Propuestas futuras y conclusiones
5.1. Propuestas futuras
Ao se reportar às palestras dos professores Tadeu Oliver Gonçalves e Terezinha Valim Oliver Gonçalves, ocorridas no primeiro semestre letivo de 2011, Elói defendeu a “ligação ou (re) ligação de saberes” (ELÓI / Relatório escrito – Estágio Supervisionado III), o que, de nosso ponto de vista, tem a ver com a categoria “Investigação e complexidade”. Nesse sentido, “Por conta da necessidade de compreensão da complexidade da realidade, a fragmentação dos saberes precisa ser superada na direção de um pensamento que religa, que produz compreensão e não só explicação” (LORIERI, 2006, p. 38).
Durante as suas práticas didático-investigativas, no transcurso do segundo semestre letivo, reforçando a ideia supramencionada, propôs exercícios matemáticos contextualizados no cotidiano dos alunos, exercícios que se vinculassem à realidade dos discentes, aos seus interesses, às suas necessidades e aos seus estilos de aprendizagem.
Distinção, união e incerteza compõem a tríade complexa proposta por Edgar Morin. A epistemologia da complexidade moriniana compreende unidades, interações diversas e adversas, incertezas, indeterminações e fenômenos aleatórios (PETRAGLIA, 2002). Distinção e união são pilares a que podemos relacionar o que consta nos dois parágrafos anteriores.
Quanto à incerteza, que é o terceiro pilar da tríade, nós podemos afirmar que: também no segundo semestre letivo de 2011, o estagiário inesperadamente tomou conhecimento de que as estratégias didáticas que ele e Ramon estavam adotando (e nas quais, a princípio, depositavam notória confiança) não alcançavam ou não alcançaram toda
a turma em se tratando do quesito “motivação”. Elói deparou-se com a incerteza afeta a esse acontecimento e tomou consciência dela.
Ainda lidando com a categoria “Investigação e complexidade”, podemos asseverar que a pesquisa qualitativa pressupõe atenção voltada para o singular. Elói agiu com esse intuito. Orientamo-lo para que trabalhasse desse modo. Nas suas atividades didático- investigativas (segundo semestre de 2011), dedicou-se a cada aluno em especial. Entrementes, não deixou de olhar – conforme constatamos – para o âmbito coletivo, para a classe.
Alunos, com suas peculiaridades, compõem uma turma, e atributos de uma turma acham-se em alunos que a compõem, o que nos remete ao princípio complexo hologramático, segundo o qual as partes estão no todo, e o todo está nas partes. Petraglia (2006) dá-nos um exemplo desse princípio da epistemologia da complexidade ao sustentar que a pessoa faz parte da comunidade, que, por sua vez, também se encontra inserida na pessoa com suas normas, linguagem e cultura.
A procura de singularidades e, ao mesmo tempo, de recorrências, a qual é procedimento corriqueiro em pesquisas qualitativas, reflete, de nosso ponto de vista, o princípio hologramático na medida em que: (a) recorrências, tratando-se antes de semelhanças, não denotam igualdade no sentido estrito da palavra; (b) singularidades não são completamente diferentes umas das outras. Em suma: (i) existem singularidades em recorrências; (ii) há recorrências em singularidades. Sejamos mais específicos: (1) existem alunos, com suas peculiaridades, em uma turma; (2) há pontos comuns a esses alunos.
Na última etapa (Questionário pós-investigativo e Entrevista II) de nosso processo perscrutador, Elói assentiu à ideia de que a pesquisa docente da própria prática repercute no modo de o professor “ver” os alunos e, concomitantemente, na maneira de os alunos “verem” o professor. O “Eu” e o “Outro”, nesses termos, seriam interdependentes, o que nos trouxe à lembrança a categoria “Investigação e complexidade”. Com efeito, uma pessoa é indispensável para a construção da sua própria identidade; entretanto, nesse processo, ela não prescinde da opinião ou da visão que os outros formam a seu respeito (DUBAR, 2005).
Altair
Ao focalizar, em sua questão de pesquisa e em seu objetivo de investigação, o campo funcional walloniano “Eu-Outro”, Altair possibilitou-nos inseri-lo – no que tange à
valorização dessa característica do ideário de Henri Wallon – na categoria “Investigação e complexidade”. A propósito, a relação com o outro se faz necessária, encontra-se na origem, é radical (MORIN, 2003). Inclusive, o estagiário constatou que, durante as atividades com jogos, uma das equipes primou pela relação “aluno-aluno”, enquanto o segundo grupo de estudantes priorizou as relações “aluno-professor” e “aluno-Matemática escolar”.
Ao tratarmos da categoria “Investigação e aperfeiçoamento da prática investigativa”, salientamos o fato de que Altair alcançou uma “evolução investigativa marcada primordialmente (mas não unicamente) por mudanças de rumo inerentes a aspectos inusitados”. Ante essa singularidade, não há como deixarmos de aludir também à categoria “Investigação e complexidade”.
Em Altair, além do mais, observamos a atenção voltada para as “partes” e para o “todo”. Nas suas dinâmicas investigativas (segundo semestre letivo de 2011), o estagiário não desconsiderou a turma (o todo) sempre que lidava com um aluno, mas também não perdeu de vista cada aluno (cada parte) enquanto lidava com a turma.
Alunos fazem parte de uma turma, e aspectos de uma turma encontram-se em alunos que a ela pertencem. “(...) Nós mesmos somos indivíduos que estamos dentro da sociedade, mas a sociedade como um todo está presente em nós desde o nosso nascimento. Nós recebemos as proibições, as normas, a linguagem e, finalmente, a presença da sociedade entre nós” (MORIN, 2002e, p. 15). De um lado, Altair observou (ou concebeu) alunos, com suas particularidades, em uma turma; de outro lado, descobriu (ou elaborou) recorrências nesses alunos.
Por fim, quando foi submetido ao Questionário II e à Entrevista II (em dezembro de 2011), Altair concordou com a ideia de que a pesquisa docente da própria prática repercute no modo de o professor “ver” os alunos e, ao mesmo tempo, na maneira de os alunos “verem” o professor. Concentrado em uma pergunta e em um objetivo de investigação, o professor pesquisador terá que “olhar” para os estudantes através de prismas não utilizados por ele em situações outras. Concomitantemente, os alunos tenderão a sensibilizar-se perante essa postura docente diferenciada. Julgamos que tal ideia seja pertinente à categoria “Investigação e complexidade”. A constituição identitária não prescinde do “olhar do Outro”; o Eu e o Outro estão interligados (DUBAR, 2005)
Elói e Altair: pontos e contrapontos
Por ocasião da Entrevista I e do Questionário I (março de 2011), Elói e Altair não manifestaram características que, a nosso ver, permitissem associá-los à categoria “Investigação e complexidade”. Com o decorrer do tempo, entretanto, esse panorama modificou-se.
Elói prezou a contextualização em suas atividades didático-investigativas (segundo semestre letivo de 2011), sobremaneira quando trabalhou alguns exercícios matemáticos com os alunos. Por oportuno, frisamos que, à época das palestras de Tadeu e Terezinha, no semestre anterior ao da pesquisa na escola-laboratório, o graduando já defendia a ligação ou a (re) ligação de saberes (ELÓI / Relatório escrito – Estágio Supervisionado III). O conhecimento fragmentado não é suficiente, sendo necessário contextualizarmos as informações e os dados para que se nos adquiram sentido (MORIN, 2002b).
Altair, de seu lado, também valorizou interfaces contextuais ao observar / elaborar, durante suas dinâmicas letivas / investigativas, relações “Eu-Outro” que envolveram, conforme a equipe de aprendizes considerada (vide atividades com jogos), contextos diversos: (i) aluno-aluno; (ii) aluno-professor; (iii) aluno-Matemática escolar. De nosso ponto de vista, o estagiário manifestou “sensibilidade complexa” ao perceber / elaborar essas relações. Fazendo alusão ao tipo de interface contextual focalizado / criado por Altair, entendemos que seja pertinente expor o seguinte pensamento:
Unidades complexas, como o ser humano e a sociedade, são multidimensionais: dessa forma, o ser humano é ao mesmo tempo biológico, psíquico, social, afetivo e racional. A sociedade comporta as dimensões histórica, econômica, sociológica, religiosa... O conhecimento pertinente deve reconhecer esse caráter multidimensional e nele inserir estes dados: não apenas não se poderia isolar uma parte do todo, mas as partes umas das outras (...) (MORIN, 2002b, p. 38).
Ambos os estagiários depararam-se com imprevistos e/ou com incertezas em suas investigações. Elói admitiu terem ocorrido situações que, de acordo com a sua expectativa original, seriam pouco prováveis, embora soubesse desde o início que, em tese, elas eram passíveis de se concretizar, a exemplo do fato de que nem todos os alunos se motivaram com as “novidades metodológicas” apresentadas por ele e por Ramon. Não podemos julgar que sabemos tudo; temos que desconfiar de nossos saberes, mesmo confiando neles; temos
que levar em conta o que não prevíamos, já que o imprevisto pode ocorrer e ocorre (ALMEIDA et al., 2006).
Por sua vez, Altair, movido parcialmente por compromissos extra-acadêmicos, não passou ao largo da necessidade de desenvolver sua pesquisa apelando ao que chamamos de “flexibilidade ante as incertezas”. Com efeito, essa flexibilidade também foi necessária às práticas investigativas protagonizadas por Elói e Ramon.
Durante suas intervenções didático-investigativas (segundo semestre letivo de 2011), os dois graduandos olharam para a turma enquanto se direcionavam para cada aluno e olharam para cada aluno enquanto se direcionavam para a turma, o que nos reportou ao
princípio hologramático (PETRAGLIA, 2006; MORIN, 2002e). Por sinal, cada estagiário:
(i) encontrou (ou concebeu) alunos, com suas peculiaridades, em uma turma; (ii) descortinou (ou criou) pontos comuns a esses alunos.
Finalmente, em resposta ao Questionário II e à Entrevista II, Elói e Altair concordaram com a ideia de que determinadas posturas docentes podem intervir na relação professor-aluno. Concordaram com o fato de que a pesquisa docente da própria prática repercute na maneira de professor e aluno identificarem-se reciprocamente. Num sentido que inclui e ultrapassa o âmbito da pesquisa realizada pelo professor em sala de aula, “(...) O outro é necessário para cada eu. O outro já se encontra no âmago do sujeito como uma necessidade interna (...)” (ALMEIDA et al., 2006, p. 17).