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As principais teorias sociopsicológicas envolvidas na composição teórica da TA são: Teoria da Identidade Social, Similarity-Attraction, Social Exchange Process,

Casual Distribution, e Intergroup Distinctiveness. Cada uma dessas teorias

acrescenta mais conhecimento no que se refere à influência dos processos sociopsicológicos na relação entre atitudes linguísticas e o comportamento linguístico em interações comunicativas.

Uma das teorias sociopsicológicas que busca explicar as mudanças linguísticas e comunicativas nas interações sociais é chamada Teoria da Identidade Social. Tajfel (1974) definiu a Identidade Social como o conhecimento que cada indivíduo tem de pertencer a uma determinada sociedade e grupos sociais cuja filiação implicará características e valores específicos. Ele sugere que quando os membros de um grupo interagem com membros de um outro grupo, eles fazem comparações entre si baseados nas características que lhe são importantes. Essas características podem ser habilidades, qualidades pessoais, bens materiais, etc. A avaliação interpessoal faz com que os membros de um determinado grupo valorizem, ou até mesmo, criem determinadas características que, na sua percepção pessoal, serão vistas de forma positiva por membros de outros grupos. Essa percepção contribui para a elevação da autoestima, criando, assim, uma identidade social positiva (GILES, COUPLAND & COUPLAND, 1991). Segundo Gallois, Ogay & Giles (2005), o nosso padrão de fala é uma das maneiras de que sinalizamos essa distinção.

A teoria de Similarity-Attraction, por sua vez, busca explicar uma das razões que leva o interlocutor a convergir. Para West & Turner (2010) isso acontece quando os participantes se sentem atraídos um pelo outro. De forma semelhante, Byrne (1969 apud BULL, 2002, p. 60) descreve que, “The more similar our atitudes and beliefs are to those of others, the more likely it is for them to be attracted to us.”22

22 Quanto mais semelhantes forem as nossas atitudes e crenças com as dos outros, será mais provável que eles se sintam atraídos por nós. (Minha tradução)

Essa convergência pode ser considerada como aprovação social (GILES, COUPLAND & COUPLAND, 1991; GILES & ST. CLAIRE, 1979).

Além do desejo de ganhar a aceitação dos outros, cada indivíduo, antes de interagir, delibera entre os custos e os benefícios de cada curso de ação (GILES, COUPLAND & COUPLAND, 1991; GILES & ST. CLAIRE, 1979). Esse processo é chamado de Social Exchange Process. Dependendo dos motivos e objetivos do falante, ele poderá decidir se os benefícios da convergência superam os custos da manutenção da identidade (ou não).

Na teoria de Causal Attribution Process, cada receptor interpreta o comportamento de seu emissor, avaliando-o quanto as suas motivações e intenções (KRAUSS & CHIU, 1998; GILES & ST. CLAIRE, 1979). Os psicólogos sociais acreditam que esse tipo de julgamento apresenta três fatores que poderão motivar os falantes a convergir ou divergir: o esforço, a pressão externa e a habilidade (GILES, COUPLAND & COUPLAND, 1991). Por exemplo, se um ouvinte acredita que o locutor está convergindo com o intuito de colmatar uma lacuna cultural (esforço pessoal), há uma boa chance de que esse locutor seja julgado de uma forma mais favorável do que se a ação fosse realizada por obrigação (pressão externa) (GARRETT, 2010).

A teoria sociopsicológica conhecida como Intergroup Distinctiveness é semelhante à Teoria da Identidade Social (GILES & ST. CLAIRE, 1979). Numa sociedade, cada indivíduo pertence a uma categoria social distinta. Isso, de certa forma, determina o que sabemos, acreditamos, valorizamos e queremos (KRAUSS & CHIU, 1998). Segundo essa teoria, nas trocas sociais comunicativas, os membros de diferentes grupos comparam-se entre si. Quando isso acontece, os participantes buscam algo para se destacarem de forma positiva, distinguindo-se dos seus interlocutores por meio de traços linguísticos com o intuito de reforçar a sua identidade social (GILES & ST. CLAIRE, 1979) e associação com certas categorias sociais. A partir dessa motivação divergente surgiram as noções de in-group (endogrupo) e out-group (exogrupo); noções que se referem a grupos sociais. Uma boa exemplificação desse conceito pode ser encontrada nos resultados de uma pesquisa realizada por Bourhis & Giles (1977 apud GILES, COUPLAND & COUPLAND, 1991), onde galeses possuidores de fortes valores patrióticos foram questionados sobre as técnicas de aprendizagem utilizadas na aquisição do idioma galês como uma segunda língua. Em certo ponto da entrevista, o entrevistador

perguntou quais eram as motivações que eles teriam para aprender uma “língua quase morta e com um futuro sombrio” (p. 9). Em resposta a esse questionamento depreciativo, alguns dos informantes acentuaram o seu sotaque galês ao responderem à pergunta, enquanto outros utilizaram palavras e expressões no próprio idioma galês. Os pesquisadores entenderam que ao agirem dessa forma, os entrevistados identificarem-se com o seu endogrupo (nesse caso os galeses), escolhendo distanciar-se do entrevistador; membro de um outro grupo social (exogrupo).

3 METODOLOGIA

A presente seção tem como objetivo a apresentação dos procedimentos metodológicos empregados na investigação sobre o uso de palavrões entre os brasileiros, nesse caso específico, estudantes universitários da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), frequentadores da Praça da Alegria situada no Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA).

Consideramos de fundamental importância mencionar que o esboço do método de coleta de dados desta pesquisa é uma adaptação de um estudo realizado por Fägersten (2012).

Desta maneira, abordaremos os aspectos constituintes que compõem esta parte da pesquisa, descrevendo-os na seguinte ordem: constituição do corpus (3.1), que inclui uma descrição do local da coleta de dados (3.1.1); perfil dos participantes (3.1.2); procedimentos (3.1.3); e instrumentos utilizados na coleta de dados (3.1.4), que por sua vez se dividem em três tipos – questionário (3.1.4.1), observação não- participante (3.1.4.2), e entrevista semiestruturada (3.1.4.3).