Research approach and methods
3.2 Research methods
Nos anos subsequentes a 1870, rumores na Europa afirmavam o interesse dos franceses, alemães, italianos, norte americanos, australianos e até dos russos, em tomar posse de ilhas no Pacífico Sul. Outra chamada à clareza sobre a soberania holandesa no Arquipélago foi exigida. Agora a Ilha da Nova Guiné, diferentemente das décadas anteriores, era o centro das atenções. Por pressão da
181 Ibid., p. 32
182Cf. LANDMAN, op. cit., p. 32-33 183 Ibid., p. 36-37
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Itália, em 1870, o segundo maior poder colonial, o holandês, foi forçado (pela primeira vez depois dos conflitos com os britânicos nos anos 1840) a fazer escolhas
mais claras referentes à Nova Guiné.184
Depois da unificação da Itália nos anos 1860, seu interesse em adquirir colônias tornou-se conhecido. Apesar disso, suas tentativas no Arquipélago “holandês” não tiveram sucesso. Como resultado da pressão sobre a Holanda, esta teve que deixar claro sobre seu ‘domínio’ da parte ocidental da Nova Guiné e sobre o seu desinteresse em anexar todo o território da grande Ilha. Em 1879, os arrolamentos ítalo-holandeses chegaram a um consenso e o governador britânico das ilhas Fiji, Arthur Gordon, expressou apoio à Holanda. Ele dizia que moveria toda a população da Austrália para Nova Guiné, a fim de impedir os planos italianos na Ilha. Também influenciou nesse consenso, um pronunciamento do ‘Ministério para Negócios Coloniais’, que dizia que a soberania da Holanda sobre a parte ocidental
da Nova Guiné deveria ser respeitada.185
No que diz respeito ao interesse da Rússia, o caso foi que durante os anos 1871 e 1872, o físico e ministro Miklucho Maklay em uma expedição científica na parte sul da Baía Astrolabe, subsidiada pelo governo russo, despertou a suspeita (atitude comum conforme já vimos) sobre os interesses daquele país. Todavia, as tensões logo se dissiparam pelo fato de Maklay desaparecer na Ilha por meses. (Pensou-se até que pudesse estar morto). Um pedido oficial da Rússia chegou ao governo holandês para um possível resgate. Mas, Maklay conseguiu chegar vivo e bem na Austrália. As declarações do cientista na Austrália, que afirmavam as dificuldades da anexação de qualquer parte ou de toda a Ilha, também ajudaram a por fim na suspeita sobre o interesse russo. Com essas informações, percebeu-se
que Maklay não advogaria em favor de uma anexação territorial pela Rússia.186
A suspeita em relação aos Estados Unidos era também eminente nos anos 1870. Pela sua prosperidade, pensou-se que fossem empreender num império colonial visando as ilhas do oriente asiático. Em 1873, essa suspeita foi esclarecida pelo próprio governo dos Estados Unidos como sendo infundada. Mesmo assim alguns governantes holandeses ficaram à espreita. O governador holandês Loudon, estava convicto de que uma conspiração arranjada pela Rússia, Alemanha, e
184 Ibid., p. 39-40 185 Ibid., p. 40-43 186 Ibid., p. 44
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Estados Unidos, estava por acontecer e objetivava invasões nas colônias
holandesas e a repartição ‘do mundo’ entre esses países.187
Já a presença francesa era mais concreta e importante na conjuntura em torno da Nova Guiné. Em 1853 a França havia anexado a lha da Nova Caledônia. Isso mexeu bastante com a Austrália que a via como uma ameaça em sua esfera de influência. Desde os anos 1850 a Austrália havia se tornado bem mais importante nas colônias britânicas e tendia a estender-se pelas ilhas nos arredores do continente australiano. De acordo com Landman, a interferência francesa no Pacífico Sul perturbou a confiança entre as colônias australianas e provocou uma atitude da Austrália enquanto um poder colonial. Essa atitude, naturalmente, se
referia também à Nova Guiné, conforme veremos adiante.188
Em 1871, podia-se ler nos jornais na Austrália artigos sugerindo uma presença colonial mais expressiva desta na Nova Guiné. Em decorrência dessas declarações houve renovada tentativa em Londres, por Archibal Campbell, em favor da anexação da Nova Guiné pelo governo britânico. Mas, um tratado entre a
Holanda e Inglaterra assinado neste mesmo ano, reforçava pontos do ‘tratado de
1824’, dentre eles, o de evitarem tomar posse mútua de ilhas no Arquipélago. Assegurada pelo tratado citado, a Holanda pretendia manter os britânicos longe da Nova Guiné. Porém, logo se viu que as opiniões na Inglaterra, tanto a pública quanto
a do governo, eram mais que nunca desfavoráveis à anexação da Ilha.189
Em contrapartida, era conhecido e provado o interesse da Austrália na Nova Guiné, pois, a fundação por ela da ‘Associação Nova Guiné' em 1871, saiu em expedição com a finalidade de procurar e explorar os benefícios econômicos na e ao redor da Ilha. Essa empreitada, porém, fracassou. O navio da associação ficou emperrado numa grande barreira de recife. Isso provou o desconhecimento australiano sobre o contorno do litoral da Nova Guiné e moderou seu entusiasmo
sobre uma possível exploração de ouro no norte da Ilha.190 Com o fracasso, o foco
se voltou aos descobrimentos do capitão britânico Sir Fairfax Moresby, ao longo do litoral sul. Moresby descrevia na Austrália que a parte oriental da Nova Guiné era
187 Ibid., p. 45 188 Ibid., p., 45 189 Ibid., p. 46-47 190 Idem.
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como uma terra paradisíaca. O capitão tinha se convencido de que era de grande
vantagem anexar aquele “paraíso”.191
A repercussão dessas informações fez com que o governador holandês Daniel Ploos, situado em Melbourne, na Austrália, escrevesse para seu superior na Holanda em 1873, perguntando se não seria prudente declarar toda a Ilha da Nova Guiné como adjacente integral da Holanda. Mas a Holanda preferiu afincar-se aos seus direitos à parte ocidental da Ilha, baseada no acordo com o Sultão de Tidore (que era supostamente o soberano dessa parte ocidental) e na proclamação de 1828 (na qual tanto a população inglesa quanto as colônias australianas, reconheciam as fronteiras holandesas). Além disso, a política adotada desde 1828, pelo ‘Ministério para Negócios Coloniais’, também afirmava a não objeção a qualquer estabelecimento por outros países estrangeiros na parte oriental da Nova Guiné. Dessa forma, a Holanda estava impedida de reclamar direitos sobre essa
parte, pois não tinha argumentos históricos onde se fundamentar.192
A Holanda se beneficiava com todos os choques políticos referentes à Nova Guiné, pois eles contribuíram muito para que ela se desenvolvesse enquanto entidade colonial integrada, o que aconteceu nos anos 1870. Depois de 1874, por
determinação do ‘Ministério para Negócios Estrangeiros’193, a Nova Guiné Ocidental
tornou-se definitivamente holandesa.194
Em abril de 1883, a colônia Queensland, no norte da Austrália, tomou posse da parte oriental da Nova Guiné. Esse foi o resultado de pressões vindas de todas as colônias australianas desde 1875, ano no qual uma tentativa de posse já havia sido feita por Queensland, Victoria e pela Austrália Sul. Estas, na época, foram barradas pelo ‘Ministério para Negócios Estrangeiros’. Entretanto, o secretário deste, o inglês Lord Carnarvon expressou, mesmo que não oficialmente, que a anexação da Nova Guiné Oriental seria consentida desde que as colônias australianas se confederassem e prontificassem em contribuir financeiramente nos procedimentos,
uma vez que o interesse maior era da Austrália e não da Inglaterra.195
191 THOMPSON, 1980:39 apud LANDMAN, op. cit., p. 47 192 Cf. LANDMAN, op. cit., p. 48-50
193
Essa decisão foi tomada pelo ‘Ministério para Negócios Estrangeiros’, muito embora houvesse um ministério mais importante e o mais indicado para tal matéria nas negociações políticas coloniais, o “Ministério para Negócios Coloniais”. Ambos os ministérios lidavam com questões políticas internacionais ligadas aos países europeus. Cf. LANDMAN, op. cit., p. 50
194 Ibid., p. 50 195 Ibid., p. 56
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A exigência do Lord Carnavon baixou os ânimos na Austrália e o interesse na Nova Guiné ficou in suspensus por alguns anos. Em 1881, a Alemanha ‘sentiu’ que devia investir em seus interesses comerciais no Pacífico Sul. A Nova Guiné tornou-se seu alvo. De imediato as colônias australianas cobraram medidas do ‘Ministério para Negócios Coloniais’ que barrassem a política colonial germânica no Pacífico. Foi nesse momento que, mesmo antes de uma reação desse ministério,
o ministro de Queensland ordenou a anexação da Nova Guiné Oriental.196
Diversas razões, segundo cita Landman, são apontadas pelo governo da Holanda como incitadoras da anexação da Nova Guiné por Queensland. Dentre outras, a atuação de missionários britânicos na Ilha; a necessidade da Grã-Bretanha de possuir pontos estratégicos ao longo das principais rotas comerciais do mundo e
o medo do estabelecimento de colônias penais197 estrangeiras próximas à costa
norte da Austrália. Em resposta, o ‘Ministério para Negócios Coloniais’ privilegiou a
política internacional britânica de Londres198 sancionando a anexação por
Queensland, afirmando, porém, que os direitos da Holanda na Nova Guiné Ocidental
seriam resguardados.199