Primeira Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental. Tbilisi, Geórgia (CEI)
Organizada pela UNESCO em colaboração com o PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, gerou a Declaração da Conferência Intergovernamental
de Tbilisi sobre Educação Ambiental e as Recomendações da Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental aos Países Membros
Conhecida como Conferência de Tbilisi, nela se produziu a Declaração sobre a Educação Ambiental (La Educación Ambiental: las Grandes Orientaciones de la Conferencia de Tbilisi, 1980), que continha os objetivos, funções, estratégias, características, princípios e recomendações para a Educação Ambiental.
A Conferência e a Declaração se tornaram a principal referência para a Educação Ambiental79 que foi definida como “uma dimensão” para a educação, “para a resolução dos
79 Foi considerado o evento mais importante na definição dos rumos da Educação Ambiental. De acordo com
Dias (1998, p. 22-23), “Vários países iniciaram imediatamente a implantação das recomendações de Tbilisi, e atingiram em menos de uma década uma terceira geração de recursos instrucionais, notadamente a Inglaterra, a França e os Estados Unidos. O Brasil, imerso em intermináveis e improdutivas discussões acadêmicas sobre a natureza da EA, emolduradas por crises político-institucionais e sócio-econômicas infindáveis, viu a Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental de Moscou chegar (Moscou, CEI, 1987) sem ter muito o que
Nós necessitamos de uma nova ética global – uma ética que promova atitudes e comportamentos para os indivíduos e sociedades, que sejam consonantes com o lugar da humanidade dentro da biosfera; que reconheça e responda com sensibilidade às complexas e dinâmicas relações entre a humanidade e a natureza, e entre os povos. Mudanças significativas devem ocorrer em todas as nações do mundo para assegurar o tipo de desenvolvimento racional que será orientado por esta nova idéia global – mudanças que serão direcionadas para uma distribuição eqüitativa dos recursos da Terra e atender mais às necessidades dos povos. Este novo tipo de desenvolvimento também deverá requerer a redução máxima dos efeitos danosos ao meio ambiente, a reutilização de materiais e a concepção de tecnologias que permitam que tais objetivos sejam alcançados. Acima de tudo. Deverá assegurar a paz através da coexistência e cooperação entre as nações com diferentes sistemas sociais.
(...) A reforma dos processos e sistemas educacionais é central para a constatação dessa nova ética de desenvolvimento e ordem econômica mundial. Governantes e planejadores podem ordenar mudanças e novas abordagens de desenvolvimento e podem melhorar as condições do mundo, mas tudo isso se constituíra em soluções de curto prazo se a juventude não receber um novo tipo de educação. Isto vai requerer um novo e produtivo relacionamento entre estudantes e professores, entre a escola e a comunidade entre o sistema educacional e a sociedade. (UNESCO, 1975 in: CASCINO, 2000, p.55 e DIAS, 1998, pp. 112 a 116).
problemas concretos do meio ambiente através de enfoques interdisciplinares e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo e da coletividade” (DIAS, 1998, p.23).80
Com a Conferência tem início “um processo global orientado para criar as condições para formar uma nova consciência sobre o valor da natureza e para reorientar a produção de conhecimento baseada nos métodos da interdisciplinaridade e os princípios da complexidade”. (JACOBI, 2005, p.242).
apresentar.”, Para ele, “A situação do Brasil foi a mesma da grande maioria dos países pobres, ou seja, justamente onde a EA seria mais necessária, dadas as cruéis realidades socioeconômicas ali instaladas, sob a égide de modelos de desenvolvimento impostos, de notória capacidade de degradação da qualidade de vida, a EA não se desenvolveu o suficiente para ser capaz de produzir as transformações necessárias”. Ver: DIAS, Genebaldo. Idem.
80 Segundo Pelicioni (1998, p.34), “após a Conferência, as ações de Educação Ambiental não mais poderiam
deixar de levar em consideração os aspectos econômicos, históricos e culturais nas relações homem e natureza, diferenciando-se, portanto, das anteriores, muito mais “ligadas aos aspectos físicos e biológicos”.
Ver: PELICIONI, Andréa F. Educação Ambiental na escola: um levantamento de percepções e práticas de
estudantes de primeiro grau a respeito de meio ambiente e problemas ambientais. Dissertação (Mestrado).
São Paulo, FEUSP, 1998.
Recomendações da Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental aos Países Membros
Recomendação no. 1
Embora se considere que os aspectos biológicos e físicos constituem a base natural do meio humano, as dimensões sócio‐culturais e econômicas, e os valores éticos definem, por sua vez, as orientações e os instrumentos com os quais o homem poderá compreender e utilizar melhor os recursos da natureza para atender as suas necessidades. A educação ambiental é resultado do redirecionamento e articulação das diversas disciplinas e experiências educativas que facilitam a percepção integrada do meio ambiente, possibilitando uma ação mais racional e capaz de atender às necessidades sociais.
Um dos objetivos fundamentais da educação ambiental é conseguir que os indivíduos e as coletividades compreendam a natureza complexa do meio ambiente natural e do meio criado pelo homem, resultante da interação de seus aspectos biológicos, físicos, sociais, econômicos e culturais, e que adquiram conhecimentos, valores, comportamentos e habilidades práticas para participarem, com responsabilidade e eficácia, da preservação e solução dos problemas ambientais e da gestão do problema da qualidade do meio ambiente (IBAMA, 1997, apud PELICIONI, 1998, p.31‐32). Recomendação no. 2 La educacion ambiental no debe ser na matéria más que se añada a los programas escolares, sino que debe incorporarse a los programas dedicados a todos los educandos, sea crual fuere su edad [...] Esta tarea necesita la aplicatión de nuevos conceptos, de nuevos métodos y de nuevas técnicas en el marco de un esfuerzo global que haga hincapié en el papel social que desempeñan las instituciones educativas y la creación de nuevas relaciones entre todos los participantes en el proceso educativo (UNESCO, 1980 in: LOUREIRO, 2004, p.73).