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Os resultados do presente estudo sobre dor crônica e sua associação com percepções e condições de trabalho de professores que atuam na rede estadual de ensino de Londrina (PR) permitiram as seguintes conclusões:

Caracterização da população:

 A população desta pesquisa foi composta, em sua maioria, por professores do sexo feminino, com idade acima de 40 anos (média de 41,5 anos), que residiam com companheiro, de raça/cor referida como branca, pós-graduados na modalidade lato sensu e com renda familiar mensal de até R$ 5.000,00.  Os docentes foram classificados, em sua maioria, com sobrepeso ou

obesidade e sem realização de atividade física pelo menos uma vez por semana ou com tempo insuficiente de prática de exercícios físicos. As prevalências de consumos de tabaco, álcool (eventual ou diariamente) e café diário foram, respectivamente, 7,9%, 49,5% e 67,3%.

 Quanto às condições de trabalho, prevaleceram professores com vínculo estatutário, período de experiência profissional de três a 10 anos (tempo médio de trabalho na carreira docente foi de 13,9 anos), que se sentiram realizados profissionalmente, trabalhando em pelo menos dois locais diferentes e em dois turnos do dia e com carga horária semanal superior a 30 horas.

 Em relação às percepções do docente sobre as condições de trabalho, ressaltam-se aquelas classificadas principalmente como “ruim/regular”: quantidade de alunos por sala de aula e infraestrutura da escola para descanso e preparo de atividades. Entre as condições que os professores percebiam como afetando seu trabalho, ressaltaram-se exposição a ruídos dentro da sala de aula, condições para carregar os materiais didático e audiovisual, tempo de permanência em pé, condições para escrever no quadro, posição do corpo em relação ao mobiliário ou equipamentos e ritmo e intensidade do seu trabalho.

Prevalência e características da dor crônica

 A prevalência de dor crônica em professores da rede estadual de ensino de Londrina foi de 42,6% (n=408), sendo mais elevada entre as mulheres, entre professores na faixa etária acima de 40 anos, entre os que referiram raça/cor como branca ou amarela/indígena, entre aqueles que não realizavam atividade física pelo menos uma vez por semana ou realizavam de forma insuficiente e não consumidores de álcool.

 As prevalências das comorbidades referidas como diagnosticadas por médico, como enxaqueca, ansiedade, sinusite, depressão, hipertensão arterial, artrite/artrose/reumatismo e insônia, foram significativamente maiores entre docentes com dor crônica em comparação aos sem dor.

Dor crônica e condições de trabalho:

 A dor crônica prevaleceu na população com vínculo empregatício tipo estatutário e tempo de atuação como professor acima de 20 anos.

 Em relação às percepções sobre as condições de trabalho docente, a prevalência de dor crônica foi maior entre professores que consideraram ruim/regular motivação para chegar ao trabalho, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, quantidade de alunos por sala de aula e infraestrutura para descanso, estudo e preparo das atividades. Das situações reportadas como capazes de afetar seu desempenho profissional ressaltaram-se como associadas à dor crônica: condições para carregar o material didático e para escrever no quadro, tempo de permanência em pé, posição do corpo em relação ao mobiliário e equipamentos, e ritmo e intensidade do seu trabalho.  Membros superiores e inferiores e coluna lombar foram os locais do corpo

mais acometidos pela dor crônica, e as condições de trabalho associaram-se de forma diferente conforme essas regiões.

 Após ajustes por possíveis variáveis de confusão, a dor em membros superiores foi mais prevalente entre professores que perceberam que as

condições para escrever no quadro e para carregar o material didático afetavam seu trabalho, assim como o tempo que permaneciam em pé e a posição do corpo em relação ao mobiliário e equipamentos. A percepção do professor quanto à quantidade de alunos em sala de aula e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional classificados como regular/ruim também se associaram a essa dor. Menor prevalência de dor crônica musculoesquelética em membros superiores foi observada entre professores com dois ou mais vínculos de trabalho.

 Após análises ajustadas, a lombalgia crônica se relacionou à pior percepção das condições para escrever no quadro. Já a dor crônica em membros inferiores associou-se ao tempo de profissão por mais de 20 anos, à percepção regular/ruim quanto ao equilíbrio entre a vida profissional e pessoal e à percepção de que o tempo que permaneciam em pé afetava seu trabalho.

Características da dor crônica que mais incomoda:

 As regiões do corpo reportadas como com dores mais dolorosas foram membros superiores (94; 23,4%), cabeça (91; 22,6%), membros inferiores (72; 17,9%) e coluna lombar (64; 15,9%).

Dor na região da cabeça: houve predominância em mulheres, com duração

superior a 10 anos, com frequência de ocorrência semanal, de intensidade intensa a insuportável e com interferência no lazer e trabalho dos professores, em sua maioria. O tempo de afastamento laboral por problemas de saúde foi principalmente de um a sete dias. Houve maior proporção de relatos de capacidade para o trabalho “baixa/muito baixa” em relação às exigências mentais. Utilização de medicamentos para alívio dessa dor foi frequentemente citada, assim como o não alívio após tratamento médico e necessidade de automedicação.

Dor nos membros superiores e inferiores: dor crônica em membros

superiores foi mais frequente no sexo feminino, enquanto em membros inferiores foi proporcionalmente maior em professores acima de 50 anos e com IMC classificado como sobrepeso/obesidade. O tempo de existência de

dor nessas regiões foi principalmente entre 6 meses e 5 anos, principalmente com frequência diária e de intensidade moderada a insuportável. Dores crônicas nos membros superiores e inferiores dificultaram o sono dos docentes em maior proporção em comparação a dores em outros locais. Quanto à capacidade para o trabalho, considerando as exigências físicas, observou-se maior frequência de respostas “baixa/muito baixa” entre educadores com dor em membros superiores. Essa mesma região demandou maior procura médica e tratamento nos 12 meses que antecederam a pesquisa. Para dor em membros inferiores, a melhora foi maior principalmente quando realizado tratamento não medicamentoso.

Dor na coluna lombar: destacou-se no sexo masculino em comparação com

dores em outros locais do corpo e apresentou duração variável, mas principalmente até dois anos, com episódio álgico principalmente diário a semanal e de intensidade moderada. O tempo de afastamento do trabalho por motivos de saúde entre professores com dor na coluna lombar foi principalmente de 30 dias ou mais, mas a frequência de procura médica para tratamento específico dessa dor foi menor comparado às demais regiões. Dos docentes que realizaram acompanhamento médico, a maioria seguiu tratamento recomendado, precisando de associação de terapêutica farmacológica e não farmacológica para alívio da dor.