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Regnskapsutfordringer ved programvareutviklingens faser

2. Regnskapsmessig rammeverk

2.3 Egenutviklet programvare i regnskapet

2.3.3 Regnskapsutfordringer ved programvareutviklingens faser

Como se viu ao longo dos tópicos deste Capítulo, a contribuição mais significativa de Luhmann foi a renovação da Teoria dos Sistemas, baseada em uma mudança paradigmática fundamental: passar da distinção do todo e das partes para a distinção de sistema e entorno, tomando como referência o conceito de complexidade.

Na obra Social Systems (1995), Luhmann deu início à grande virada teórica ao tratar os sistemas não mais como “uno”, como um todo resultado da soma das partes, mas como diferença. O sistema define -se por sua diferença com relação ao entorno. O sistema que contém em si sua diferença é um sistema autopoiético, auto-referente e operacionalmente fechado e que se constitui como tal, reduzindo a complexidade do entorno. Se, de um lado, os sistemas sociais operam para a redução da complexidade, por outro, eles também constroem sua própria complexidade. Para que isso aconteça, o sistema precisa fechar-se operacionalmente em relação ao entorno, produzindo seus próprios elementos (autopoiesis), operando, assim, a construção de sua própria complexidade. É, sem dúvida, nesse processo que ocorre a evolução, justamente porque o sistema seleciona uma ordem, tornando-se ele mesmo complexo, já que se obriga a fazer uma seleção da relação entre seus elementos (LUHMANN, 1996a, p. 137).

A idéia de que o todo não é a soma das partes, principalmente pela compreensão das propriedades emergentes, fez com que se entendesse que, antes de um desvelamento, a fragmentação levava a uma complexificação que tornava algumas disciplinas incomunicáveis, portanto incapacitava a comunicação entre semânticas científicas diferenciadas. Assim, aparecem conceitos tão amplos como “interdisciplinaridade”25, “multidisciplinaridade”26,

25 É a integração de dois ou mais componentes curriculares na construção do conhecimento. 26 Na prática pedagógica, é a organização mais comum do conhecimento. Nela, as matérias e

88 pluridisciplinaridade”27, “transdisciplinaridade”28, que são nada mais nada

menos que tentativas de o sistema lidar com a própria complexidade interna, com a fragmentação cada vez maior e com a diferenciação de disciplinas que se fecham dentro de seus próprios universos semânticos.

Luhmann (1996b, p. 170) refere-se às conseqüências desse acontecimento em termos de perda da simultaneidade da impressão da percepção: “(...) a comunicação nem sequer está em condições de simultaneizar impressões compactas. Em seu lugar produz a temporalização da complexidade na sucessividade do diferente”. Aqui ele se refere à complexificação do sistema, na medida em que este obtém um meio de cristalizar o passado, as percepções que outrora se perdiam pelo operar limitado da memória humana, agora impressa nos mais variados meios, sendo capaz de superar a localidade e a temporalidade da percepção29. A esse incremento de complexidade interna, responde o sistema com mecanismos tais como revistas de Abstracts e, mais recentemente, com mecanismos de busca em bibliotecas eletrônicas.

Portanto, a construção do conhecimento científico – não tendo nenhum acesso irrestrito ao entorno, ou seja, a verdade não fornece nenhuma garantia de contato com um “mundo real” – é auto-referente e, mesmo que opere por heterorreferências, por exemplo, quando o sistema se refere a fenômenos do entorno, como “crise política”, “mitocôndria”, “ser”, ainda assim utiliza suas próprias comunicações para fazê-lo. Desse modo, a complexidade é o próprio motor do fechamento, o sistema fecha-se para acessar e age criteriosamente diferenciando o mundo, de acordo com o código interno, pressupondo uma redução de complexidade absurda.

Com o fechamento do sistema e a auto-referência, o construtivismo daí resultante, tem de prestar contas a uma objeção, qual seja, “a técnica que

27 É o estabelecimento de relações entre disciplinas mais ou menos afins, com a transferência

de métodos entre elas e com o enriquecimento do objeto pesquisado.

28 Já conceituada em páginas anteriores.

funciona”30 (LUHMANN, 1996b, p. 186). A complexidade é condição, não

empecilho, para a construção do conhecimento. Isso quer dizer que, ao operar autopoieticamente, as formas construídas no interior do sistema apresentarão como possibilidade de funcionamento o próprio entorno: “(...) os sistemas só podem construir estruturas que são compatíveis com o entorno (...)” (LUHMANN, 1996a, p. 203).

É nesse aspecto que a teoria de Luhmann se diferencia de outras possíveis teorias sistêmicas. A teoria luhmanniana da diferenciação afirma que somente os sistemas são dotados de sentido, sendo que o ambiente é apenas uma complexidade bruta, que ao ser reduzida já faz parte de um sistema. É o sistema a partir da dinâmica da diferenciação que constrói o sentido. Trata-se do princípio da diferenciação funcional dos sistemas sociais da sociedade moderna.

Desse modo, um sistema diferenciado deve ser, simultaneamente, operativamente fechado para manter a sua unidade e cognitivamente aberto para poder observar a sua diferença constitutiva. Portanto, a sociedade possui como elemento principal a comunicação: a capacidade de repetir as suas operações diferenciando-as de suas observações.

A tomada de decisões produz tempo dentro da sociedade. Nessa perspectiva, não é o consenso que produz o sentido das decisões, mas a diferenciação. As organizações são as estruturas burocráticas encarregadas de tomar decisões coletivas a partir da programação e do código dos sistemas. Os sistemas adquirem a sua identidade em uma permanente diferenciação com o ambiente e os outros sistemas, graças às decisões das organizações.

A produção do diferente em cada processo de tomada de decisões gera o tempo. Quando há diferenciação em uma meta-observação do sistema, surgem paradoxos que constituem a efetiva matriz da história. É por isso que Luhmann coloca como objeto preferencial de seu campo temático a comunicação. Para ele, somente a comunicação pode produzir comunicação.

30 Essa parte do pensamento de Luhmann tem uma vinculação com a “tecnologização do

discurso” e o “discurso técnico”, temas abordado ao longo da tese pelas idéias de Fairclough e outros. A relação que se estabelece é que a tecnologização do discurso é uma forma de discurso hegemônico, logo, se há uma técnica por trás do discurso, essa se constrói ideologicamente em ambiente instável, de pouca complexidade sistêmica e sem questionamento.

90 Em Luhmann, a comunicação se articula com a discussão a respeito dos chamados meios de comunicação simbolicamente generalizados. Ela representa a síntese entre a informação, o ato de comunicação e a compreensão. Essa síntese é possível dependendo da forma como os meios de comunicação permitem a produção do sentido. Assim, a comunicação não derivaria de suas pretensões de racionalidade consensual, como propõe Habermas. Tal postura permite afirmar que as funções pragmáticas da linguagem nos processos de decisão podem e devem ser redefinidas somente no interior dos sistemas.

A teoria da sociedade autopoiética procura explicar a sociedade como sistema social. É importante nessa matriz epistemológica demonstrar que certos elementos básicos tornam possíveis distintas formas, entre infinitas possibilidades, de interação social. Isso implica uma grande complexidade, que exige cada vez mais subsistemas, como o direito, a economia, a religião entre outros. Todos esses, por sua vez, diferenciam-se criando outros subsistemas sucessivamente. O risco coloca a importância de uma nova racionalidade para tomada das decisões nas sociedades complexas, redefinindo a filosofia analítica, a hermenêutica, a pragmática entre outras, em prol de uma teoria da sociedade mais realista, pragmático-sistêmica.

Enfim, a Teoria de Sistemas lida com a complexidade na relação centro/entorno. Nesse sentido, ela mantém um diálogo com a transdisciplinaridade, que é mecanismo de comunicação entre sistemas ante a infinidade de conceitos vinculados ao conceito próprio do tecido da complexidade. Logo, conceitos como auto-organização, autopoiese, dialogismo, diversidade, fluxo, inclusão, virtualidade entre outros são de suma importância para aproximar os campos de atuação de cada uma dessas perspectivas.

Ao que se pôde ver, o referencial teórico tenta abarcar o maior número de aspectos que envolvem o tema desta tese: ideologia, hegemonia, dialogicidade, gênero, consciência lingüística crítica entre outros. A base reside na Teoria Social do Discurso, a qual descreve as relações de poder e de

ideologia decorrentes dos atos discursivos, da prática discursiva e da prática social. Um dos pontos principais deste Capítulo é aproximar a abordagem da Teoria Social do Discurso (FAIRCLOUGH, 1989, 1992a, 1992b, 1995a, 1995b, 1999, 2001a, 2001b, 2003, 2006) à Teoria de Sistemas (LUHMANN, 1980, 1983, 1985, 1995, 1996a, 1996b, 2005), com o intuito de abrir espaço para um futuro projeto transdisciplinar de avaliação. A transdisciplinaridade é o engajamento das áreas do saber para o enfretamento da dispersão e da fragmentariedade dos discursos nas sociedades pós-modernas. A Teoria de Sistemas aparece exatamente para mostrar que a diferença entre os sistemas é o que promove a sua unidade.

CAPÍTULO 4

NOS CAMINHOS DA METODOLOGIA: A DESCRIÇÃO DA PESQUISA

Como já delineado no capítulo anterior, o enfoque da pesquisa toma a Teoria Social do Discurso como teoria e como metodologia, haja vista a postura crítica em relação aos dados de pesquisa, os quais são intermediados pela linguagem, sob o enfoque de que o discurso é ação e construtor da vida social.

Em linhas gerais, a metodologia orienta -se pela pesquisa qualitativa (BAUER & GASKEL, 2002; WORTHEN et al., 2004), e, também, por alguns pressupostos da etnografia crítica (THOMAS, 1993), da pesquisa fortalecedora (CAMERON, 1995, 1992), da pesquisa colaborativa (IVANIC, 1994) e da pesquisa-ação (BARBIER, 2004).

A base investigativa é o estudo de caso (YIN, 2005), pois sua construção como método de análise explora e descreve um fenômeno real por meio da observação empírica. No caso desta pesquisa, o objeto a ser explorado e descrito é o Programa de Qualificação Institucional – PQI.

4.1 A PESQUISA QUALITATIVA

A pesquisa qualitativa (BAUER & GASKEL, 2002; WORTHEN et al., 2004), nesta tese, aparece relacionada a outros métodos de investigação. Entre eles, a etnografia crítica (THOMAS, 1993), pela consideração de aspectos culturais e sociais; a pesquisa fortalecedora (CAMERON, 1995, 1992), pela assunção de posturas ante os pesquisados; a pesquisa colaborativa (IVANIC, 1994), pelo reconhecimento dos sujeitos envolvidos na pesquisa; e, a pesquisa-ação (BARBIER, 2004), pela sua posição crítica. Todos esses tipos de pesquisa, individualmente e em conjunto, oferecem orientações pontuais para a seleção do corpus e para a análise dos dados.

A escolha da abordagem qualitativa deve-se ao fato de que é possível ampliar o universo da pesquisa e dos sujeitos pesquisados a qualquer tempo,

tendo em vista a liberdade para interpretar os dados de pesquisa. A Teoria Social do Discurso ajuda nessa empreitada porque, além de uma teoria, é também uma metodologia de análise.

Ressalta-se que, apesar do cunho qualitativo, a pesquisa quantitativa também tem seu espaço na interpretação dos dados de pesquisa. Como critério de boa prática, é possível realizar a triangulação de dados qualitativos e quantitativos, de modo a comparar resultados de dados destinados a medir o mesmo objeto, mas coletados de diferentes fontes e/ou por diferentes métodos para aumentar a certeza de validade do objeto (WORTHEN et al., 2004, p. 538).

4.2 A ETNOGRAFIA CRÍTICA

Uma das maiores dificuldades encontradas pelo pesquisador é a escolha do método de pesquisa. Quando se trabalha com uma abordagem crítica, a opção por qualquer método deve considerar aspectos culturais e sociais. Segundo Thomas (1993, p. 3), a etnografia crítica é um processo reflexivo de escolha entre alternativas conceituais e de realização de juízos carregados de valores sobre o sentido e o método para desafiar a pesquisa e as formas de atividade humana.

Um aspecto motivador da proposta etnográfica é a liberdade que tem o pesquisador para expor o seu pensamento crítico acerca dos dados, os quais não refletem o pensamento imposto socialmente, mas podem ser interpretados. Nessa trajetória, o pesquisador pode escolher entre alternativas existenciais e conceituais e sugerir procedimentos para guiar tanto o discurso quanto a atividade interpretativa.

Nesse sentido, há correlação com o pensamento de van Mannen (1988), para o qual uma determinada cultura é constituída pelas ações e pelas palavras de seus membros, além do que, deve ser interpretada pelo pesquisador, jamais determinada. É o pesquisador, apoiado pelo pensamento

94 crítico, que pode contribuir para que os pesquisados transcendam as condições sociais existentes e as ideologias pré-fabricadas.

Na abordagem etnográfica, os sujeitos têm voz. Em todo o tempo, buscam, por meio de sua expressão, o fortalecimento, a emancipação, a ação e a interação junto ao meio social. Esses sujeitos têm a possibilidade de identificar controles e mudá-los, a fim de que não constituam práticas sociais enfraquecedoras. Dessa forma, como um dos principais agentes do processo de mudança social, os pesquisados precisam estar cientes acerca do horizonte da pesquisa, do papel do pesquisador e do seu próprio papel.

Por esses e por outros motivos, é que esta pesquisa prioriza aspectos do trabalho etnográfico, pois é um método de reflexão utilizado pelos etnógrafos na investigação, por exemplo, de fenômenos li ngüísticos com uma proposta de mudança quanto aos procedimentos utilizados na coleta dos dados.

Embora a presente pesquisa não seja de cunho etnográfico, adota-se a postura ética seguida na etnografia crítica que está associada à transparência da opinião dos sujeitos pesquisados, com o objetivo de construir um discurso fortalecedor, emancipatório e constitutivo de uma identidade social. Nesse sentido, o processo de escolha dos dados pela pesquisadora e a sua atividade interpretativa é o que de fato se busca com o uso da etnografia crítica.

4.3 A PESQUISA FORTALECEDORA

A pesquisa fortalecedora (CAMERON et al., 1992; MAGALHÃES & GIEVE, 1994) aproxima o pesquisador e o pesquisado. Tal entrelaçamento proporciona maior entrada no universo dos dados, especificamente na forma como serão interpretados, de modo a definir a posição a ser ocupada por ambos os lados.

Cameron et al. (1992) distinguem três posições que podem tomar os pesquisadores na relação com os pesquisados:

(a) a postura ética – pesquisa sobre – em que o pesquisador evita a exploração dos pesquisados, garantindo a proteção de sua privacidade e o reconhecimento de sua contribuição para a pesquisa;

(b) a postura de defesa – pesquisa sobre e para – em que o pesquisador pode usar de sua habilidade e de sua autoridade em benefício dos interesses dos pesquisados, a ponto de se envolver em suas campanhas e falar em seu nome. Nessa postura, o pesquisador, ao se utilizar de uma comunidade para a obtenção do conhecimento, deve usá-lo em favor daquela;

(c) a postura de fortalecimento – pesquisa sobre, para e com – em que o pesquisador busca a cooperação dos pesquisados, tornando-o um agente. Tal postura requer do pesquisador uma atitude mais combativa, no sentido de fortalecer os pesquisados, de desestruturar e de desmistificar relações de poder.

A postura adotada nesta pesquisa, sem dúvida, é a de fortalecimento, até mesmo por conseqüência do objeto de estudo. Nesse sentido, tomando como parâmetro os estudos de Cameron et al. (1991, p. 128), para que a relação pesquisador/pesquisado seja de fato fortalecida, alguns pontos básicos devem estar claros:

(a) elaborar questões que seja do interesse do grupo pesquisado ou geradas por eles;

(b) ser aberto quanto ao programa de trabalho e negociar todos os estágios; (c) fazer valer o conhecimento e as percepções do grupo pesquisado sem

impor um conhecimento irracional e especializado;

(d) compartilhar informação e instrumentos analíticos, mesmo que o grupo possa rejeitá-los (é incorreto pensar, a princípio, que não querem conhecer);

(e) apresentar o que se aprendeu com a pesquisa e torná-la acessível ao grupo.

96 4.4 A PESQUISA COLABORATIVA

A pesquisa colaborativa (IVANIC, 1994) é o reconhecimento de que há mais de um sujeito envolvido na pesquisa. De acordo com a autora, são muitas as vantagens de se fazer uma pesquisa de cunho colaborativo:

(a) as decisões quanto aos objetivos são tomadas em conjunto, dando a garantia de que esses serão interessantes e relevantes para os sujeitos envolvidos na pesquisa;

(b) as decisões quantos aos métodos também são tomadas em conjunto, haja vista não poderem constituir intrusão ou peso excessivo para os sujeitos pesquisados;

(c) a pesquisa pode contribuir para o aprendizado dos sujeitos pesquisados; (d) diferentes habilidades, personalidades e preferências pessoais são

trazidas para a pesquisa;

(e) os sujeitos pesquisados são respeitados por suas concepções e por suas perspectivas;

(f) enriquecimento da percepção dos pesquisadores;

(g) ênfase na pesquisa fortalecedora em relação à pesquisa ética e à pesquisa defensora;

(h) o conhecimento passa a não ser propriedade apenas dos pesquisadores, mas também dos sujeitos pesquisados;

(i) todos os participantes ganham crédito e status com a publicação do trabalho;

(j) os sujeitos pesquisados têm um certo controle da forma como são apresentados em publicações e têm mais acesso a essas publicações. Apesar dos aspectos positivos, a autora ressalta alguns problemas que podem surgir:

(a) os interesses dos sujeitos pesquisados podem ter relevância teórica, ou podem ser considerados ultrapassados pelos pesquisadores;

(b) a perda de tempo para os pesquisadores em relação a decisões tomadas em conjunto, como no caso da escolha dos métodos;

(c) a proximidade entre pesquisador e pesquisado pode gerar novas relações e responsabilidades, que podem ser difíceis de ser mantidas;

(d) os sujeitos pesquisados podem não ter tempo para partilhar dos valores dos pesquisadores, ou participar de atividades diversas, como a da escrita colaborativa.

Esta pesquisa não é colaborativa no sentido de Ivanic (1994), como descrito nas linhas anteriores. Os eventos discursivos a serem analisados (o Relatório Final de Avaliação do Programa de Qualificação Institucional – PQI e o Seminário Nacional de Avaliação do PQI) tiveram a participação dos sujeitos de pesquisa, mas estes desconheciam (a questão do consentimento) que os dados fornecidos em suas análises seriam objeto de futura pesquisa.

Assim, busca-se, nesta tese, por meio dessa abordagem pesquisa, uma avaliação centrada nos participantes e com a finalidade de compreender e de retratar as complexidades de uma atividade programática, respondendo às necessidades de informação de determinada clientela (WORTHEN et al., 2004, p. 256).

4.5 A PESQUISA-AÇÃO

Este trabalho possui traços da pesquisa-ação (BARBIER, 2004), pois as interpretações e as análises feitas são o produto das discussões em grupo. O traço principal desse tipo de pesquisa é o feedback, o qual impõe a comunicação dos resultados da investigação aos sujeitos nela envolvidos, com o objetivo de analisar as suas reações.

Segundo Carr & Kemmis (apud BARBIER, 2004, p. 58), são as seguintes as exigências da pesquisa-ação:

98 (a) a rejeição às noções positivistas de racionalidade, de objetividade e

de verdade;

(b) o emprego de categorias interpretativas dos participantes da pesquisa;

(c) a busca de meios de distinguir as idéias e as interpretações deformadas pela ideologia, avaliando o desvio em relação às que não o são; e perguntar como a distorção pode ser superada;

(d) o empenho para identificar o que, na ordem social existente, bloqueia a mudança racional e propor interpretações teóricas de situações, permitindo aos participantes tomarem consciência do que ajudar, a fim de superar bloqueios;

(e) o fundamento na assunção do fato de que se trata de um conhecimento prático, isto é, de que a questão da verdade será nitidamente separada da sua relação com a prática.

A pesquisa-ação busca ser uma pesquisa de cunho crítico, tomando como base a Teoria Crítica (Marx, Adorno, Marcuse, Horkmeimer, Habermas), que se destaca pelos estudos sobre a sociedade industrializada com conceitos tomados de campos diversos de investigação. Do mesmo modo que a pesquisa crítica, a pesquisa-ação busca o confronto entre ciência e cultura, e, como aquela, prioriza a análise crítica dos meios de comunicação como parte de uma indústria cultural de manipulação ideológica.

O pensamento da pesquisa-ação opõe-se à prática da pesquisa tradicional na medida em que exige que, independente do objetivo específico que se queira atingir, deve-se analisar a função global das ideologias que povoam o sistema social, de modo a revelar o processo de construção de ideologias de grupos minoritários que detêm o poder.

Nesse tipo de pesquisa, tem-se como objetivo a devolução dos resultados aos sujeitos da pesquisa. Por isso, o modelo proposto pela pesquisa-ação vai ao encontro da proposta subjacente nesta pesquisa, que é a emancipação dos sujeitos.

De maneira geral, o que se busca, nesta tese, com o uso da pesquisa- ação é o emprego das categorias interpretativas dos participantes como dado

concreto; a deformação dos dados interpretativos pelo viés da ideologia (o que teoricamente e metodologicamente é objetivo da Teoria Social do Discurso); e, por fim, a proposta de idéias interpretativas para a tomada da consciência lingüística crítica (que também é objetivo da Teoria Social do Discurso).