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Resoluci´ on de problemas

In document A.M. Autoescuela Súper Express S.L. (sider 31-60)

Requerimientos y herramientas de desarrollo

4.1. Resoluci´ on de problemas

Relacionamos a categoria “Investigação e aperfeiçoamento da prática investigativa” com Elói não apenas porque ele, mediante nossa orientação, construiu um projeto e o concretizou; não apenas porque definiu um tema, uma questão de investigação, um objetivo de pesquisa, bem como procedimentos para coleta ou elaboração de dados; não

apenas porque tentou fundamentar-se teoricamente; não apenas porque buscou identificar recorrências e singularidades em seus sujeitos de investigação.

Enquanto Elói elaborava itens de seu projeto, ou realizava suas incursões na escola (investigando a própria prática docente), ou tentava sistematizar as suas vivências, ou se esforçava em realizar outras atividades necessárias aos professores que são pesquisadores, não nos passava despercebido o fato de que perseverava no aprimoramento de suas construções quando julgava que deveria fazê-lo e/ou em decorrência dos diálogos que mantínhamos com ele, dada a nossa condição de seu orientador.

Notamos que, ao mesmo tempo em que Elói (juntamente com Ramon) preocupava- se em adaptar-se a situações inusitadas, também se esforçava em seguir as diretrizes do projeto – o planejamento da pesquisa ajuda a definir o que será investigado, bem como o modo de coletar / elaborar e analisar os respectivos dados (MOREIRA & CALEFFE, 2008) –, almejando, em ambos os casos, não perder de vista a sua questão de pesquisa e o seu objetivo de investigação.

Ao percorrer os meandros respeitantes a esses fazeres e refazeres, com frequência uma palavra, uma frase, um item, um capítulo ou uma prática eram pensados e repensados. Essas características, aliadas ao uso da exposição dialogada, à perseverança em não olvidar a manutenção do “norte da pesquisa” voltado para a questão e para o objetivo estabelecidos previamente; aliadas ademais ao bom relacionamento estabelecido com os alunos e ao interesse em escutá-los e em compreendê-los, constituíram-se em estratégias que subsidiaram Elói (juntamente com Ramon) em suas atividades e nos permitiram relacionar o seu labor didático-perscrutador à categoria “Investigação e aperfeiçoamento da prática investigativa”. Por sinal, no que tange à relação entre docentes e estudantes:

(...) Uma característica essencial do professor, que faz parte do seu processo de desenvolvimento, é ouvir o aluno. No contexto de todos os desafios que o rodeiam e da análise das formas de apoio e de obstáculo no seu trabalho, o professor deve aprender a ouvir mais o aluno para entender melhor os processos utilizados por ele na resolução de problemas, para entender melhor as dificuldades dele com relação aos métodos utilizados em sala de aula e com relação à aprendizagem daquele conteúdo (...) (POLETTINI, 1999, p. 257).

Na etapa correspondente ao Questionário II e à Entrevista II (dezembro de 2011), Elói assumiu as seguintes posições: (i) o vínculo de estágio com pesquisa conduz à

aprendizagem de práticas investigativas e melhora o processo de ensino; (ii) o liame estágio-pesquisa permite estudar autores, práticas e técnicas que não seriam estudados ou investigados em outras conjunturas da vida acadêmica.

Sustentou que tal liame foi um desafio, haja vista a sua inexperiência, no início de 2011, tanto em pesquisar quanto em lecionar. Mas não hesitou em afirmar que concordava com práticas investigativas durante o estágio supervisionado nos moldes em que as realizou conosco.

Altair

À semelhança de Elói, Altair também esteve atento às mudanças de rumo necessárias a uma investigação e, concomitantemente, não descartou planejamentos. Foi orientado em sua pesquisa – que redundou, assim como a de Elói, em um TCC – pela professora Maria José de Freitas Mendes. Porém, obtivemos a permissão de acompanhá-lo em seus procedimentos e mesmo a permissão de co-orientá-lo. Sucederam-se pensares e repensares, fazeres e refazeres, leituras e releituras, em processo pautado pela auto- observação e pela troca de ideias entre, de um lado, o estagiário e, de outro, nós e a professora Maria José.

Não se tratou apenas de confirmar que Altair se preocupou em construir um tema, uma questão de pesquisa, um objetivo de investigação, bem como procedimentos de coleta ou de elaboração de dados, nem apenas de confirmar que o estagiário tentou perceber ou interpretar recorrências e singularidades em seus sujeitos, sempre “dialogando” com a literatura especializada. Tratou-se, sobremaneira, de confirmar que Altair envolveu-se em um processo marcado pela tentativa de superar limitações e de lidar com o inusitado. Por sinal:

Buscando pontos de apoio para construir o seu percurso pedagógico, descobrindo-se a si mesmo, cabe ao professor partir em busca de um autor que já estava presente no seu inconsciente e o revele a si mesmo. No seu elã de aprendizagem, o professor, sem perder a capacidade de maravilhar-se ao escutar o aluno e ao confiar no potencial de quem aprende, faz da itinerância um método, que se constrói na medida em que se caminha e se criam laços (COSTA, 2003, p. 274).

Outrossim, Altair precisou conciliar atividades extra-acadêmicas com a sua “pesquisa docente da própria prática”. Tal característica representou uma singularidade a mais no processo investigativo que protagonizou.

Na pesquisa de Altair, a exposição dialogada fez-se presente. Atividades com jogos, de nosso ponto de vista, tendem a demandar, de uma forma ou de outra, esse tipo de procedimento. Na medida em que necessitam da linguagem, de códigos, da cooperação, da solidariedade e das relações interpessoais, as atividades didáticas com jogos implicam ganhos sociais (EMERIQUE, 1999). A aula dialogada, no caso de Altair, não foi uma “estratégia” tão nuclear quanto havia sido nas dinâmicas levadas a efeito por Elói e por Ramon. Mas não seria justo asseverar que os diálogos ou as exposições dialogadas tenham ocupado um plano secundário em suas ações didático-investigativas. Ademais, o estagiário não economizou esforços para relacionar-se amigavelmente com os alunos, transmitindo- lhes segurança e tentando angariar a todo momento a sua atenção. Tais fatos, aliados à sua persistência em alcançar o objetivo e em responder à questão / pergunta de sua pesquisa, subsidiaram-no para que melhorasse a sua atividade de perquirição, constituindo-se, para nós, em algumas das características em função das quais relacionamos Altair à categoria “Investigação e aperfeiçoamento da prática investigativa”.

Na fase relativa ao Questionário II e à Entrevista II, Altair emitiu opiniões que nos remeteram igualmente à classe / categoria “Investigação e aperfeiçoamento da prática investigativa”, a citar: (i) intenção de elaborar outros projetos no futuro; (ii) defesa da ideia de que se deva aprender a pesquisar já durante a graduação, tendo-se em vista a pós- graduação ou outras pesquisas; (iii) defesa do vínculo entre estágio e pesquisa, mas também defesa da ideia de que as pesquisas, na graduação, tenham início antes da época dos estágios; (iv) consciência de que as práticas investigativas vivenciadas no período de estágio constituíram-se em um primeiro passo rumo a um aperfeiçoamento (futuro) nesse sentido.

Elói e Altair: pontos e contrapontos

No início do ano letivo de 2011, os dois estagiários – inclusive em função de suas respostas às perguntas respeitantes ao Questionário I e à Entrevista I – não faziam ideia das atividades que iriam protagonizar nos meses seguintes.

Todavia, já no primeiro semestre letivo, a figura do “professor pesquisador da própria prática” deixou de ser-lhes distante, se não, estranha. Os meses passaram-se, e os

dois graduandos, no curso do ano, elaboraram e reelaboraram seus projetos de pesquisa; escreveram e reescreveram seus textos; pensaram e repensaram suas práticas didático- investigativas (antes, durante e após as suas intervenções em sala de aula). O relacionamento com os alunos / sujeitos das turmas-laboratório estreitou-se.

Os dois estagiários não apenas hauriram conhecimentos acerca de projetos e de pesquisas, como também, no transcorrer da elaboração de seus projetos e no período de desenvolvimento de suas pesquisas, perceberam-se crescendo, e seu crescimento foi notado por nós: (i) desde evoluções gramaticais discretas até a segurança quanto à inserção, em dado ponto do trabalho escrito, deste e não daquele tipo de citação; (ii) desde a necessidade de aprofundamentos no tocante à literatura especializada até a aquisição de certa maturidade na abordagem de e/ou no modo de abordar – mediante “diálogos” entre si e os autores escolhidos – determinados aspectos teóricos e práticos. Ao advogarmos a existência da categoria “Investigação e aperfeiçoamento da prática investigativa”, defendemos a ideia de que a pesquisa gera e aperfeiçoa conhecimentos e ações que geram e aperfeiçoam a pesquisa. Esse pensamento guarda relação com o princípio complexo da

recursividade: “(...) Os efeitos ou produtos são, simultaneamente, causadores e produtores

do próprio processo, no qual os estados finais são necessários para a geração dos estados iniciais” (MORIN, CIURANA & MOTTA, 2003, p. 35).

Elói e Altair não perderam de vista os planejamentos ou as ideias que haviam estabelecido previamente (questão de pesquisa, objetivo de investigação etc.), mas também não puderam evitar o inusitado, tendo, por vezes, que se adaptar a ele. A propósito, se o novo pudesse ser previsto, não seria novo (MORIN, 2002b). Dos esboços de projetos de pesquisa com que nos deparamos na virada do primeiro para o segundo semestre de 2011 até os trabalhos finais (defendidos, na forma de TCC, em dezembro do mesmo ano), a transformação foi notável. Também foi notável o afã de ambos os estagiários, ao término do segundo semestre letivo de 2011, em prosseguir no contexto do labor didático- investigativo quando de sua habilitação profissional.

Em termos de singularidades envolvendo cada graduando no que tange à categoria “Investigação e aperfeiçoamento da prática investigativa”, ponderamos que os aperfeiçoamentos de Elói e de Altair foram marcados, respectivamente, por uma “progressão apegada sobremaneira (mas não exclusivamente) à tentativa de organização” e por uma “evolução resultante primordialmente (mas não unicamente) de mudanças de rumo acarretadas por aspectos inusitados”. A propósito, os compromissos extra-

acadêmicos de Altair – já referidos em linhas anteriores – constituíram-se em elementos não desprezíveis para que a sua pesquisa adquirisse particularidades que acabaram por demandar certa flexibilidade de planejamento e de execução, o que não significa declarar que Elói tenha prescindido de flexibilidade diante das incertezas com que se deparou.

Sentimo-nos seguros para afirmar que, em termos didáticos, investigativos e/ou didático-investigativos, Elói e Altair manifestaram – cada um à sua maneira – desenvolvimentos que nos possibilitaram relacioná-los à classe / categoria “Investigação e aperfeiçoamento da prática investigativa”.

5.6 Investigação e complexidade

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