3.6 Metodediskusjon med fokus på forskningsprosessen
3.6.1 Refleksivitet og intersubjektivitet - veien til troverdighet
Nos procedimentos de intervenção em situações de trabalho, como já falamos, anteriormente, o trabalhador é confrontado com a atividade realizada, possibilitando ao pesquisador uma análise minuciosa, buscando compreender o processo de produção, reflexão e transformação das atividades, ou seja, neste quadro metodológico, a tarefa que propomos aos estagiários consiste em elucidar para um outro (pesquisadora, orientadora-docente, professores-regentes, especialistas da mesma área de atuação) e, para si mesmo, as intenções e motivos assim como as ações típicas através das generalizações que surgem no desenrolar dos comentários e avaliações das atividades apresentadas, tal como descritas no quadro elaborado por Faïta e Vieira (2003a p. 44-45), mas com algumas alterações feitas por nós, a fim de
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ordenar as fases do processo de autoconfrontação, de acordo com o desenvolvimento de nossa pesquisa, tal como segue.
Quadro 5 – Fases das autoconfrontações
FASE NATUREZA CARACTERÍSTICAS
Filme Primeira imagem da atividade
Seleção de sequências homogêneas (...) selecionadas e editadas em função do conhecimento pelo pesquisador da atividade e das situações de trabalho.
Autoconfrontação simples
Produção de um discurso (texto) por cada um dos
protagonistas. Interação sujeito autoconfrontado-pesquisador.
Discurso (texto) produzido referente à atividade observada. Abertura de um espaço para os comentários e avaliações* do sujeito para além do discurso descritivo/explicativo e das respostas às questões do pesquisador. Desenvolvimento da situação.
Retorno ao ambiente do trabalho**
Produção do objeto (resultante do conjunto das fases) no fim da configuração ao patrimônio em resposta (...) ao projeto.
O objeto se torna autônomo em relação às fases de produção. É necessário um pouco mais de utilizações a ser feitas: suporte de trocas consecutivas no ambiente de trabalho, formação etc.
Autoconfrontação cruzada
Produção discursiva
contextualizada (em relação à fase da autoconfrontação simples). Instauração de uma relação dialógica rica e
complexa entre os dois sujeitos participantes sob o controle do pesquisador.
Esta fase integra dois níveis referentes: à atividade da
autoconfrontação simples filmada e editada, como também ao contexto discursivo oferecido pela atividade do retorno ao ambiente de trabalho filmada e editada.
Retrospectiva da apropriação do objeto pelo pesquisador.
Análise específica do objeto produzido
Implicações conceituais,
metodológicas, epistemológicas. O objeto em si, sob todos os ângulos da abordagem, como as relações
observadas entre os estágios de sua produção, tornam-se de novo objetos de pesquisa. A união entre as fases, as continuidades preservadas durante a ação, a interface atividade/discurso, são substratos à prova de vida.
Fonte: Faïta e Vieira (2003b). * Acréscimo nosso.
98 Autoconfrontação simples
Com relação à autoconfrontação simples, primeiramente, começamos pelo registro das sequências das atividades de cada membro do grupo, após cada dois horários de aula. Nas transmissões dos filmes, utilizamos nosso notebook posicionado em uma mesa, em um espaço reservado na biblioteca da escola-campo, durante os horários livres dos estagiários, nos quais “[...] filmávamos os comentários que o sujeito, confrontado às imagens de sua própria atividade, direcionada para nós”118 (CLOT et al., 2000, p. 13, tradução nossa), para levantar o diálogo sobre as motivações e intenções de suas tarefas realizadas e as ações típicas, através das questões suscitadas pela pesquisadora, baseada nos filmes e nos comentários dos estagiários, que provocaram o debate reflexivo.
Quadro 6 – Filmagens das autoconfrontações simples
Data Actantes Local
17/05/2011 E1 + pesquisadora Biblioteca da escola-campo
12/06/2011 E2 + pesquisadora Biblioteca da escola-campo
05/06/2011 E3 + pesquisadora Biblioteca da escola-campo Fonte: Elaborado pela autora.
Em seguida, os protagonistas retornaram à sala de aula, onde suas atividades continuaram a ser filmadas, e, em seguida, foram, novamente, confrontados nas autoconfrontações cruzadas, nas quais utilizamos estes mesmos procedimentos.
Autoconfrontação cruzada
A autoconfrontação cruzada reuniu três sujeitos: o aluno-professor, a pesquisadora e as professoras-regentes, correspondentes a cada classe119. A princípio seriam três autoconfrontações, só que uma das professoras-regentes não compareceu aos três encontros agendados. As demais foram realizadas nos horários em que os estagiários e as professoras- regentes estavam livres. Utilizamos as sequências das últimas aulas e as sequências filmadas
118 nous filmons les commentaires que le sujet, confronté aux images de sa propre activité, adresse au chercheur [...].
119Neste momento, esperávamos contar com a presença da orientadora-docente, pois de acordo com o PPP, ela deveria acompanhar os estagiários nas escolas-campo de estágio, porém, em todos os momentos em que estivemos com eles, ela não compareceu à escola, apesar dos estagiários terem mencionado em seus relatórios sua presença.
99 da autocoꜜfroꜜtação siꜛples: “uꜛa atividade eꜛ si eꜛ que o trabalhador descreve sua situação de trabalho para o pesquisador”120 (CLOT, 2010, p. 142, tradução nossa). Como já
disseꜛos, ꜜesse quadro ꜛetodológico, “a tarefa apreseꜜtada aos sujeitos coꜜsiste eꜛ elucidar
para o outro e, para si mesmo, as questões que surgem durante o desenvolvimento das
atividades coꜛ as iꜛageꜜs”121 (CLOT, 2010, p. 143, tradução nossa). Quadro 7 – Filmagens das autoconfrontações cruzadas
Data Actantes Local
02/06/2011 E1 + professora-regente B +
pesquisadora Biblioteca da escola-campo
11/06/2011 E3 + professora-regente G +
pesquisadora Biblioteca da escola-campo Fonte: Elaborado pela autora.
Para Clot, “a atividade de coꜛeꜜtário ou de verbalização dos dados registrados”122
(CLOT, 2010, p. 142, tradução ꜜossa), quaꜜdo rediꜛeꜜsioꜜada a uꜛ destiꜜatário, “[...] dá um acesso difereꜜte ao real da atividade do sujeito”123 (CLOT, 2010, p. 142, tradução nossa). Isso
porque “[...] a linguagem, longe de ser para o sujeito apenas um meio de explicar aquilo que
ele faz ou aquilo que vê, é um meio de ele pensar diferente, com vistas ao destinatário, e um meio de levar o outro a pensar segundo a sua perspectiva.”124 (CLOT, 2010, p. 142-143,
tradução ꜜossa). “As verbalizações serveꜛ seꜛ dúvida para trazer à luz as realidades do trabalho”125 (CLOT, 2010, p.143, tradução nossa).
Percebemos que pelo fato desta verbalização ter se destinado à pesquisadora e às professoras-regentes e não à orientadora-docente, proporcionou aos estagiários maior liberdade de expressão.