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Rettferdighetens dilemma

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Para a constituição do corpus desta pesquisa, selecionamos apenas as sequências das observações e filmagens das aulas durante a etapa de Direção de sala de aula. Para a análise do corpus, “[...] produzimos o que podemos chamar de filtragem da experiência profissional posta em discussão em termos de situações, rigorosamente, delimitadas”126 (CLOT, 2010, p. 144, tradução nossa), ou seja, tratou-se do começo de um debate reflexivo entre profissionais (neste caso, estagiários, orientadora-docente, professoras-regentes), diante da mesma situação, eꜛ que se estabelece “Um ciclo entre aquilo que os trabalhadores fazem, aquilo que eles dizem daquilo que eles fazem e, por fim, aquilo que eles fazem daquilo que eles dizem.”127 (CLOT, 2010, p. 144, tradução nossa).

Para dar conta do nosso corpus, dividimos nossas análises em dois momentos. No primeiro momento, descrevemos as aulas ministradas pelos estagiários (totalizando cinco horários de cada), a fim de contemplar as duas dimensões do nosso conjunto de questões: compreender como acontecem as atividades de LP em sala de aula; analisar e interpretar, a partir da descrição das atividades realizadas em sala se aula, os conflitos e impedimentos de trabalho efetivos, considerando as condições que são oferecidas aos estagiários para cumprirem os objetivos predefinidos. Para este fim, elaboramos três quadros: um descritivo,

126[...] on produit ce qu’oꜜ peut appeler uꜜe percolatioꜜ de l’expérieꜜce professioꜜꜜelle ꜛise eꜜ discussioꜜ à propos de situations rigoureusement délimitées.

127Uꜜ cycle eꜜtre ce que les travailleurs foꜜt, ce qu’ils diseꜜt de ce qu’ils foꜜt, et, pour fiꜜir, ce qu’ils foꜜt de ce qu’ils disseꜜt.

101 iꜜspirado ꜜo “quadro siꜜopse” de Schneuwly, Dolz e Ronveaux (2006), que nos permitirá

compreender o que efetivamente é ensinado sobre um determinado tema, a partir da leitura de como as aulas são organizadas pelos estagiários, para atender aos seus objetivos predefinidos (Quadro 8).

Quadro 8 – Descrição das cenas de aula

Lição:

Estagiário: Grau:

Turma: Série:

Tema da aula Sequência da aula

C.H Material Descrição Interação

estagiário/alunos Apresentação do estagiário: Conteúdo: Suporte: Exposição do conteúdo: Suporte: Atividades Ancoragem e reconstrução dos conhecimentos: Suporte:

Fonte: Schneuwly, Dolz e Ronveaux (2006, p. 6).

De posse das descrições, elaboramos o Quadro 9, que trata da caracterização da tarefa relacionando-a aos tipos de trabalho: prescritivo (o plano de aula); real (a realização efetiva da aula); representado (os conflitos e impedimentos que influenciaram a sua realização).

Quadro 9 – Análise das cenas de aula

Fonte: Bulea e Fristalon (2004, p. 224).

Caracterização da tarefa

- O trabalho prescritivo: focalização no plano de aula - Trabalho real: focalização no desenvolvimento da aula

- Trabalho representado: focalização nos conflitos e impedimentos que influenciaram no desenvolvimento da aula

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E para as análises das produções de texto, as transcrições128 das sequências selecionadas das aulas (ANEXO E) e das autoconfrontações filmadas (ANEXO F), a fim de apreender as dimensões do agir planejamento, desenvolvimento, conflitos e impedimentos etc., utilizamos o Quadro 10, elaborado pelas pesquisadoras Bulea e Fristalon (2004, p. 224).

Quadro 10 – Análise das cenas

Fonte: Bulea e Fristalon (2004, p. 224).

128As convenções de transcrição dos textos das autoconfrontações são as seguintes: / // /// = pausas de duração variável; em MAIÚSCULAS = palavra ou segmento acentuado; em sublinhado = cruzamentos; na::o = som alongado; xxx = segmento inaudível; [entre colchetes] = intervenções breves no turno de fala do outro; (entre parênteses) = comentários da transcritora (BULEA, 2010, p. 85).

As categorias de análise linguística:

Análise das relações de agentividade, envolvendo a identificação do referente dos sujeitos dos verbos (análise semântica) de acordo com a classificação seguinte:

Estagiário:

Estagiário (a) só (sozinho (a)) (eu, tu, Ø) Estagiário (a) coletivo (a gente, nós)

Orientadora-docente individual (ela, nome próprio ou comum, p.ex: a supervisora) Professora-regente (ela, nome próprio ou comum, p. ex: a professora)

Complexo orientadora-docente/estagiário (s) indiferenciado (a gente, nós) Complexo professora-regente/estagiário (a) indiferenciado (a gente, nós)

Aluno

Individual (ele, ela, nome próprio ou nome comum, p.ex: o garoto) Coletivo (eles, nomes próprios ou comuns)

Instrumento (material relativo ao ensino: nomes) Impessoal (ele, este, isso)

Identificação e análise das modalizações do conteúdo temático M-EPIS: modalização epistêmica – ordem do possível, certeza etc.; M-DEON: modalização deôntica – ordem da obrigação social, moral;

M-APR: modalização apreciativa – ordem de sentido subjetivo, em termos de bom, bem etc. M-PRAG: modalização pragmática – ordem das capacidades, intenções, desejo do agente. Identificação e análise das dimensões do agir

agir “situado” eꜛ coꜜteꜛporaꜜeidade à situação de eꜜsiꜜo a realizar;

agir “acoꜜteciꜛeꜜto passado”, experiêꜜcia vivida apreeꜜdida eꜛ sua singularidade;

agir “experiêꜜcia”, cristalização de experiêꜜcias vividas que coꜜduzeꜛ às diꜛeꜜsões pessoais e implicadas na prática de ensino;

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A seguir, o Quadro 11 esquematiza as relações entre os objetivos, as questões e as categorias de análise.

Quadro 11 – Objetivos, questões, hipóteses e categorias de análise

OBJETIVOS QUESTÕES CATEGORIAS DE ANÁLISE (REFERÊNCIAS TEÓRICO- METODOLÓGICAS 1. Compreender como acontecem as atividades de LP em sala de aula. 1. Como os estagiários ensinam de fato LP? 1. Transposição didática 2. Identificar as figuras de ação e as marcas enunciativas

manifestadas nas

representações dos estagiários e professoras-regentes sobre seu agir.

2. Quais figuras de ação e as marcas enunciativas são manifestadas nos discursos

verbalizados pelos

estagiários e pelas

professoras-regentes sobre seu agir?

2. Figuras de ação e marcas enunciativas

3. Analisar e interpretar, a partir da descrição das atividades realizadas em sala de aula, os conflitos e impedimentos de trabalho efetivos, considerando as condições que são oferecidas

aos estagiários para

cumprirem seus objetivos predefinidos.

3. Quais ações os estagiários

realizam diante dos

impedimentos e conflitos efetivos de trabalho para cumprirem seus objetivos predefinidos?

3. Figuras de ação e marcas enunciativas.

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