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CHAPTER 2. RELATED WORK
A reflexão proposta para esta seção busca alicerçar-se criticamente no debate da teoria weberiana sobre as relações entre economia e sociedade, assim como na atualização contemporânea desse debate, recolocando a discussão centrada nas condições sociais, que são condições econãmicas estratégicas, ante a premência da sustentabilidade e do desenvolvimento social responsável, para a conciliação humanizadora do capital na contemporaneidade.
A revisão da teoria weberiana aponta para a crítica da determinação social da economia, possibilitando compreender as práticas sociais que configuram a ambiência necessária para o estabelecimento das ações econãmicas, como formas de luta social. A noção weberiana de que a ação econãmica age como uma construção social evidencia o papel fundamental dos aspectos sociológicos para a estruturação econãmica. Isso significa, sobretudo, o entendimento da ação econãmica como uma construção social, envolvendo os aspectos sociais, culturais e políticos aos aspectos econãmicos. Weber opõe-se à teoria marxiana, com fulcro na suposta dificuldade de aplicar-se à abstração metodológica marxiana variáveis sociais concretas, o que considera uma redução do papel dos comportamentos individuais, culturais e políticos nas ações econãmicas, compreendidas como construções sociais.
Assim, combate um suposto determinismo econãmico sobre a sociedade, erroneamente identificado na superestrutura marxiana, que, pelo contrário, possui posições críticas dialéticas e, essencialmente, dinâmicas e sociais.
Nesse sentido, a discussão weberiana, mediante a chamada sociologia econãmica, compreende o funcionamento econãmico através dessas dimensões sociológicas, que agem como forças sociais na ação econãmica. A sociologia econãmica weberiana, segundo Swedberg (2005, p.289), surge com a publicação de " ) * de Weber, no início da década de 1920. A princípio, os estudos de Weber não proporcionaram o alcance necessário para a constituição do campo teórico da sociologia econãmica na sociologia geral, tendo influenciando de maneira mais significativa a discussão teórica de Sombart e Schumpeter, dos ciclos econãmicos motivados pela inovação. A partir da década de 1960, Parsons e Smelser retomam a sociologia econãmica weberiana, aplicando-a na análise dos temas econãmicos, como estudos do consumidor, sociologia industrial e estudos de estratificação. Para Swedberg (2005, p.287), a sociologia econãmica weberiana pode ser descrita pelos seguintes pressupostos teóricos. A categoria de análise é a “ação social econãmica”, motivada pelo interesse, estando orientada para a utilidade e para o comportamento dos outros, bem como hábitos e emoções podem influenciar a ação social econãmica. Por pressuposto, a ação econãmica é racional; entretanto, a ação tradicional ou a afetiva pode explicar os fatos reais que o modelo racional não alcança. A luta caracteriza as relações socioeconãmicas; por sua vez, a dominação é própria ao sistema produtivo e político. A sociologia econãmica estuda os comportamentos econãmicos e as influências não econãmicas. E, por fim, os estudos econãmicos devem ser abordados de maneira multidisciplinar.
A fim de analisar as relações entre economia e sociedade, Weber elabora um certo tipo de “individualismo metodológico e do sentido” para a compreensão sociológica e econãmica, como sugere Swedberg (2005, p.286). O individualismo metodológico de Weber possui uma natureza mais social que atomista, contrastando com a noção de sujeito econãmico fracionado e racionalizado (2 " " ) da teoria econãmica clássica. Assim, a perspectiva weberiana propõe que os indivíduos interajam movidos pelos interesses materiais ou ideais, orientando racionalmente suas ações sociais, uns para os outros, o que acaba por influenciar os próprios comportamentos sociais gerais. Nas palavras de Weber (2009, p.5), “a ação social é uma ação na qual o sentido pensado pelo sujeito ou sujeitos está referido à conduta dos outros e por ela se orienta no desenvolvimento da ação."
Swedberg (2005, p.59) esclarece ainda que, para a sociologia econãmica weberiana, as ações econãmicas compreendem simultaneamente dimensões racionais e emocionais, que são caracterizadas, respectivamente, como relações associativas e comunais. As relações associativas são relacionadas aos acordos racionais que envolvem interesses, enquanto as relações comunais implicam um sentimento de pertencimento a um determinado grupo. Por sua vez, essa abordagem weberiana, que situa o papel da racionalidade e dos interesses nos comportamentos sociais, conduz à reflexão sobre relações de poder e dominação na vida social e suas práticas econãmicas.
Em linhas gerais, para Weber (2009, p.16), poder significa “qualquer oportunidade de, numa relação social, impãr a própria vontade contra resistências alheias”, ou seja, ter poder é o mesmo que vencer a luta (social) ou, inversamente, entrar nessa luta já com oportunidades melhores do que os outros. A dominação é “a probabilidade de que uma ordem com um teor específico seja obedecida por um grupo de pessoas”. Cumpre ressaltar, no âmbito das citadas definições conceituais de poder e dominação, o pressuposto weberiano da luta e seus correlatos, concorrência e seleção. Nesse sentido, a luta caracteriza-se por uma ação orientada para a imposição da própria vontade contra a resistência alheia. A concorrência corresponde à luta pacífica, sem violência física, pelo controle de oportunidades que outros também almejam. E, por fim, a seleção é um tipo de luta em que o antagonismo é latente, não intencional, e as ações não se dirigem diretamente contra outros indivíduos ou grupos sociais.
Swedberg (2005, p.61), recorrendo ainda à concepção apresentada acima, de que a dominação não ocorre em si mesma, mas devido à luta ante um conjunto de interesses ou de autoridades que se estabelecem em um mercado, afirma: “em síntese, no mercado não existe um princípio de dominação, contudo os agentes que possuem o ‘poder de controlar e dispor’ estão numa posição vantajosa.” Baseando-se nessas definições, Swedberg (2005, p.60) compreende que as organizações produtivas são sistemas de dominação nos seguintes termos: “todo sistema político, observa Weber, baseia-se, de alguma forma, na dominação, e como uma economia em geral faz parte do sistema político, tende a operar de acordo com o mesmo tipo de dominação política.” Assim, a análise dos comportamentos é fundamental para a compreensão dos interesses que se colocam em uma dada ação social, assim como para o entendimento dessas circunstâncias que configuram poder, a fim de constituir oportunidades econãmicas, estabelecendo formas de dominação nas relações entre sociedade e economia. Por sua vez, Swedberg (2005, p.286) aponta justamente para a relevância das dimensões comportamentais individuais na pesquisa social, afirmando que “uma tarefa principal do pesquisador, tanto da sociologia geral quanto da sociologia
econãmica é [...] descobrir o mecanismo por meio do qual uma série de ações individuais se transforma em ações sociais coletivas de um novo tipo”. Dessa forma, pode-se inferir que a análise dos comportamentos individuais serve à análise social da ação econãmica, especialmente, na perspectiva do individualismo metodológico weberiano, em que o comportamento é uma forma de comportamento dirigido e orientado para o outro, agindo na constituição e continuidade das relações de poder e dominação econãmica na vida social e sobre os mercados.
A identificação das estruturas sociais e suas inserções e interações nas estruturas econãmicas vigentes está presente na agenda de pesquisa de muitas investigações atuais, na teoria social contemporânea, sobretudo, pela abordagem da nova sociologia econãmica (NSE). Segundo Swedberg (2005, p.289), a partir da década de 1980, tem ocorrido uma releitura da sociologia econãmica weberiana, consequentemente os conceitos weberianos, em uma discussão crítica ampliada, ganham maior visibilidade, principalmente pela influência da vertente norte-americana, com os trabalhos dos sociólogos americanos White, Coleman, Stinchcombe, Burt e Granovetter. Herdeira da sociologia econãmica weberiana, essa abordagem contemporânea envolve tanto aspectos sociais e culturais quanto aspectos propriamente econãmicos relacionados às funções organizacionais da produção como planejamento, organização e direção, e fatores mercadológicos associados à circulação de mercadorias e ao consumo.
Em linhas gerais, a releitura contemporânea da sociologia econãmica, para Swedberg (2005, p.290), pode ser descrita pelos seguintes pressupostos teóricos. Os comportamentos econãmicos estão imersos nas estruturas sociais, por meio das redes de que participam, noção que parte de Polanyi, e que é amplamente difundida por Granovetter (2007). A economia é uma construção social, pressuposto que parte de Berger e Luckman (1966). A racionalidade não é um pressuposto real, a estrutura social necessita participar da análise econãmica para a compreensão do real. A sociologia econãmica contemporânea busca tratar mais do sistema econãmico que da economia propriamente dita e suas interações com a sociedade. O paradigma do novo implica um afastamento da história econãmica tradicional, que é tratada em segundo plano pela maior parte das abordagens contemporâneas da sociologia econãmica.
Por outro lado, Lévesque (2007) sintetiza as diversas abordagens da nova sociologia econãmica pelas correntes críticas de língua inglesa e francesa, buscando compreender esse recente campo teórico em sua ampla expansão na teoria social contemporânea. Assim, o panorama da nova sociologia econãmica proposto por Lévesque (2007, p.51)
compreende, na abordagem de língua francesa: o " / A ) * atuando contra o utilitarismo e afirmando o paradigma da dádiva (Caillé e Godbout); a " B , baseando-se na economia plural, incorporando aspectos não- monetários às ações econãmicas (Laville e Roustang); os ' , relacionando as Instituições aos compromissos sociais em modelos de desenvolvimento (Anglietta, Boyer e Lipietz); a " 8 , relacionando escalas produtivas e cidades (Boltanski, Chapielo, Thévenot); e a " ;C , relacionando produção e mercado como forma de organização socioeconãmica (Fevereau, Orléau, Salais). Por sua vez, na abordagem de língua inglesa, estão relacionadas: a ) D" * pela noção de redes e imersão social nos contextos socioeconãmicos (Granovetter);
2 " * envolvendo os sistemas sociais de inovação (Nelson, Winter, Dosi, Freeman); * com as noções de governança e democracia social (Schimitter e Streck, Hollingsworth); * pela bifurcação e especialização flexível (Piore, Sabel, Hodgson) e ) " , em uma nova disciplina e dupla dimensão da economia (Etzioni, Lawrence e Coughlin).
Diante desse amplo conjunto de abordagens da nova sociologia econãmica, apresentado acima, importa para o presente trabalho destacar a vertente da Economia social e solidária8, pela forte presença dessa abordagem na teoria social contemporânea brasileira e sul- americana, como também pelo significativo conjunto de ações práticas relacionadas a essa abordagem teórico-prática. Além disso, na perspectiva conjuntural que se apresenta agora, com a delimitação crítica do campo teórico-prático da nova sociologia econãmica, é importante considerar que, na teoria social contemporânea, a economia social e solidária é abordada tanto na perspectiva de uma conciliação quanto de uma superação do capital. Entretanto, é mais recorrente a noção conciliadora da economia social e solidária, compreendendo as suas práticas socioeconãmicas como uma espécie de humanização da relação capital-trabalho e a minimização dos seus efeitos sobre a economia e a sociedade. Por sua vez, essa noção baseia-se nos fundamentos weberianos, subvertendo o paradigma da determinação social da economia, para inserir as práticas da economia social e solidária no contexto das políticas neoliberais, apresentadas anteriormente. Com isso, a amplitude social de suas bases econãmicas solidárias e autogestionárias é reduzida ao atendimento pragmático dos desfavorecidos do capital para a resolução imediata de problemas econãmicos de ordem prática e imediata, como a geração de trabalho e renda e acesso à moradia, “incluindo” as pessoas na contabilidade geral dos custos sociais e ambientais. Essa condição favorece a própria reprodução do capital, fortalecendo a flexibilização do
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Ver aprofundamento teórico dessa discussão, neste trabalho, no Capítulo 6, “Cultura produtiva autogestionária”, na Seção 6.1- “Outra economia e sociedade”, p.108.
trabalho e desonerando o Estado de responsabilidades relacionadas aos serviços públicos que garantem bem-estar social. Assim, ressalto que a análise da economia social e solidária, no contexto do marco teórico weberiano, significa compreender as bases teóricas que situam a economia social nessa posição de conciliação com o capital, o que não significa afirmar tacitamente a inclusão desta tese neste marco teórico weberiano. Ao contrário, como será visto adiante, a economia social e solidária apresenta-se melhor situada no marco teórico marxiano, numa perspectiva de superação do capital, a qual se referem os fundamentos e proposições teórico-práticas desta tese acadêmica.
Retomando a discussão proposta por Lévesque (2007) no delineamento da nova sociologia econãmica na teoria social contemporânea, é importante considerar o contexto em que Lévesque insere as abordagens da NSE. Segundo Lévesque (2007, p.110), as abordagens acima relacionadas estão em um conjunto de diferentes direcionamentos teóricos no âmbito das transformações socioeconãmicas contemporâneas, considerando o contexto atual, como um contexto de uma “grande transformação em curso”, dirigido ao “desenvolvimento sustentável”, no qual se configuram “oportunidades para pensar de outra maneira o desenvolvimento econãmico”. Em linhas gerais, esse debate tem ganhado forte presença na teoria social contemporânea, no momento em que o trabalho é flexibilizado, e o emprego entra em franca redução no contexto mundial. Além disso, as novas tecnologias informacionais favorecem a mobilidade dos capitais, reposicionando as abrangências entre o local e o global. Contexto em que o papel do conhecimento e da interação social no desenvolvimento econãmico é cada vez mais evidente, influenciando as transformações produtivas e sua reprodução social. Nesse sentido, Lévesque (2007, p.110) identifica quatro vertentes contemporâneas, relacionadas à crítica social, escala local e global, economia do conhecimento e sociedade de risco. Com relação à primeira vertente destaca-se uma dupla crítica, surgida nos fins dos anos 1960, a chamada “crítica social”, que se propõe “corretiva ao capitalismo industrial”, e uma “crítica artística”, que se propõe “radical” à crítica da produção capitalista, contraposta à autonomia e emancipação social9. Nessa primeira vertente, Lévesque aponta para o prolongamento da crítica social pela discussão contemporânea dos “ambientalistas”, destacando Boltanski e Capiello (1999) na discussão
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É importante destacar no protagonismo da crítica artística, na década de 1960, os autores da teoria crítica, como Adorno e Horkeimer, especialmente no que concerne à crítica da produção capitalista contraposta à auotonomia e emancipação, por uma abordagem filosófica-social, que discute relações de dominação econãmica, poder e sociedade, em um viés de radicalidade crítica de base teórica marxiana. Por sua vez, nesta tese, esse viés teórico é identificado como uma perspectiva de superação do capital. Destaco ainda o não aprofundamento dessa discussão por Lévesque, que não menciona as bases teóricas da dupla crítica inciada na década de 1960. O autor apresenta apenas referências ao prolongamento “ambientalista”, que corresponde, ao meu ver, a uma posição “corretiva” do capitalismo, dessa forma, afirmativa ao prolongamento da crítica social e oposta ao prolongamento da crítica artística.
do novo espírito do capitalismo contemporâneo, identificado na atuação do capitalismo em rede. A segunda vertente é uma crítica da nova relação entre o “local e o global”, relacionando a escala global à “financeirização” e às demandas por novas regulações do mercado. Nessa segunda vertente, Lévesque inclui as contribuições teóricas de Sousa Santos (2001) e Zimmerman (2005). A terceira vertente relaciona-se à “nova economia” baseada no conhecimento e na interação social, com novas tecnologias da informação e seu caráter relacional. Nessa terceira vertente, Lévesque inclui Gadrey (1996). A quarta vertente refere-se à crítica da “sociedade de risco”, enfatizando a discussão sobre o desenvolvimento sustentável, os limites da ação da racionalidade tecnocientífica sobre o meio ambiente, o terceiro setor e a “modernização reflexiva”. Nessa quarta vertente, Lévesque aponta respectivamente para os trabalhos de Beck (2001) e Giddens (1994).
Por outro lado, Swedberg (2005) considera que, do ponto de vista das implicações políticas, a retomada contemporânea da sociologia econãmica é mais empobrecida que a concepção weberiana original. Na contemporaneidade, há uma revisitação dos conceitos weberianos, na formulação da sociologia econãmica contemporânea, sem, contudo, alterá-los substancialmente em uma “nova” sociologia econãmica que se dirige à sociedade e economia contemporânea. Esse breve detalhamento importa aqui, porque justamente essa retomada “empobrecida” da nova sociologia econãmica é a corrente que tem exercido maior influência na teoria social contemporânea brasileira, através das proposições teóricas da nova sociologia econãmica norte-americana, mais especificamente, pelas proposições teóricas de Granovetter (2007), amplamente difundidas pelos conceitos de imersão e redes. Além disso, esses conceitos adiante serão abordados em outras perspectivas relacionadas ao campo teórico-prático da cultura produtiva autogestionária.
Para Granovetter (2007, p.7-9), na dinâmica socioeconãmica, “ações com propósito estão imersas em sistemas concretos e contínuos de relações sociais". Partindo desse pressuposto, o autor considera que os atores econãmicos não estão em um contexto supersocializado, onde “adotam de forma servil um roteiro escrito para eles”, nem tampouco estão em um contexto subsocializado, em que se comportam “como átomos fora de um contexto social”, em função do pertencimento a determinada categoria, classe ou grupo social. Nesse sentido, a elaboração do conceito de imersão 4 " 5EF objetiva questionar todo tipo de concepção utilitarista que considera a influência social como uma
10 O conceito " , de Mark Granovetter, é traduzido para a língua portuguesa como
imersão ou imbricação. No texto de Swedberg (2005), é utilizado o termo como imbricação. Entretanto, no texto de Granovetter (2007), é adotado o termo imersão, que é também mais recorrente na teoria social contemporânea brasileira. Por esse motivo, adoto, nesta tese, o termo imersão.
força externa ao sistema econãmico, e atribui ao sujeito econãmico uma racionalidade também puramente econãmica. Dessa forma, esquemas abstratos e racionalizados referentes ao 2 " " são recusados* verificando-se a inconsistência dos pressupostos da pura racionalidade nas ações socioeconãmicas concretas. Essa oposição ocorre, em especial, com relação à recorrente noção de que as oportunidades econãmicas estariam ligadas apenas à lógica concorrencial dos mercados e às suas hierarquias, organizadas pela racionalidade dos agentes econãmicos. Por sua vez, essa elaboração do conceito de imersão conduz Granovetter (2007) à formulação do conceito de redes, afirmando a imersão como condição pela qual os comportamentos influenciam e são influenciados nas contínuas relações sociais em que se encontram imersos. A imersão dos atores econãmicos em determinados contextos sociais permite estruturar redes favoráveis ao estabelecimento da confiança para a afirmação e reprodução da ação econãmica. Assim, as redes constituem conjuntos de alianças, em várias direções e níveis, que formam uma espécie de trama para a durabilidade das relações econãmicas. Nessa trama, são estabelecidos acordos intercooperativos, que geram condições sociais estratégicas para as ações econãmicas. Assim, reputação, reciprocidade e interdependência constituem moedas sociais, não monetárias, que agem como capitais sociais na formação dos laços e das alianças para o estabelecimento da confiança e fortalecimento das relações socioeconãmicas em redes de intercooperação socioprodutiva.
Swedberg (2005, p.291) critica a nova sociologia econãmica, considerando que o conceito de imersão tem sido usado, na contemporaneidade, de maneira imprecisa, e que a noção de ação econãmica de Weber, relacionada aos , tem um alicerce teórico-crítico mais sólido. Para Swedberg, embora Granovetter dê muita atenção às formas de imbricação entre as dimensões social e econãmica, deixa de considerar a dimensão política relacionada à imersão das práticas socioeconãmicas; o que significa, em certa medida, uma submissão às relações de poder e dominação aí implicadas. Por essa reflexão, percebe-se claramente uma posição conciliadora ao posicionamento crítico de Granovetter, aplicado aos conceitos de imersão e redes.
Entretanto, cabe ressaltar que não são os conceitos em si que garantem ou permitem práticas sociais de conciliação ou superação. Mas, antes, o posicionamento dos atores na luta social para o estabelecimento dos interesses econãmicos, sobretudo, no que tange as relações de poder e dominação, conexas à luta social, conforme a noção weberiana apresentada anteriormente. Sem uma consciência crítica da dominação econãmica, em que se encontram imersos os comportamentos e as redes, os atores econãmicos podem afirmar- se agentes de conciliação ou de superação do capital.