2 BACKGROUND
2.3 Religious satellite-TV in the Arab world
cidade vídeo-clip
[...] a cidade não conta seu passado, ela o contém como as linhas da mão, escrito nos ângulos das ruas, nas grades das janelas, nos corrimões das escadas, nas antenas dos pára- raios, nos mastros das bandeiras, cada segmento riscado por arranhões, serradelas, entalhes, esfoladuras.
Ítalo Calvino (1990, p. 14-15)
Interessa-nos, nesta seção, mostrar a transformação física e social sofrida pelo México desde sua constituição como nação até a contemporaneidade. Defendemos, ainda, nesta parte, o conceito de cidade retratado por Pacheco em sua obra, visão corroborada pelos teóricos selecionados para o estudo. Também os conceitos de cidade e nação são esclarecidos no decorrer do texto. A seguir, trazemos para discussão um pouco da história mexicana de modo que o leitor consiga imaginar o caminho percorrido por essa sociedade até a constituição de sua Capital Federal e como ela se configura na atualidade.
O México manteve-se colônia da Espanha durante trezentos anos, e durante esse período, muitos foram os pesares a que se submeteram os autóctones, entre eles, a servidão, o pagamento de impostos e, até
mesmo, contaminação por doenças trazidas pelos conquistadores europeus.
No transcorrer do século XVII, alguns espanhóis dotados de
riquezas organizaram as chamadas haciendas, contribuindo
financeiramente para o aumento da prosperidade de vida dos fidalgos da Nova Espanha, momento que trouxe certa tranqüilidade para a Colônia, embora ela ainda continuasse enviando recursos à Corte espanhola.
Houve também um período de estabilidade na economia colonial, responsável por gerar certo orgulho na elite crioula pela prosperidade de sua terra. A camada indígena voltou a crescer e a cultivar novos cereais europeus e a dedicar-se à criação de gado. A força demonstrada pela Igreja, somada à ausência de um exército próprio, permitiu um ambiente de paz e de dominação cristã na colônia mexicana.
No século XVIII, o controle espanhol sobre a colônia perdeu-se pelos confrontos com forças inimigas da América e por lutas internas. A recente dinastia Bourbon na Espanha fez com que o México recuperasse sua autonomia total com a diminuição do papel da Igreja, criando um exército regular e obrigando o aumento na produção de prata, ocasionando um aumento também nas taxas dos impostos, para que fossem enviados à Corte. Mas a tomada da Espanha por Napoleão e lutas pela independência das terras do México ocasionaram um enfraquecimento no governo colonial.
Através de tais ações, uma vez mais, as relações entre a Espanha e o México se viram conturbadas, levando a uma queda do nível de vida da população local, que acelerou o processo de independência das terras mexicanas. O padre Miguel de Hidalgo, em 1810, na Cidade de Dolores, foi a pessoa que começou a batalha pela independência, convocando os mexicanos para que contestassem a exploração e lutassem pela independência do que se tornaria a nação que hoje conhecemos. O ato de heroísmo de Hidalgo ficou conhecido como El Grito, pois se tratou realmente de uma voz em desespero em busca de soluções para sua nação.
A intenção de Hidalgo fracassou e o padre foi executado. Um segundo movimento foi chefiado, em 1813, por outro padre, José María
Morelos, nome que contribuiu para a proclamação da República e somente em 1821, Agustín Iturbide venceu definitivamente os espanhóis, alcançando a tão sonhada independência mexicana. Iturbide nomeou-se imperador e governou com muitas dificuldades, já que sem o capital espanhol, o México arrastou um período de obscura economia. Ao ser deposto Iturbide, o México tornou-se, em 1824, uma República Federal com sua primeira constituição.
Após a Independência nacional, ainda temos, no México, uma constituição política de difíceis relações, em que poucos são privilegiados. A corrupção destaca-se, gerando uma forte injustiça social entre seus habitantes. Com isso, percebemos e podemos afirmar que os discursos passam, entretanto algumas ações se repetem e constituem novos caminhos para o estabelecimento de uma possível compreensão da história mexicana.
Segundo o cientista político estadunidense Benedict Anderson (1989), o surgimento da nação deu-se após um período de crise do poder político da Igreja, momento que permitiu a vontade de fortalecer novas relações entre os indivíduos, por conseguinte, de aumentar a luta por um pensamento nacionalista.
Esta sucessão de acontecimentos se deve ao fato de que só conseguimos visualizar uma nação quando o maior número possível de seus habitantes reconhece a importância dessas relações e se propõem a viver em pleno estado de comunhão, ou seja, de permuta com os outros que interagem dentro de um mesmo espaço. Cabe entender a idéia de espaço, como propôs a socióloga Ana Fani Carlos (1996, p. 104), discípula do geógrafo brasileiro Milton Santos, como um espaço geográfico onde ocorrem as relações sociais, portanto, em que se evidenciam as relações de coletividade.
Construir uma nação, para o venezuelano Simón Rodriguez, mestre do libertador Simón Bolívar, dá-se quando pensamos sua construção de modo coletivo, quer dizer, num desejo de construir um espaço onde o Estado permita que seus próprios indivíduos apresentem subsídios para atuarem como “cidadãos ativos” (ROTKER, 1994, p. 8),
sendo papel dos responsáveis pela organização da nação educar e oferecer formas de manutenção da vida em sociedade.
Logo, pensar a nação, como nos assegura Ernest Renan e Benedict Anderson, é conseguir compreender as relações culturais estabelecidas entre os indivíduos. Assim como nos define Benedict Anderson (1989), as nações são “imaginadas” por vontades e desejos dos indivíduos com fins comuns, que desenvolvem suas atividades em pleno convívio de companheirismo. O crítico vê a nação como uma “comunidade imaginada”, com funções políticas e, principalmente, papéis sociais e culturais.
Benedict Anderson emprega os termos destacados anteriormente para evidenciar que, dentro de um mesmo espaço, se faz difícil conhecer a todos os demais membros que formam a nação, por isso o indivíduo cria imagens em sua mente para todos os que convivem dentro de um mesmo limite geográfico.
Nessa compreensão do sentido físico de nação, evidenciamos que dentro de seus limites, é notória a diversidade cultural das pessoas que cruzam seu interior. A nação é heterogênea, porque engloba outras comunidades dentro do seu espaço físico, o que Benedict Anderson nomeia por “sub-nacionalismos”. Ao teorizar sobre o “imaginário nacional”, o teórico parece enfocar a idéia de homogeneidade para o espaço, porém sabe que a história dos fatos gera uma nação heterogênea.
Uma nação é constituída pela sucessão de fatos históricos que conseguem permanecer no (in) consciente de seus indivíduos. Assim, a nação é vista de modo semelhante a uma configuração histórica, como nos apresenta o sociólogo brasileiro Octavio Ianni (1988), sendo ela a responsável pela organização e pelo desenvolvimento de forças sociais, relações econômicas, papéis políticos e forças culturais. A bandeira, o hino, o idioma, os valores, o território, a população e outros constituem uma imagem e uma significação na compreensão do papel da nação. Todos esses elementos são empregados no entendimento de uma nação que busca por sua identidade. Sabemos que o desejo de buscar uma identidade se conecta à vontade de recuperar a origem, para que, desse modo, estejamos inscritos na história.
Pelo exposto, entendemos que a nação está na história, mais além disso, para Ianni, a mesma também se constrói no imaginário, ou seja, em um plano não real, portanto, um plano simbólico. Por esse motivo, a idéia de nação e suas problemáticas, temática de grande evidência na produção literária hispano-americana, surge no pensamento do historiador, do escritor, do filósofo e de outros como uma imagem do que vêem ou do que esperam que seja a vida em comunidade.
A partir desse sucinto recorrido histórico pela formação da nação mexicana, resolvemos trazer para a discussão a leitura do ensaísta argentino Néstor García Canclini (1999) em seu livro Imaginarios urbanos, em que o crítico reúne três conferências ministradas em 1996 na Universidad de Buenos Aires sobre a desintegração da modernidade, a hibridização cultural, a globalização do continente americano e os espaços públicos. Nossa opção pelo teórico explica-se porque o mesmo centra seus estudos na capital mexicana a partir de uma análise de filmes
e fotos118, que, ao mesmo tempo em que são corpus estáticos e
fragmentam o espaço da cidade, recebem uma crítica leitura aos olhos do pesquisador.
García Canclini parte do exemplo mexicano para tentar compreender o processo de formação das cidades latino-americanas, cujo passado se vê implicado em processos históricos e políticos. Para ele, a cidade esconde através de seu conjunto arquitetônico, diversos discursos, porque o espaço urbano é, sem dúvida, um local de intercâmbio de informações, principalmente, as culturais. Porém, acredita que existe pouca articulação e diálogo entre as nações latino-americanas. Para García Canclini (1999, p. 21):
Se na América Latina existe integração e possibilidades de que as culturas dialoguem é graças ao processo modernizador. Porém, a maneira em que se realizou esta modernização obstrui obstinadamente que o diálogo entre nossas culturas seja produtivo119
118
García Canclini (1999) analisou um total de 52 fotos contrastando presente e passado da Cidade do México.
119
“Si en América Latina hay integración y posibilidades de que las culturas dialoguen es gracias al proceso modernizador. Pero, a la vez, la manera en que se ha realizado esta modernización obstruye empecinadamente que el diálogo entre nuestras culturas sea productivo”. [Tradução nossa]
O crítico vê, na globalização política e cultural, uma explicação para a pouca interação entre as nações e a presença de espaços de exclusão nos grandes centros. Na primeira parte do livro, o autor vai
reabrir um debate sobre a modernidade120, porque entende que o
conceito de cidade evoluiu a partir da vida moderna. García Canclini destaca, na produção latino-americana, os estudos teóricos América
Latina: cultura y modernidad, de José Joaquín Brunner; Mundialização e cultura, de Renato Ortiz e Escenas de la vida posmoderna, de Beatriz
Sarlo como aqueles que apresentam e constituem uma tendência específica do pensamento moderno, além de desafiar, reformular e enriquecer os estudos anteriores sobre a modernidade.
Em seu livro Culturas híbridas, García Canclini apresentava a oscilação entre os termos modernidade e pós-modernidade no sub-título de sua obra. Para o teórico, a questão central dessa problemática não seria descobrir se o nosso continente americano é moderno ou pós- moderno, mas como essa modernidade híbrida alcançada através das relações sociais está se perdendo na mão de pequenos grupos que detêm o poder ou, ainda, na posição ocupada por alguns países e seu desenvolvimento internacional.
Para García Canclini, podemos compreender a modernidade através de alguns processos, entre eles, o da emancipação de certos setores da sociedade, com destaque para o campo cultural da renovação, pois o crítico argentino destaca o crescimento na educação média e superior e o setor cultural que se adapta às inovações tecnológicas e sociais; também recebe destaque o campo da democratização, com uma maior participação da cidadania nas estruturas políticas.
Podemos dizer que a democratização ganhou força com os princípios da Revolução Francesa. No século XX, a democratização e a modernização da cultura foram impulsionadas pelos meios eletrônicos de comunicação e pelas organizações sociais, como grupos feministas, de direitos humanos, da expansão. Segundo García Canclini, quase sempre não presenciamos um avanço desta última característica na chamada
120
Trataremos da problemática dos conceitos de “modernidade” e “pós-modernidade” na seção 2.4.
modernidade, porque com a urbanização e a industrialização, o que cresce são as dívidas, a corrupção, a insegurança urbana, etc.
García Canclini expõe que é cada vez mais nítida a presença de sociedades heterogêneas, sendo essa heterogeneidade não só entendida pelas diversidades étnicas ou regionais, mas também pela falta de acesso aos bens modernos. Ele tenta explicar essa heterogeneidade na passagem do século XX para o XXI, pois houve um momento de abertura das fronteiras geográficas de cada sociedade com fins de conhecer e incorporar, em sua própria sociedade, os bens culturais da cultura do outro. Porém, como afirma o próprio teórico, essa tentativa de homogeneizar/ reordenar acabam favorecendo as desigualdades.
Atrás de todo esse conflito trazido pela modernidade, que segundo García Canclini, se explica pela falta de diálogo entre as mais distintas culturas, temos a imagem do sujeito dentro do espaço urbano. O teórico reconhece que o conceito de “indivíduo” é um ponto importante trazido pela modernidade. Por outro lado, afirma que esse indivíduo racional perde seus princípios devido às estruturas impostas pela globalização.
No segundo capítulo do livro, o ensaísta debate sobre as cidades multiculturais e as contradições da modernidade. García Canclini defende a existência de três tipos de cidade dentro da Cidade do México e, ao final do texto, emprega um termo que sintetiza todas as denominações anteriores.
O ensaísta começa o texto da segunda conferência questionando a existência de inúmeras possibilidades de conceitos para a cidade, todavia nenhuma definição dá conta de todos os aspectos que envolvem a dimensão do espaço citadino.
García Canclini (1999, p. 69) resgata o discurso do sociólogo italiano Gino Germani, ao expor que, num primeiro momento, na primeira metade do século XX, podemos entender o conceito de cidade em oposição ao de campo. De acordo com este raciocínio, o campo seria o lugar de relações comunitárias/ primárias e a cidade o espaço de relações secundárias, de maior multiplicidade e papéis.
Conforme o teórico, entende-se como relações comunitárias/ primárias os diálogos intensos de tipo pessoal, familiar e social específicos de cada povoado, já as relações secundárias fazem referência a um número maior de contatos desenvolvidos nos centros urbanos. Tal abordagem é incompleta para definir uma cidade, porque não considera seus demais constituintes e não pressupõe que as realidades urbanas e rurais podem conviver dentro de um mesmo espaço geográfico, onde elementos de ambas as realidades se entrelaçam. De acordo com o historiador italiano Giulio Carlo Argam (1998), o meio rural também pode ser considerado urbano, à medida que ambos estabelecem trocas comerciais, além do mais, o cenário urbano penetra os entornos rurais através da mídia televisiva e/ ou radiofônica, essencialmente.
Para García Canclini, a cidade transforma-se no núcleo da modernidade, porque é o lugar da observação. A cidade, por sua dimensão, foge das pequenas relações estabelecidas dentro do espaço do campo. O indivíduo em suas relações pode passar ao anonimato sem se dar conta. O processo de mudança da cidade antiga para a moderna não ocorre de modo linear, nem de forma única; fatores como a alteridade fazem a diferença. O esplendor ou a decadência de uma cidade depende dos mesmos sujeitos que a compõem.
Uma segunda acepção para o conceito, de longa tradição para García Canclini (1999, p. 70), baseia-se nos critérios geográficos e espaciais estabelecidos pela Escola de Chicago. Segundo Wirth, um de seus representantes, a cidade seria um espaço permanente, extenso e com indivíduos socialmente heterogêneos. Mas, segundo García Canclini, tal definição também não dá conta dos processos históricos e sociais que perpassam a estrutura urbana de uma cidade.
Um terceiro conceito define a cidade como o resultado do processo de desenvolvimento industrial e de concentração capitalista. Desse modo, a cidade proporciona uma organização e racionalização da vida social de certa época. Para o sociólogo espanhol Manuel Castells, no livro La
cuestión urbana, tal definição não inclui aspectos ideológicos e sociais.
As cidades não são somente um fenômeno físico, um modo de ocupar o espaço, de se aglomerar, mas também lugares onde ocorrem fenômenos expressivos que entram em tensão com a racionalização, com as pretensões de racionalizar a vida social121.
García Canclini parece concordar com o conceito do teórico Antonio Mela, quando este, na revista Diálogos, apresenta duas características que definem a cidade, uma é a capacidade de interação entre sujeitos e a outra é a velocidade dessa troca de informações dentro de seus limites físicos. Mesmo assim, em seguida, o teórico assegura que todos os critérios levantados para desvelar a noção de cidade continuam não definindo com exatidão seu conceito.
O teórico apresenta o conceito de “megaciudades” para fazer referência às cidades que interagem com outras e as incorporam em seu centro. Tal classificação inclui, além da dimensão territorial, fatores como o crescimento populacional, a complexa rede multicultural, a heterogeneidade, o número de imigrantes de diversas regiões do país e de outras nacionalidades. Podemos dizer que esses espaços passam da concepção de cidade para mega cidade, inclusive, do ponto de vista cultural. Como exemplos de mega cidades, García Canclini cita Nova York e Londres, ambas a partir de 1950, e Los Ángeles, Cidade do México, Paris, Moscou, São Paulo, Tokio e Buenos Aires, a partir de 1970, época essa de dispersão territorial e crise nas cidades que começam a ser poli- nucleadas.
Ao mencionar a interação entre múltiplas culturas nos espaços urbanos, principalmente pelo resultado das migrações dos mais distintos
grupos, o ensaísta sinaliza que precisamos compreender a
multiculturalidade proporcionada por esses encontros, em que primeiro devemos identificar as características particulares de cada cidade, para depois analisar o conjunto. García Canclini baseia-se no fato de que, no decorrer do tempo, as cidades surgem umas sobre as outras, de forma que, para compreender um determinado espaço, se faz necessário
121
“Las ciudades no son sólo un fenómeno físico, un modo de ocupar el espacio, de aglomerarse, sino también lugares donde suceden fenómenos expresivos que entran en tensión con la racionalización, con las pretensiones de racionalizar la vida social”. [Tradução nossa]
desvendar primeiro as cidades que existiram naquela do tempo presente. Além dessa “multiculturalidad” presente nas cidades hispano-americanas, García Canclini destaca o aspecto de “multietnicidad” aparente nas mesmas pela coexistência de distintos grupos étnicos em decorrência de inúmeras imigrações em terras americanas.
A partir de sua concepção de cidade e para ilustrar a multiculturalidade urbana, García Canclini visualiza a existência de três cidades sob a capital mexicana da atualidade. A primeira cidade é a ‘histórico-territorial’, já que a Cidade do México ergueu-se sobre as ruínas de uma cidade indígena, ou seja, sobre a arquitetura de Tenochtitlán, capital do Império Asteca, fundada em 1325. O pesquisador ressalta a presença visível de uma sobreposição de imaginários ao percorrer suas ruas e visualizar seus edifícios e construções arquitetônicas.
A segunda cidade recebe o nome de ‘industrial’, porque a capital do país é uma cidade que surge com o intuito de apagar os limites da cidade real, devido ao seu crescimento industrial, à expansão de suas fábricas, à presença de bairros para trabalhadores, aos transportes e aos serviços. Essa cidade modifica os usos do espaço urbano, ou seja, a cidade passa a apresentar múltiplos centros. Perde-se o único centro histórico. Um desses novos centros, por exemplo, passa a ser o shopping center.
Conforme García Canclini, temos, devido a esta descentralização, cada vez mais a idéia de não sabermos os verdadeiros limites da cidade: onde começa, onde termina, onde estamos. Tal fator é o responsável pela perda da coletividade e solidariedade nos espaços sociais; o sujeito deixa de pertencer a uma comunidade. A necessidade de compreender a crise urbana e a desagregação do espaço social levou o teórico a visualizar uma terceira cidade.
A terceira cidade nomeada de ‘informacional’ ou ‘comunicacional’, como o próprio nome revela, é a cidade que se comunica com diversos outros espaços; conecta-se dentro de si mesma e com o estrangeiro, não somente através dos transportes terrestres e aéreos, do correio e do telefone, mas também pelo cabo, fax, satélites e internet. Essa
cidade caracteriza-se pela automatização do homem, que, aos poucos, perde sua identidade nacional. A industrialização deixa de ser o agente econômico mais dinâmico do desenvolvimento das cidades. Apesar de visualizar a capital como a cidade da informação, o crítico também expõe que a interação se faz cada vez mais difícil devido aos problemas da mesma.
Em síntese, García Canclini resume as classificações para a