4.3 Resultatkvalitet og nasjonale prøver
4.3.4 Resultater som grunnlag for skolens utviklingsarbeid
Estabelecido o patrimônio de São João Baptista dos Olhos d’Água, as primeiras casas eram as erguidas pelos próprios doadores para a criação do mesmo, porém os primeiros comerciantes não demoraram a se instalar. Jorge Aidar, que aparece no registro acima da empreitada para a determinação da área da futura Matriz, chegara ao Brasil dois anos antes, em 1903, vindo da Síria, com os parentes João, Miguel, Felipe e Alexandre Aidar. Construiu ali, na praça da Matriz, a primeira loja do povoado, “a Loja do Povo, o segundo prédio de Olímpia, que servia de residência e loja de armarinhos” (Marangoni, 2001; 28). A família Aidar se ramificaria, ao longo dos anos, de maneira extensa, exercendo importante influência em diversos ramos de atividade e na política local até os dias atuais.
Ainda em 1904, chegava também à localidade o austríaco Narciso Bertolino, vindo de Piracicaba-SP, depois de ter vivido em Blumenau-SC com os pais, de 1876 a 1888. Tendo acampado às margens do córrego Olhos D’Água nos primeiros momentos126, viria a fundar a primeira farmácia de Olímpia, em 1906, a Farmácia Popular, e a primeira escola, em 1910127. Também em 1910, agora já tendo sido
125 “Com o progresso desta localidade, extinguiram-se três povoações: São Miguel Arcanjo do Campo
Limpo, São Sebastião da Boa Vista e Divino Espírito Santo dos Coqueiros.
De São Sebastião da Boa Vista só se vê um pé de ‘primavera’, com suas flores rubras permanentes, assinalando, para quem conheceu aquela povoação, à antiga localidade, a sua vida ora extinta.
Tudo passa!
Tudo tem fim!” (Prates, 1984; 55).
126 “Quando aqui chegou, com um companheiro de nome Egídio Zacari, no dia 26 de julho de 1904, com
33 anos, havia apenas algumas casinhas ao redor da Capela, existindo dois cruzeiros: um na praça, futura Praça da Matriz, e outro, o primeiro, às margens do Córrego Olhos D’Água. Ali ficou com sua família acampado, até que pudesse construir um rancho” (Marangoni, 2001; 41).
127 “Trabalhou de carpinteiro, mas estudando, fez-se prático de farmácia, fundando, em 1906, a primeira
farmácia de Olímpia, na esquina da rua São João com a Rua 9 de Julho, chamando-a de Farmácia Popular. Em 1910, transferiu-a para prédio próprio na Praça Nossa Senhora da Aparecida. (...) Em 1910, criou a primeira escola de Olímpia, mandando buscar sua sobrinha Da. Lourdes Ferrari Guimarães em Jaboticabal para aqui exercer o magistério” (Marangoni, 2001; 41).
agraciado com o título de “capitão”, pelos trabalhos prestados como suplente de delegado, Narciso Bertolino instalava a primeira máquina de beneficiar arroz.
No mesmo período foram sendo abertas as primeiras casas comerciais dos mais diferentes tipos, com as construções de seus respectivos prédios e a ocupação conseqüente dos respectivos terrenos foreiros, principalmente em torno da capela e da área da futura matriz, que foi construída e destruída completamente por um incêndio em 1910, e novamente erguida para ser depois inteiramente reformada e ampliada nos anos de 1918 e 1919.
Os Aidar se consolidavam como importantes e respeitados comerciantes, nas figuras de Miguel Sallim Aidar, João Aidar, Jorge Aidar e Said Aidar, e posteriormente fortes fazendeiros e negociantes de café, com o magnata e bancário Gabriel Said Aidar, aproximando-se, ao longo do tempo, do poder político estabelecido. Já o capitão Narciso Bertolino figuraria como aliado de uma outra força política arraigada na cidade de Barretos.
O referido farmacêutico ficaria conhecido pela filantropia exercida, que lhe faria ser conhecido como “O pai da pobreza” entre os moradores locais. Porém, a aliança com o coronel Silvestre de Lima, que o levaria a exercer diversos cargos como delegado, suplente de delegado e sub-prefeito, assim como já fora apontado para a dinâmica de reprodução do poder, sempre ampliado, do PRP de Antônio Olímpio, parece valer para o seu caso. Vale ressaltar que o Cel. Silvestre de Lima já ocupava, em 1911, o importante cargo de prefeito de Barretos, a que a Vila Olímpia era subordinada, sendo distrito daquele município.
Porém, a força do coronel Silvestre de Lima, de fato, concentrava-se na pessoa do capitão Leonardo Posella II, que se instalara no povoado de São João Batista dos Olhos D’Água em 1906. Agrimensor, trabalhando para o escritório do líder do partido rival Dr. Antônio Olímpio, representava uma figura ambígua, transitando entre as duas frentes opostas de poder128. Com isso, tendo sido sub-prefeito do distrito da Vila Olímpia, que ainda pertencia então a Barretos, tornou-se uma das mais respeitadas personalidades locais129. As obras de infra-estruturas, cujos méritos de terem sido
128 “Apesar de trabalhar para o Dr. Antônio Olímpio em seu escritório, sempre foi fiel politicamente ao
partido ‘Arara’, de Silvestre de Lima, e, por esse fato, sempre gozou de prestígio para reivindicar junto ao deputado barretense, melhorias para Olímpia, sem que por isso desmerecesse a amizade e respeito que gozava por parte do Dr. Antônio Olímpio” (2001; 43).
129 “Era tão respeitado que quando sub-prefeito, voltava de suas viagens a Barretos, a Banda Musical local
concretizadas por ele130, advêm da complexidade das relações por ele estabelecidas. A principal delas parece ter sido a influência que exerceu, juntamente com a do Dr. Antônio Olímpio, no traçado da nascente Estrada de Ferro São Paulo-Goiás.
Como se nota, entretanto, não se tratam de pessoas simplesmente incumbidas de realizar as obras de melhorias e reproduzir os poderes daqueles coronéis maiores. A força dessas personalidades na localidade tem sustentação material nas diversas atividades em que tomam parte. Enquanto os Aidar acumulam atividades comerciais, tornando-se alguns deles cafeicultores no momento subseqüente e, enfim, inclusive abrindo uma casa bancária, o capitão Narciso Bertolino de marceneiro torna-se farmacêutico e depois também comerciante, dono de uma máquina de beneficiar arroz, a primeira da cidade. Leonardo Posella II, mais do que este, agrimensor no principal escritório de Barretos, além de ter sido agente dos Correios em 1908, também terá, no momento em que a cafeicultura se consolide na área, uma máquina de beneficiar café e será um dos principais comerciantes da mercadoria na cidade.
Esse desenvolvimento do núcleo urbano do Patrimônio de São João Batista dos Olhos D’Água, que depois torna-se distrito de Barretos, com sede na Vila Olímpia, culmina na separação da área do distrito como um todo, que se torna município de Olímpia, incorporando também os distritos, emergentes na vasta área de Barretos quase simultaneamente à própria Vila, de Cajobi (antes Monte Verde) e Icém (antes Água Doce). Assim, a mesma Lei 1.571, de 7 de dezembro de 1917, que cria o município de Olímpia, cria, ao anexar os referidos outros distritos de Barretos, um município com área maior do que o de que foi desmembrado.
130 “Em 1912, por sua iniciativa, mudou a iluminação de Olímpia, que era a vapor, por iluminação a
petróleo. Ainda nesse ano, como subprefeito construiu a primeira ponte sobre o rio Cachoeirinha e o Matadouro Municipal. Em 1914, construiu o novo cemitério (São José), com fiscal contratado pela prefeitura de Barretos. E teve muita influência na vinda da via férrea para Olímpia. Em 1915, construiu duas pontes sobre o córrego Olhos D’Água: a da rua 9 de Julho e a da Rua Jorge Tibiriçá.
Doou grande parte de seu patrimônio urbano para a construção da Paróquia de São João Batista, onde foi construída a Casa Paroquial e o Cine Teatro Nossa Senhora da Assunção” (Marangoni, 2001; 43).
(Org.: Cássio A. Boechat, 2009) A tensão local, no âmbito da alta sociedade barretense, seria muito bem aproveitada pela oposição, liderada pelo coronel Silvestre de Lima. Ainda que também o seu poder se ramificasse por todas as localidades que também formavam o novo município, e talvez também um pouco por isso, o uso da idéia de orgulho local ferido foi o ponto reforçado pelos partidários locais do coronel. O jornal local “O Sertanejo” saiu em defesa da honra de Barretos, acusando o deputado barretense Antônio Olímpio de ter traído a sua base eleitoral, com o desmembramento por ele proposto e aprovado na referida lei. O resultado da campanha, dessa forma empreendida, seria a contundente derrota do deputado Dr. Antônio Olímpio, nas eleições daquele ano para a Assembléia. O pretenso “amor” de Antônio Olímpio pela nova cidade, que levava o nome de sua filha, acarretava a derrota do líder local do Partido Republicano Paulista para o rival, também ainda pelo mesmo partido131. O contexto era propício, pois, para o início de
131 “Compadre do Dr. John Robert Reid, fundador de Olímpia, teve o nome de sua filha (Maria Olímpia)
emprestado a nossa terra, por solicitação do Dr. Reid. (...) Dr. Antônio Olímpio nunca escondeu seu imenso amor a Olímpia, que até lhe deu prejuízos políticos quando da emancipação política de nossa terra, pois Olímpia ficou com uma extensão territorial muitas vezes maiores que a de sua antiga sede, o que valeu ao Dr. Antônio Olímpio, através do jornal de Barretos “O Sertanejo”, por muito tempo em suas primeiras páginas, severas críticas pela perda de tão grande parte de seu território. Essa atitude custou ao Dr. Antônio Olímpio a derrota nas eleições para o Dr. Silvestre de Lima. Por volta dos primeiros anos do século fundou o partido ‘Pica-Pau’ que dominou a política regional até 1917, quando então pelos motivos acima citados perdeu, pela primeira vez, sua cadeira na Assembléia Legislativa” (2001; 42).
uma oposição, dentro da mesma classe de proprietários, que levaria anos mais tarde a uma cisão dentro do partido, formando-se o Partido Democrático132.
Agora Silvestre de Lima era o deputado de Barretos. Como represália, seus correligionários exigiam a mudança do nome Olímpia, indo em caravana a Barretos pedir vingança. O coronel não teria aceitado levar adiante tal medida133. Era a vez da oposição reforçar as suas bases de reprodução. Esse reforço viria com os investimentos possibilitados pela inserção de sua liderança na política legislativa estadual. Não tardaria para ficar tal poder registrado nas obras de infra-estrutura deixadas como se fossem seu legado: “O Cel. Silvestre de Lima foi um dos políticos que muito colaborou para o progresso de Olímpia, trazendo inúmeros benefícios para nossa cidade” (Marangoni, 2001; 26).
O poder político do Partido Republicano Paulista, de Antônio Olímpio, fortemente arraigado na nova localidade de Olímpia, do mesmo modo como não brotava simplesmente das manobras e estratégias eficazes para vencer os pleitos, mas se capilarizava nas relações econômicas reproduzidas pelos aliados que as personificavam, não ruiria, dessa maneira, pela derrota nas eleições para a Assembléia.
O seu genro Mário Vieira Marcondes seguia como prefeito de Olímpia, ao mesmo tempo em que era editor e redator do principal jornal local e era oficial do cartório de registro de imóveis, quando da subseqüente criação da comarca. Em pouco tempo, seria também arrendatário de enorme fazenda em Barretos e formaria com o sogro um grande frigorífico na cidade. O coronel Francisco de Mello Nogueira, além de fazendeiro em Olímpia, ocupava, já em 1918, o cargo de Juiz de Paz, para o qual concorrera com o seu próprio amigo, Manoel Inocêncio Marcondes, o farmacêutico, pai de Mário Vieira Marcondes. Isso sem contar a influência do próprio Dr. Antônio Olímpio, emanada também das atividades de seu escritório de advocacia e seu cargo de promotor de justiça.
Algo começava a mudar, no entanto, e uma forte oposição se organizava para atacar a política e a influência de Mário Vieira Marcondes.
O relato das dificuldades enfrentadas por Cajobi para se emancipar e para ter sua estação ferroviária são patentes do papel que o coronel podia exercer no sentido de
132 Cf. Perissimoto, 1999.
133 “Os seus partidários reuniram-se para pedir a mudança do nome do lugar, já que lembrava a filha do
líder do partido Pica-Pau então derrotado. Mas o Cel. Silvestre de Lima, chefe do partido vencedor, recusou-se terminentemente a atender ao pedido dos companheiros, por parecer-lhe torpe vingança, atitude que bem revelou a grandeza moral daquele homem, conhecido também pelos dotes excepcionais de inteligência” (2001; 26).
favorecer os seus aliados, no compromisso coronelista134. Assim, quando da crise política, decorrente da separação de Olímpia de Barretos, o coronel Silvestre de Lima consegue se eleger prefeito de Barretos, em 1910, instala-se o distrito de Cajobi, ainda com o nome de Vila de Monte Verde. Em 1911, em meio ao debate entre “civilistas”, defensores de Rui Barbosa à presidência da República (com o apoio de Silvestre de Lima), e “hermistas”, defensores do Marechal Hermes da Fonseca (com o apoio de Antônio Olímpio), Silvestre de Lima nomeia alguns de seus aliados a cargos importantes no distrito, colocando a chefia deste a cargo do Capitão Saturnino Antônio Rosa, em detrimento dos então aliados do Dr. Antônio Olímpio, capitães Augusto Martinho de Almeida e Lázaro Vaz de Lima. No mesmo ano, Agnello da Cruz Prates, autor do histórico de Cajobi, foi nomeado professor municipal pelo mesmo prefeito de Barretos.
No mesmo ano, uma comitiva da Companhia Ferroviária São Paulo-Goiás visitou o então distrito de Monte Verde para que o engenheiro Dr. João de Macedo Lobato realizasse os estudos para o traçado da linha ferroviária que, de Bebedouro e passando por ali, atingiria Olímpia. Foram os membros dessa comitiva recebidos por uma comissão de cidadãos que incluía o Cap. Saturnino Antônio Rosa e Agnello da Cruz Prates. Porém, o contexto de influência crescente dos aliados de Silvestre de Lima em Cajobi determinaria um rumo adverso após a visita da comitiva. Por influência local do comerciante Pedro Polizio e do fazendeiro João Saborido, articulados ao Dr. Antônio Olímpio, o trajeto da ferrovia não passaria pela vila de Monte Verde, mas pelos espigões das Fazendas Coqueiros e Palmeiras, pelas terras de João Saborido, onde se instalaria uma estação, há cerca de 3 quilômetros daquela vila.
“Estava ganha a partida... Logicamente teria de passar nas terras do Sr. João Saborido. Foi assim, pois, que se formou o atual Distrito Policial de Monte Verde, de cuja Estação nos servimos. O pretexto de passar os trilhos da Cia. São Paulo-Goiás pelos espigões era que tinha de fazer uma ponte no Ribeirão ‘Coqueiros’, orçada em trinta contos de réis. A Câmara Municipal de Barretos prontificou-se a entrar com a importância orçada. Entretanto, alguma força maior sobrepujara esse expediente. A verdade, com seus detalhes, não a conhecemos. Mas a estrada fora construída no
134 “Embaraçar ou atrapalhar negócios ou iniciativas da oposição, fechar os olhos à perseguição dos
inimigos políticos, negar favores e regatear direitos ao adversário – são modalidades diversas da contribuição do governo estadual à consolidação do prestígio de seus correligionários no município. Mas nada disso, via de regra, se compara a esse triunfo decisivo: pôr a polícia do Estado sob as ordens do chefe situacionista local” (Leal, 1976; 47).
percurso e local onde interessava pessoas com muitas influências” (Prates, 1984; 21-22).
A questão não se encerraria aí. Tendo tornado ágil a concretização da emancipação de Olímpia, desmembrada de Barretos, o mesmo Dr. Antônio Olímpio, anos mais tarde, ver-se-ia metido num confuso processo de emancipação da vila de Cajobi, procurando se desmembrar de Olímpia. A comissão que tratava dessa emancipação vinha sendo dirigida pelo Capitão Lázaro Vaz de Lima, que, como vimos, era antes um dos aliados daquele “chefe” local do PRP, Antônio Olímpio. Em 1923, no entanto, a situação política era outra e aquela força contrária capitaneada pelo coronel Silvestre de Lima, desde os idos de 1911, agora tratava de promover-se como um novo partido, trazendo para as suas fileiras de oposição, a iminente figura do Conselheiro Antônio Prado, também antigo aliado do Dr. Antônio Olímpio, junto do PRP. O Partido Democrata estava em gestação, também na área que nos toca.
A comissão pró-emancipação lutava contra todo tipo de boicote para coletar assinaturas para dar início ao pedido de emancipação135. Nisso, “os dissidentes de Olímpia e Severínia” organizaram uma grande reunião, em 22/6/1924, para fundar o Partido Democrata da Comarca de Olímpia. O presidente da reunião era o capitão Lázaro Vaz de Lima, mas a dissidência se colocava em termos modestos, não chegando a romper com o Partido Republicano Paulista136, mas portando-se contra “a prepotência impatriótica de elementos que nos infelicitam” (Prates, 1984; 32). Entre os membros da comissão organizadora do futuro partido estavam ilustres fazendeiros e comerciantes de Cajobi, como: o Capitão Augusto Martinho de Almeida, Manoel Sales, João Casagrande, Ulisses de Paula Monteiro, Olívio Marson, o Capitão Saturnino Antonio Rosa, e membros das famílias Sanchez, Abdo, Lima, Guariente, Seches, Rosa, Locatelli, Detofoli, Glerian, entre muitos outros.
A postura pouco radical de crítica à hegemonia do PRP não seria suficiente para conciliar com o líder local deste partido a vontade dos “dissidentes” de emancipar
135 “A Comissão ‘Pró-Emancipação’ de Cajobi, lutando com os poderosos daquela época que não viam
com bons olhos o fator progresso da então Vila de Cajobi, a fim de tornar-se independente, interceptava- se todos os passos da referida comissão. Para conseguir as assinaturas dos eleitores foi uma luta titânica. O encarregado José Amélio de Sousa não podia andar pelas estradas de rodagem, a fim de não lhe ser arrebatada das suas mãos a lista de assinaturas dos eleitores, já subscritas” (Prates, 1984; 31).
136 “Em seguida, o Cap. Lázaro Vaz de Lima, por entre aplausos gerais, declarou que um dos fins da
reunião era de lançar as bases da organização do Partido Democrata, filiado ao Partido Republicano Paulista e trazendo as bases para em seu programa prestigiar à progressista ação (...), fazendo uma política de concórdia de todos os seus elementos (...)” (Prates, 1984; 32).
Cajobi de Olímpia. Com essa finalidade, no entanto, em 1925, foram o Cap. Lázaro Vaz de Lima, como presidente do sub-diretório do PRP, e o Cap. Luiz Antônio Rosa, com outras pessoas, em comitiva solicitar ao Dr. Antônio Olímpio Rodrigues Vieira, então novamente deputado estadual, o seu apoio para a criação do Município de Cajobi. Tendo o deputado negado, com a justificativa de que o município não conseguiria se manter, enfim, uma posição mais forte se instalou, congregando outros opositores de Olímpia e Barretos. Formava-se o Partido Popular:
“Incontinente, renunciou [o Cap. Lázaro Vaz de Lima] à presidência do sub-diretório, da qual, dos membros, era o que mais prestígio tinha no distrito, formando-se daquela data em diante a maior oposição que a situação dominante de Olímpia teve” (Prates, 1984; 38).
Antônio Olímpio alegara a “fraqueza do município”137 como argumento para a não emancipação, o que mais uma vez reforça a noção de como a política se movia nos marcos da mediação do dinheiro (cf. Kurz, 1997), mas era exatamente esse o argumento principal em defesa da emancipação. Alegava-se, da parte dos interessados na “separação” que Cajobi contribuía com mais de Rs. 90:000$000 por ano para o erário de Olímpia, enquanto esta se recusava mesmo a consertar a ponte do rio Turvo, que havia caído no ano anterior, sob a justificativa de falta de recursos (Prates, 1984; 34). A reciprocidade do “compromisso coronelista” parecia estar sendo negligenciada por parte dos representantes de Olímpia.
Rompia-se ali o “compromisso coronelista” na localidade ao sul de Olímpia, porque este levava ao limite uma proposição que ia de encontro ao que instalara o poder local do mesmo deputado. Isto é, a força local de Antônio Olímpio se consolidara com a emancipação de Olímpia com relação a Barretos, mas essa mesma emancipação tinha sido o início de uma oposição a ele. Agora essa oposição se consolidava e tencionava no sentido de promover uma emancipação de uma importante área cafeeira dentro do “seu” município de Olímpia, o que o deputado hesitava em aceitar. O absenteísmo guardava
137 “Sem o auxílio financeiro do Estado, dificilmente poderiam empreender as obras mais necessárias,
como estradas, pontes, escolas, hospitais, água, esgotos, energia elétrica. Nenhum administrador