5. Empirisk analyse
5.4 Robusthetssjekk av størrelse, alder og eierskap
Baseada no sistema japonês ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting
Terrestrial), a televisão digital no Brasil, desde sua primeira transmissão terrestre em
dezembro de 2007, busca implementar um sistema que inclui o padrão de vídeo MPEG- 4/H.264 e o middleware5 Ginga e, até 2016, ter o sinal distribuído em todos os municípios brasileiros.
O ISDB – ou Serviços Integrados de Radiodifusão Digital, em português – abarca diversas formas de radiodifusão e digitalização da mesma em padrões diferentes para transmissões via cabo (ISDB-C), terrestre (ISDB-T) e satélite (ISDB-S). Para dispositivos móveis e portáteis, objeto deste estudo, o ISDB-T oferece faixa de espectro por emissora de um segmento para envio de áudio, vídeo, dados e interatividade, no que ficou conhecido como padrão one-seg; há também a faixa de espectro de 13 segmentos para
5 Situado entre a plataforma de hardware (equipamento) e o sistema operacional, o middleware é uma cada de software localizada entre o código de aplicações e a infraestrutura de execução em um sistema de televisão digital.
cada emissora no sistema de transmissão para aparelhos não-portáteis, conhecida como full-seg (ITO, 2012, p.20)
Neste trabalho foi dada ênfase às questões de TV digital móvel e/ou portátil devido às características do trabalho com o uso de internet e dispositivos móveis por parte do público-alvo. Nos casos de mobilidade, o sistema ISDB-T permite a sintonia dos canais de televisão mediante o uso de reforçadores de sinal que os recebem e retransmitem em ambientes fechados e áreas comuns, como aeroportos e estações de metrô, por exemplo. A portabilidade pode ser entendida como a possibilidade de assistir à televisão em dispositivos portáteis como notebooks, tablets e telefones celulares, desde que estes possuam dispositivos de recepção no padrão one-seg.
Sem a recepção one-seg, a transmissão/recepção envolvendo dispositivos portáteis pode ocorrer mediante o acesso via internet em redes sem fio (wi-fi) ou, atualmente no Brasil, em conexões 3G. Embora estas não atendam aos requisitos para serem consideradas como televisão digital, até o momento de realização deste trabalho são os canais possíveis, via internet, para proporcionar alguma interação e/ou interatividade entre usuários, uma vez que esta é uma questão ainda em aberto no processo de instalação do sistema de televisão digital brasileiro.
Com relação à internet, cuja possível utilização como meio de interação e interatividade na TV digital, é preciso considerar que na primeira década após 2001 ela se consolidou como o meio mais significativo de comunicação de massa no mundo e com o crescimento mais rápido tanto direta como indiretamente - ou seja, na questão do número de acessos e usuários á rede e também nos serviços proporcionados por ela em difusão de informação e comunicação.
Dos 361 milhões de usuários em 2000, a rede contabilizava em 2010 1,9 bilhão de pessoas conectadas; os dez países mais desenvolvidos, se em 2000 contabilizavam 73% da população conectada, dez anos depois respondiam por 60% dos usuários, o que demonstra um crescimento rápido dos países em desenvolvimento como consequência da ampliação da infraestrutura de acesso – seja na rede disponível como na oferta de equipamentos (ROYAL PINGDOM, 2012).
Em termos de crescimento do número de internautas, a América Latina, com um incremento de 1.033% no período ficou atrás apenas da África, onde a base de pessoas conectadas aumentou 2.357% em dez anos segundo o Internet World Stats (ROYAL PINGDOM, 2012). No caso do Brasil, se em 2000 o País ainda nem sequer aparecia na
lista dos países com mais pessoas utilizando a internet, dez anos depois já ocupava a quinta posição.
Na última atualização do Internet World Stats, em dezembro de 2011, existiam no Brasil cerca de 81 milhões de usuários da rede de computadores. Em 2008, segundo dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar), esse número era´de 56 milhões entre a população com dez anos de idade ou mais (IBGE, 2008), representando 34,8% do universo pesquisado – contra 20,9% em avaliação de 2005. De acordo com a PNAD, a utilização da internet no Brasil no período foi maior entre os mais jovens: o grupo de 15 a 17 anos foi o que apresentou o maior percentual (62,9%) entre usuários e também o maior crescimento em relação à pesquisa anterior (33,7%). De acordo com a finalidade, como mostra a Figura 6, a comunicação com outras pessoas foi o principal motivo para uso da internet, respondendo por 83,2% da preferência na PNAD (IBGE, 2008), seguida de atividades de lazer (68,6%) e educação e aprendizado (65,9%).
Figura 6 – Gráfico demonstrativo da finalidade de uso da internet no Brasil
Do mesmo modo, o acesso via dispositivos portáteis ou móveis também tem apresentado curvas significativas de crescimento, especialmente no segmento de smartphones6:
Em 2008, a partir da PNAD se estimou que mais da metade (53,8%) da população de 10 anos ou mais de idade, ou seja, cerca de 86 milhões de pessoas, tinham telefone celular para uso pessoal. Há três anos a pesquisa mostrou que pouco mais de um terço tinha celular (36,6%), o que correspondia a 56 milhões de pessoas. (IBGE, 2008, p. 48)
Os números também precisam ser vistos sob o ponto de vista da finalidade de uso – inclusive os de celulares – e sua relação com o escopo deste trabalho. O aumento no acesso á internet, especialmente entre os jovens, transformou a maneira como ocorre a difusão da informação, o tempo e o modo de consumo dela e especialmente adicionou o meio virtual como espaço de relacionamento por meio de redes sociais digitais.
As análises anuais apontaram no final de 2011 um aumento de 6,3% no uso de redes sociais no mês de dezembro em relação a 2010 (COMSCORE, 2012) no Brasil, onde elas já ocupavam no período pesquisado a segunda posição no engajamento7 de usuários de internet. Algumas conclusões apontam para os reflexos desse crescimento em praticamente todos os segmentos da internet:
x O Brasil já é o sétimo maior mercado de internet do mundo. Em 2011, o aumento de usuários foi de 16% em relação a 2010.
x Em dezembro de 2011, o número de horas que brasileiros passaram conectados à internet foi em média de 26,7 horas, 10% a mais do que no mesmo período do ano anterior.
x No mês da pesquisa, brasileiros assistiram a 4,7 bilhões de vídeos online, um aumento de 74% em relação a 2010. Assistir a vídeos online consolidou- se como uma das atividades mais importantes e difundidas entre os internautas.
6 Aparelhos de telefonia celular móvel desenvolvidos para fornecer acesso à internet e que oferecem uso de aplicativos para uso de serviços em vez da linguagem web.
7 Engajamento na internet pode ser compreendido como o relacionamento entre o usuário e determinada marca, portal, site ou rede social com o/a qual ele mantém um relacionamento de confiança e compartilhamento da própria relação em si, apontando o que considera como benefícios do produto e/ou serviços com os quais se engaja.
x O acesso móvel cresce também rapidamente em importância: celulares e tablets respondiam em dezembro de 2011 por 1,5% de todo o tráfego de internet no Brasil, mas 42% de todas as visualizações de página no período já eram originadas destes equipamentos móveis. (COMSCORE, 2012)
Considerando tais dados e o perfil do grupo alvo deste trabalho é possível inferir que ele ocupa uma faixa na qual ocorre uso intenso de internet, com preferência por acesso móvel e rotinas de compartilhamento, difusão e relacionamento via mídias sociais.
Há que se pensar, portanto, nas possibilidades de produção, compartilhamento e difusão de conteúdo na televisão digital proporcionadas por um sistema no qual a interatividade esteja efetivamente operante – objetivo que consta do projeto para a televisão digital no Brasil, pois “a interatividade funciona como um complemento da programação que está sendo transmitida. (...) A comunicação do telespectador para a emissora ocorre pelo Canal de Retorno (ou Canal de Interatividade) que possibilita enviar ou receber informações pela internet (utilizando para isso os serviços de uma empresa de telecomunicações”. (DTV – Site Oficial da TV Digital Brasileira, 2012).