselho Nacional de Trabalho86. Entre os técnicos, destacava-se o

arquiteto Rubens Porto, que defendia um modelo de conjunto habitacional com características “corbusianas” (BONDUKI, 1998:152).

Segundo Porto, os conjuntos habitacionais deveriam ter uma série de características, tais como: i) a construção de blocos: “atendendo à preocupação de economia, a construção de grandes blocos traz a vantagem de (...) serem passíveis de ser previamente fabricados e estandardizados”; ii) a limitação de altura dos blocos: “...quando desprovidos de elevador, não deverão ultrapassar quatro pavimentos”; iii) o uso de pilotis; iv) os processos de construção racionalizados e a edificação de conjuntos autônomos (PORTO, citado por BONDUKI, 1998:151- 153).

Segundo Lemos, somente na década de 1950 é que se cogitou a execução dos grandes conjuntos habitacionais instalados em quarteirões inteiros (LEMOS, 1976), mas no final da década de 1940, os IAPs já estavam executando várias obras importantes. Entre os vários conjuntos habitacionais são destaques o Realengo (1939-1943), a Várzea do Carmo (1940) e o Edifício Japurá (1947), exemplos importantes da implantação de uma nova concepção habitacional no Brasil.

O Conjunto Realengo, de autoria de Carlos Frederico Ferreira, foi considerado o primeiro conjunto habitacional de grande expressão no Brasil (Figura 2.14). Esse conjunto testou vários tipos de construções, incluindo casas isoladas, geminadas e blocos de apartamentos. Depois do Realengo, o IAPI adotou, na maioria dos conjuntos habitacionais, uma configuração em blocos laminares de quatro andares (BONDUKI, 1998).

86 Órgão do Ministério do Trabalho responsável pela normalização, fiscalização e aprovação de procedimentos do IAPs.

Figura 2.14 – Conjunto Realengo

Fonte: Bonduki, 1998 Figura 2.15 – Conjunto Várzea do Carmo Fonte: Bonduki, 1998

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O Conjunto Várzea do Carmo, de Atílio Corrêa Lima, localizado a menos de 2 km do centro de São Paulo, foi projetado para 4.038 unidades, distribuídas em blocos intercalados de 11 e de 14 andares. Este conjunto destaca-se pela clara e rigorosa composição racionalista e pelo paralelismo na disposição dos blocos: só os blocos de quatro andares foram construídos (Figura 2.15).

Para Bonduki, a proposta de Attílio Corrêa Lima é um dos mais significativos conjuntos projetados no período, pois expressa claramente alguns dos conceitos mais importantes do Movimento Moderno. De maneira geral, a produção dos IAPs, segundo Bonduki, é marcadamente influenciada pelas experiências européias do entre-guerras, caracterizadas pela economia e racionalização e pela proposta de “habitação mínima”:

A influência das Siedlungen e da arquitetura alemã do período entre-guerras é nítida na produção habitacional do IAPS, tanto do ponto de vista programático como projectual. Mies van der Rohe, Walter Gropius, Ernest May e Bruno Taut são os mais citados. Particularmente os conjuntos residenciais do IAPI, que buscavam economia e racionalização, atestam esta influência. Idéias como padronização, industrialização da construção, habitação mínima e funcionalidade aparecem com freqüência nos textos debates. Os blocos laminares de três ou quatro pavimentos, com pouca ou nenhuma ornamentação, que caracterizam a produção alemã, foram muito utilizados nos projetos dos IAPS (BODUNKI, 1998:182)

Também promovido pelo IAPI, o Edifício Japurá, de Eduardo Kneese de Melo, é um exemplo de adoção dos princípios da Unité d´Habitation de Le Corbusier87 (CAMPOS &

GALESI, 2002). Composto por 288 apartamentos, distribuídos em quatorze andares, o edifício Japurá foi um modelo para habitação vertical de interesse social, construído no mesmo local do cortiço “Navio Parado”, numa região onde havia vários cortiços (Figura 2.16 e 2.17). Para Campos & Galesi, o Japurá foi um “projeto pioneiro de edifício residencial modernista no campo da habitação popular que ajudou a protagonizar o processo de verticalização do entorno da área central paulistana.” (CAMPOS & GALESI, 2002:1).

Kneese de Mello procurou uma racionalização econômica, utilizando vários elementos do repertório moderno de origem corbusiana, ao isolar o edifício do chão por meio de pilotis, no

87 O edifício de 18 andares, construído em Marselha em 1947-52, é considerado uma das mais célebres obras modernistas, pois é a concretização dos conceitos corbusianos para a habitação coletiva em altura: prédios sobre pilotis, cobertura, jardim, fachada livre, equipamentos coletivos como creches e playground na cobertura, etc. Para Le Corbusier, a Unité era vista “como um projeto capaz de devolver a dignidade da arquitetura à mais simples moradia individual” (FRAMPTON, 1997:274).

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teto jardim projetou a instalação de equipamentos coletivos e também uma área de recreação infantil junto ao primeiro pavimento (BONDUKI, 1998:172).

O Conjunto Residencial Pedregulho (1950-52)88, projetado por Affonso Eduardo Reidy, é

considerado uma das obras mais importantes do seu período. O projeto original, com 52.142 m2,

previa a implantação de quatro blocos de diferentes tipos, com algumas quitinetes e apartamentos de até quatro quartos. O edifício principal tem 260m de extensão e 272 apartamentos. Originalmente pensado para 478 unidades, o edifício tem acesso pelo terceiro andar e uma das suas características marcantes é a rua suspensa, como na proposta de Le Corbusier para o Rio de Janeiro, feita em 1929.

Mais do que um conjunto de blocos de apartamentos, o Pedregulho foi pensado como um conjunto habitacional composto de outros blocos para serviços anexos: escola primária, ginásio esportivo, creche, piscina, centro de saúde, centro comercial e lavanderia, todos para uso comunitário. Por isso, o Pedregulho é considerado uma das mais importantes iniciativas de construção habitacional, sob o ideário modernista, para população de baixa renda. Para Mindlin, ele é mais que isso:

Não é, entretanto, apenas do ponto de vista social ou da técnica de construção popular que o conjunto residencial de Pedregulho se destaca entre os projetos do seu gênero. Ele é, ao mesmo tempo, uma conquista arquitetônica do mais alto nível, que pode ser observada no arranjo plástico dos vários elementos, no tratamento das elevações, válido tanto do ponto de vista estético quanto funcional, e nos trabalhos dos artistas que colaborara com o arquiteto (Portinari, Burle Marx, Anísio Medeiros), mostrando todas as diferenças entre a arquitetura brasileira e arquitetura internacional, da qual se originou (1999:142).

88 O Pedregulho, cujo nome oficial é Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes, faz parte dos projetos da Prefeitura do Rio de Janeiro de construção de conjuntos habitacionais para funcionários públicos de baixa renda, próximos aos seus locais de trabalho.

Figura 2.16 – Maquete do Edifício Japurá. Fonte: Bonduki, 1998:198

Figura 2.17 - Edifício Japurá - Planta dos apartamentos-tipo Fonte: Galasi & Campos, 2002

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Para Reis Filho, foram os conjuntos residenciais, como o Pedregulho (Figura 2.18) e o Parque Guinle (Figura 2.19), que tiveram características inovadoras quanto à implantação, por serem exemplos edifícios que romperam com os compromissos herdados das residências individuais:

pela primeira vez, um edifício de apartamentos não apresentava mais quintal. Desse modo, dava-se passo significativo para o estabelecimento de uma nova escala nas relações entre arquitetura e lote urbano e encontravam-se, para novas formas de habitação, novos esquemas de implantação (REIS FILHO, 2000:96).

Para além de sua implantação, o Parque Guinle (1948-50) inaugurou uma outra fase na proposta de conjuntos habitacionais. O Parque Guinle foi pensado, projetado e construído para a classe média. Os blocos residenciais no bairro das Laranjeiras, Rio de Janeiro, têm o requinte dos edifícios de apartamentos modernistas planejados para a classe média. Até então, apartamentos de luxo eram característicos de edifícios de apartamentos e não de conjuntos de blocos de apartamentos. Embora não muito extenso, o Parque Guinle é a junção dessas duas soluções: é um conjunto habitacional (vários edifícios) para a classe média (Figura 2.19).

Figura 2.18 - Pedregulho Fonte: Bonduki, 1998

Figura 2.19 - Parque Guinle Fonte: Wisnik, 2001

O Parque Guinle foi o embrião do conjunto de bloco de apartamentos de luxo construído segundo princípios modernistas, pois foi feito sobre pilotis, com estrutura independente em concreto armado, planta livre, fachadas livres, brise-soleils e uma contribuição tipicamente brasileira para a proteção solar: o cobogó. A planta dos apartamentos é generosa, variando de 286 a 604m2, com quatro tipos de apartamento, alguns duplex (CAVALCANTI, 2006). Em

relação à implantação, uma das características marcantes dos edifícios é a grande serventia dos pilotis para articular tanto o edifício ao terreno, quanto para articular as passagens de veículos e pedestres no térreo.

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O Parque Guinle é considerado o principal precedente das superquadras de Brasília. Segundo Ficher (2002, 2003), fora do Brasil, a proposição que prenuncia a configuração da superquadra brasiliense é o “Grattre-ciel cartésien”, de Le Corbusier, datado de 1935. Depois do Parque Guinle, o grande projeto de habitação coletiva feita por Lucio Costa foi a proposta habitacional para a nova capital do país.

Durante as décadas de 1940 e 1950, a construção de conjuntos residenciais foi a alternativa para a solução do déficit habitacional da população de baixa renda. Mais que isso, o período foi importante para difundir a estética modernista e para definir mudanças entre os edifícios de apartamentos, surgidos nas décadas de 1920 e 1930, e os blocos residenciais, das décadas de 1940 e 1950.

Essa difusão contou com o importante incentivo do Estado brasileiro, que adotou a arquitetura moderna e sua proposta de habitação coletiva em altura, para solucionar os problemas habitacionais, favorecendo a propagação de um novo conceito habitacional. Nessa nova proposta, amplamente utilizada na concepção e construção de Brasília, o edifício de apartamentos, com característica modernista e inserido em um conjunto, é agora denominado e amplamente conhecido como bloco de apartamentos.