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IV.3.3.1 - Escorodita

Esse é o arseniato mais comum nas rochas da Zona Greisenizada Principal . Ocorre em praticamente todas as amostras da rocha à quartzo e topázio.

A escorodita apresenta-se sob a forma de massas verdes ou, mais raramente, como pequenos cristais. Ao microscópio, o mineral é marron claro, mal cristalizado e

possui birrefringência elevada. Está normalmente associado à arsenopirita, a partir da qual se desenvolve por alteração (prancha III.3, foto 6) .

Quando existe arsenopirita preservada, a escordita ocorre bordejando esse mineral e/ou preenchendo suas fraturas. Nos locais onde a arsenopirita foi totalmente

substituída por escorodita, esta ocorre como massas que podem atingir dimensões centimétricas. Ocorrem grãos de

cassiterita submilimétricos misturados a essas massas, os quais são aqui interpretados como sendo de cassiterita de segunda geração.

A escorodita ocorre também preenchendo fraturas em grãos de quartzo, topázio, micas e cristais de cassiterita da primeira geração.

As análises químicas de escorodita revelam que ela normalmente contém In, com teores médios de 1.0 %, podendo chegar a 8% (anexo 4) . Entretanto, como será visto no

capítulo VI, algumas dessas massas de escorodita com teores de In muito elevados podem ser, na realidade, misturas de

escorodita com yanomamita.

Os dados de microssonda obtidos para esse mineral estão de acordo com os dados da literatura e com sua fórmula estrutural teórica: FeAs04 . 2H20 .

IV.3.3.2 - Arseniato de Sn

Na amostra MG50(1), de rocha à quartzo a topázio, identificou-se um grão de um mineral composto

predominantemente de Sn , As e Fe. 0 mineral tem cor amarela intensa, é prismático, com aproximadamente 1 mm de

comprimento, relevo médio a alto, zonado (prancha IV.1, foto 1).Aparenta ser isométrico, mas a sua zonação dificulta uma melhor definição dessa característica, fazendo-se

necessários estudos cristalográficos posteriores. Esse mineral também ocorre na amostra MG50B.

A parte externa do grão apresenta-se com melhor grau de cristalização e suas análises fornecem valores mais

elevados de Sn02 (tabela IV. 3) . 0 núcleo do mineral é mais

escuro e mal cristalizado, sendo mais rico em F e203 (t), S 03

e H2O e mais pobre em Sn02. 0 mineral possui valores

elevados de In203, em torno de 1,5%.

A definição de uma fórmula estrutural para o mineral em questão é uma tarefa complexa, decorrente de dificuldades analíticas, já que se trata de um composto

hidratado com grau de cristalização desconhecido. Entretanto, a relação As: Fe: Sn aproxima-se de 1:2:3, e a fórmula [ (Sn02) 3F e2 (As04) (OH) 3] pode ser então uma sugestão

inicial.

0 único mineral descrito na literatura cujas características físicas e químicas aproximam-se um pouco do mineral aqui descrito é a varlamoffita.

Designa-se varlamoffita ao produto final da alteração supergênica da estanita em clima equatorial. Tratsa-se de um agregado amarelo, raramente com características cristalinas; quando sim, com simetria quadrática (Varlamoff, 1978) . 0 autor propõe que seja

classificado como varlamoffita um mineral que tenha a seguinte composição química: Sn02 = 80%; F e203 = 10% e H20

=10%, com traços de Si02 e A 1203 .

A tabela IV.4 contém os dados de análise química por via úmida das varlamof fitas do Zaire, a localidade-tipo do mineral, em comparação com substâncias que foram

descritas sob o mesmo nome em outras regiões. Comparando-se esses dados com os apresentados na tabela IV.3, conclui-se que as semelhanças entre a varlamoff ita e o arseniato de Sn

identificado são muito pequenas. Entretanto, substâcias com composições muito distintas têm sido designadas varlamoffita (tabela I V , 4 ) , o que dificulta sua exata definição.

IV.3.3.3 - Arseniato de U

0 arseniato de U foi identificado em uma amostra da rocha à quartzo e topázio rica em arsenopirita e pobre em escorodita (MG8C2) .

Ao microscópio de luz transmitida, o mineral é verde claro, de 50 um, aspecto micáceo, birref ringência

elevada e, localmente, com auréola de óxidos, atestando o seu carácter radioativo. Ocorre tanto isolado como associado a micas e a topázio (prancha IV. l, foto 2) .

A presença de U na composição química do mineral foi confirmada por EDS. A análise química do mineral, porém, não incluiu U. Para efeito ilustrativo, a tabela IV. 5 mostra a análise parcial do mineral.

Devido à análise do mineral estar incompleta, a sua classificação não pode ser exata, mas os dados químicos associados às características ópticas descritas acima permitem afirmar que o mineral é zeunerita

[Cu(UO2)2 (As04) 2 . 10-16H2O] ou metazeunerita

[Cu(UO2)2(AsO4)2.8H2O] (tabela I V . 5 ) .

IV.3.3.4 - Arseniato de Bi

O arseniato de Bi ocorre na amostra MG9B1A. O mineral é marron escuro, de relevo alto, tamanho médio de

0.2mm e ocorre isolado na rocha, entre grãos e subgrãos de Nas amostras MM11C6 e MM11C7, foram identificados minerais de Bi, As e Fe em fraturas na arsenopirita, através

Pela observação da tabela IV.6, nota-se uma certa heterogeneidade nos dados, dificultando a proposição de uma formula para o mineral. Entretanto, comparando-os com uma análise de arsenobismita [Bi2(As04) (OH) 3] , verifica-se uma

grande semelhança química entre aqueles minerais.

IV.3.3.5 - Arseniatos de Pb

Dois arseniatos de Pb distintos foram identificados nas amostras estudadas, os quais serão

apresentados separadamente.

-Arseniato de Pb I

Esse arseniato de Pb é amarelo claro, de relevo médio e preenche fraturas de diversos minerais da amostra

MG50(1), como pertitas, quartzo e micas, ateis tanto o seu caráter de mineral secundário (prancha IV. 1, foto 3) . Sua característica óptica ' mais marcante é sua cor . de interferência anômala azul celeste.

A tabela IV. 7 apresenta os dados de microssonda eletrônica obtidos para esse mineral, onde se observa que o arseniato de Pb I é anidro. Entretanto, conforme constatado nas análises de escorodita, os teores de A s205 podem estar

superdosados, comprometendo o cálculo de H20 .

Comparando-se os dados obtidos com os da carminita (PbFe2(As04) 2 (OH) 2] (tabela IV. 7 ) , constatam-se semelhanças

químicas entre eles, apesar das discrepâncias ópticas (a carminita é vermelha em luz transmitida) , o que indica que esses minerais possam pertencer à mesma família.

Arseniato de Pb II (beudantita?)

Esse mineral foi identificado na amostra MG9B1A associado a uma lamela de mica. Sua cor é marron claro e ele tem o aspecto de uma massa de mineral secundário. Apenas um grão de dimensões reduzidas (10/xm) foi encontrado nas amostras estudadas e sua análise química encontra-se na

tabela IV. 8.

A comparação da análise do arseniato de Pb II com dedos de beudantita de Palache et al. (1963)

(PbFe3(As04) (S04) (OH) 6] mostra que esses minerais são

estante semelhantes, podendo-se até sugerir que o mineral aqui identificado é a' beudantita (tabela IV. 8) , apesar dos

valores superiores de A s205 e H20 e inferiores de S 032 - .

Minerais identificados como beudantita, através de raios-x, na Mina de ouro de Aurumina, Goiás, e em amostras do Maciço Mangabeira mostraram ser também enriquecidos em

SO32-(tabela IV. 8) (N. Botelho, com. oral) .

IV.3.3.6 - Farmacossiderita

A farmacossiderita [Fe3(As04)2(OH)3.5H20] foi