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5.2 Evaluation of the potential and limitations of machine learning methods for precipitation classificationlearning methods for precipitation classification

5.2.2 Interpretation of RFC models

Através da análise de estatística descritiva é possível afirmar que tanto a hipótese de comportamento contínuo dos estilos quanto à hipótese de polarização dos estilos agrupados fornecem evidencias de comprovações. Sobre a hipótese de continuidade, existem mais estilos contínuos (treze) do que estilos descontínuos (oito). A existência de mais estilos contínuos do que descontínuos demonstra os aspectos distintos da moda contemporânea (pós 1990). Embora na moda exista a valorização do novo, os resultados da pesquisa demonstram que os estilos têm uma tendência maior de saírem de moda por curtos períodos de tempo e de voltarem à moda em seguida. Também existe uma tendência de valorização de estilos antigos (vintage) e reedição de estilos (revivals). As aglutinações em torno das classificações de androginia e feminilidade é uma forma de reforçar a distinção dos estilos de roupas masculinas e femininas. A ruptura na

distinção de vestuário masculino e feminino durou do século XIV até o século XX, portanto, por seis séculos. Embora as roupas andróginas sejam uma adaptação das roupas masculinas ao vestuário feminino, ainda assim, a androginia representa a ausência de feminilidade.

Sobre a classificação quanto à frequência relativa média, os estilos frequentes também são classificados como estilos de comportamento constante. Ser contínuo e frequente significa não apenas estar sempre em moda, mas também ter uma participação maior dentre todos os estilos do que os demais. Sobre os estilos raros e muito raros, encontram-se nestas classificações tanto estilos contínuos quanto descontínuos. Isto demonstra que embora um estilo seja contínuo, ele também pode ser pouco citado em relação aos demais.

A aplicação da análise de componentes principais permite uma exploração mais profunda dos dados, uma sumarização mais informativa da população e uma decomposição da estrutura de covariâncias no estudo. Porém, existem limitações quanto a sua aplicação nesta pesquisa. Nos gráficos de dispersão (31, 32, 33) é possível perceber que os anos foram considerados independentes para a aplicação do método, o que dificultou a identificação do desenho longitudinal do estudo. Ainda assim, a polarização pode ser comprovada.

Através da análise da componente 1 foi possível observar que nos anos de 1990 houve a predominância do estilo andrógino e dos anos 2000 em diante houve a predominância dos estilos femininos. Tanto a componente 1 quanto a componente 2 apresentam valores próximos de zero, o que demonstra equilíbrio entre os estilos comparados, sendo difícil a identificação de polarizações. A análise pelos gráficos de dispersão permite a identificação de polarizações. Os anos de 1990 estão agrupados de maneira diferente dos anos 2000 em diante. Isto também demonstra uma tendência de polarização por período.

Ainda, os dois testes de hipótese realizados, com o objetivo de investigar o comportamento continuo dos estilos e a polarização dos mesmos em termos de identidades de gênero nos períodos de 1991 a 2000 contra 2001 a 2013, comprovam as hipóteses levantadas. Pelo teste binomial é possível constatar que treze dos vinte e um estilos identificados por esta pesquisa validaram a H1 e rejeitaram a H0.

Os estilos classificados como contínuos pela estatística descritiva também tiveram sua hipótese validada, com exceção do estilo ethical. Neste caso o estilo é classificado pela estatística descritiva como contínuo, mas pelo teste de hipótese seu comportamento é descontínuo. A distinção de resultados é explicada pelo período em que o estilo é citado. Como o estilo começa a ser citado apenas a partir do ano de 2013, a probabilidade do estilo ser citado ao longo dos vinte e três anos de pesquisa é baixa, o que faz com que o teste binomial o classifique como de estilo descontínuo. Sobre os estilos classificados como descontínuos a maioria dos estilos rejeitaram a H1, com exceção do estilo dandy/ edwardian que foi classificado pela estatística descritiva como descontínuo e classificado como contínuo pelo teste de hipótese binomial. Neste caso, o estilo foi classificado como descontínuo pela ausência de citação num período maior do que três anos. Contudo, o teste de hipótese identificou regularidade de citações, permitindo que fosse classificado pelo teste como um estilo contínuo.

5. CONCLUSÃO

O intuito central deste trabalho é apresentar um modelo de inovação em estilos e tendências para a indústria da moda feminina. Dentro da hierarquia da indústria da moda são as empresas de alta prét-à-porter as lançadoras de estilo e tendências. Estas empresas têm maior acesso aos veículos de comunicação especializados, além de participarem dos desfiles das semanas de moda das grandes capitais do mundo. Assim, o modelo tem como base os estilos lançados por estas empresas.

As fundamentações teóricas do modelo estão alicerçadas nos três pilares conceituais adotados por esta pesquisa: teoria econômica, modelos de inovação e modelos de inovação para a indústria da moda. A contribuição da teoria neoschumpeteriana ao modelo está fundamentada nos conceitos de seleção natural e no paradigma tecnológico. A teoria neoschumpeteriana admite que no ambiente da indústria existe uma seleção natural dentre as empresas. Considerando essa premissa, as empresas de alta prét-à- porter, que são as empresas dominantes no lançamento de estilos e tendências, assumem esta posição em caráter temporário, ou seja, por um determinado período. Embora existam empresas cujas marcas estejam presentes na moda por décadas dentro do segmento de alta prét-à-porter (como Chanel, Dior, Prada e Gucci dentre outras), ainda assim existe o caráter de temporalidade de permanência de uma empresa neste grupo seleto. As próprias decisões estratégicas de uma empresa assim como seu período de existência corroboram com a dinâmica de alternância no segmento de alta prét-à- porter.

Ainda pela teoria neoschumpeteriana a competitividade das firmas é definida como um conjunto de competências tecnológicas e os paradigmas tecnológicos orientam o avanço tecnológico. Nesta indústria, um dos principais fatores de competitividade das firmas é a inovação em design. O design é um termo que permite uma ampla gama de definições. Para este trabalho, o design está associado apenas às formas e cores dos produtos. A inovação em design permite a diferenciação entre os produtos apresentados ao mercado. O padrão tecnológico empregado pela indústria determina o design, a trajetória tecnológica assumida pelas firmas influencia no padrão de competitividade.

Os modelos de inovação apresentados neste trabalho são voltados para a inovação de produto. Os modelos abordam os processos de inovação adotados pelas empresas. O

esclarecimento das fases do processo permite que o modelo proposto considere a existência de um encadeamento de fases (processos) para a geração da inovação. Como o modelo proposto é focado no comportamento de estilos e tendências das empresas de moda feminina, não houve um estudo de como as empresas de alta prét-à-porter encadeiam internamente os seus processos de inovação. Contudo, a contribuição teórica do estudo desses modelos serve para a compreensão de que o processo de inovação é iniciado pela geração de ideias e é apresentado ao mercado pelo processo de difusão. Sobre os modelos de inovação voltados para a indústria da moda a contribuição teórica na construção do modelo proposto está no processo de geração e difusão dos estilos. A inovação nos produtos de moda influencia na formação e determinação dos estilos praticados. Como um estilo vai além do design das roupas e acessórios sendo fruto da combinação entre ambos, a formação de um estilo depende das instituições de moda (empresas de alta-costura e prét–à–porter, birôs de estilo, mídia, movimentos culturais) e da estrutura socioeconômica. O comportamento de um estilo, suas inclinações e repetições, geram as tendências de moda.

O modelo proposto tem como fundamentação inicial a geração dos estilos de moda pelas empresas dominantes da cadeia produtiva. A difusão do estilo gerado permite a formação de tendências de comportamento contínuo e descontínuo. O fato da moda ser um fenômeno social repercute no comportamento de um estilo. Como o consumo dos produtos de moda são um fator de diferenciação dos consumidores de elite que desejam se diferenciar através do consumo de produtos, a adesão de um estilo pelo consumo de massa propicia a obsolescência destes produtos. Assim, o comportamento de um estilo é influenciado pela receptividade dos consumidores aos produtos gerados.

Existem outros fatores que também influenciam o consumo dos produtos em geral como fatores demográficos, regionais e socioeconômicos. No entanto, como o modelo é voltado para as empresas de alta prét–à–porter, as quais tem a exposição e comercialização de seus produtos em diversas partes do mundo, esses fatores não foram explorados pelo modelo proposto. O modelo considerou apenas o fator social como influenciador do comportamento do consumidor.

Mais do isto, como o enfoque do modelo é entender o comportamento dos estilos e tendências de moda, a pesquisa empírica (coleta e análise de dados) limitou-se a

identificação dos estilos gerados e ao comportamento dos mesmos. As características da moda contemporânea (pós 1990) comportando a existência de um maior número de estilos, bem como a permanência destes por um maior período de tempo em moda, suscitou alguns questionamentos. O comportamento dos estilos gera a formação de tendências. Assim, quando um estilo, como por exemplo o casual, permanece em moda por muito tempo ele gera uma tendência de comportamento contínuo. O contrário é verdadeiro, quando um estilo permanece por pouco tempo em moda, a tendência deste estilo é a descontinuidade de comportamento.

Portanto, uma das questões de pesquisa levantadas se refere à existência concomitante de estilos e tendências que permanecem em moda de maneira contínua e descontínua. Como a moda preconiza e valoriza a geração de novos estilos, considerar a coexistência de estilos contínuos e descontínuos pode parecer um paradoxo, uma vez que todos os estilos deveriam ter comportamento descontínuo. A coexistência de vários estilos em moda conceitualmente similares permite a aglutinação em torno da classificação em classes determinadas pela identidade de gênero (andrógino, feminino e neutro). Como no passado existia uma grande distinção entre trajes masculinos e femininos, algumas peças do vestuário tornaram-se características pelo gênero. Desde o século XX houve uma ruptura neste conceito e itens do vestuário masculino passaram também a pertencer ao vestuário feminino. No entanto, o uso destes itens assemelha o visual feminino à androginia. Por isto houve uma aglutinação de estilo em torno de três categorias: andrógino, feminino e neutro. O questionamento em torno destas aglutinações se refere ao comportamento dos estilos gerando polarizações em determinados períodos.

A análise dos dados coletados, através dos métodos de estatística descritiva e dos testes de hipóteses (binomial e PERMANOVA), permite comprovar as hipóteses de coexistência de estilos contínuos e descontínuos. A existência de polarizações em torno dos estilos andróginos nos anos de 1990 e femininos nos anos 2000 também pode ser comprovada.

Os aspectos positivos do modelo residem em três fatores. Primeiro, a apresentação de um modelo com abrangência teórica relacionando comportamento das empresas, processos de inovação e comportamento dos consumidores frente ao lançamento dos produtos inovadores é original e inédita. Segundo, a utilização de métodos estatísticos para a compreensão do comportamento dos estilos e geração de tendências permite

identificar com mais clareza e propriedade os aspectos característicos da moda contemporânea e a polarização de estilos com identidade de gênero em períodos distintos. Terceiro, a pesquisa apresenta uma classificação e compilação dos modelos de inovação para a indústria da moda já existentes.

As limitações do modelo estão nos processos de coleta e classificação dos estilos. A única fonte utilizada para a coleta dos estilos foi a Vogue America, um períódico lido em diversas partes do mundo, mas direcionado para o público americano. Embora a moda seja globalizada e os mesmos estilos gerados pelas empresas de alta prét–à– porter sejam difundidos pela mídia mundial, existem especificidades características do mercado americano que direcionam a maior divulgação de alguns estilos em detrimento aos outros e isto acontece em todos os mercados. E, sem dúvida, o processo de classificação dos estilos foi efetuado apenas pela autora. Embora toda a classificação tenha seguido critérios pré-estabelecidos, ainda assim os estilos passaram por uma avaliação única no processo de classificação.

De qualquer forma, os objetivos propostos para este trabalho foram cumpridos. Espera- se que novas pesquisas possam ser feitas para que o modelo possa ser aprofundado em aspectos não abordados, especialmente no que se refere aos fatores que determinam a permanência de um estilo em moda. Embora o comportamento do consumidor seja um fator já identificado, ainda assim seria interessante identificar outros fatores que venham a influenciar neste processo. Por fim, espera-se que o modelo possa contribuir para a melhoria de competitividade da indústria de moda nacional.

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