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3 Method and procedure

3.3 Research method

Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (BRASIL, 1998) são um documento basilar não só para o ensino de Língua Portuguesa nas escolas brasileiras de Ensino Fundamental, como também para a elaboração das matrizes de referências da Prova Brasil/SAEB, transformando-se, consequentemente, num texto guia e norteador das propostas de livros didáticos de Língua Portuguesa em nosso país. Por esse motivo, torna-se fundamental conhecermos esse documento, especialmente, sua proposta para a formação de leitores.

A linguagem, no âmbito do referido documento, é concebida como instrumento de interação entre sujeitos. Desse modo:

Linguagem aqui se entende, no fundamental, como ação interindividual orientada por uma finalidade específica, um processo de interlocução que se realiza nas práticas sociais existentes nos diferentes grupos da sociedade, nos distintos momentos de sua história (BRASIL, 1998, p. 20).

Linguagem, portanto, constitui-se por práticas de sujeitos em interação por meio da linguagem, inseridos em determinadas condições e situação comunicativa. Nessa perspectiva, língua é assim definida:

[...] língua é um sistema de signos específico, histórico e social, que possibilita a homens e mulheres significar o mundo e a sociedade. Aprendê-la é aprender não somente palavras e saber combiná-las em expressões complexas, mas apreender pragmaticamente seus significados culturais e, com eles, os modos pelos quais as pessoas entendem e interpretam a realidade e a si mesmas (BRASIL, 1998, p. 20).

A linguagem se efetiva por meio do discurso, em determinado contexto histórico, em específicas circunstâncias de interlocução, e se materializa por meio do texto, sendo este concebido como

[...] uma sequência verbal constituída por um conjunto de relações que se estabelecem a partir da coesão e da coerência. Em outras palavras, um texto só é um texto quando pode ser compreendido como unidade significativa global (BRASIL, 1998, p. 21).

O texto se organiza dentro de determinado gênero, em função de sua intencionalidade comunicativa e de determinadas condições de produção. O gênero é concebido com base nos pressupostos bakhtinianos como “tipos relativamente estáveis de enunciados” (BAKHTIN, 2003b, p.262) e constituído por três elementos indissolúveis: conteúdo temático, construção

composicional e estilo.

Observa-se, na leitura do documento, que a base teórica para as concepções de língua/linguagem, discurso e gênero centra-se nos pressupostos teóricos de Bakhtin e o Círculo, mas não somente. O objeto de ensino-aprendizagem eleito pelos PCN (BRASIL, 1998) é o conhecimento linguístico e discursivo com o qual o sujeito opera em suas práticas sociais por meio da linguagem.

No que se refere à seleção dos textos, os PCN (BRASIL, 1998) mencionam a necessidade do uso de diversificados gêneros discursivos. Não encontramos, no texto do referido documento, a menção explícita, a indicação ou inclusão da leitura de textos/enunciados visuais ou verbo-visuais em sua proposta pedagógica. A leitura de textos verbo-visuais parece estar contemplada – mesmo que genericamente e de forma não explícita – na recomendação

pela seleção de textos que favoreçam a reflexão crítica e o exercício da “fruição estética dos usos artísticos da linguagem [...]” (BRASIL, 1998, p. 24).

Como objetivo geral para a área de Língua Portuguesa, espera-se que o

aluno amplie o domínio ativo do discurso nas diversas situações comunicativas, sobretudo nas instâncias públicas de uso da linguagem, de modo a possibilitar sua inserção efetiva no mundo da escrita, ampliando suas possibilidades de participação social no exercício da cidadania (BRASIL, 1998, p. 32).

A fim de alcançar o objetivo geral da disciplina, propõe-se a organização de um conjunto de atividades, que privilegie conteúdos articulados em torno de dois eixos básicos: o uso da

língua oral e escrita, e a reflexão sobre a língua e a linguagem, traçando como ponto de partida e de chegada a produção/recepção de discursos.

No eixo “uso da língua oral e escrita”, orienta–se a prática de escuta e de leitura de textos e de produção de textos orais e escritos; no eixo “reflexão sobre a língua”, a prática de análise linguística.

No que concerne às competências leitoras a serem desenvolvidas pelos alunos do Ensino Fundamental (6º ao 9º anos), destacamos as capacidades relativas à leitura de textos, por terem relação mais direta com o nosso trabalho.

Assim, espera-se que o aluno:

 saiba selecionar textos segundo seu interesse e necessidade;

 leia, de maneira autônoma, textos de gêneros e temas com os quais tenha construído familiaridade:

 selecionando procedimentos de leitura adequados a diferentes objetivos e interesses, e a características do gênero e suporte;

 desenvolvendo sua capacidade de construir um conjunto de expectativas (pressuposições antecipadoras dos sentidos, da forma e da função do texto), apoiando- se em seus conhecimentos prévios sobre gênero, suporte e universo temático, bem como sobre saliências textuais – recursos gráficos, imagens, dados da obra (índice, prefácio etc.);

 confirmando antecipações e inferências realizadas antes e durante a leitura;  articulando o maior número possível de índices textuais e contextuais na construção do sentido do texto, de modo a:

a) utilizar inferências pragmáticas para dar sentido a expressões que não pertençam a seu repertório linguístico ou estejam empregadas de forma não usual em sua linguagem;

b) extrair informações não explicitadas, apoiando-se em deduções; c) estabelecer a progressão temática;

d) integrar e sintetizar informações, expressando-as em linguagem própria, oralmente ou por escrito;

e) interpretar recursos figurativos tais como: metáforas, metonímias, eufemismos, hipérboles etc.;

 delimitando um problema levantado durante a leitura e localizando as fontes de informação pertinentes para resolvê-lo;

 seja receptivo a textos que rompam com seu universo de expectativas, por meio de leituras desafiadoras para sua condição atual, apoiando-se em marcas formais do próprio texto ou em orientações oferecidas pelo professor;

 troque impressões com outros leitores a respeito dos textos lidos, posicionando-se diante da crítica, tanto a partir do próprio texto como de sua prática enquanto leitor;  compreenda a leitura em suas diferentes dimensões – o dever de ler, a necessidade de ler e o prazer de ler;

 seja capaz de aderir ou recusar as posições ideológicas que reconheça nos textos que lê (BRASIL, 1998, p. 49-51).

De um modo geral, não encontramos nenhuma menção explícita à leitura de enunciados/textos verbo-visuais.

A seguir, refletimos sobre o conceito de leitura e apresentamos aquela que fundamenta o nosso trabalho e guia o nosso olhar na análise do corpus.