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In document A.M. Autoescuela Súper Express S.L. (sider 68-78)

Antes de nos referirmos a Elói, a Altair e à categoria “Investigação e ambiente colaborativo”, nós entendemos ser preciso reiterar alguns esclarecimentos. Anunciamos em mais de uma linha deste texto que os professores titulares das turmas em que os estagiários exerceram suas atividades didático-investigativas dispuseram de liberdade para intervir com sugestões e/ou críticas no trabalho executado em suas classes. Todavia, contabilizamos duas ou três presenças de docentes titulares em turmas onde procedemos às nossas dinâmicas.

Apesar da transferência, na prática, das turmas – em que Elói, Altair e os demais estagiários estiveram lotados – para a nossa incumbência, empenhamo-nos em relatar assiduamente aos respectivos professores titulares tudo o quanto os estagiários e nós realizávamos em termos didático-investigativos nas suas classes. Nesse sentido, poderíamos dizer que, de um lado, se não houve um ambiente de colaboração nos padrões

da literatura atinente a parcerias entre universidades e escolas, de outro lado houve anuência dos referidos docentes para que concretizássemos a nossa proposta.

Arriscamo-nos, inclusive, a asseverar que a greve de professores da rede pública estadual de ensino tornou viável aos nossos estagiários um quantitativo maior (do que esperávamos) de aulas-investigações sob a sua responsabilidade. Em situações tidas como normais, possivelmente não nos teriam sido disponibilizadas turmas por várias e continuadas semanas. A certeza, por parte da direção e do corpo docente do colégio, de que haveria reposição de aulas após a fase de paralisação favoreceu-nos para que nos fossem concedidas turmas – tendo em vista a regência de classe por nossos estagiários – durante um período que ultrapassou as nossas expectativas. Melhor dizendo, pensava-se, na escola, que eventuais limitações ou que resultados não aceitáveis de nossa pesquisa poderiam ser sanados ou minorados através da reposição das aulas pelos docentes do corpo oficial assim que a greve fosse encerrada.

Neste ponto, cabe a pergunta: que sentido nós poderíamos atribuir a uma categoria chamada “Investigação e ambiente colaborativo”? Resposta: além do fato de que, em se tratando de nossa proposição, obtivemos apoio dos professores titulares das turmas e do corpo administrativo da escola-laboratório, o ambiente colaborativo a que estamos a nos referir foi aquele que integrou estagiários, bem como professores universitários (das disciplinas Estágio Supervisionado III e Estágio Supervisionado IV) e estagiários.

No início do ano letivo de 2011, a professora Maria José de Freitas Mendes e nós, orientados pelo professor Tadeu Oliver Gonçalves, assumimos as duas únicas turmas de Estágio Supervisionado III que foram ofertadas, naquele semestre, a estudantes do curso de licenciatura em Matemática da UFPA. No semestre subsequente, também lhes foram oferecidas apenas duas turmas, dessa feita de Estágio Supervisionado IV, as quais couberam igualmente a nós e à professora Maria José. O intento era o de que não houvesse migração de graduandos para outra turma caso apenas uma, em vez de duas classes, estivesse sob nosso controle, a exemplo do que pensamos ter acontecido quando de nossa pesquisa-piloto assim que os licenciandos souberam que lidariam com estágio associado a práticas de investigação.

O fato é que mantivemos um quantitativo (avaliado como) plausível de graduandos até o final de nossa pesquisa. Encerramos o ano letivo de 2011 com dez licenciandos. Mas também percebemos que, diferentemente do que supomos ter havido em 2009 por ocasião de nossa pesquisa-piloto, em 2011 os estagiários empenharam-se na elaboração de seus

projetos e no desenvolvimento de suas pesquisas. Uma abordagem mais convincente e madura de nossa parte em 2011 – juntamente com o auxílio dos professores Tadeu e Maria José – talvez possa estar na raiz do novo contexto que se nos descortinou, dessa feita um contexto marcado pela adesão explícita dos estagiários.

Tendo sido reforçados tais esclarecimentos, passemos então às considerações sobre Elói, Altair e a categoria “Investigação e ambiente colaborativo”.

Elói

Elói trabalhou em parceria com Ramon. A colaboração que os envolveu estendeu- se à elaboração do projeto e à fase prática da pesquisa.

Percebemos um “sincronismo” crescente entre ambos ao longo das aulas. Por vezes, os dois estagiários não precisavam trocar palavras entre si durante uma atividade didático-investigativa, bastando alguns gestos ou certos tipos de olhar para que um soubesse qual era a intenção do outro.

A tônica de nossos diálogos com eles não foi a dissensão. Normalmente aceitávamos as suas proposições, que nos pareciam razoáveis. Ao mesmo tempo, os dois graduandos entendiam qual era o nosso propósito, habitualmente concordando conosco e desejando colaborar de forma honesta, ou melhor, desejando colaborar com vistas a um aperfeiçoamento recíproco, independente da simples meta de serem aprovados na disciplina. A cumplicidade entre os estagiários e nós robusteceu-se progressivamente. O ambiente de colaboração fortaleceu-se com o passar do tempo.

Altair

Entendemos que o trabalho em uníssono com os professores das disciplinas Estágio Supervisionado III e Estágio Supervisionado IV também caracterizou a postura assumida por Altair. Diferentemente de Elói e Ramon, que compuseram uma dupla, Altair não atuou em parceria com outro estagiário ao elaborar seu projeto e ao desenvolver sua investigação. Mas essa peculiaridade deveu-se, segundo nosso juízo, mais a uma ausência de oportunidade do que propriamente a um eventual temperamento egocêntrico.

Altair acatou de bom grado sugestões fornecidas pela professora Maria José (sua orientadora de TCC) e por nós. Na condição de co-orientador, sentimo-nos à vontade diante da professora Maria José, e vice-versa. Por sua vez, escolhas de Altair também pareceram sensatas à sua orientadora e a nós, a exemplo do referencial teórico que adotou e

de sua tentativa de coadunar jogos, motivação e “reflexos de aulas com jogos nos campos funcionais preconizados por Henri Wallon”. Sentimos que os laços aproximando Altair, Maria José e nós fortificaram-se com o transcorrer dos meses. O ambiente de colaboração tornou-se cada vez mais perceptível.

Elói e Altair: pontos e contrapontos

Concluímos que houve colaboração entre Elói e seu par (Ramon), bem como entre Elói, Ramon, Altair e os professores-orientadores das disciplinas Estágio Supervisionado III e Estágio Supervisionado IV.

Diferentemente de Elói, que atuou em parceria com Ramon, Altair executou suas atividades didático-investigativas individualmente, fato que não se constituiu, conforme pudemos averiguar, em reflexo de um temperamento egocêntrico. Nesse sentido, cumpre- nos informar que não impusemos nem desestimulamos parcerias entre estagiários para a elaboração de seus projetos e para o desenvolvimento de suas pesquisas.

Houve predomínio de uma atmosfera de respeito mútuo. Entendemos que o ambiente de colaboração intensificou-se com o passar dos meses de 2011. Não nos soam descabidas as seguintes palavras:

(...) Os grupos de estudo e pesquisa iniciam, normalmente, com uma prática mais cooperativa que colaborativa. Mas, à medida que seus integrantes vão se conhecendo e adquirem e produzem conjuntamente conhecimentos, os participantes adquirem autonomia e passam a auto-regular-se e a fazer valer seus próprios interesses, tornando-se assim, grupos efetivamente colaborativos (...) (FIORENTINI, 2006, p. 55).

Enfim, importa-nos enfatizar que a concordância dos servidores do colégio quanto ao nosso intento, embora marcada por singularidades já assinaladas, favoreceu a constituição e o progresso do citado ambiente colaborativo na medida em que o universo da escola e o contato com seus integrantes impregnaram as atividades que desenvolvemos com os estagiários.

6. ASPECTOS DAS PRÁTICAS DE INVESTIGAÇÃO QUE REPERCUTEM NA

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