0 granito à albita e topázio (GAT) é o fácies granítico mais evoluído da série g2 na ZGP do Maciço mangabeira. A sua mineralogia aliada à sua química tornam-o em granito especial.
Apesar da sua relação Nb/Ta ser em geral superior a 1, o GAT pode ser incluído entre os Ta granitos de Raimbault et al. (1991), onde se classificaria entre os Ta granitos da classe 2 (Si02 normal e baixo P2O5) , juntamente
com granitos de Ongon e Teeg UUla.
No gráfico Nb/Ta x FeO/MnO (figura V . 2 5 ) , o GAT possui um enriquecimento simultâneo nas duas razões, semelhante aos resultados obtidos por Raimbault et al.. (1991) para Ta-granitos de diversas regiões do mundo. Os autores interpretam essa correlação global incluindo granitos diferentes como devido a um processo comum para a sua gênese.
Esse tipo de granito recebe diferentes denominações na literatura, como rochas graníticas ricas em volateis (Manning & Pichavant, 1988), granitos a metais raros do tipo geoquímico Li-F (Kovalenko & Kovalenko, 1984) ou topázio - Li-míca granitos (Pollard & Taylor, 1 9 9 1 ) . Ele é considerado especial por ter uma ocorrência rara, por sua mineralogia pouco comum e por estar geneticamente associado a depósitos minerais do tipo Sn-W e Ta-Sn. Uma característica marcante dessa rocha é a sua razão Na/K > 1, o que é observado em 50% das amostras de GAT analisadas neste trabalho.
A gênese desses granitos especiais é objeto de duas posições controvertidas (Cocherie et al.., 1991; Kovalenko & Kovalenko, 1984/ Manning, 1982) :
a) origem metassomática, por reequilíbrio subsolidus, sob ação de fluidos pós-magmáticos (apogranitos) ;
F i g u r a V.25 - G r á f i c o N b / T a x F e O / M n O p a r a a s a m o s t r a s d e G A T a n a l i s a d a s te trabalho e d a d o s de R a i m b a u l t et al. ( 1 9 9 1 ) .
Em diversos gráficos A I2O3 x FeO; F x A l203;
NbxTa; Li x Ta ; Li x FeO; e t c ) , o granito g2d e o GAT descrevem um trend de evolução onde o GAT é mais evoluído que o granito g2d. O GAT é mais rico em Li, Ta, F, Rb, Zn e origem magmática, por cristalização fracionada sob alta atividade do F, a qual permite que processos magmáticos persistam a temperaturas inferiores a 630°C.
A mineralogia do granito à albita e topázio (GAT), monótona em toda a sua área de afloramento, juntamente com sua textura ígnea constituem-se no critério petrográfico para designar tal rocha como ígnea.
O critério químico vale-se do fato de não haver espalhamento de pontos desse granito nos diagramas, mesmo em graficos construídos com componentes móveis, como N a20 , K20 ,
Li, Zn e Sn. Os dados da mesma rocha transformada dispersam- nos mesmos diagramas em que seus protolitos convergem.
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FeO, é mais pobre em Ba e Sr e os seus padrões de TR são semelhantes aos do g2d, embora com leve empobrecimento em TR pesadas.
Os resultados apresentados nos dois últimos parágrafos são claramente subsídios geoquímicos para que se possa afirmar que o processo de formação do G A T foi magmático (Schwartz, 1991) . Demonstram também ser o GAT pertencente à família g2 e produto da diferenciação magmática do g2d.
Para uma melhor ilustração da origem magmática do GAT, as composições normativas CIPW do GAT foram piotadas em um diagrama triangular Q-Ab-Or (figura V.26) juntamente com os demais granitos, além das composições teóricas de magmas dom F e Li20 à pressão de 1 Kbar (dados de Manning, 1982 e
Martin (1983) in Manning & Pichavant, 1984) . A quase
superposição dos pólos de granitos com 1 e 2%Li20 e a
distribuição não pontual dos dados dos granitos da ZGP impedem qualquer conclusão a respeito do comportamento' desses granitos no gráfico Q-Ab-Or relativamente a seus teores de Li20.
Os pólos do GAT concentram-se em torno do ponto correspondente a um magma com 0%F, ao invés de migrarem aleatoriamente para o pólo Ab, o que também sugere origem magmática para esse granito (Schwartz, 1991) .
As amostras menos transformadas do granito g2d (MM22 e MG34) situam-se entre 0 e 1%F, enquanto os milonitos de g2d migram para o pólo Q (MG3A e MG44A) .' Em conformidade com observações anteriores atestando a greisenização que afetou a amostra MG40, ela migra para o pólo Or. 0 GAT, mais rico em F que o g2d, encontra-se próximo ao pólo 0%F. A Licação para tal anomalia pode estar no fato desse diagrama relacionar componentes móveis durante os processos tardi/pós magmáticos, como metassomatismo e cisalhamento, que atuaram sobre essas rochas.
Uma outra hipótese para explicar a anomalia é a apresentada por Pichavant & Manning (1988) para os topázio
granitos do SW da Inglaterra, os quais, apesar de terem 1- 1,5%F, foram situam-se entre 0 e 1%F no diagrama Qz-Ab-Or. Segundo a explicação daqueles autores, existe uma associação entre Al e F, que propicia a formação de complexos do tipo
AIF63- no magma, o que tende a reduzir o efeito de um
determinado conteúdo de F no posicionamento da rocha dentro do diagrama Qz-Ab-Or.
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Figura V.2 6 - D i a g r a m a Q - A b - O r p a r a a m o s t r a s da Z G P e d a d o s de M a n n i n g (1981) e M a n n i n g & P i c h a v a n t (1984) .
V.4.5.2 - A Rocha à quartzo e topázio
A rocha à quartzo e topázio (RQT) possui modo de ocorrência e características mineralógicas, texturais e químicas que a tornam especial.
0 seu afloramento dá-se. de forma retilínea, quase contínua em superfície, sempre associado ao GAT (anexo 1) .
Macroscopicamente, a rocha é maciça e sua mineralogia, descrita no capítulo III, compreende quartzo, topázio, arsenopirita (localmente associada a löllingita) ,
zinnwaldita, wolframita, esfaleríta, sulfetos de Cu e arseniatos diversos, entre os quais a yanomamita. O topázio
ocorre como cristais subedrais milimétricos ou como pequenas inclusões de cristais euédricos em quartzo e/ou nos grãos
maiores de topázio. Essas inclusões sugerem origem magmática para o topázio de primeira geração.
0 topázio é comumente conhecido como produto de alteração hidrotermal de alta temperatura e as rochas com topázio são então consideradas como resultantes de processos pós-magma ti cos, em geral, greisenização .
Quimicamente, a RQT distingue-se dos granitos e greisens da Zona Greisenizada Principal (ZGP) por possuir elevados teores de Si02, A l203, F e Cu e baixos teores de
I
Na20, K20, Rb e Li, sendo os teores de Rb e Li sobremaneirabaixos quando comparados aos dos greisens. No diagrama Q-Ab- Or(figura V . 2 6 ) , as duas amostras de RQT são plotadas próximo ao pólo Q, o que se deve aos seus altos teores de 02 e baixos teores de álcalis.
A RQT assemelha-se aos topazitos da Nova inglaterra (Austrália) , descritos por Eadington & Nashar (1978), que ocorrem como diques e sills em um roof pendant
no Granito Mole. Seus constituintes principais são quartzo e topázio (este compreendendo 18-27% da rocha) , além de 5% de cavidades miarolíticas. Outros minerais presentes são wolframita, muscovita e turmalina. Estudos de inclusões fluidas em topázio indicaram temperatura de cristalização
das rochas entre 570-620°C.
Rochas semelhantes foram descritas em outras localidades, como as rochas à quartzo-topázio-lõllingita de Victoria, Austrália (Birch, 1984) , os diques de topazito do Arizona, EUA (Kortmeier & Burt, 1988) e os topazitos de North Queensland, Austrália (Johnston & Chappell, 1992) .
Pela classificação convencional, as rochas Inominadas topazitos deveriam chamar-se quartzolito ou silexito; porém essas denominações não registram a presença de topázio na rocha. Por esse motivo, o termo topazito é