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Relasjon mellom lærer og elev

In document Når mobbingen er stoppet (sider 22-27)

5. Læringsmiljøets betydning for elever som har vært utsatt for mobbing

5.1 Relasjon mellom lærer og elev

D. Madalena foi uma figura marcante na trajetória escolar e formação das filhas, constituindo-se para elas como o privilegiado suporte material, moral e afetivo de todos os instantes. Mais do que um suporte, ela nos pareceu ser uma “direção”. Segundo Olga, era ela que, inclusive, “traçava o seu destino profissional”, assim como de suas irmãs. Por outro lado, no que tange à sua relação com a escolarização das filhas, ela se define como um incentivo. Propusemos a D. Madalena, numa certa altura da entrevista, que pensasse sobre possíveis explicações para as diferenças entre o rendimento escolar de suas filhas e de filhos dos outros funcionários, do mesmo nível, do Instituto de Educação. Para responder a essa questão, ela centraliza sua reflexão justamente em torno da idéia de incentivo, que entende como sendo: presença constante, diálogo, persuasão acerca do valor do estudo. Ela mostrava para as filhas que a vida era muito difícil e que estudar era

a alternativa que estava ao alcance delas, para escapar à pobreza material. Ela considera

que sua doação total à causa da educação das filhas, constituiu-se como um significativo fator propulsor de seu sucesso escolar:

“A força de estar sempre presente na vida delas; porque eu nunca me ausentei da vida delas, nem um segundo. Até... como se diz... eu... a gente abolia... eu abolí muita coisa na minha vida em favor delas. Eu renunciei... renunciei muita coisa em favor delas, porque elas estavam em fase de crescimento, em fase de educação”.

A estratégia educativa do fechamento familiar de Olga, no contexto da configuração socializadora mais ampla dessa mesma família, constituiu-se, supomos, num elemento importante de seu sucesso escolar e de suas irmãs. Quando eram crianças, D. Madalena não as deixava brincar na rua, mesmo quando Seu Gonçalo ainda era vivo; “eu olhava muito pra esse lado de menino brincar na rua, eu tinha que ficar fora a maior parte do tempo”. Em determinados momentos, quando as condições permitiram,

ela pagou uma moça para tomar conta das filhas, para que ela pusesse trabalhar, principalmente numa época, que elas eram bem pequenas e moravam muito longe, perto de Sabará, cidade circunvizinha de Belo Horizonte. No entanto, foi mais comum elas ficarem sozinhas em casa, sem televisão, mesmo depois de adolescentes. Nesse contexto, elas construíam suas próprias brincadeiras, que, segundo Olga, eram extremamente criativas:

“A gente desenhava as próprias bonecas, e desenhava as roupinhas de papel para as nossas bonecas... a gente construía casinhas de papel pra brincar... Eu e a Natália, a gente brincava com lápis de cor, fazia de conta que os lápis de cor eram bonequinhos... dava sexo às cores... o verde e o azul eram os homens, e a branca, a cor-de-rosa e a amarela eram as mulheres... Então a nossa infância foi muito cheia de brincadeiras interessantes... e de muita leitura também. (...) e a gente cresceu também”.

Essa situação remete-nos a Ballion (1977), sociólogo francês oriundo das camadas populares, que, no prefácio de seu livro L’argent et l’école, desenvolve algumas reflexões de natureza autobiográfica. Depois do divórcio dos pais, sua mãe resolvera constituir com ele uma família estrategicamente “fechada”, caracterizada sobretudo pelo isolamento dos vizinhos. Abordando esse ponto e numa espécie de desabafo, ele considera:

“(...) Começou para mim a solidão. Quando não se pode brincar com os companheiros na rua ou nos terrenos vagos, que fazer, senão ler e trabalhar bem na escola? Por outro lado, era minha parte do contrato: minha mãe se sacrificaria por mim; em troca, eu lhe prestaria uma homenagem, tornando-me alguém, não um operário minable, para mostrar aos outros que, definitivamente, ela tinha razão” (Ballion, 1977, p. 10-11).

No isolamento familiar de Olga, ela e suas irmãs eram muito solidárias umas das outras; solidariedade que era estimulada pela mãe. Sobre isso, Olga declara:

“A mamãe não era aquele tipo que tinha tempo de sentar com as filhas e fazer um para-casa; éramos nós que nos ajudávamos. Mas eu imagino que ela incentivasse isso, porque, eu me lembro, desde pequena, sendo ajudada pela Leila. Eu imagino que isso era muito motivado pela mamãe. No Jardim ela [a Leila] sentava comigo, me ajudando a escrever Belo Horizonte naquela ficha de papel de pão que tinha... que rasurava e rasgava”.

Quando Olga começou a enfrentar problemas na escola e a tirar notas abaixo da média, no período de 5ª à 8ª série, D. Madalena “mandava” Leila estudar com ela. “Eu chorava, socava a mesa” diante das dificuldades, principalmente de matemática; Leila vinha, então, em seu socorro. Ela declara que a participação dessa irmã foi muito importante nos seus estudos.

Em suma, D. Madalena foi uma figura sempre atenta ao estudo das filhas. Elas tinham sempre em casa uma “obrigaçãozinha”, mas era também sagrado o horário de cumprir com os deveres escolares. Isso significava, que, depois de uma certa idade, cabia-lhes realizar, dividindo entre elas, todas as tarefas domésticas, mas era também

permitido não realizá-las sempre que estivessem sobrecarregadas com atividades

escolares. Parece-nos que, por seu lado, elas incorporaram, no contexto dessa ambiência

familiar propícia à escolarização, a necessidade e o valor dos estudos. “Quando tinha

prova, não precisava mandar estudar não”, comenta D. Madalena.

O “destino” de professora primária ou

a gente viu que podia fazer a festa!” -Os

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