3 Temperature Independent snow production
3.1 Refrigeration cycle and refrigerants
A França de Columbanus estava imersa na decadência da dinastia surgida entre os francos sálicos – um dos muitos grupos que adentraram as fronteiras do Império Romano durante seus últimos anos -, conhecida como Dinastia Merovíngia. Estabeleceram “sua autoridade sobre a maior parte da Gália durante o reinado de Clóvis (480-511)” (LOYN, 1997: 256)66. Boa parte de sua autoridade derivou-se de sua conversão ao cristianismo e subseqüente apoio dos bispos da região quando de suas conquistas sobre outros povos bárbaros ainda pagãos ou que tinham adotado o arianismo, heresia surgida a partir das posições do sacerdote alexandrino Ario (256-336) e condenada pelo Concílio de Nicéia em 325.
Em face da dificuldade teológica de combinar a divindade de Cristo com a unidade de deus na Trindade, Ario propôs a noção segundo a qual o Filho não era co-eterno com o Pai. No Concílio de Nicéia (325), o debate gravitou em torno da questão de saber se o Filho era ‘da mesma substância’ que o Pai. Atanásio liderou os adeptos do ponto de vista que se tornou ortodoxo: o Pai e o Filho eram efetivamente ‘da mesma substância’, o que levou à condenação do Arianismo. Ario foi banido para a Ilíria e morreu às vésperas de sua
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“(...) engaged in a range of pursuits – exegesis, law, hagiography”.
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“João Escoto Erígena (c. 810-77) O mais original dos pensadores que viveram na corte de Carlos, o Calvo, na Francônia. Escoto Erígena inseriu em sua filosofia um raro conhecimento do pensamento grego e neoplatônico. (...) Devia algo à obra de São Dionísio, o Areopagita, embora muitos dos elementos místicos sejam sua contribuição pessoal. Irlandês de nascimento, parece ter regressado à Grã-Bretanha no final da vida e algumas tradições associam-no ao ressurgimento intelectual na corte do rei Alfredo” (LYON, 1997: 222-223).
64Canones; Vita Columbae e Cáin Adomnán: an old-Irish Treatise on the Law of Adamnan são os títulos
das obras mencionadas, respectivamente (Cf O'LOUGHLIN, 2000).
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“… of dedication and desire to be at the service of those who most needed protection and gives us that warm feeling for the man that we have for humanitarians who work to limit injustice”.
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Clóvis era neto de Meroveu, de onde o nome da dinastia (Cf COLLINS, 1999: 150). Não confundir com o rei de mesmo nome (Clóvis) que encontraremos em The Life of St Columba (ver Capítulo III: De Santos).
reconciliação com a Igreja. Seus ensinamentos, porém, continuaram sendo muito influentes quase, segundo parece, por acidente histórico. Muitas das tribos germânicas situadas além da fronteira do Império Romano foram convertidas por missionários liderados por Wulfila, um bispo ariano e, assim, o cristianismo ariano tornou-se a característica predominante de certo número de ostrogodos na Itália (até meados do século VI), de visigodos na Espanha (até fins do século VI) e dos vândalos no norte da África (LOYN, 1997: 26).
MAPA 08: A Gália Merovíngia (ERHARD, 2009)
A dinastia Merovíngia teve uma série de reis que aos poucos foram perdendo o poder, principalmente em decorrência da selvageria típica das guerras civis perpetradas quando do momento da sucessão (Cf LOYN, 1997: 256). Um grupo de reis francos, chamado de reis cabeludos porque adotaram o costume de deixar os cabelos crescer e usar longas tranças como símbolo de dignidade real, foi obrigado, com o passar do século a ceder parte de suas terras (as quais Clovis tinha recebido dos romanos) a nobres que os protegiam.
Nessa época, descentralizou-se a cunhagem de moedas, e expandiu-se a garantia de imunidade a grandes proprietários de terras (laicos e episcopais), o que, na prática, significou a proibição da entrada de funcionários reais nessas propriedades e, portanto, a impossibilidade de cobrança direta de impostos, efetividade de prisões e julgamentos.
Todas essas concessões tiveram seu anteverso: a legitimidade da dinastia ficou garantida, vez que, ao receber privilégios do rei, os nobres lhe juraram fidelidade. Além disso, estabeleceu–se aqui uma das principais características desse mundo franco: a transformação do proprietário privado em uma figura pública; seus direitos vinham com obrigações (Cf COLLINS, 1999: 150 e ss).
“No século VII, (...) a verdadeira autoridade passou para as mãos dos prefeitos do palácio, ancestrais dos carolíngios” (LOYN, 1997: 256). Tais prefeitos, ou mordomos (major domus), passaram a exercer o governo de fato. Dentre eles, destacou- se Pepino de Heristal, bem como seu filho e sucessor, Carlos Martel (688-741), que deu continuidade à consolidação do poder político franco, estendendo sua autoridade sobre toda a Austrásia, Nêustria e Borgonha. “[Carlos Martel] é principalmente lembrado por sua grande vitória sobre uma incursão muçulmana maciça em território franco, obtida em 732 em Poitiers, a qual é hoje reconhecida não só como símbolo da resistência e do ressurgimento cristão, mas também como grande façanha militar” (LOYN, 1997: 75).
Carlos Martel foi sucedido por seus filhos Carlomano e Pepino, o Breve, mas quando Carlomano se retirou para um mosteiro, Pepino se tornou único major domus de seu tempo. Em 743, foi coroado o último rei Merovíngio, Childerico III, encerrado num mosteiro por Pepino, com a aprovação do Papa Zacarias (Cf COLLINS, 1999). Pepino tornou-se rei dos francos, assumindo o governo de direito e de fato. Foi ungido em Soissons, em 751, dando início à Dinastia Carolíngia, cujo ápice viria com o governo de Carlos Magno (768-814).
MAPA 09: O Império de Carlos Magno (ACERVO PESSOAL, 2009)
Durante seu governo, embora a cultura de monastérios tenha florescido como nunca antes na Europa (a chamada Renascença Carolíngia), a importância da Igreja Celta diminuiu consideravelmente. Intelectuais importantes advindos das ilhas britânicas encontraram seu lugar nas bibliotecas desse reino, mas a aproximação de Carlos Magno com Roma (ele fora efetivamente coroado Imperador pelo Papa Leão III em 800 [Cf LOYN, 197:73]), fora fator decisivo na adoção cada vez menos constante, por parte das comunidades eclesiásticas, da Regra Columbana, marcada como era pelas especificidades insulares do cristianismo celta (ver adiante).