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RESULTATOMRÅDE 9 REGIONAL PLANLEGGING Status for arbeidet ift. miljøvernforvaltningens resultatmål
A nossa investigação está particularmente focada na tentativa de resposta a duas questões:
a) Quais foram os fatores determinantes da internacionalização das empresas portuguesas, via investimento direto estrangeiro, para os Países da Europa Central Oriental (PECO)?
b) Que modos de entrada foram utilizados pelas empresas portuguesas nessa expansão internacional para os PECO e razões que levaram a essas escolhas?
Por outras palavras, pretendemos compreender e explicar “como” e “porquê” um grupo alargado de empresas portuguesas realizou investimentos diretos num conjunto de mercados externos da Europa Central e Oriental, geograficamente distantes de Portugal, com poucas afinidades históricas e culturais e relativamente desconhecidos da oferta portuguesa de bens e serviços.
Para respondermos às questões acima enunciadas optámos por uma abordagem qualitativa, uma vez que a complexidade da temática em investigação aconselha a uma postura indutiva. Como se verificará achámos conveniente o recurso ao método de estudo de caso pelas razões que de seguida iremos aprofundar.
De acordo com Yin (2009), o método de estudo de caso é a abordagem mais adequada quando se procuram respostas para as questões “como” e “porquê” num contexto onde o investigador não tem controlo, ou tem um controlo reduzido, sobre acontecimentos reais e contemporâneos, situações que correspondem à investigação que estamos a realizar. O estudo de caso deve ser o método escolhido para estudar fenómenos que não são separáveis do seu contexto real e onde o objetivo da investigação passa,
fundamentalmente, por perceber de forma detalhada como é que os processos ou os comportamentos são influenciados e como é que estes influenciam determinado contexto. Esta análise requer a recolha e o tratamento de informação e a auscultação dos diversos “atores” envolvidos, tentando identificar as relações que se estabelecem em todo este processo.
Outras razões que levaram à escolha do método de estudo de caso para esta investigação, a opção mais comum de pesquisa qualitativa em negócios internacionais (Marschan- Piekkary e Welsch, 2004), estão relacionadas com o facto de permitir a recolha de diversas informações de múltiplas fontes, necessárias para um melhor compreensão das diferentes estratégias utilizadas pelas empresas portuguesas que se internacionalizaram para os PECO, e de oferecer a possibilidade de um entendimento profundo do fenómeno estudado e do contexto socioeconómico onde ocorre esse fenómeno (Piekkari et al., 2010).
No método de estudo de caso, analisa-se o caso (ou um conjunto de casos), em detalhe, em profundidade, no seu contexto real, tendo em especial atenção a sua complexidade e recorrendo-se para isso a todos os métodos que se revelem apropriados (Gomez et al., 1996; Punch, 1998; Yin, 2009). A finalidade desta pesquisa visa analisar e compreender o caso (ou casos) no seu todo e na sua unicidade, seguindo uma perspetiva holística, isto é, ampla, sistémica e integrada.
Na literatura podem-se encontrar diversas definições de estudos de caso. Para Eisenhardt (1989:534), o estudo de caso “é uma estratégia de investigação focada na compreensão da dinâmica presente numa determinada configuração”. Para Creswell (1998: 61), “o estudo de caso é a exploração de um sistema limitado, no tempo e em profundidade, através de uma recolha de dados profunda envolvendo fontes múltiplas de informação ricas no contexto”. Para Simmons (2009: 21), um estudo de caso “é uma exploração profunda, de múltiplas perspetivas da complexidade e da exclusividade de um projeto particular, de uma política, de uma instituição, de um programa ou de um sistema, num contexto de vida real”. Para Yin (2009: 18) um estudo de caso “é uma investigação empírica que
investiga um fenómeno contemporâneo em profundidade e no seu contexto de vida real, especialmente quando as fronteiras entre o fenómeno e o seu contexto não são claramente evidentes”. Devido a estas dificuldades de delimitação de fronteiras entre o fenómeno e o contexto envolvente, Yin (2009) acrescenta ainda que este método de investigação utiliza várias fontes de evidência, faz uma leitura alargada das diversas variáveis de interesse e beneficia da prévia apresentação e desenvolvimento de proposições teóricas que vão servir de guia à recolha e análise dos dados.
O estudo de caso não é apenas uma forma de investigação qualitativa, já que também pode ser conduzido no quadro de outros paradigmas de investigação, como o positivista, e poder combinar, com toda a legitimidade, métodos qualitativos e métodos quantitativos (Yin, 2009).
Em síntese, e como refere Coutinho (2011: 294), “o estudo de caso é uma investigação empírica (Yin, 2009); que se baseia no raciocínio indutivo (Gomez et al., 1996); que depende fortemente do trabalho de campo (Punch, 1998); que não é experimental (Ponte, 1994); que se baseia em fontes de dados múltiplas e variadas (Yin, 2009) ”.
Nesta diversidade de “casos” e de objetivos a perseguir com a utilização de estudos de caso, existem, no entanto, algumas tipologias de estudos de caso.
A primeira proposta é a divisão básica entre o estudo de um único caso e o estudo de múltiplos casos (Bogdan e Bilken, 1994; Punch, 1998, Yin, 2009).
Stake (1995) faz referência à existência de três tipos de casos: (a) o estudo de caso intrínseco, quando o investigador pretende uma melhor compreensão de um caso particular que “per si” é o objeto de interesse; (b) o estudo de caso instrumental, quando um caso é utilizado para compreender ou proporcionar conhecimento sobre um determinado fenómeno ou teoria, tendo o caso “per si” um interesse secundário; (c) o estudo de caso coletivo quando se trata do estudo, pela comparação, de um grupo de casos com o objetivo de melhor compreender um fenómeno ou uma teoria.
Yin (2009) apresenta uma proposta de três tipos de casos: (a) o “estudo de caso exploratório”, onde a recolha de dados é realizada de forma prévia ao estabelecimento das questões e das hipóteses de investigação; (b) o “estudo de caso descritivo”, em que se começa por apresentar uma teoria descritiva que deve cobrir e responder aos casos que estão a ser estudados; (c) o “estudo de caso explicativo”, bastante utilizado em estudos causais ou quando se pretende identificar as relações entre as diversas variáveis envolvidas.
Tendo em atenção estes dados, consideramos que o estudo de múltiplos casos (e não de um “caso coletivo”), com uma natureza simultaneamente “descritiva” e “explicativa”, é o método mais adequado para responder às questões de investigação formalizadas. Enquanto um único caso pode descrever de uma forma bastante ampla a existência de um fenómeno (Siggelkow, 2007), o estudo de múltiplos casos fornece uma boa base para a construção da teoria (Yin, 2009) ou, como referem Glaser e Strauss (1967), para uma “teoria fundamentada” (“grounded theory”).
De acordo com Eisenhardt e Graebner (2007: 27), a utilização de múltiplos estudos de caso permite a criação de “uma teoria mais robusta, pois as proposições estão melhor fundamentadas em várias evidências empíricas” e também “uma exploração mais alargada das questões de investigação e da elaboração teórica”.
Quanto ao número de estudos de caso que deveremos utilizar na nossa investigação, alguns autores consideram que é uma questão de difícil resposta mas que está relacionada e é influenciada pelo problema e pelos objetivos da investigação (Ghauri e Gronhaug, 2005). Da revisão de literatura que realizámos sobre a problemática da construção de teoria a partir de estudos de caso, apenas um autor (Eisenhardt, 1989) faz referência ao número considerado adequado de estudos de caso. Eisenhardt (1989: 545) refere que não existe um número ideal de estudos de caso, mas “um número entre quatro e 10 casos normalmente funciona bem. Com menos de quatro casos, é muitas vezes difícil a generalização da teoria com maior complexidade (…) com mais de 10 casos rapidamente
iremos estudar cinco casos referentes a cinco empresas de capitais portugueses que realizaram investimentos, no setor industrial, nos Países da Europa Central e Oriental.
Depois destas considerações sobre a utilização do método de estudo de casos, e como preparação para a utilização deste método, recorremos a Bonoma (1985), que considera que é bastante útil que o investigador tenha presente, de uma forma interativa e ainda no período de conceção da investigação, as diferentes fases do projeto de investigação e os diferentes estádios de compreensão dos casos que vão ser estudados. Este ciclo “teoria/dados/teoria” desenrola-se, sobretudo, em quatro diferentes fases: (a) no início da investigação, o investigador está numa “fase de deriva” tentando conhecer e aprofundar a área de investigação e os seus principais conceitos e terminologias; (b) de seguida o investigador passa para a “fase de conceção”, onde seleciona as estratégias de recolha das informações que vão ser necessárias para responder às questões de investigação e começa a desenvolver tentativas de explicação para as observações/resultados alcançados, indo por vezes à fase anterior para permitir uma melhor compreensão dos fenómenos; (c) a “fase de previsão” surge a meio e na passagem para a fase final do projeto e neste período o investigador já possui um bom conhecimento dos fatores que permitem uma boa fundamentação dos casos e a sua posterior análise; (d) na fase final, a “fase de desconfirmação”, o investigador vai testar/analisar os resultados sugeridos na “fase de previsão”.
Yin (2009) considera que a conceção da investigação é um plano lógico que guia o investigador no seu processo de recolha, análise e interpretação das observações e que faz a ligação entre os dados que vão ser recolhidos (e as respetivas conclusões) com as questões iniciais do projeto de investigação.
Por último, não devemos ignorar as críticas geralmente apontadas às metodologias qualitativas, e nomeadamente à utilização do método de estudo de caso, sobretudo no que se refere à sua reduzida base de generalização científica, ou seja, às dificuldades de, a partir de um ou mais casos, se poderem encontrar implicações teóricas aplicáveis em outras áreas, e à de falta de rigor científico relacionados com o facto do investigador por
vezes não seguir procedimentos sistemáticos ou permitir que visões equívocas ou parciais possam influenciar os resultados e conclusões da pesquisa. Face a estas críticas, Yin (2009) refere que não é o incremento do número de casos que os transformam num estudo macroscópico, pois os estudos de caso são generalizáveis para propostas teóricas e não para populações ou universos, e adianta que se os investigadores seguirem os procedimentos metodológicos associados à utilização de estudos de caso não existirão problemas de falta de rigor na investigação.