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Part II- DC Power Flow Simulations of the European Power System using PSST (2020 and 2030)

18 Conclusion

18.2 The results of Part II

Muitas vezes, desafios transformam-se em dificuldades, transições

difíceis de serem vencidas e reproduzir padrões é um processo que ocorre especialmente quando os pais sentem-se incapazes de adotar novos padrões de relação”. (Cerveny, Berthould, . 2002.)

A construção do comportamento de educar filhos, normalmente pode ser influenciada pelo modelo internalizado que os pais vivenciaram em suas famílias de origem. Esta suposição nos leva a acreditar que é preciso compreender todo este mecanismo, a forma como ele vem à tona, e de que maneira pode haver uma mudança ou desconstrução destes padrões, em prol de uma educação que seja compatível ao núcleo familiar.

Em recente Sociodrama com um grupo de pais numa Escola sobre o tema “Limites”, um deles me questionou: “E a obediência onde está? Quando eu era menor, meu pai olhava para mim, e eu já obedecia. Eu sabia o que era para fazer. Eu mando meu filho tomar banho vinte vezes, e ele só vai quando o ameaço. Não era melhor a educação antiga, a dos nossos pais? Meu pai olhava, e a gente obedecia!”

Questões como estas retratam a insegurança e o medo dos pais de desenvolverem o papel parental compatível à sua família, ou até mesmo daqueles que estão construindo dentro da mesma. Muitas vezes temem ter atitudes radicais e afastarem cada vez mais os filhos de si, e, por outro lado, mostram-se inseguros de reforçar o diálogo no exercício de educar, temendo perder o controle da situação.

Berthoud, na pesquisa onde mostra desafios de ser pais na atualidade, evidencia que: “...os pais e mães contemporâneos não querem ser pais do modo como seus próprios pais o foram, mas, não sabem exatamente que tipos de pais querem ser, ou seja, não têm modelos claros a adotar.” (Berthoud, 2003. p. 19)

Quando os pais param para pensar e avaliar o tipo de educação que tiveram, que tipologia seus pais apresentavam, muitas vezes, mostram-se angustiados e inseguros. A minha experiência prática mostra que alguns deles

percebem que estão repetindo os modelos e outros, nem se conformam com o modelo de pais que tiveram. Estes conflitos levam os mesmos a adotarem uma postura mais aberta e liberal do que aquelas que tiveram, e, na maioria das vezes têm dificuldades com os filhos. Em diversos trabalhos com grupos de pais, me deparei com pais confusos, tristes e desesperados no exercício do papel parental. Confusos pelo excesso de informações contraditórias que receberam de suas famílias de origem, tristes por não conseguirem educar seus filhos com amor e harmonia e desesperados por estarem sendo modelos negativos de pais para estes filhos.

Segundo Cerveny, “...as diferenças de modelos familiares de cada cônjuge, somadas à ineficiência de tais modelos para a resolução dos conflitos atuais, oferecem ao casal um contexto extremamente inseguro para desempenhar os papéis de cuidadores e orientadores do desenvolvimento de seus filhos.” (Cerveny, 1997. p.69).

Pensando nos modelos familiares, podemos citar a definição de modelos, segundo Dicionário Michaelis (1998), “... tudo que serve para ser imitado; aquele a quem se procura imitar nas ações e maneiras; pessoa exemplar...”

Tomando como parâmetro esta definição, ser modelo para os filhos é realmente um desafio para os pais. Como construir um modelo positivo? Aquele em que o filho possa imitar as suas ações e maneiras, ou até mesmo aquela pessoa exemplar em que o filho possa se espelhar. É realmente muito difícil, principalmente quando se tem um repertório bastante amplo, de situações negativas conflitantes, mas que não podem ou não devem ser repetidas.

Numa aula no Curso de Pós-graduação em Psicologia da Educação da USP/SP, o Prof. Dr. Lino de Macedo (especialista em Educação) tratou estas questões com bastante cuidado, mas foi enfático: “...as repetições intergeracionais são importantes, mas não podemos repetir tudo o que aprendemos, é importante que haja uma atualização do que foi aprendido para que possamos ter a confiança de que estamos acompanhando a evolução do mundo em direção a uma educação construída junto com os filhos. (Pós- graduação Psicologia da Educação, USP. 2003)”.

A proposta desta pesquisa está em ajudar estes pais a repensar o comportamento atual e tentar construir um modelo acessível de comportamento na educação que os possibilitem de exercer este papel adequadamente de forma harmônica e sem culpas. É importante ressaltar que cada modelo parental pode ser construído em cima da estrutura de cada família. E que, a bagagem que estes pais trazem das suas famílias de origem precisa ser realmente atualizada para que haja uma possibilidade de ser funcional na família nuclear formada. Por isto podemos dizer que não existem regras pré-estabelecidas que atendam a todas as famílias, e sim, a tentativa de perceber como esta repetição está acontecendo para que possa existir uma possibilidade de mudança.

Repensando a questão intergeracional na família, pode-se tomar como diretriz a afirmação sistêmica utilizada por Cerveny, “...uma das coisas importantes que essa lente oferece é a possibilidade de não estarmos preocupados com os porquês, mas tentarmos repensar o como. Indagar porque o indivíduo repete não faz parte do pensar sistêmico, mas pesquisar como isto acontece vai nos permitir formular e observar as condições em que pode haver a repetição.” (Cerveny, 2001.p.32).

Regras Familiares

Não consigo colocar regras na minha casa porque vivi num quartel general junto à minha família. Meu pai era militar e minha mãe uma fervorosa fã da Igreja Protestante. Será que é preciso tanta regra para ensinar o filho a viver?”

(Depoimento de uma mãe num Sociodrama, na ONG-SP, 2005)

Regras, segundo Bueno, “... norma; aquilo que a lei ou o uso determina; estatutos de algumas ordens religiosas.” (Bueno, 1996. p. 563)

Olhando para dentro da família, podemos observar que a dinâmica da mesma consegue ser funcional quando têm regras pré-estabelecidas, algumas diretrizes onde as pessoas possam se apoiar para que haja um desenvolvimento interno seguro.

Segundo Cerveny, falando das regras familiares: “... é o conjunto de acordos explícitos e implícitos que é compartilhado e conhecido por um grupo

familiar, que faz parte da história da família e se mantém por meio do uso.” (Cerveny, 2001. p.54).

Normalmente as regras familiares aparecem no momento da união do casal conjugal. Aparecem contaminadas pela forma como os cônjuges viveram em suas famílias de origem e conseqüentemente são elas que vão determinar como será o desenvolvimento dos comportamentos afetivos dos mesmos junto a amigos e à família de origem. As regras precisam ser negociadas e podem passar por mudanças conforme as situações em que os membros da família se movimentam.

Berthould evidencia um ponto importante relacionado a esta questão: “...ao longo do ciclo vital da família, regras normativas e não-normativas são fundamentais para dar estabilidade e manter a homeostase do sistema. Porém, regras rígidas, que tendem a se perpetuar na dinâmica do funcionamento do grupo familiar, dificultam as relações e geram padrões disfuncionais difíceis de serem modificados.” (Berthoud, 2003. p. 45)

Segundo Minuchin(1982) “...os padrões transacionais regulam o comportamento dos membros da família. São mantidos por dois sistema de repressão. O primeiro é genérico, envolvendo as regras universais que governam a organização familiar. Por exemplo, deve existir a hierarquia de poder, em que os pais e os filhos têm diferentes níveis de autoridade. Também deve haver uma complementaridade de funções , com o marido e a mulher aceitando a interdependência e operando como uma equipe. O segundo sistema de repressão é o idiossincrásico, envolvendo as expectativas mútuas de membros específicos da família.” (Minuchin,1982.p.57).

Dentro deste enfoque, o autor evidencia as fronteiras de um subsistema que podem ser definidas como regras que apontam para a direção de quem participa e como participa. Minuchin diz que a função das fronteiras é a de proteger a diferenciação do sistema.

Para que haja um funcionamento normal do sistema é necessário que as fronteiras sejam nítidas, e, qualquer disfunção destas fronteiras pode fazer com que as funções protetoras das famílias sejam prejudicadas.

Cerveny (2001) diz que as regras protegem as famílias como um sistema, mesmo que estejam a serviço de um “mau funcionamento”, e explica isto citando exemplos de famílias que ao adotarem regras novas deixando de lado as regras antigas, e mantém um padrão conhecido, sentem-se ameaçadas e reagem às mudanças.

Mitos Familiares

Na minha família todas as mulheres casaram virgem. Imagine como é difícil para

eu aceitar que é normal ter relações sexuais antes do casamento, quando vivi sob um mito de que a mulher virgem era a mais pura e a que casava desvirginada era vagabunda...” (Depoimento de uma mãe num Sociodrama sobre sexualidade na

infância e na adolescência na Clínica Pediátrica, 2005).

Mitos, segundo Bueno,“...fato, passagem dos tempos fabulosos, tradição que, sob forma de alegoria, deixa entrever um fato natura, histórico ou filosófico, (fig.) coisa inacreditável, sem realidade.” (Bueno, 1996.p. 435)

Na vida do ser humano os mitos aparecem em diversas situações. Torna- se importante conhecer os mitos para entender o que está na história, na cultura, nos valores e nas tradições das famílias. Estes mitos podem atravessar gerações e influenciar o núcleo familiar da mesma maneira que aconteceu em gerações anteriores.

Os mitos instalam-se dentro do contexto da família como uma forma de manter uma tradição que pode ter sido desvalorizada com o passar do tempo com os adventos das mudanças culturais. Na bibliografia alguns autores trazem a definição de mitos atrelada às tradições familiares ligadas à família nuclear formada.

Cerveny (2001) diz que: “...os mitos familiares são, na maioria das vezes, sustentados pelos segredos familiares”. E continua numa linha de pensamento que diz:. “...os segredos familiares podem se referir a ações e acontecimentos não vergonhosos que inclusive servem para criar união em um nível intra-familiar, servindo até para diferenciar aquele grupo familiar de outros, dando-lhe uma identidade familiar específica.” (Cerveny, 2001. p. 57)

Andolfi (1989) refere o mito como sendo algo em transformação, sendo externalizados por componentes reais e fantasiosos, e que adentra a família de acordo com a sua realidade, cabendo a cada membro desta um papel significativo. Segundo o autor, os mitos podem ser herdados da família de origem ou mesmo elaborados pela família nuclear, de acordo com o momento e necessidades que estão vivenciando.

Maciel (2000) relata que: “...os mitos brotam da projeção imaginativa que o homem faz da vida e sintetiza tudo aquilo que ele conseguiu conquistar, em face de uma vida que não solicitou, uma morte que o amedronta, um amor que o domina e uma natureza que o assombra. Ele, o mito sempre diz o que a ciência e a razão não conseguiram dizer”. (Maciel, 2000. p. 30)

Krom (2000), em sua pesquisa sobre “Família e Mitos”, diz que é importante para a manutenção dos mitos, a família utilizar alguns recursos que são compartilhados por todos os membros da mesma, elaborando rituais que podem perpetuar estes mitos.

Segundo a autora, “...os rituais podem se apresentar como uma série de atos e comportamentos estritamente codificados na família, que se repetem no tempo e dos quais participam todos ou uma parte de seus membros, tendo sobretudo na família a tarefa de transmitir a cada participante valores, atitudes e modalidades comportamentos relativos a situações específicas ou vivencias emocionais a eles ligados.” (Krom, 2000. p. 30)

Quando os rituais são vivenciados, a memória familiar é acionada e muitas histórias e experiências são compartilhadas em conjunto. Os ritos se adaptam às regras que são estabelecidas dentro da família, e, vários rituais são observados no dia-a-dia, tais como: a rotina de fazer as atividades de vida diárias, as expressões afetivas entre s componentes da mesma, as festas para comemoração de datas importantes, entre outros.

Na visão de Krom (2000), os rituais dão margem ao aparecimento de expectativas, que por meio do uso da repetição, da familiaridade e transformação, podem gerar condutas e ações diferenciadas. Evidencia também que, os rituais podem ter múltiplos significados e que possibilitam a expressão da descrição de situações que não pode ser expressa por palavras, utilizando recursos simbólicos.

Alguns mitos são encontrados com freqüência nas famílias, dentre eles, podemos citar: Mito da Prosperidade, Mito da união, Mito da Propriedade, Mito da Autoridade, Mito da Honestidade, entre outros.

De acordo com Cerveny (2001), os mitos familiares são sustentados pelos segredos familiares, que são ações e situações ocorridas com outras gerações, e que são guardados no livro da história da família, que se torna algo específico daquele grupo familiar. O mito que aparece dentro da vida da família pode vir a tornar-se um padrão que se repete de geração em geração e se fortalece através delas.

Valores Familiares

Vivi numa família onde a honestidade era muito cultuada. Desde os tempos de meu avô, meu pai aprendeu que o maior valor que o homem tem é de poder encostar a cabeça no travesseiro e dormir em paz. Como poderia viver bem com um homem que só fazia trambiques? Que modelos e valores poderíamos dar a nossos filhos?...” (Depoimento de uma mãe num Sociodrama sobre Limites na

infância e na adolescência na Clínica Pediátrica, 2005).

“Um das definições mais antigas de “valores” é: “ uma crença na qual o homem escolhe o modo de agir”. Outras definições começaram a ser pensadas na direção dos valores dentro da vida do ser humano e da família.

Segundo Grünspun (1984), os valores regem a vida, determinando os modos de agir e atuar de cada indivíduo, frente ao mundo. Segundo o autor, os valores existem porque os homens têm necessidades e vontades, e a partir delas criam seus próprios valores, que posteriormente vão estabelecer seus modos de vida.

Que valores são estes? O que está acontecendo com os nossos valores? E com os valores da família?

Possivelmente estamos adentrando uma época muito difícil que se choca com a questão dos valores. Esta realmente é uma questão fundamental , que pode ter início desde as relações familiares e caminha para as perturbações de uma sexualidade atordoada, o universo das drogas, a insegurança com a

violência desenfreada. Podemos questionar que valores podem levar a todos estes desacertos?

Questões como estas começam a preocupar pessoas que lidam diretamente com os jovens, sejam eles, os pais, os educadores, professores, psicólogos, entre outros.

Segundo pesquisas de Grünspun (1984), os valores normativos se desenvolvem no ser humano com uma seqüência hierárquica desde seu nascimento nas relações familiares e no ambiente em que cresce. (Grünspun,1984.p.22)

Este estudo caracteriza três valores básicos da condição humana:

ƒ Poder humano- habilidade para satisfazer as necessidades. O poder é específico à espécie humana. Na medida em que o homem satisfaz suas necessidades está adquirindo poder, seja ele qual for. Ter poder significa usar toda oportunidade de impor vontade própria nas relações sociais, mesmo contra as resistências.

ƒ Aceitação- estado de prontidão para satisfazer as necessidades. A aceitação e o fator máximo de segurança. Poder e aceitação estão sempre interligados.

ƒ Necessidade atuante- leva o indivíduo à ação. Esta ação tem como finalidade a sobrevivência.

Podemos caracterizar dois tipos de valores: os valores inatos e os valores adquiridos. Os valores inatos estão relacionados aos valores instintivos, não treinados, típicos da espécie, e é adaptado porque serve à sobrevivência do individuo. Como exemplo destes valores tem o instinto de interação, instinto de apego, instinto de afeto e amor, instinto de vida, instinto de aprendizado- educação. Todos estes valores podem possibilitar o equilíbrio do ser humano no contexto individual, social e psicológico.

Segundo o autor, “...o desenvolvimento dos valores adquiridos é a conseqüência da existência prévia de desenvolvimento dos valores inatos.Os valores inatos crescem e amadurecem com a idade, mas seu início é precoce.” (Grünspun,1984.p31) Para o autor, os valores adquiridos vêm das fontes sociais

da humanidade. Realizar, cumprir, corresponder e desenvolver valores adquiridos causa prazer e satisfações. Podem ser consideradas respostas afetivas para determinadas características a que os valores obrigam as ações humanas.

É importante não confundir os valores adquiridos com opiniões, crenças, atitudes, porque aqueles são imutáveis, inerentes ao ser humano, enquanto esses são variáveis conforme o povo, época, pessoas, lugar e momentos. Alguns exemplos de valores adquiridos são importantes para o ser humano,tais como:

ƒ Fé

ƒ Sentido de Dever cumprido ƒ Honestidade

ƒ Trabalho

ƒ Cultura e Tradição ƒ Moral e o Bem

Segundo Recoba (1984), “...valor é aquilo capaz de romper a indiferença do homem, aquilo que o impulsiona a viver com profundidade. Valor é aquilo que enobrece e dinamiza a existência do homem e na mulher por se valioso, digno e nobre.”( Recoba,1984.In Charbonneau;Grünspun;Esquivel;Valle.p.79)

A família como educadora necessita de estabelecer alguns valores fundamentais que podem ser facilitadores e tornar-se meios práticos de alcançar uma educação mais eficaz. Criar um ambiente familiar que potencialize o desenvolvimento destes valores é uma tarefa difícil, mas muito almejada pelos pais. A família é um fator essencial para criar os filhos e estabelecer um número de valores que os permitam na vida adulta ter segurança para formar um dia a sua própria família.

Baseados em suas experiências de vida, nos padrões seguidos no decorrer da vida, os pais têm expectativas em relação a seus filhos baseadas nos valores. Quando estes valores não são claros, e o que veicula são situações que muitas vezes são contraditórias, os pais ficam inseguros e com muitas dificuldades.

A sociedade pressiona os pais no sentido de rever seus valores, conceitos; e os filhos muitas vezes apontam os mesmos como tendo valores ignorantes e

antigos. Esta é uma questão viva. A família precisaria ter disponibilidade para discutir todas estas questões diariamente, mas a vida moderna dificulta os contatos diários e não possibilita maior convivência. De certa forma é desproporcional a responsabilidade que a sociedade põe nos pais e o suporte de apoio que eles têm para poder encarar e realizar a tarefa de educar. Atualmente nos deparamos com um discurso que coloca a culpa de tudo o que acontece na família. No entanto, os problemas mais sérios que acontecem com os filhos, não acontecem dentro da família. O problema sobre a mesma é grande e o mecanismo de suporte para um desenvolvimento do papel paternal competente é muito pequeno. Nem a parceria família-escola vem sendo adequada e os recursos que os pais têm utilizado para desenvolver este papel tem sido ineficazes para o desenvolvimento do papel parental.

Os pais estão em busca de se fortalecerem para assumir a responsabilidade com autoridade, sem receios de serem taxados de antigos. As expectativas dos mesmos é que alguns valores sejam incorporados às suas famílias, tais como: respeito, honestidade, ajudar os outros, uso útil do tempo, participação de ações na comunidade, entre outros. Dentro desta realidade, precisam ter a coragem para assumir seus valores e começar a negociar, utilizando argumentos, assumindo a autoridade que é fundamental para a formação da personalidade do jovem.

Triangulações Familiares

Triangulação, segundo Bueno “... é o ato de triangular”. (Bueno, 1996. P. 655)

“Não sei bem como isto que aconteceu, mas, por causa da bebedeira do meu marido, meus dois filhos se voltaram contra o pai, e agora, tudo deles é comigo e o pai não fica sabendo de nada. Às vezes, preciso esconder algumas coisas dele porque senão ele bate nos garotos.” (Depoimento de uma mãe num Sociodrama

sobre Insegurança na infância e na adolescência na Clínica Pediátrica, 2005). Diversos autores mostraram a importância da triangulação no contexto das relações familiares, dentre eles, Haley (1977), Minuchin (1982), Andolfi (1987), entre outros.

Na minha prática clínica, trabalhando com casais e famílias, a triangulação é um padrão que aparece constantemente. Alguns triângulos são mais freqüentes, como pai, mãe e filho, mas outros também aparecem durante o processo.

De acordo com Cerveny (2001), “...quando, durante a terapia, se aprofunda o conhecimento das interações familiares no passado, não raro encontramos o padrão triangulação já tendo causado problemas nas gerações anteriores.” (Cerveny, 2001. p.64).

Minuchin (1982) traz a questão da triangulação como uma situação relacionada às fronteiras, que têm a função de proteger a diferenciação do sistema. Segundo o autor, para um funcionamento sadio da família as fronteiras devem ser nítidas. Quando existe uma triangulação na família funcional, o autor diz que as fronteiras encontram-se nítidas e flexíveis, permitindo negociações entre os subsistemas. Em contrapartida, nas famílias disfuncionais as fronteiras encontram-se difusas e a negociação entre os subsistemas ficam comprometidas.