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3. Teoretisk rammeverk

3.2 Oppfattede attributter av innovasjoner

Uma orientação pela proposta transdisciplinar deve levar em consideração a análise de conceitos-chave. Como se sabe, a Teoria de Sistemas lida com a complexidade na relação centro/entorno. Nesse sentido, ela mantém um diálogo com a transdisciplinaridade, que é mecanismo de comunicação entre sistemas ante a infinidade de conceitos vinc ulados ao conceito próprio do tecido da complexidade.

Assim, alguns desses conceitos-chave aparecem na análise como uma espécie de léxico performativo e unificador da relação entre a Teoria Sistêmica, e a transdisciplinaridade. Além disso, como esta pesquisa também procura caminhos para um futuro projeto transdisciplinar de avaliação de programas, ao longo da análise, busca-se trazer à tona alguns desses conceitos de modo a aproximar a Teoria Sistêmica à Teoria Social do Discurso.

São, portanto, três grandes elos os que se busca mostrar ao longo de toda a tese: o da Teoria Sistêmica com a transdisciplinaridade; o da Teoria Sistêmica com a Teoria Social do Discurso; e, por fim, a Teoria Social do Discurso com a transdisciplinaridade.

Entre os conceitos-chave mencionados, figuram: aderência; auto-organização; autoconsistência; autopoiese; conectividade; construtivismo;

correlação; criticabilidade; dialogismo; diversidade; emergência; fluxo; imprevisibilidade; imprecisão; inclusão; metadimensionalidade; paradoxo; potencialidade; retorno; ressonância; virtualidade entre outros. Esse conceitos aparecem de certa forma diluídos ao longo da análise dos dados.

Ademais, para entender melhor o que vem a ser a transdisciplinaridade e a sua importância para a compreensão dos sistemas sociais atuais, tem-se a transcrição da Carta da Transdisciplinaridade, documento produzido no

Convento da Arrábida, em 6 de novembro de 1994, a qual se encontra no anexo 1 desta tese.

CAPÍTULO 5

NOS CAMINHOS DA ANÁLISE: O PROCESSO DA DESCOBERTA

Este capítulo pretende mostrar, por meio da análise dos dados, como um sistema se consolida dentro de um sistema social mais amplo. Isso porque as sociedades hipercomplexas passam por um processo de autopoiese, pois tendem a reconstruir seus modelos todo o tempo, como uma forma de sobrevivência. É nesse sentido que se almeja um duplo enquadramento: o papel dos sistemas na reconfiguração da linguagem e o papel da linguagem na reconfiguração dos sistemas.

Assim, ao tratar da questão de sistema vinculado a uma teoria lingüística, busca-se mostrar a atuação dos diversos sistemas comunicativos em voga e a interpenetração de um em outro e a manutenção da unidade do sistema. Se há um acoplamento estrutural entre sistemas, como as interferências comunicativas externas – que seriam os discursos que se constroem e que se desconstroem nos diversos âmbitos de convergência e de divergência dos sistemas – são processadas e avaliadas pelos próprios sistemas.

Assim, a análise do discurso da Capes, em relação à avaliação de programas de pós-graduação, requer a definição dos atores sociais e dos seus discursos, como um passo para a construção de uma identidade institucional ajustada a um contexto social que aparece a todos discursivamente fragmentado. Tal situação invoca, portanto, a reconstrução desse contexto social e a junção dos diversos discursos em prol da univocidade dos sujeitos.

Nesse sentido, as categorias da Teoria Social do Discurso servem de subsídio para mostrar os rearranjos que ocorrem no interior dos sistemas. A intenção é possibilitar entender o sistema por meio dos elementos lingüísticos que o compõem.

Em síntese, a pretensão nesta análise é mesmo a de fazer um cruzamento de todas as idéias teóricas até aqui desenvolvidas à luz das categorias de análise propostas nas orientações metodológicas, de modo a

visualizar o processo da reconstrução da linguagem sob duas perspectivas: a da Capes e a da comunidade acadêmica.

A questão a ser demonstrada é a de que os sistemas – e aqui especificamente os sistemas comunicacionais – são sistemas que aprendem. Isso porque os eventos discursivos fornecem elementos lingüísticos que possibilitam ouvir a voz dos sujeitos, seja a voz de um, seja a voz de muitos.

Neste capítulo, portanto, são analisados basicamente dois gêneros discursivos com práticas discursivas bem distintas: o Relatório Final de Avaliação do PQI e o Seminário Nacional de Avaliação do PQI. O primeiro, como documento escrito, é trabalhado na perspectiva de “voz institucional de um sujeito representando muitos” (rede de textos); o segundo, como evento discursivo produzido em ambiente oral e posteriormente convertido em texto, é trabalhado na perspectiva de “voz de muitos sujeitos representando muitos”.

O Relatório pode ser aqui definido como a metanarrativa do PQI (no sentido de Giddens), pois é o enredo dominante por meio do qual os indivíduos são inseridos na história como seres que têm um passado definitivo e um futuro predizível. Esse documento é o conjunto dos resultados que foram reconstruídos (autopoiese)46 ideologicamente na voz de um para, posteriormente, buscar-se a consolidação desse discurso em prol da mudança ideológica e da construção da identidade institucional. Ressalta-se que o documento em si não é destituído da ideologia da situação, há o privilégio de alguns discursos em detrimento de outros.

Nesse sentido, o Relatório pode ser considerado uma espécie de gênero mediado, de governança. Segundo Fairclough (2003), os gêneros de governança são essencialmente gêneros mediados especializados em ação a distância, por envolver participantes que estão distantes uns dos outros no tempo e no espaço e que dependem de algumas tecnologias de comunicação. Esse tipo de gênero tem a propriedade de ligar diferentes escalas – conecta o local e o particular ao nacional, ao regional ao global e ao geral. Os dados do PQI previamente revelam que há uma relação estrutural entre o mundo acadêmico (sistema de pós-graduação) e o mundo dos negócios

132 (relações clientelísticas, por exemplo). Para atender a esse aspecto espacial, os gêneros tornam-se mutáveis, adaptáveis, como forma de reestruturação e de reescalonamento da vida social no novo capitalismo.

A esse modo de representação dos eventos sociais, Fairclough (2003) chama recontextualização, ao representar um evento social, este incorporado ao contexto de outro evento social. Assim, campos sociais específicos, rede de práticas sociais específicas e gêneros específicos (elementos de tais redes de práticas sociais) associam a eles princípios de recontextualização específicos, que tendem a favorecer certas inclusões, exclusões, certo grau de concretização, de abstração ou de generalização, bem como modos característicos de organizar, explicar, legitimar, avaliar os fatos. Essa noção de recontextualização trazida por Fairclough é similar ao que acontece aos sistemas, na Teoria Sistêmica de Luhmann, só dito e trabalhado conceitualmente de outra forma.

Nos tópicos seguintes, tem-se a tentativa de associação desses elementos acima dispostos, aplicados aos dados de pesquisa. Busca-se, especificamente, nos dados relativos ao Seminário, a seleção de um léxico performativo (que aparece sublinhado em alguns momentos) capaz de semanticamente atender ao objeto da presente tese. Como são muitas as citações dos dados transcritos do Seminário e para evitar o número exorbitante de notas de rodapé, algumas citações possuem, entre parênteses, a sigla SA (Seminário de Avaliação) para diferenciar dos dados do Relatório.

5.1 O PROGRAMA DE QUALIFICAÇÃO INSTITUCIONAL COMO UM