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Relasjoner mellom voksne og barn i skolen

3.6 Relasjon og kommunikasjon

3.6.1 Relasjoner mellom voksne og barn i skolen

Mas voltemos àquilo que foi listado e inserido no texto. Como afirmei, há dez fontes para as frases usadas; isso significa que não se tratava de um estudo sobre amor, traição, reformulação do passado ou ações inesperadas. Temos frases que estavam em cadernos cheios de títulos e outras em estudos sobre moda, habitação, provérbios, entre outros.

Interessante que as frases no texto parecem ter sido criadas organicamente para a construção de sentido. É o caso da descrição do modo como Livíria volta para o amante. Vejamos o contexto onde está inserida no manuscrito:

99 m% – (trepidava) com instantaneidades (T E R T O)

m% – o branco bole-bole (da roupa na corda)

m% – com dengos e fofos de bandeira ao vento (à brisa) – “Desenrêdo”

m% – (pomba, ao pousar) abre as mãosasas, espalma-se (contra a parede, a cornija) m% – (passarinho) se pendurica <ileg.>

m% – flor no penduricalhar-se

Nesse recorte talvez pareça que a listagem tenha alguma uniformidade de tema – tudo gira em torno de imagens de coisas penduradas, presas e soltas simultaneamente. Mas não podemos nos esquecer de que o manuscrito tem diversas outras frases (36 no total) e basta mostrar o que vem antes e depois dessa passagem para vermos a diversidade de elementos:

m% – indesintegrável m% – paredes cartilaginosas

m% – um rústico cumprimento do dever Burrinho do Comandante? m% – fantasma hialino

m% – coagular-se (do fantasma) x m% – o fantasma re-revelou-se x m% – o fantasma : geléia gasosa x m% – pernambucôco

... m% – um rubro lagostoso

g

m% – (locomotiva) fa ulhífera

m% – ela era uma glória verde (digo : seus olhos) (m% – um narizinho que-carícia) Partida do Audaz Navegante m% – nariz biconvexo

Os traços sobre fantasmas passam sem nenhuma mediação para o termo “pernambucôco” e este antecede os trechos com imagens de coisas pendentes; logo depois temos as expressões sobre cores (rubro e verde) e traços de descrição de narizes.

Assim, se no fluxo de leitura do conto a descrição do modo como volta Livíria depois da empreitada de Jó Joaquim (“soube-se nua e pura. Veio sem culpa. Voltou, com dengos e fofos de bandeira ao vento”) parece participar organicamente do texto publicado, vemos que sua fonte abriga passagens com temas diversos capazes de participarem de projetos literários completamente diferentes.

Vale ressaltar que dos 44 elementos encontrados, apenas treze foram sutilmente modificadas. Há um grande risco na elaboração de tipologias desses elementos, pois pode ocasionar um mau entendimento quanto à pluralidade do que fora enumerado. Mesmo assim,

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tratarei agora de alguns desses elementos em comum para dar uma visão mais ampla do procedimento de seleção e combinação.

O primeiro tipo de fragmento ao qual gostaria de chamar atenção é o que traz em sua enunciação a maneira como deve ser empregado no texto. Vejamos abaixo alguns exemplos (Anexo II, pp. 215, 216):

m % - com dengos e fofos de bandeira ao vento (à brisa) - “Desenrêdo" m % - e a prova se irrefuta Pulso ( “Desenrêdo": e qualquer causa se irrefuta) - “Desenrêdo"

m % – (Era) infinitamente maio,“Desenrêdo"

No primeiro caso, na imagem inesperada vemos a determinação quanto ao caráter de fragmento, pois dá-se como continuação de outro sintagma, qualificando-o. A imagética associada ao modo carinhoso e sutil deverá encontrar algo a qualificar, invertendo o caminho que imaginamos ser comum: primeiro determinamos o que será qualificado e depois suas qualidades. No conto, é Livíria que volta para Jó Joaquim sem culpa e com todo esse carinho associado à liberdade (bandeira ao vento) de quem nada deve à ninguém.

No segundo exemplo, o enunciado é apresentado como continuidade aditiva ou conclusiva de outro. Além disso, vemos na notação a lápis as indicações de uso (primeiro indica que usou no periódico Pulso, para depois informar o nome do conto) e a modificação feita para a inserção no conto “haja o absoluto amar – e qualquer causa se irrefuta”. Na modificação das palavras prova por causa oculta-se ao leitor essa afirmação de um julgamento que teve provas apresentadas; em “Desenredo” produz-se uma ambiguidade, pois o termo causa ainda contém uma semântica jurídica (no sentido de conjunto de interesses de alguém; o motivo para criar uma ação ou o processo em si), mas também pode ser lido como aquilo por que se faz algo, ou seja, o que move um ato para fazer com que algo exista. Assim, está em questão não a produção e interpretação de provas, mas a afirmação de uma motivação

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que produza uma ação irrefutável – logo, permanece o eco de uma definição jurídica, mas produz indeterminação quando a expressão é combinada no contexto do amor que desestabiliza o conhecimento histórico.

No último fragmento, temos a designação de um tempo simultaneamente à sua diluição: mesmo afirmando um mês, maio, que é uma passagem de tempo determinado e, logo, limitado, o advérbio aponta para seu contrário, já que sua grandeza incalculável explode os limites de demarcação temporal. No manuscrito, indica-se a disponibilidade do emprego verbal antes dessa construção paradoxal (m % – (Era) infinitamente maio,), talvez marcando a possibilidade de acentuar ou não a indeterminação residente no verbo. No conto, essa passagem é integrada ao momento de enamoramento dos amantes: “sorriram-se, viram-se.

Era infinitamente maio e Jó Joaquim pegou o amor. Enfim, entenderam-se”. A frase ressoa

diferentemente para o leitor de Guimarães Rosa, pois sabemos a importância simbólica desse mês em sua literatura: é nesse mês que o jovem Riobaldo conhece o menino na barra do rio De-Janeiro; é quando ele o revê na casa de Selorico Mendes, agora jagunço e Reinaldo; é quando conhece Otacília e depois quando a revê; já nos últimos parágrafos do livro, é o mês indicado ao seu interlocutor, o Senhor, para ele conhecer Quelemém na Jijujã e compartilhar de sua sabedoria e paciência; em Corpo de Baile há diversas pontuações de maio, por exemplo, em Noites do Sertão, que é o mês dos acontecimentos em torno dos amores de Miguel.

Outro tipo de fragmento buscado por Guimarães Rosa para a composição de “Desenredo” é aquele que tem tom proverbial. Vejamos alguns exemplos (Anexo II, pp. 214, 216):

m % - vá-se a camisa, que não o dela dentro - “Desenrêdo" só

m % – foi Adão dormir, e Eva nascer. – DESENRÊDO

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No primeiro caso temos a reestruturaçao de um provérbio já existente (“vão-se os anéies, ficam-se os dedos”) é modificado e resulta numa imagem inesperada, mas que guarda a estrutura do outro para que lembremos da semelhança e guardemos o essencial de ambos: o que é dispensável pode estar ausente, mas o essencial deve permanecer.

Já nos dois outros exemplos, temos frases que se assemelham estruturalmente a provébios, mas se revelam construções literárias com tom proverbial.

Seguindo uma discursividade própria às verdades encenadas coletivamente, insere no conto tais enunciados através da fala de um narrador que se apresenta como aquele que está narrando algo a ouvintes e, logo, dá conselhos quanto à continuação da história através de comentários.

As personagens bíblicas são trazidas ao conto para antecipar a mudança na vida de Jó Joaquim provocada por Livíria “com elas quem pode, porém? Foi Adão dormir, e Eva nascer” – nota-se que o autor abandona o advérbio só que intensificaria a mudança ocorrida para Adão.

A imagem do último trecho (“m % – Todo abismo é navegável para (a) barquinhos de

papel”) é plástica, entre outras coisas, por seu paradoxo. Tal aspecto é ainda mais acentuado

quando inserido no conto: “então ao rigor geral os dois se sujeitaram, conforme o clandestino amor em sua forma local, conforme o mundo é mundo. Todo abismo é navegável a barquinhos de papel”. Depois de afirmar que os amantes se conformaram ao senso comum do amor proibido, a frase surpreende o leitor com a imagem do incomensurável do abismo sendo vencido pela fragilidade e aspecto lúdico do brinquedo de papel.

Mais uma vez, chamo atenção para esse mecanismo de escrita a partir de uma forma proverbial, pois lança ao leitor o problema entre lembrar – memória do já conhecido cristalizado na forma proverbial por seu caráter coletivo – e romper com sua percepção –

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quebra do já conhecido por apontar para algo que no interior de uma contidianiedade nunca fora percebido.