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Research approach and methods

Project 2: Health center for the elderly and Conversations about health

3.2.5 Design investigations

Os missionários vieram à Papua Nova Guiné com a intenção primeira de ensinar os Evangelhos e persuadir os nativos a adotarem o estilo de vida cristã.

Esforçaram-se no início em ‘pregar’ a paz, o que era uma missão árdua. Povos

inimigos cuja cultura dependia da ‘caça de cabeças’ e das emboscadas como investida constante na estima grupal, nas plantações, construções e mesmo na arte,

405 Ibid., p. 149 406 Ibid., p. 139

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por exemplo, não viam motivos de deixarem seus costumes.407 Esse é um exemplo

dentre as realidades confrontadas pela ação missionária.

Segundo Trompf, os primeiros contatos eram experimentados pelos nativos, com uma suspeita misturada de modesta curiosidade (pelas pessoas de estranho cabelo e pele, trajes engraçados e impressionantes botas). Esses primeiros contatos foram também dramáticos. Tomemos, rapidamente, cinco exemplos: (1) Os pioneiros missionários luteranos que chegaram à costa norte da Ilha da Nova Guiné foram mortos. (2) Os papuas também não gostaram quando John Flierl e seus companheiros acamparam em Simbang, próximo a Finschafen, em 1886. Os nativos tentaram bani-los. Essas reações eram devidas aos maus tratos dispensados à população local pelos ‘brancos’ da ‘Companhia Nova Guiné’ alemã. Depois de ser ameaçado com um machado que havia sido ‘tomado emprestado’ de seu

acampamento por um papua, os nativos resolveram deixá-los ficar.408

Outro encontro (3) foi o protagonizado pelo missionário Lawes, da ‘Sociedade Missionária de Londres’, em 1876. O grupo de Balawaia (situado a uns 70km ao leste de Porto Moresby) já ouvira por algum tempo rumores sobre um tal ‘Misi Lao’ (Mr Lawes). E nos anos 1870, estavam curiosos com os grandes barcos que cruzavam o mar e nunca ancoravam. Um dia, em 1876, Lawes ancorou com o navio da ‘Sociedade M. de Londres’ e desembarcou com James Chalmers e um ajudante da Polinésia, Rau. Estes deram aos nativos presentes como arroz e tabaco (que eles pensaram que fossem ovos de formigas e coco de cachorro). Chalmers instigou a curiosidade deles ao exibir os estalos de fósforos sendo riscados e mostrando seus braços e tórax brancos! Neste caso a dimensão da curiosidade foi

um forte canal para a inter-relação.409

407 Ibid., p. 146 408 Ibid., p. 145 409 Idem.

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Figura 08: Cerimônia de hasteamento da bandeira australiana em Porto Moresby, em 1884. Prédios: à frente, a Escola; atrás, a casa do Rev. Mr. Lawes.410

Fonte: NATIONAL LIBRARY OF AUSTRÁLIA

Mas a curiosidade não durou muito. Num ataque surpresa Rau teve que usar sua arma. Atirou para cima e, impressionando os nativos, ele pode fazer as pazes em seguida, presenteando o líder com uma bengala especial. Construir um relacionamento pacífico com os clãs era muito importante e um desafio nos contatos iniciais.411

Na Ilha de Yule (4), a Missão Católica havia tido uma boa aceitação entre os costais. Sendo assim, três padres, incluindo Alain de Boismenu (‘o cabeça’ da Missão Católica em Papua Nova Guiné), ousaram adentrar o interior da ilha, nas regiões montanhosas dos povos Fuyughe (5). Mas tiveram que retroceder rapidamente depois de um bando de guerreiros tomar tudo de suas bolsas. Meses depois, alguns exploradores de ouro fizeram o mesmo caminho e foram mortos. A Administração, como de costume, enviou uma expedição para punir os culpados. Os missionários protestaram sobre a represália. Primeiro, porque temeram serem

410 NATIONAL Library of Austrália. Cerimônia de hasteamento da bandeira australiana em Porto Moresby, em 1884. Disponível em: <http://nla.gov.au/nla.pic-an6589395-32>. Acessado em: 18 out.

2011;

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afetadas suas relações com os papuas e também, porque, como era típico, os policiais atacaram as pessoas erradas. Somente em 1904, Boismenu novamente se aventurou em contatar os Fuyughe. Por alguma razão, que para o missionário foi a

intervenção de Deus, desta vez o grupo os aceitou em seu meio.412

Figura 09: Os ‘Missionários do Sagrado Coração – MSC’ na Ilha Yule; o líder padre Alain de Boismenu (o segundo da esquerda para direita), crianças e adultos papuas e outros missionários MSC. Foto tirada durante o Jubileu Episcopal de Boismenu, em 1892.413

Fonte: NATIONAL LIBRARY OF AUSTRÁLIA

Esse pequeno recorte nos ajuda a ter uma ideia acerca das tensões que os missionários enfrentaram para ensinar ‘novos caminhos’ aos nativos. E, obviamente, para os melanésios a experiência do contato era também enigmática e às vezes, traumática. O entusiasmo dos primeiros missionários alimentava-se no desejo de reunir as pessoas num “novo rebanho’. Para isso deviam ‘esclarecer’ e pregar contra os ‘medos desnecessários’ revogados pelos costumes tradicionais;

como o medo dos espíritos e outras ‘superstições’ (tabus).414

412 Ibid., p. 145-146

413 NATIONAL Library of Austrália. Missionários do Sagrado Coração

– MSC’ na Ilha Yule. Disponível

em: <http://www.nla.gov.au/apps/cdview?pi=nla.pic-an10571682-8&referercode=cat>. Acessado em: 19 out. 2011.

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Do outro lado, os papuas ficavam impressionados com os presentes que recebiam (como roupas e outros objetos), com as igrejas e casas construídas de forma estranhamente admiráveis, etc. Mas, para eles, a mensagem trazida pelos missionários era freqüentemente sem sentido e instigante. Afinal, ‘quem era esse Jesus, vindo de uma terra distante e ou do céu lá no alto? ’ ‘Por que deveríamos sentir tanta vergonha de nós mesmos?’ ‘Como é isso, que tenhamos feito tanto mau que precisamos ser salvos por um homem que morreu uma repugnante morte em uma cruz?’ ‘Não seria também os missionários alimentadores de medos

desnecessários?’415

Mas houve povos melanésios para quem a mensagem cristã parecia compatível e inteligível. Os Roro, por exemplo, hoje em dia contam que seus antepassados responderam para os primeiros missionários que eles já tinham Deus (Riripi) e também que conheciam Jesus (Oarove), nascido milagrosamente de uma mulher respeitável, numa pilha de madeira. E, também nos arredores de Madang, havia a crença num deus criador com a qual se juntou a expectativa do retorno de

Jesus pregada pelos missionários.416 Trata-se aqui dos heróis míticos (Manup ou

Kilibob), dos quais fizemos referência no capítulo 2. De acordo com Trompf, a abundante literatura disponível atesta em grande parte que o clima em torno do contato entre missionários e papuas foi geralmente de amor e esperança, mais que

de sombras e de ameaça.417

2.1.1. Alguns outros problemas enfrentados

Os missionários esperavam grandes mudanças nas sociedades tradicionais em vista do cristianismo. Essa expectativa trouxe problemas para o povo e seu estilo de vida. Um deles era o ciúmes e a irritação entre tribos vizinhas quando uma delas resolvia converter-se. Por esse motivo, uma vila costal e pesqueira de Hula que havia se convertido, sofreu um ataque, em 1881. Nesse incidente, vinte pessoas, incluindo professores da missão, foram mortas num ataque feito pela vila de Kalo (que era a maior e agriculturalista). Nessa linha, também era problemático

415 Idem. 416 Ibid., p. 147 417 Idem.

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quando numa vila apenas algumas famílias ou indivíduos se convertiam. Essas

corriam o risco de serem excomungadas de suas próprias sociedades.418

O estilo de vida dos missionários também despertava certa inquietude nos papuas. Suas grandes casas, construídas longe das vilas; sua vida luxuosa em comparação com a dos locais, sua alimentação distinta e seus escrúpulos em relação à higiene. Além disso, a insistência dos missionários na mudança dos costumes do povo; sua preferência de que os nativos estivessem limpos e vestidos, sua rigorosidade em questões morais como monogamia, homossexualidade e sexo pré-nupcial. E ainda, o desconforto dos missionários em relação às festividades, uma vez que estavam ligadas ao culto aos antepassados e à esperança de fertilidade futura (estas podiam envolver ‘promiscuidade sexual’). As atitudes em

relação a esse desconforto variavam de missão para missão.419

Segundo Trompf, os católicos e em menor escala os anglicanos, foram os que mais se preocupavam em preservar, o máximo possível, das danças originais; mas, reorientando os valores e as percepções das pessoas. A resposta dos papuas ao esforço missionário era naturalmente muito ambígua. Demorou até que os nativos conseguissem situar o que estava acontecendo. O autor citado afirma que, com o tempo, aprenderam a admirar a atitude dos missionários, que arriscavam suas vidas para trazer a ‘boa notícia’. Demorou também para a ‘mensagem’ atingir

as impenetráveis selvas e os contornos rústicos da Ilha.420