4.1 Single Temperature Threshold
4.2.2 Regional analysis
Os métodos de coleta de dados em pesquisa fenomenológica (qualitativa) são uma série de técnicas interpretativas para descrever e entender o significado de determinado fenômeno. A classificação de um método como fenomenológico, portanto, adequado à pesquisa qualitativa depende da finalidade de uso (COLLIS; HUSSEY, 2005).
Na pesquisa, os dados coletados são qualitativos e primários. Os dados qualitativos se referem aos dados nominais. Os dados primários são dados coletados diretamente na fonte de pesquisa (COLLIS; HUSSEY, 2005). Os dados foram coletados da fonte de pesquisa que são os editoriais Vogue´s View da revista Vogue America.
Os dados primários são os estilos praticados no período de 1991 a 2013. Os estilos foram classificados de acordo com as citações nos textos escritos e pela interpretação das fotos publicadas. Conforme explicação anterior, os estilos são compostos por cores e formas. Além disso, os estilos são classificados, ou seja, recebem denominações estabelecidas pelos especialistas em moda.
Foi construída uma tabela com a frequência relativa dos estilos praticados no período referenciado na pesquisa, a qual está expressa no anexo D. Esta tabela foi construída com base nas frequências absolutas de citações dos estilos coletados nos editoriais da revista. Cada estilo citado em cada mês, de cada ano, foi contabilizado por frequência de incidência (frequência absoluta) e estão no anexo E.
Alguns dos estilos são explicados nos editoriais, outros são apenas citados. Os estilos novos são citados e explicados nos editoriais. Os estilos comumente utilizados na moda são apenas citados. Dentro da coleta de dados houve a leitura dos editoriais, bem como a observação de fotografias referentes aos estilos citados.
Sobre os estilos o processo de denominação de cada um deles se refere à descrição dos mesmos, obtidas através de explicação na sua composição nos editoriais. Outros estilos também podem ser identificados nos livros de história da moda, em função de estarem presentes na moda em outros períodos de tempo. Segue uma lista dos estilos citados:
Estilo ethnic: ligado aos aspectos culturais de uma raça ou povo. Na moda, este estilo se inspira em povos como indianos, africanos, indígenas dentre outros. Os componentes deste estilo são as estampas e acessórios característicos de cada povo, trazendo suas influências de desenhos, manifestações artísticas e artesanais (SABINO, 2007). Quando citados nos editoriais referiam-se às roupas inspiradas na cultura russa, chinesa, indiana e africana;
Estilo grunge: ligado ao visual exposto pelas bandas de rock, que surgiram em Seatlle (EUA), nos anos 90. As bandas mais conhecidas foram o Nirvana e Pearl Jam. Este foi um exemplo de movimento bubble-up, no qual a moda emergiu dos movimentos de cultura alternativa ou underground. As características do grunge são: camisetas largas, camisas xadrez de algodão e flanela, calças rasgadas, gorros de lã e botinas (SABINO, 2007). Quando citado nos editoriais possuíam as mesmas características acima descritas. O estilo remete a um comportamento de desilusão em relação ao presente e ao futuro; Estilo hippie: ligado ao movimento criado nos anos 60, pelos jovens da
Califórnia (EUA), que se opunham à guerra do Vietnã e ao sistema (establishment). Os jovens eram adeptos da vida em comunidade, da paz e do uso de drogas. Culturalmente, existem duas referências marcantes a este estilo que são o festival de Woodstock (1969) e o musical Hair (1967). Na moda suas
características são: visual despojado, saias longas, batas, cabelos compridos, sandálias simples (SABINO, 2007). Quando referenciados nos editoriais possuíam características do visual adaptado a realidade da moda contemporânea com calças jeans de cintura baixa, com corte reto ou com boca de sino. Blusas do tipo bata, com alças finas, estampas florais ou cores lisas. O estilo remete a um comportamento de rebeldia;
Estilo casual: refere-se às roupas e acessórios confortáveis, propícias para serem usadas no cotidiano das cidades (SABINO, 2007). As características do estilo descritas nos editoriais são: roupas largas de tecidos leves (algodão e malha) ou de materiais que remetam a situações informais (lã, linha e jeans). Os acessórios são simples e pouco chamativos;
Estilo dandy/edwardian: refere-se a um período específico da Europa (1901- 1910) no qual o rei Edward VII comandava a Inglaterra (SABINO, 2007). Quando lançado pertencia ao padrão de vestimenta masculino. Usado na atualidade, o traje é adaptado ao vestuário feminino. Suas características são: camisas de gola alta, calças justas, coletes justos ao corpo e botas. O estilo remete à androginia;
Estilo minimalism: classificado nos editoriais como um estilo que remete à androginia. Como o próprio nome diz, o minimalismo refere-se às roupas e acessórios de design extremamente simples e sem adornos (babados, rendas, bordados e detalhes em geral). As roupas (saias, vestidos, blusas e calças) possuem corte reto, com ausência de volume. As roupas são de cores lisas (sem mistura de cores) e os acessórios são simples e discretos;
Estilo romantic: classificado nos editoriais como um estilo que remete à feminilidade. O estilo faz referência ao período romântico (de 1820 a 1840) (LAVER, 2006). Os vestidos e saias possuem corte com volume. As roupas têm estampas florais ou lisas, com babados, rendas e bordados;
Estilo animal print: classificados nos editoriais como um estilo que apresenta roupas compostas por estampas com pele de animal. Remete a ideia de sensualidade e feminilidade;
Estilo black total: classificados nos editoriais pela utilização da cor preta em todas as peças de roupas;
Estilo white total: classificado nos editoriais pela utilização da cor branca em todas as peças de roupas;
Estilo black white: classificado nos editoriais pela composição de cores pretas e brancas. A variação consiste no uso de uma peça, por exemplo, calça preta e blusa branca. Também existem situações em que a roupa é toda preta, mas recebe detalhes brancos (golas, punhos de camisa e bolsos). O mesmo acontece com a inversão de cores, ou seja, roupas brancas com detalhes em preto;
Estilo dolls: classificado nos editoriais por trajes (vestidos ou saias e blusas) que remetem ao estilo romântico. As peças são mais adequadas ao vestuário de mulheres mais jovens e ao cotidiano das cidades. Os trajes possuem características como: saias curtas e justas, blusas com manga na metade do ombro e vestidos com cintura império (um tipo de cintura ajustada abaixo do busto);
Estilo ethics: classificado nos editoriais como um estilo composto por roupas ecologicamente corretas, ou seja, compostas por matérias-primas produzidas de forma a não agredir o meio ambiente. São exemplos de matérias-primas: algodão orgânico, corantes sem aditivos tóxicos. No geral, as roupas remetem ao estilo casual, porém, o importante é a identificação da matéria-prima;
Estilo futurism: classificado nos editoriais como um estilo composto por roupas com tecidos plásticos e sintéticos, de cores fortes e chamativas. A forma das roupas mistura peças largas (como jaquetas de manga morcego, que são mangas sem cava, indo do ombro até o punho) e calças justas. Acessórios com formas geométricas (plástico ou metal). Como o próprio nome diz são trajes que tentam intuir sobre os padrões de vestimenta no futuro. A utilização de tecidos plásticos e sintéticos parece ser algo inovador, por serem resistentes à chuva e necessitarem de menos lavagens;
Estilo kitsh: classificado nos editoriais como um estilo que remete ao cafona, com roupas de cores fortes e fluorescentes. Os acessórios são grandes e chamativos. A ideia é que não haja combinação e harmonia entre as peças; Estilo georgette: classificado nos editoriais como um traje que remete a
feminilidade. As roupas são vestidos de cetim (tecido), com rendas e decotes profundos. Os acessórios são colares e brincos de pérolas e sapatos de bico fino. Esteticamente, são inspiradas na moda dos anos de 1920;
Estilo lady like: classificado nos editoriais como um estilo que remete a ideia de feminilidade. As roupas são compostas por saias até o joelho, com corte godê (justas na cintura e mais amplas ao longo do caimento) ou do tipo saia lápis
(cintura alta e justa). Camisas de tecidos leves (chifon, crepe de seda), com botões e punho. Algumas vezes as camisas têm um laço no lugar da gola;
Estilo men´s wear: classificado nos editoriais pela composição de roupas e acessórios que remetem a ideia de androginia. São trajes compostos por: ternos (paletó e calça) com estampa risca de giz, camisas (com gola, punho e botão), sobretudo (de corte reto ou de estilo militar) e botas. O ícone de moda que influencia este estilo é Marlene Dietrich (atriz alemã);
Estilo radical chic: classificados nos editoriais como um traje que remete a feminilidade. As roupas são vestidos volumosos, sem alça, em conjunto com casaquinhos curtos e justos ao corpo. Os tecidos são de estampa xadrez ou com cores neutras. Detalhes em renda. Os acessórios (bijuterias) são de metal grandes e pesados;
Estilo tailleur clássico chic: classificado nos editoriais como um traje que remetem à androginia, por reforçar o conceito de afirmação da mulher no mercado de trabalho. Os trajes são compostos por tailleurs (saias, camisas e casaquinhos) adornados por botões metálicos e utilizados com bijuterias grandes;
Estilo work appearance: classificados nos editoriais como trajes que remetem a androginia. Composto por tailleur (paletó com calça reta ou paletó com saia reta). Normalmente em cores sóbrias. As peças possuem corte reto, sem volume e detalhes chamativos, sendo mais adequadas ao uso no trabalho;
Sobre a aglutinação de estilos conforme as identidades de gênero foram estabelecidas três formas de classificação: androginia, feminilidade e neutro. Na moda estilos andróginos ressaltam a ausência de feminilidade. Por se tratar de um estudo sobre o vestuário feminino, as roupas deveriam remeter a este gênero. A identificação na moda, com roupas próprias ao vestuário masculino e feminino existe desde o surgimento da moda, no século XIV (LIPOVETSKY, 1989). A moda do século XX rompe com estas barreiras e incorpora ao vestuário feminino peças masculinas. Cada vez que isto acontece, as vestimentas deixam de ser essencialmente femininas e passam a ser andróginas. Os estilos andróginos são: dandy/edwardian, minimalism, men´s wear, tailleur classic chic, work appearance.
Os estilos femininos, por outro lado, ressaltam aspectos diferentes da androgenia como a sensualidade e a fragilidade feminina. Estilos adequados ao mercado de trabalho não entram nesta classificação. Assim, os estilos femininos são: romantic, animal print, dolls, georgette, lady like, radical chic. Nem todos os estilos podem ser classificados segundo identidade de gênero, neste caso, optou-se pela classificação neutra. Os estilos neutros são os que não possuem elementos que sejam identificados à feminilidade ou à androginia. Os estilos neutros são: ethnic, grunge, hippie, casual, black total, white total, black white, ethic, futurism, kitsh.