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ARCHITECTURE 5.4. COMPUTATION NODES

Reducing transferred state

CHAPTER 5. ARCHITECTURE 5.4. COMPUTATION NODES

Pelas análises realizadas até o momento, destaco a noção da autogestão na abertura de um caminho de transformação social e para uma reordenação social total, uma vez que se configura como uma forma social capaz de constituir-se em “um novo modo de produção”. Reforço, nessa perspectiva crítica, a noção de Lefebvre (2008, p.48) da produção como forma de “produção de relações sociais e re-produção de determinadas relações”, propondo a sua base teórica de formulação da noção social totalizadora da produção do espaço.

Nesse contexto, enfatizo que o sentido de autogestão proposto por Lefebvre como forma de transformação e emancipação social passa pela formulação de um modo de produção autogestionário. Consequentemente, esse modo de produção reproduz-se por meio de uma respectiva cultura produtiva autogestionária, que pressupõe o exercício da autonomia em uma dada coletividade sociprodutiva, engendrando novas formas libertárias de produção social do espaço.

Assim, nesta tese acadêmica, proponho o termo cultura produtiva, a fim de analisar amplamente as interações de conceitos sociológicos, políticos, econãmicos, culturais e organizacionais, relacionados à cultura do trabalho, cultura técnica, cultura organizacional, sistemas produtivos e suas relações sociais de produção. Em suma, a noção de cultura produtiva que proponho abarca todos esses termos, referindo-se às práticas socioprodutivas e seus respectivos elementos sociais, que configuram os aspectos culturais imersos na produção, os quais participam da reprodução cultural como forma de reprodução social do trabalho e da produção propriamente dita na produção social do espaço.

Nesse sentido, a cultura produtiva implica essencialmente modos culturais de trabalhar e produzir socialmente, reproduzindo-se as relações de produção na vida social, por meio de ações socialmente situadas na produção do espaço, garantindo a reprodução social das próprias relações culturais de produção e das forças socioprodutivas envolvidas. Essa proposição teórica compreende fundamentalmente a noção lefebvriana de produção e se estende a outras perspectivas teóricas com a dimensão da cultura incorporada à crítica da produção do espaço.

Dessa forma, a partir da concepção de Bosi (2010, p.16), extraio o entendimento do termo cultura como um “conjunto das práticas, das técnicas, dos símbolos e dos valores que se devem transmitir às novas gerações para garantir a reprodução de um estado de

coexistência social.” Por sua vez, na concepção de Bourdieu, isso compreende essencialmente a noção de reprodução cultural como reprodução social, que se dirige às formas de reprodução das relações sociais de produção dominantes e às estratégias de poder e dominação exercidas cultural e socialmente pelas classes sociais.

Assim, emprego o termo cultura produtiva principalmente pela aproximação teórica ao conceito de 2 , que evidencia as disposições e estruturas sociais em que se encontram inseridos o trabalho e a produção bem como a perspectiva do espaço social de sua constituição e reprodução social, conformando a noção correlata de " na vida cotidiana, fundamentalmente relativa ao espaço social em que o 2 ocorre e se desenvolve.

Em linhas gerais, para Bourdieu (2011, p.296), o conceito de 2 refere-se sistema social de disposições em que se estabelece a mediação entre a dinâmica das estruturas sociais, políticas e econãmicas com as práticas socioprodutivas. Dessa forma, o 2 para Bourdieu (1983, p.46) é um fenãmeno social, que pode ser analisado a partir de seu princípio estruturador como prática social.

A prática é a forma social do 2 para sua reprodução cultural e social, por meio da dinâmica das estruturas culturais e condicionamentos sociais dominantes, inseridos nos comportamentos dos atores sociais e dos agentes socioeconãmicos em um dado contexto “praxiológico”, que incorpora sua forma social dialética.

A prática é, ao mesmo tempo, necessária e relativamente autãnoma em relação à situação considerada em sua imediatidade pontual, porque ela e o produto da relação dialética entre uma situação e um 2 — entendido como urn sistema de disposições duráveis e transponíveis que, integrando todas as experiências passadas, funciona a cada momento como uma

" 83 ;C * ;C ;C — e torna possível a

realização de tarefas infinitamente diferenciadas, graças às transferências analógicas de esquemas, que permitem resolver os problemas da mesma forma, e às correlações incessantes dos resultados obtidos, daileticamente produzidos por esses resultados (BOURDIEU, 1983, p.65).

Nesse sentido, determinadas práticas culturais tornadas 2 de uma dada cultura produtiva orientam as próprias práticas socioprodutivas, o desenvolvimento das tecnologias e toda sorte de arranjos sociopolíticos e socioeconãmicos relacionados às práticas sociais em uma afirmação cultural e social que é cíclica, por isso, tautológica, em sua reprodução socialmente continuada e reafirmada na cotidianidade. Para Ortiz (1983, p.15), o “2 tende, portanto, a conformar e a orientar a ação, mas, na medida em que é produto das

relações sociais, ele tende a assegurar a reprodução dessas relações objetivas que o engedraram”.

Se, em Bourdieu (1983), o 2 refere-se à análise crítica das atitudes socioculturais dominantes, que são capazes de estruturar as representações socioeconãmicas da vida cotidiana; em seu contraponto, o próprio conceito de 2 serve também à transformação social como “disposição transponível”, mediante a transformação das próprias práticas sociais por outras práticas afirmadas em outras estruturas sociais e seus mecanismos incorporados a um determinado “campo social".

Assim, o conceito de 2 possui o conceito correlato de “campo social”, em que Bourdieu (1989, p.64) percebe o fenãmeno social no seu “campo de produção como espaço social de relações objetivas”. Dessa forma, o campo social relacionado à cultura produtiva considera o espaço social conexo à formulação do 2 na dinâmica das relações e estruturas sociais autãnomas. O campo social é, portanto, um espaço social de luta e disputa entre os atores pelo poder de produzir, reproduzir, utliizar e manter a dominação dos 2 em seu respectivo campo de inserção social.

Nesse sentido, a cultura produtiva implica os modos culturais incorporados que agem na produção e reprodução das relações sociais de produção na vida cotidiana, por meio de ações concretas, materiais, imateriais e relacionais, socialmente situadas no espaço. Dessa forma, a crítica da cultura produtiva coloca-se como um instrumento teórico de análise do fenãmeno social do trabalho e da produção que transformam a vida social, a economia e a sociedade na produção do espaço.

Apesar de toda a complexidade teórico-prática em discussão, parece somente haver, na produção do espaço, apenas dois caminhos possíveis para as ações sociais da cultura produtiva, que podem ser situados nas práticas socioprodutivas heterogestionárias em contraposição às práticas socioprodutivas autogestionárias. Em linhas gerais, essa dualidade entre heterogestão e autogestão como formulações estruturantes da vida social constitui premissas fundamentais para a elaboração crítica desta tese acadêmica.

Por esse raciocínio, a cultura produtiva pode estar em uma condição produtiva heterãnoma, que controla hierarquicamente e divide socialmente o trabalho, submetendo a produção a constrangimentos externos. Decorre disso que, na vida social e, consequentemente, na produção social do espaço, haja a predominância de uma condição socioprodutiva heterãnoma, que aliena, controla hierarquicamente e divide socialmente o trabalho,

submetendo a produção, o espaço e a vida cotidiana a uma externalidade normativa, totalitária, que, por sua vez, reproduz socialmente formas de alienação, controle e privilégios de classe.

Por outro lado, a cultura produtiva pode estar em uma condição socioprodutiva autãnoma, que autogestiona democraticamente o trabalho e a produção em formas de autodeterminação e autonomia coletiva, que autogestiona as relações de produção com princípios de autonomia, autogestão, reciprocidade e democracia em uma construção social auto-normativa e libertária, em cujas relações sociais existem capacidades de promover-se justiça social.

Em ambos os casos reproduzem-se socialmente suas relações sociais de produção na produção do espaço. Assim, a crítica da cultura produtiva que proponho, localizada na crítica da produção social do espaço, pode ser um instrumento teórico para a análise das formas sociais de reprodução das relações de produção, identificando os pontos fortes e fracos da sociedade e suas correspondentes estruturas sócio-econãmico-espaciais de reprodução cultural e social na vida cotidiana.

Assim, nos capítulos seguintes, passo a um aprofundamento crítico da cultura produtiva heterogestionária e da cultura produtiva autogestionária num recorte teórico localizado no campo social da construção civil brasileira, investigando as formas socioeconãmicas de reprodução socioprodutiva e consequentes encaminhamentos para formas sociais totalitárias ou emancipatórias na produção do espaço.