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O título do romance O ano da morte de Ricardo Reis remete aos dois principais intertextos presentes na narrativa de forma direta e perceptível de imediato. A expressão que o compõe diz respeito, em sua primeira parte, a um momento importante na história de Portugal e do mundo, o ano de 1936. Este ano é, então, resgatado na prosa ficcional, e os principais acontecimentos históricos do período que antecede a Segunda Guerra Mundial são ratificados, no romance, pelo aproveitamento de notícias dos principais jornais portugueses daquela época, as quais perpassam o espaço da escrita na narrativa saramaguiana. Dessa forma, é possível depreender da expressão “O ano” o período histórico retratado nessa ficção sobre Ricardo Reis, de acordo com as notícias atribuídas a jornais portugueses como “O Diário de Notícias” e “O Século”, notícias estas, no caso, retificadas por José Saramago.

Em sua segunda parte, a expressão correspondente ao título refere-se ao heterônimo pessoano Ricardo Reis, criatura idealizada como um heterônimo por seu criador, o célebre poeta português Fernando Pessoa. Conforme afirma José Saramago (2002), em entrevista concedida a Adelino Gomes, do jornal português “Público”, o escritor, ao ler as odes reisianas pela primeira vez, pensou que Ricardo Reis fosse uma “pessoa real”, e a escolha do heterônimo para protagonista de seu romance tem a ver, segundo Saramago, com a admiração que as odes lhe despertaram, mas também com a indignação pela “sua [de Ricardo Reis] idéia de que a sabedoria consiste em contentar-se com o espetáculo do mundo.” (SARAMAGO, 2002). Ainda de acordo com o escritor português, o romance O ano da morte de Ricardo Reis “foi precisamente escrito para mostrar a Ricardo Reis o espetáculo do mundo (de Portugal também) e perguntar-lhe se continuava a considerar sabedoria a mera contemplação dele...”. (SARAMAGO, 2002).

42 A intertextualidade com a obra de Borges também é importante para a narrativa, haja vista a constante

referência, na ficção saramaguiana, ao livro The god of the labyrinth, do escritor Herbert Quain. Borges, na realidade, escreveu o conto “Exame da obra de Herbert Quain”, no qual realiza “a escrita de notas” (BORGES, 1972, p.14) sobre The god of the labyrinth, que seria um livro imaginário. Esse conto de Borges, assim como os contos “O jardim dos caminhos que se bifurcam” e “As ruínas circulares”, fazem parte do livro Ficções e podem ser relacionados com o livro de José Saramago. Para dar conta da complexidade da presença da intertextualidade, incluindo a obra de Borges na ficção saramaguiana, caberia um estudo direcionado à intertextualidade apenas no romance O ano da morte de Ricardo Reis, assunto este que, embora descartado no momento, é digno de interesse para pesquisas futuras.

É possível, então, afirmar que, implícito no título do romance, encontra-se o jogo parodístico (tomando-se a paródia como prática hipertextual de transformação, segundo o sentido apresentado por Genette43) elaborado por Saramago ao apresentar sua própria versão para os acontecimentos históricos de 1936 e para o conteúdo das odes do heterônimo pessoano Ricardo Reis. Não parece descabido, pois, subentender de O ano da morte de

Ricardo Reis as seguintes informações: 1936 e Ricardo Reis (e Fernando Pessoa), segundo

Saramago.

Lembrando, ainda, o fragmento da entrevista concedida pelo autor e citada acima, parece pertinente, também, pensar na expectativa criada, no título, sobre a possível morte de Ricardo Reis, pois, segundo informa a professora portuguesa Ana Paula Arnaut, de acordo com a obra de John Hollander, os títulos são “[...] susceptíveis de criar determinadas expectativas no leitor, levando-o ou não a adquiri-la [a obra].” (ARNAUT, 2002, p.144). Portanto, se o vencedor do Prêmio Nobel chegou a cogitar que Ricardo Reis fosse uma pessoa real, podem os leitores mais leigos pensar da mesma forma e, nesse caso, adquirir o romance para conhecer a possível história sobre a morte de um poeta português.

Quanto às epígrafes de O ano da morte de Ricardo Reis, estas não implicam, de forma alguma, uma “lucubração” saramaguiana, de teor indefinível para o leitor. Pelo contrário, as epígrafes remetem diretamente à proposta de José Saramago neste romance: examinar a poesia de Ricardo Reis, apontando a filosofia do alheamento que subjaz a essa poesia. Saramago critica, pois, essa filosofia e apresenta uma versão ficcional para o ano de 1936, cujo mundo em espetáculo, segundo a visão do escritor, impede qualquer alheamento e cobra muito comprometimento.

Assim, a primeira epígrafe, “Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo” (REIS apud SARAMAGO, 2006, p.5, grifo do autor), verso de um poema do heterônimo Ricardo Reis, segundo Fernando Pessoa, e a segunda epígrafe, “Escolher modos de não agir

foi sempre a attenção e o escrupulo da minha vida.” (SOARES apud SARAMAGO, 2006, p.5, grifo do autor), fragmento do também heterônimo pessoano Bernardo Soares, autor do

Livro do Desassossego, parecem apontar para o alvo de Saramago em O ano da morte de Ricardo Reis: o alheamento e a indiferença atribuídos ao protagonista do romance,

características estas depreendidas, de acordo com a ótica de José Saramago, da leitura da obra de Ricardo Reis.

43 Genette (1989, p.51) considera a paródia uma prática hipertextual que implica uma relação de transformação

do hipotexto (o texto reaproveitado) pelo hipertexto (o novo texto) e atenta para o fato de a paródia literária realizar-se também sobre textos curtos, dentre os quais se incluem os títulos das obras.

Nesse caso, então, os fragmentos correspondentes às duas primeiras epígrafes de abertura do romance, apresentadas acima, devem ser entendidos em sentido contrário ao sentido original que tinham, enquanto textos dos heterônimos, os quais valorizavam a atitude contemplativa. Na própria narrativa, aliás, sugere-se esta forma de entendimento para fragmentos isolados, “contraditoriamente afirmando, na sua própria mutilação, um outro sentido fechado, definitivo, como é o que parecem ter as epígrafes postas à entrada dos livros.” (SARAMAGO, 2006, p.62). No romance de Saramago, essas duas epígrafes iniciais apontam, então, para a contra-argumentação saramaguiana que se desenrola, em prosa, a partir do argumento do “alheamento”, que subjaz, segundo Saramago, ao discurso poético reisiano.

A terceira epígrafe, “Se me disserem que é absurdo fallar assim de quem nunca

existiu, respondo que também não tenho provas de que Lisboa tenha alguma vez existido, ou eu que escrevo, ou qualquer cousa onde quer que seja.” (PESSOA apud SARAMAGO, 2006, p.5, grifo do autor), dessa vez um fragmento do criador dos heterônimos, o poeta português Fernando Pessoa, funciona como “argumento de autoridade” utilizado por Saramago, numa espécie de refutação das repercussões prováveis sobre essa sua própria versão literária para os acontecimentos históricos de 1936 e para Ricardo Reis. O fragmento pessoano, na obra saramaguiana, soa imbatível, validando e qualificando qualquer tipo de invenção ficcional, quer em prosa, quer em verso.

A partir, portanto, do título e das epígrafes do romance de José Saramago, estabelece- se o jogo intertextual presente na narrativa saramaguiana, decorrente do reaproveitamento do discurso jornalístico e do discurso poético reisiano. Reunidos assim, no espaço da escrita na narrativa ficcional, o texto jornalístico e o texto poético reisiano conservam a unidade do discurso intertextual, o qual, segundo Jenny (1979, p.29), é um discurso que se constitui pela “linearidade do significante e [pelo] espaço fechado da página.”

Em O ano da morte de Ricardo Reis, o noticiário jornalístico corresponde a uma referência explícita da narrativa e é por isso que “Vai Ricardo Reis aos jornais, vai aonde sempre terá de ir quem das coisas do mundo passado quiser saber [...]” (SARAMAGO, 2006, p.31), ou, então, que “[e]stá Ricardo Reis no quarto, ouve o pregão do ardina, Olha o Século, olha o Notícias, abre rapidamente a janela, e aí vem o jornal pelos ares [...].” (SARAMAGO, 2006, p.243). O mesmo ocorre com as odes, os papéis que Ricardo Reis tem para “[...] guardar, estas folhas escritas com versos [...] Mestre, são plácidas todas as horas que nós perdemos [...]” (SARAMAGO, 2006, p.20), os seus poemas que estão na gaveta, “[...] as suas

odes sáficas, lê alguns versos apanhados no passar das folhas, E assim, Lídia, à lareira, como estando, Tal seja, Lídia, o quadro [...].” (SARAMAGO, 2006, p.45).

Essa junção do discurso jornalístico com o discurso das odes permite pensar naquilo que diz Samoyault (2008, p.103-104) sobre a “hibridez do texto intertextual [que] pode ser lida em outro nível, na heterogeneidade dos materiais que o constituem, podendo remeter a diferentes discursos”. Tendo em vista esse entendimento de Samoyault, é possível pensar em

O ano da morte de Ricardo Reis como um “texto híbrido”, cuja composição remete a elementos diversos do universo real. Assim, a intertextualidade contribui para minimizar as fronteiras entre discurso sobre o real e discurso ficcional, introduzindo a “referencialidade”, ou seja, o fator textual que aponta, em literatura, para a presença do elemento referencial. (SAMOYAULT, 2008, p.108).

Constatar, portanto, a hibridez dessa narrativa contemporânea em língua portuguesa, em termos do aproveitamento de materiais que representam discursos utilizados na ficção e por ela problematizados permite, então, apontar para a validade da hipótese lançada neste estudo de que a intertextualidade é um recurso adequado para se pensar as relações entre ficção e história, pois trata-se de uma técnica capaz de atenuar os limites entre essas duas instâncias, levando a identificar, por exemplo, a existência de uma realidade externa ao romance, por meio da referência explícita aos jornais “O Século” e “O Diário de Notícias” e por meio da referência, também explícita, às odes de Ricardo Reis.

Além de apontar para a existência da realidade fora do romance, constituindo-se, assim, como um fator textual que garante um efeito de veridicção à obra, pois aponta para a presença da história no texto ficcional, a intertextualidade com as notícias dos jornais e com as odes reisianas constitui-se também como trabalho de metalinguagem, uma vez que estabelece um jogo relacional do texto ficcional de Saramago com esses textos de procedência histórica e, além disso, faz destes textos elementos constituintes da própria estrutura narrativa.

Dessa forma, a prática intertextual configura-se, efetivamente, na economia da obra. É exemplo da intertextualidade como trabalho de metalinguagem a indicação de que “Diz-se, dizem-nos os jornais, quer por sua própria convicção, sem recado mandado, quer porque alguém lhes guiou a mão, se não foi suficiente sugerir e insinuar, escrevem os jornais [...]” (SARAMAGO, 2006, p.81), ou, então, a explicação de Ricardo Reis de que as musas “não são mulheres verdadeiras, mas abstracções líricas, pretextos, inventado interlocutor [...] às musas não se pede que falem, apenas que sejam, Neera, Lídia, Cloe [...].” (SARAMAGO, 2006, p.302).

O uso da intertextualidade como forma de metalinguagem implica que os referentes reaproveitados (os elementos com os quais se relaciona o texto ficcional) sejam elementos discutidos no próprio fazer ficcional, ou seja, no processo de fabricação da narrativa. Essa característica do recurso intertextual, em O ano da morte de Ricardo Reis, torna possível, então, associá-lo ao trabalho metalinguístico, conforme prevê Chalhub (2002, p.40, grifo do autor), cuja teoria admite que, na forma estrutural da narrativa, “está o sentido, isto é, alguma característica do objeto real está criada no texto [...]. Assim, quando dizemos que a metalinguagem é uma equação, a equação que se monta é entre dizer = fazer.”. Os fragmentos do romance recuperados acima (o que indica a intenção que subjaz ao noticiário jornalístico e o que explica o papel das musas na poesia), por exemplo, além de remeterem diretamente às referências intertextuais, demonstram ainda, no texto ficcional, quais podem ser as características dessas referências (dos jornais e da poesia).

A possibilidade de o trabalho intertextual processar-se como trabalho de metalinguagem é outro ponto em que se apóia a hipótese aqui defendida de que esse recurso contribui para o entendimento das relações entre a literatura e a história. Trata-se, no caso, de um processo que implica, além da relação entre textos, a possibilidade de tais textos (no caso, o jornalístico e o poético reisiano) constituírem assuntos sobre os quais discorre a narrativa, e isso contribui para reforçar, por exemplo, o entendimento da natureza discursiva do texto ficcional e também do histórico.

A intertextualidade com o noticiário jornalístico e com as odes reisianas corresponde, portanto, ao recurso de construção do espaço da escrita nesse romance sobre Ricardo Reis, operando como fator textual que visa à referência e configurando-se (desenhando-se) textualmente na narrativa. Essa prática explícita da narrativa saramaguiana revela o que Jenny (1979) propõe para o entendimento da obra literária, a qual necessita da relação com modelos, a partir dos quais a obra se transforma. Para Jenny (1979, p.6), é complicado determinar o “grau de explicitação da intertextualidade [...] sendo difícil determinar se o facto intertextual deriva do uso do código ou é a própria matéria da obra”, exceto para os casos em que predomina a metalinguagem, quando a intertextualidade resulta do trabalho com o código, sendo também matéria da obra.

O “corpus intertextual” explícito representado principalmente pelo noticiário jornalístico e pelas odes de Ricardo Reis constitui-se elemento recorrente em todos os capítulos do livro, e a intertextualidade, nessa obra, pode ser explicada segundo a definição de Jenny (1979, p.14), para o qual a intertextualidade “[...] designa não uma soma confusa e misteriosa de influências, mas o trabalho de transformação e assimilação de vários textos,

operado por um texto centralizador, que detém o comando do sentido.” Ou seja: a construção do espaço da escrita na moldura narrativa é de base intertextual, e o sentido que prevalece é a crítica ao texto primeiro, realizada no novo texto, criado por Saramago.

O primeiro capítulo de O ano da morte de Ricardo Reis indica a ordem de composição predominante no romance, sendo apresentados os principais intertextos que permeiam a narrativa sobre o heterônimo pessoano. Isso ocorre, por exemplo, quando o protagonista, ocupado com a tarefa de organizar suas coisas no quarto do hotel, toma “papéis para guardar, estas folhas escritas com versos [...] Mestre, são plácidas todas as horas que nós perdemos [...].” (SARAMAGO, 2006, p.20). Ainda no primeiro capítulo, Reis decide ler os jornais, a fim de se “pôr em dia com a pátria” e lê: “são estas as notícias da minha terra natal, e dizem, O chefe de Estado inaugurou a exposição de homenagem a Mousinho de Albuquerque [...] e do Brasil que notícias temos, sem novidade, tudo acabado [...].” (SARAMAGO, 2006, p.25).

Laurent Jenny (1979) trata dos “problemas de enquadramento” relativos à intertextualidade, buscando evitar que os textos reunidos se destruam entre si e também que o intertexto se desintegre. Na narrativa saramaguiana, as referências são incluídas na moldura sem prejuízo de ambas as partes. Nesse caso, processa-se, então, aquilo que afirma Jenny (1979, p.25): “[...] a multiplicidade dos discursos se aloja numa moldura narrativa coerente, até tradicional, o que impede a obra de proliferar ao acaso das formas recuperadas, e sossega o leitor”. De acordo com Gobbi (1997, p.151), a moldura tradicional não implica, porém, “[...] um romance que tenha como pretensão um realismo documental [...]”, e a intertextualidade parece, então, “[...] não só derivar da apropriação desses diferentes textos da História e da literatura pela ‘narrativa centralizadora’ [...] como também acaba por constituir-se matéria romanesca.”

O ano da morte de Ricardo Reis corresponde a essa moldura tradicional, que se

constrói por meio, principalmente, dos intertextos mencionados, os quais podem descrever-se, inclusive, como fórmula das ações principais do protagonista, na narrativa, o qual se divide entre “[l]er as gazetas, neste primeiro dia também as da tarde, reler, medir, ponderar e corrigir desde o princípio as odes [...].” (SARAMAGO, 2006, p.244).

As referências ao noticiário jornalístico e às odes são incluídas, quase sempre, separadamente na narrativa, ainda que façam parte do mesmo capítulo. Desenvolvem-se, assim, cenas em que o protagonista entretém-se com a leitura dos jornais e outras cenas em que o protagonista está às voltas com as odes. Há, entretanto, exemplo de passagem na narrativa em que a referência aos jornais e a referência às odes se confundem. Em uma

passagem da narrativa em que Ricardo Reis lê, nos jornais, a notícia sobre a invasão de Addis-Abeba pelos italianos, trechos de uma ode reisiana são entrevistos, da seguinte maneira:

Addis-Abeba está em chamas, as ruas cobertas de mortos, os salteadores arrombam as casas, violam, saqueiam, degolam mulheres e crianças, enquanto as tropas de Badoglio se aproximam [...]. Mussolini anunciou, Deu-se o grande acontecimento que sela o destino da Etiópia [...]. (SARAMAGO, 2006, p.305).

O protagonista, na seqüência da passagem transcrita acima, sente-se perturbado ao dar-se conta do embaralhamento que lhe ocorre ao ler o jornal, pois reconhece, em meio à notícia lida no periódico sobre o “grande acontecimento que sela o destino da Etiópia”, anunciado por Mussolini, trechos ali escritos. Trata-se, no caso, de fragmentos que descrevem o caos representado pela cidade “em chamas”, com as “casas” arrombadas e saqueadas, as “mulheres” violadas e as “crianças” degoladas, os quais são compostos com base na referência ao conteúdo da ode “Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia”. Essa passagem tem a ver com o que Jenny (1979, p.22) considera sobre o discurso intertextual, o qual, para ele, possui valor de “super-palavra”, uma vez que este discurso se constitui não por palavras, mas por “coisas já ditas, já organizadas, fragmentos textuais”, e o texto reaproveitado “[...] não significa por conta própria, passa ao estatuto de material [...].”

O embaralhamento entre a referência às notícias jornalísticas e a referência ao conteúdo das odes implica, também, a flexibilidade do trabalho intertextual, conforme a explicação de Jenny (1979, p.22), segundo a qual “[...] o texto aproveitado denota e renuncia a denotar, é transitivo e intransitivo, tem o valor de significado a cem por cento e de significante a cem por cento. Toda a palavra, toda a leitura intertextual cabem neste movimento.” Pode dizer-se, pois, que as referências intertextuais constam, de fato, na moldura narrativa, atuando, porém, a partir de novas possibilidades de significados e inseridas, agora, numa proposta saramaguiana de valores.

A presença das referências intertextuais mencionadas é, como se vê, significativa no espaço da escrita em O ano da morte de Ricardo Reis. A fim de que a descrição desses materiais intertextuais seja mais produtiva, a presença deles no romance será analisada, a partir de agora, separadamente, tendo em vista, primeiramente, as referências às notícias de Portugal e do mundo, no ano de 1936, lidas, diariamente, pelo protagonista, nos principais periódicos de Lisboa.