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3.6 Characteristics of ARK-XXIII/3 sediment cores .1 Photographs of sediment cores

3.6.4 Results of coarse fraction analysis Seung-II Nam

4.4.1. PRIME TIME OU HORÁRIO NOBRE

A programação horizontal da TV Globo praticamente se repete, de segunda a sexta feira. A seqüência de programas é idêntica, de forma que, se o espectador ligar a TV na mesma hora, todos os dias, verá os mesmos programas. O único momento em que a programação se altera de um dia para o outro é o horário nobre, das 19 às 22 horas25.

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Neste período se inserem os programas de grande audiência das redes, pois é sabido que um maior número de telespectadores, já livres da jornada diária de trabalho, está disponível para assistir televisão. É o horário de maior valor comercial para a veiculação de inserts de propaganda e publicidade. No Brasil, o conceito de prime time, termo mais usado em televisão para designar esta faixa horária, se ampliou e chega quase até as 23 horas, já que os índices de audiência se mantêm.

Os maiores invetimentos em produções televisivas da Rede Globo são veiculados neste horário, tanto em relação aos programas tradicionais quanto a produções que experimentam novas linguagens na TV. De segunda a sexta-feira temos o seguinte esquema, que começa no final da tarde e avança até depois do horário nobre: novela série (Malhação), Novela I, SPTV II, Novela II, Jornal Nacional, Novela III, show (1ª linha), show (2ª linha). Na segunda e na quarta feira, porém, em lugar das duas linhas de show temos uma sessão de cinema e a transmissão de uma partida de futebol, repectivamente.

As noites de segunda feira, depois das novelas, contam com a sessão de cinema Tela Quente, no ar desde 1988. Ela foi criada para exibir lançamentos e ainda é o espaço de grandes estréias de sucessos do cinema na televisão. Com 40% de audiência, a sessão é lider absoluta no horário e, segundo o site26 da rede, contabiliza 25 milhões de telespectadores sintozinados no mês de março de 2007.

Já tradicionais pelos programas de humor irreverente, as noites de terça feira apresentam, a partir das 22 horas, Casseta e Planeta, humorístico de grande audiência. Usando ironia, deboche e palhaçadas que muitas vezes envolvem pessoas nas ruas de cidades brasileiras e do exterior, o grupo de atores/criadores é nacionalmente conhecido e seus jargões e trejeitos muitas vezes se incorporam no dia a dia da população. Viajando pelo país no quadro “Brasil Casseta Adentro”, os rapazes entrevistam populares nas ruas e trazem, mais uma vez, a audiência para a tela da TV. Como conseqüência, inserem a Globo na audiência, pois a chegada dos ‘cassetas’ interfere na rotina de cidades grandes e pequenas. No programa, tudo vira piada: assuntos da atualidade, personalidades, políticos, esportistas e, principalmente, os temas de novelas da rede, seus personagens e celebridades da hora. Dentro do discurso de entretenimento, Casseta e Planeta, Urgente! emprega a metalinguagem em muitos dos quadros, permite à Globo falar de si mesma e insere a rede na vida da população.

Até o início de agosto de 2007, a seguir, nas terças feiras, a programação trazia A Diarista, onde a atriz Cláudia Rodrigues interpreta Marinete, uma faxineira que trabalha ‘por dia’. Nem a ótima coadjuvante Dira Paes, no papel de Solineuza, ou uma equipe estrelada no apoio garantiu a longevidade do programa, substituido por Toma Lá Dá Cá. O humor às vezes grosseiro deu margem a problemas, por exemplo, com a Embaixada dos Emirados Árabes Unidos no Brasil que, segundo matéria da Folha On Line de 26 de abril de 200727, classificou de preconceituoso o episódio em que um árabe tentava ‘comprar’ a

diarista usando camelos como moeda.

Outro episódio provocou indignação, desta vez da comunidade muçulmana, segundo a revista Veja28 de 2 de maio de 2007, ao exibir um quadro mostrando o profeta

Maomé seminú entre mulheres. A tela do quadro tinha um rasgo na altura da virilha do profeta, onde um personagem judeu enfiada o dedo sem perceber, simulando um pênis. Alegando o esgotamento da fórmula, o Diretor de Programação da Rede, Roberto Buzzoni, decidiu pela renovação do horário, segundo entrevista anexa ao final do texto. O tom de Toma Lá... é mais familiar e menos escrachado, mas o efeito de sentido da grade nas noites de terça-feira continua definido por programas nacionais de humor.

As noites de quarta-feira, também conforme entrevista com o diretor Roberto Buzzoni, ficaram reservadas ao futebol depois que a TV Globo decidiu optar pela transmissão dos campeonatos nacional e estaduais. A condescendência feminina, curiosamente, foi uma das questões levadas em conta para esta inovação na grade. Através da análise de pesquisas de audiência, a rede percebeu que a primazia sobre o controle remoto da televisão, na família brasileira, é das mulheres e apenas uma minoria delas gosta de transmissões esportivas.

Mas a demanda por uma programação masculina é grande. Segundo Buzzoni, foi a dificuldade de locomoção aos estádios, de estacionamento e de acomodação nos estádios, que fez com que o telespectador passasse a exigir mais da televisão: “Em vez de só compactos ou jogos de finais, nós passamos a fazer uma programação constante de futebol, que agrega os campeonatos para poder preencher uma quantidade de mais ou menos 100 jogos”. O acordo com as federações esportivas determinou a quarta-feira para a realização das partidas. Se observarmos a grade, percebemos que estabelecer este espaço esportivo exigiu inclusive remanejamento no horário do Jornal Nacional e da Novela III, ambos exibidos alguns minutos mais cedo nas quartas-feiras.

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http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u70636.shtml

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O horário nobre da quinta-feira volta a dar espaço aos shows produzidos pela rede. Logo após a Novela III temos A Grande Família, uma série de humor que mostra o cotidiano de uma típica família de classe média brasileira. O programa aborda temas voltados à realidade nacional e coloca os personagens em conflitos e situações que produzem imediata identificação com a audiência. Remake da série original, que foi ao ar entre 1972 e 1975, A Grande Família fixou-se às 22 horas das quintas-feiras em 2002 com atores de primeira linha como Marco Nanini, Marieta Severo, Pedro Cardoso, Andréa Beltrão, Evandro Mesquita e outros. Após seis anos na televisão, a série foi transformada em filme e levada ao cinema em 2007, produção da Globo Filmes, uma das empresas que compõem a Rede Globo.

Na segunda linha de shows, nas quintas-feiras, o discurso de entretenimento que preenche a faixa horária nos outros dias da semana sofre uma quebra com o programa Linha Direta. Trata-se de um docudrama, ou seja, um documentário com feições jornalísticas que a cada episódio mostra duas histórias de violência dramatizadas por atores e apresentadas pelo jornalista Domingos Meirelles. Apesar da intenção claramente informativa, classificamos o programa dentro do discurso que mistura informação e entretenimento porque concluímos que, ao reencenar os crimes, o enunciador cria um universo de referência interno, ficcional, já que não está representando a realidade em si mesma como faz o telejornalismo diário, por exemplo.

Linha Direta tem grande penetração na audiência, a ponto de já ter contribuído para a solução de alguns dos crimes que apresenta. O diretor Roberto Buzzoni diz que há pessoas que, ao invés da polícia, procuram o programa para dar informações ou fazer denúncias. Segundo o site29 da rede, a imagem de criminosos exibida na TV permitiu a

captura de mais de 400 foragidos da justiça, muitos deles em países da Europa e América Latina. Uma vez por mês é apresentado o Linha Direta Justiça, dramatizando casos de grande repercussão no judiciário brasileiro, como o da estilista Zuzu Angel ou do jornalista Wladimir Herzog.

O horário nobre da noite de sexta feira na TV Globo, depois da Novela III, de novo quebra o discurso de entretenimento que só será retomado depois de Globo Repórter. Há trinta e quatro anos no ar, o programa apresenta matérias ou séries de matérias especiais sobre os mais diversos temas, como comportamento, atualidades, saúde, natureza ou mesmo grandes aventuras. Nos primeiros anos de exibição, na década de 1970, o Globo

Repórter contou com a colaboração de cineastas como Eduardo Coutinho, Walter Lima Júnior e Wladimir Carvalho, em documentários hoje considerados como clássicos do gênero no Brasil. Atualmente o programa é criticado por privilegiar reportagens sobre animais ou sobre a natureza, quebrando um pouco o caráter investigativo que norteava a elaboração de seus documentários.

O efeito de sentido dessa seleção, quando privilegia assuntos mais distanciados do dia a dia da população urbana, faz com que o programa, a nosso ver, não quebre totalmente o discurso de entretenimento que volta a seguir, com a série de humor Minha Nada Mole Vida, de Luis Fernando Guimarães. O ator faz o papel de Horácio, colunista eletrônico que apresenta um programa de televisão cobrindo festas badaladas e entrevistando personalidades. Na vida privada, enfrenta os conflitos da relação com a ex- esposa e com o filho de dez anos. O programa foi exibido durante três temporadas, a última até outubro de 2007.

Como já vimos na análise vertical da programação, o horário nobre de sábado mantém o discurso de entretenimento com o humorístico Zorra Total, seguido da sessão de cinema Supercine. Já as noites domingo apresentam programas com discurso misto, Domingão do Faustão e Fantástico, e se encerram com os textos de entretenimento de Sob Nova Direção e do filme da sessão de cinema Domingo Maior.

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