• No results found

Segundo Carneiro et al (2006) as rochas pertencentes ao Complexo Metamórfico Campo Belo, que ocorrem na região estudada (figura 1.2) podem ser agrupadas nas suítes Gnáissica e Ribeirão dos Motas (Tabela 1.1).

Suíte Gnáissica

As rochas da Unidade Gnáissica, são as mais antigas da região. Essas rochas são encontradas nas cores acinzentadas, esverdeadas, e possuem granulometria grossa (Fernandes et al., 2000). Quimicamente variam entre tonalito, granodiorito, trondhjemito e granito. Essas variedades gnáissicas da região estão agrupadas da seguinte forma: Gnaisse Fernão Dias, Cláudio e Candeias (Carneiro et

Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

As rochas do tipo Gnaisse Fernão Dias, segundo Fernandes et al (2000), são de cor cinza, granulação média e textura granoblástica, lepidoblástica e nematoblástica. O gnaisse apresenta um bandamento caracterizado pela intercalação de bandas leucocráticas quartzo-feldspáticas contínuas e melanocráticas descontínuas (piroxênio, biotita e anfibólio). São compostos por feldspatos, microclina, quartzo, hiperstênio, hornblenda, biotita, zircão e apatita. Os Gnaisses Fernão Dias são encontrados na porção sul da área (figura 1.2).

A composição química do Gnaisse Fernão Dias, de acordo com Costa (1999) e Fernandes (2001), é granodiorítica, o gnaisse possui afinidade cálcio-alcalina e trondhjemítica (figura 1.3 e 1.4) .

Figura 1.3 - Classificação dos litotipos do Gnaisse Fernão Dias e Candeias (segundo Fernandes, 2001) no

diagrama AFM (Na2O+K2O-Fe2O3-MgO), de acordo com a proposta de Irvine & Baragar (1971).

Os Gnaisses Fernão Dias tem uma concentração média de SiO2 de 68,07% e os elementos Mg,

Ti, Al, Ca, Mn, P, Co, Zn, Cr, Y, V e Nb, encontrados nesse gnaisse, apresentaram um comportamento compatível, ou seja, apresentam um empobrecimento com o aumento da SiO2 no gnaisse, enquanto

que o K se mostrou como um elemento incompatível, ou seja não apresenta uma relação à quantidade de SiO2 (Carneiro et al. 2006). Segundo Pearce et al. (1984), o Gnaisse Fernão Dias é o mais rico em

Fe2O3, MgO e CaO, da região.

De acordo com Carneiro et al. (2006), as rochas anfibolíticas, na forma de camadas, boudins e diques ocorrem associados ao Gnaisse Fernão Dias e apresentam teores de SiO2 variando de 47,7% a

57,32%, que são considerados de natureza básica a intermediária. As concentrações mais elevadas de SiO2 são encontradas nas rochas anfibolíticas em camadas.

Figura 1.4 - Classificação dos Gnaisses Fernão Dias e Candeias (Fernandes 2001) no diagrama de Barker &

Arth (1976), que mostram a distinção entre a série de diferenciação cálcio-alcalina e a série trondhjemítica.

Já os Gnaisses Cláudio são encontrados na Porção Leste da área. Possuem coloração cinza e apresentam composição de granodiorítica a diorítica, porém a granítica é encontrada mais localmente. São rochas de granulometria fina a média, bandada, porém fortemente migmatizadas (Oliveira 1999). Seu solo de alteração pode ser encontrado variando de róseo a marrom claro, porém sua predominância é a cor cinza.

A composição química do Gnaisse Cláudio (figura 1.5) varia de tonalitos e trondhjemitos aos granitos (Oliveira, 2004). Onde as concentrações de SiO2 variam de

61,45% a 73,16%, as

concentrações de

Fe2O3 variam de 6,93% nos termos mais máficos a 1,29%, as concentrações de

MgO variam de 2,54% a 0,20% e as concentrações de CaO variam de

3,43% a 1,19%.

Os álcalis variam com a abundância de feldspato, sendo que o Na2O e o K2O somados chegam a 8,66%. Ainda

segundo este autor, os principais elementos traços encontrados são: Rb, Sr, Ba, Zr e Nb (Oliveira, 2004).

Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

Figura 1.5 - Classificação dos Gnaisses Cláudio e Itapecerica (segundo Oliveira, 2004) no diagrama de

classificação Na2O-CaO-K2O (Glikson, 1979). Observar o posicionamento das amostras nos campos do

diagrama classificação Na2O-CaO-K2O: 1) tonalitos; 2) granodioritos; 3) adamelitos; 4) granitos e 5)

trondhjemitos.

As rochas do tipo Gnaisse Candeias (comercialmente chamado "Granito verde Candeias", Oliveira et. al., 2001) apresentam coloração verde e são levemente migmatizadas e deformadas. São rochas de composição granodiorítica nos domínios mais deformados (opdalito) a granítico nos domínios de maior homogeneidade (charnockítica) e apresentam uma granulação de média a grossa. Seu bandamento mineralógico é difícil de ser observado em alguns pontos por causa de sua homogeneidade dos corpos. Entretanto sua foliação é observada através da fina orientação planar das

avermelhado.

Os Gnaisses Candeias possuem composições variando de trondhjemíticas a granodioríticas ou ranític , 2004). Os Gnaisses Candeias, quando comparados aos Gnaisses Fernão Dias, são mais ricos em alcális e conseqüentemente mais ricos em Fe2O3 e MgO. Segundo

et al. (2006), as concentrações de SiO2 variam de 67,25% a 76,41%, enquanto que as

Ba, Th e Ce (Fernandes, 2001; Oliveira, 2004).

micas nos hiperstênio biotita gnaisse a biotita gnaisse. Seu solo de alteração pode variar de róseo a

g as (Fernandes, 2001; Oliveira

Carneiro

concentrações de Na2O variam de 3,35% a 4,96% e as de K2O variam de 2,12% a 5,03%. O Gnaisse

Candeias possuem teores mais baixos dos elementos Cr, Ni, V e Sc, comparados com os teores desses elementos no Gnaisse Fernão Dias. De acordo com os diagramas multi-elementares (figura 1.6) com valores normalizados pelos valores do Ocean Ridge Granite (Pearce et al,. 1984), os Gnaisses Candeias apresentam-se mais pobres nos elemento Hf, Sm, Y e Yb e mais ricos nos elementos K, Rb,

Fi 1.6 - Diagrama multi-elementar dos Gnaisses Fernão Dias e Candeias (segundo Fernandes, 2001).

Val rmalizados pelo padrão ORG (Pearce et al., 1984).

Suíte Ribeirão dos Motas

A Suíte Ribeirão dos Motas é uma associação de metaultramafitos e metamafitos, bandados, deformados e cisalhados (Carnei

gura

ores no

ro et al., 2006). Essa suíte é encontrada em meio às várias unidades

gares ncontram-se deformadas, metamorfisadas e às vezes cataclasadas (Oliveira, 1999). Segundo Oliveira

o domínio das rochas ultramáficas.

Segundo Carneiro et al. (2006) as rochas da Suíte Ribeirão dos Motas, quando alteradas, dão origem a um solo vermelho intenso e são semelhantes aos solos dos diques máficos e Gnaisse

serpentina,

apatita

, talco e opacos (alteração marginal do espinélio e produto da serpentinização da gnáissicas, granitóides e nas serranias que configuram o lineamento Jeceaba – Bom Sucesso. As rochas da Suíte Ribeirão dos Motas têm coloração escura, são ultramelanocrática, densas e magnéticas. Essas rochas apresentam variações quanto à sua composição média e em alguns lu e

(1999), anomalias magnéticas positivas marcam

Candeias. Entretanto a coloração das rochas dessa suíte é vermelha mais viva e mais intensa.

De acordo com Carneiro et al. (2006) os metaultramafitos desta suíte são compostas por olivina, anfibólio (hornblenda magnesiana), piroxênios,

ortopiroxênio,

espinélio verde, clinocloro,

Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

olivina). Os metamafitos são constituídos por piroxênio, hornblenda, plagioclásio e quartzo, com minerais opacos subordinados.

As rochas da Seqüência Acamadada Ribeirão dos Motas podem ser agrupadas em seis variedades distintas: metaperidotito com espinélio, meta olivina piroxenito com espinélio,

etapiroxenito com espinélio, metapiroxenito, meta piroxênio hornblendito e metamafitos (Carvalho Jr., 2001). Segundo Couto (2004) as rochas ultramáficas mostram afinidade komatiítica (figura 1.7).

Os valores de SiO2 aparecem baixos nos metaperidotitos com espinélio, o que permite

diferenciá-lo dos outros litotipos, com exceção dos metagabros cuja concentração média é de 50,24% classificados como uma suíte de rocha básica com termos ultrabásicos e intermediários subordinados. As concentrações de MgO nos metaperidotitos com espinélio e nos metagabros refletem o processo de diferenciação magmática desta seqüência. Já as concentrações de TiO2 apresentam

valores menores nos metaperidotitos com espinélio aumentando em termos considerados mais evoluídos. As concentrações de CaO aumentam com o decréscimo do MgO. O Al2O3 mais elevado nos

mafitos é devido a presença do plagioclásio. As concentrações médias de Fe2O3t apresentam pouca

variação (Carneiro et al,. 2006).

Segundo Carneiro et al (2006), as concentrações de Cr variam de 3362 ppm (metaperidotito com espinélio) a 454 ppm (metamafitos), com exceção da anomalia encontrada (6000 ppm). As concentrações do Ni também foram elevadas principalmente nos metaperidotitos com espinélio.

Seqüência Supracrustal Arqueana

A Seqüência Supracrustal Arqueana (Carneiro et al., 2006) é constituída por metaultramafitos (metaperidotito, clorita-anfibólio xisto e hornblendito), anfibolitos, quartzo-silimanita-xisto, granada- silimanita xistos, granada-silimanita quartzitos e formação ferrífera bandada. As rochas dessa seqüência podem ser encontradas na serra do Barão, no entorno da cidade de Cláudio, porção Nordeste da figura 1.2, onde afloram xistos (granada-sillimanita-xisto), quartzitos (granada-sillimanita- quartzito), formação ferrífera (quartzo-magnetita), anfibolitos e metaultramafitos (peridotito, clorita- hornblendito e hornblendito). Carneiro et al. (2006) correlacionam essa ocorrência ao Supergrupo Rio m

podendo ser

das Velhas.

Figura 1.7 - Diagrama ternários (Jensen, 1976) relacionando análises geoquímicas em rocha total de algumas

ocorrências de rochas ultramáficas da porção meridional do Cráton São Francisco segundo Couto (2004).

Diques máficos

Os afloramentos desses diques se dão em agrupamentos de matacões de cor preta que, quando alteradas, produzem um solo avermelhado intenso, semelhante ao da seqüência acamadada Ribeirão dos Motas (Carneiro et al., 2006). Os diques máficos são compostos por gabronoritos (Sistema

Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

Diques do sistema Lençóis 1

São rochas gabronoríticas que ocorrem na forma de diques máficos, introduzidos na crosta siálica através de um magmatismo fissural. Esses diques apresentam-se muito alterados em sua superfície, ocorrendo, na maioria das vezes, como matacões. As rochas gabronoríticas apresentam textura subofítica e, algumas vezes, textura fluidal (Pinese, 1997, Costa, 1999, Fernandes, 2001). Segundo Fernandes (2001), as rochas desta Suíte possuem um caráter anisotrópico, aparecem em cor cinza escuro e granulação

textura ofítica a subofítica e intercrescim

que varia de grossa a fina. De acordo com Costa et al. (2006), possuem uma entos mimerquítico e granofírico. Os gabronoritos são mpos

dem as unidades arqueanas e proterozóicas, inclusive os diques do Sistema Lençóis 1 (Fernandes, 2001). Essas rochas se apresentam na cor cinza escuro. De acordo om Costa et al. (2006) os gabros possuem uma textura ofítica, subofítica e intergranular. As principais diferenças petrográficas entre os litotipos (anfibolito, gabronorito e gabro) referem-se à presença predominante de hornblenda castanha, as texturas metamórficas e estruturas bandadas dos

ritos e gabros (Costa et al., 2006). Sua mineralogia é composta por plagioclásio, augita, menor uantidade de quartzo e hornblenda (Costa et al., 2006).

(entre 44,11% e 49,13%), MgO (entre 3,59% a 5,96%) e

l

2

O

3

(entre 12,53% e 13,96%) relativamente menores que os gabronoritos. Entretanto, de

acordo com Carneiro et al. (2006) são mais ricos em TiO2 (entre 2,38% a 3,96%) e P

2

O

5

(entre 0,2% e 0,88%).

co tos principalmente por plagioclásio, hiperstênio e augita.

Diques do Sistema Lençóis 2

São diques de gabro que intru

c

anfibolitos, contrastando com a mineralogia e textura ígnea e a ausência de deformação dos gabrono

q

As rochas máficas do sistema Lençóis 1 e 2 (gabros e gabronoritos) apresentam afinidade tholeiítica (Costa, 1999), variando de basalto/andesito (gabronoritos) a basalto subalcalino (gabros) (figura 1.8).

Os gabronoritos apresentam concentrações de SiO

2

que variam de 52,89% e 53,76%,

MgO de 5,86% a 6,18%, Fe

2

O

3

de 9,77% a 10,48% e Al

2

O

3

entre 14,7% a 15,28%. Os gabros

apresentam concentrações de SiO

2

A

Observam-se os teores maiores de Ni, Cr

gabros apresentam

valores de Zr, Y e Zn.

K

2

O, Cu, Zr, Y, Zn, Th e Ba e uma dim

e V, quan

da d

MgO. Enquanto que nos gabronoritos com a

diminuição das concentrações de MgO ocorre um

mento do SiO

2

e um

iminui

do

teores de Al

2

O

3

, Cr, Ni, Th e Sc. Dessa forma, os gabros são mais enriquecidos quando

comparados com

onoritos.

Figura 1. diques m ficos, modi o diagrama de

Winchest ritos sã presentados por q s e os ga

cruzes.

os teores maiores de Ni, Cr e Cu nos gabronoritos, enquanto que os

gabros apresentam

de Zr, Y e Zn.

Nos gabros

orre um aumento do SiO

K

2

O, Cu, Zr, Y, Zn, Th e Ba e uma dim

ção dos

es de T

, MnO,

, N

e V, quanto da diminuição dos teores de MgO. Enquanto que nos gabronoritos com a

diminuição das concentrações de MgO ocorre um

ento do SiO

2

e um

minui

do

teores de Al

2

O

3

, Cr, Ni, Th e Sc. Dessa forma, os gabros são mais enriquecidos quando

comparados com os gabronoritos.

8 –

er & Fl

Observam

e Cu nos gabronoritos, enquanto que os

Nos gabros ocorre um aum

au

maiores

iminuição dos teores de

ento do SiO

2

,

s

inuição dos teores de TiO

2

, CaO, Fe

2

O

3

, MnO, Cr, Ni

a d

to

ção

os gabr

Classificação da rochas dos abrono

á o re

ficado de Costa (1999), segundo

r

2

oyd (1977). Os g uadrados emipreenchidos bros po

-se

maiores

valores

oc

iO

inui

teor

aum

2

, CaO, Fe

2

O

3

Cr

ção

a di

,

i

s

Contribuições às Ciências da Terra Série M, vol. 50, 153p

- 19 -

Tabela 1.1 - Características petrográficas gerais e idades radiométricas dos principais litotipos da região estudada.

Unidades Litologias Minerais Idades prováveis

Gnaisse Fernão Dias

composição granodiorítica a

granítica

Quartzo, k-feldspato, plagioclásio, por biotita, hornblenda e piroxênio

Gnaisse Candeias

composição granodiorítica para

granítica

Plagioclásio, microclina, quartzo e hiperstênio

Gnáissica

Gnaisse

Cláudio granodiorítica composição Plagioclásio,microclina e quartzo

Idade para o protólito (3,38 – 3,0 Ga), e idade para a migmatização (2,75 – 2,72 Ga)1

Paragenesis principal Hornblenda, plagioclásio e clino- e ortopiroxênio

Anfibolítica Anfibolito

Paragenesis secundária

(retrometamorfismo) Biotita, sericita, epídoto e clorita

Idade: 3,38 – 3,0 Ga2

Composição essencial Piroxênio (ort- ou clinopiroxênio), anfibólio (hornblenda) e Olivina

Ultramáfica __

Composição acessória Carbonato e clinocloro

Idade da intrusão: entre 2,75 e 2,66 Ga3

formação ferrífera

bandada quartzo e minerais opacos

quartzito quartzo, sillimanita e granada xisto sillimanita, quartzo, mica e granada anfibolito clinoanfibolito, plagioclásio e quartzo

Seqüência Supracrustal Arqueana

ultramáfica ortopiroxênio, olivina, clinoanfibolito

Idade: 2,8 Ga2

Composição essencial Plagioclásio, hiperstênio e augita Composição acessória Apatita e zircão

Composição secundaria Hornblenda, quartzo e hiperstênio

Gabronorítica Gabronorito

Sericita como produto de alteração do plagioclásio

Idade pelo método

40

Ar/

39

Ar: 1,7 Ga5

Composição essencial Plagioclásio, augita, quartzo e hornblenda Composição acessória Opacos, biotita, apatita e zircão

Gabróica Gabro

Clorita, epídoto, sericita e carbonato são produtos de alteração de plagioclásios e piroxênios

Idade pelo método

40

Ar/

39

Ar: 1,0-0,9 Ga5

Referências: 1(Carneiro et al. 1998), 2(Teixeira et al. 1996b; Teixeira et al. 1998), 3(Oliveira A. H. et al. 2003), 4(Fernandes 2001; Carneiro 1992; Noce 1995), 5(Oliveira 2004).

CAPÍTULO 2