5. Empirisk analyse
5.6 H2: Forbedring av etablerte modeller
5.6.2 Resultater
A proposta deste trabalho foi de organizar um projeto capaz de orientar a utilização de vídeo como suporte em educação para uma abordagem transversal de conteúdos como ética e cidadania.
Inicialmente, procedeu-se à discussão da estratégia e das ações a serem adotadas em sala de aula e em encontros presenciais entre professores, coordenação da escola, o autor do projeto e os alunos. Os primeiros contatos realizados envolveram o autor do projeto e a coordenadora da EE “Prof. Túlio Espíndola de Castro”, Claudete Richieri. Localizada em Jaú (SP), a escola atende atualmente 729 alunos em três turnos, distribuídos em Ensino Fundamental II (433 alunos do 5º ao 9º ano) e Ensino Médio (296 alunos). Para o desenvolvimento das atividades propostas, por orientação da coordenadora, foi selecionada inicialmente a classe de alunos do 8º ano A no período matutino.
Definiu-se que a discussão em torno do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ocorreria mediante a inserção de temas nas aulas de História e Língua Portuguesa, além de intervenções pontuais da coordenadora Claudete Richieri junto aos alunos. Vale ressaltar que em 2011 ela desenvolveu projeto na escola vinculado ao ECA, utilizando produção de material impresso pelos alunos e a produção de cartazes com o conteúdo das discussões. Estratégia semelhante foi adotado para este trabalho, com a soma de discussões em sala de aula e apresentação de notícias e questionamentos sobre direitos das crianças e dos adolescentes.
A escolha do ECA para o escopo deste trabalho deu-se também por conta de sua relação com questões diretamente relacionadas ao cotidiano do público-alvo da pesquisa, situado na faixa etária como adolescentes pelo estatuto: “Art. 2º: Considera-se criança para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade”.
O ECA também prevê, em suas disposições, que ”A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis” (ECA, 1990, p.2), bem como garante em seu artigo 17 “O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e
do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais” e, no artigo 18, diz que “É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor”.
São situações muitas vezes discutidas, eventualmente presenciadas ou até mesmo vivenciadas por crianças e adolescentes, os quais, com uma abordagem na própria escola, podem desenvolver condições de analisar mais criticamente o próprio universo pessoal e construir ferramentas eficazes na solução de problemas.
As primeiras reuniões com os alunos para desenvolvimento das atividades aconteceram entre meados de fevereiro e março de 2012. Foram apresentados os objetivos do projeto e houve o convite para ampliar a discussão sobre o ECA com a produção de vídeos, podendo ser em forma de reportagens ou microdocumentários (com até três minutos de duração).
Os encontros entre o autor deste projeto, a coordenação da escola, professores e principalmente alunos foram agendados para ocorrer quinzenalmente. Nos primeiros três encontros com alunos foram levantadas questões acerca do ECA, da disponibilidade de equipamento para captação de vídeo e de áudio e ocorreu a aplicação de um questionário para avaliar as rotinas de uso de internet e de consumo de informação por parte deles. Durante a realização destas reuniões, a coordenação da escola solicitou a inclusão de outra sala (8º ano B) no projeto a pedido dos próprios alunos. Com esta nova classe foram repetidos os procedimentos adotados na turma inicial.
Para a realização dos vídeos foi proposto e decidido o uso de telefones celulares e/ou câmeras digitais compactas, uma vez que tais equipamentos em sua maioria já fazem parte da rotina de uso do público-alvo (ver item 4.2 Resultados da pesquisa). Para finalização do material a direção da EE “Prof. Túlio Espíndola de Castro” autorizou a utilização da sala de informática pelos alunos, inicialmente durante os encontros quinzenais e posteriormente no contraturno (período vespertino).
A primeira dificuldade no trabalho de discussão do ECA e produção dos vídeos decorreu diretamente do número de alunos inicialmente envolvidos. Somadas, as duas classes eram compostas de quase 80 estudantes, o que se tornou um obstáculo para a organização das atividades dado o esquema de apenas duas reuniões mensais com cerca de 50 minutos cada e em horário regular de aula.
Houve também a percepção quanto a um certo desinteresse de parte dos alunos em participar do projeto. Aliada à questão do número excessivo de estudantes, optou-se por oferecer os encontros na primeira hora do contraturno escolar (entre 12h45 e 13h35) e tornar opcional a participação nas atividades.
A programação para os encontros incluía discussões sobre o ECA e situações nas quais poderia se perceber respeito ou violação aos direitos de crianças e adolescentes; técnicas para uso do equipamento e noções de videorreportagens, além de sugestões quanto à difusão e compartilhamento do material produzido.
Os alunos que optaram por manter as atividades do projeto optaram por manter os vídeos produzidos no grupo VídeoECA, criado no Facebook para agregar e discutir informações sobre o trabalho, em parte por ser esta rede social a mais citada em termos de acesso (ver item 4.2 Resultados da Pesquisa).
Houve a produção de cinco vídeos pelo grupo, dos quais dois foram postados no VideoECA e outros, compartilhados diretamente via celular entre os alunos. O uso constante de telefones celulares e o acesso à internet foram apontados por eles como alguns dos fatores de dispersão de foco nas atividades com vídeos; isto é, o consumo de vídeos no Youtube com outros conteúdos e questões como o relacionamento social no Facebook surgiram constantemente nas discussões como causadores de “atrasos” e “falta de interesse” em determinados momentos do projeto.
A partir do segundo semestre de 2012 as atividades ficaram limitadas à edição dos vídeos remanescentes e discussões no grupo sobre o projeto, sendo as atividades encerradas a partir do final do mês de setembro.