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Reform and Revolution Are Two Sides of the Same Coin

In document The Ethnocentrism Problem in Feminism (sider 108-119)

4 Reform and Revolution

4.5 Reform and Revolution Are Two Sides of the Same Coin

Nesta pesquisa, as aspirações da mulher e do homem quando ainda jovens, têm pontos em comum, como estudo e trabalho. No entanto, o trabalho divide a atenção das mulheres com a constituição da família, sobretudo, com o nascimento dos filhos. Os colaboradores são absolutamente focados no trabalho como realização pessoal; sendo assim, não dividem a atenção com a paternidade ou com qualquer outra motivação voltada para os cuidados da casa. Os anseios deles é trabalhar, desenvolver suas carreiras, ser bem-sucedidos profissionalmente e ganhar dinheiro.

1.1.1 Da mulher

As mulheres pesquisadas estudaram, formaram-se e almejaram trabalhar na área em que se formaram. 97% das mulheres entrevistadas têm, pelo menos, um curso superior (tabela 5, p. 60) e apenas 4% delas nunca trabalharam (tabela 10, p. 62). Quase 100%, portanto, estudaram e ingressaram no mercado de trabalho. Seus estudos estavam diretamente relacionados à sua futura atuação no mercado de trabalho. Um exemplo é o da colaboradora Clara, que fez um curso superior escolhido pelo pai, por visar a uma profissão promissora: “Eu queria psicologia. E meu pai falou: „você passará fome‟ [risos]. (. . .) „Vai fazer engenharia‟. (. . .) Aí comecei a fazer e adorei. (. . .) Desde quando eu entrei para faculdade eu comecei a trabalhar.”

A importância dos estudos e do trabalho foi transmitida pelos pais das colaboradoras, muitos deles também com formação superior. Como os pais de Laura, que consideravam os

estudos prioridade para os filhos: “sou filha de pais com ensino superior completo. (. . .) Eles nunca mediram esforços para o que era referente a estudo. Eu comecei a trabalhar quando entrei na faculdade. (. . .) Sempre tive necessidade de não depender.”

No entanto, além dos estudos e do trabalho, as colaboradoras descrevem a importância do casamento e da maternidade em suas vidas. Isabel e Mel, de maneiras diferentes, tinham o casamento e a família como metas de vida. Isabel casou-se aos dezessete anos para mudar-se com o futuro marido, que, à época, tinha dezenove anos. Relata a importância dos estudos para o pai, e, em seguida, coloca a família e um casamento estável como meta pessoal: “papai foi criado entendendo que o estudo era muito importante e que, por causa dele, as pessoas vão sempre seguir em frente. (. . .) Construir uma família e um casamento estável foi o que eu sempre quis.” Mel construiu sua carreira antes de constituir família, mas deixa claro que seus planos de casamento e de maternidade sempre estiveram presentes. Narra o quanto tinha medo de que sua carreira atrapalhasse seu desejo de casar-se e de ser mãe: “queria fazer um doutorado (. . .) Eu pensava assim: „se eu for fazer doutorado, depois não vou casar, não vou ter filho‟ (. . .) não me via uma pessoa realizada profissionalmente sem ter uma família.”

Apenas uma colaboradora, Ana, deixou claro que não buscou o casamento e a maternidade como objetivos de vida, mas, sim, os estudos e a carreira. No entanto, deixa escapulir uma gravidez e se casa. “Eu sempre fui educada para estudar e ter um trabalho na minha vida adulta. (. . .) Casamento nunca foi um plano de vida meu, (. . .) nem maternidade. Aconteceu.”

A despeito dos estudos e do trabalho serem as primeiras grandes metas na vida das colaboradoras, observou-se, concomitantemente, estima pela constituição da família, tanto que, após a maternidade, todas interromperam seus trabalhos, ainda que apenas por algum tempo. Com o nascimento dos filhos, as relações das mulheres com o trabalho ficaram fragilizadas, visto que elas também se encontravam vulneráveis com o fato. Enquanto o papel

de mãe evoque o lar e os cuidados infantis, o papel de trabalhadora requer, usualmente, o afastamento do lar. Para isso, faz-se necessária sua presença nos lares, de maneira muito diferente da que vivenciaram até então, prejudicando, assim, seu desempenho no trabalho. São mudanças que, naturalmente, passam a fazer parte da vida da mulher, mas com as quais que não é fácil lidar. Inclusive Ana, que nunca tinha pensado em filhos como objetivo de vida e que, de certa maneira, priorizava o trabalho, foi abandonando os empregos com o nascimento dos filhos. O que ressalta na pesquisa é como a maternidade interferiu no planejamento de trabalho das colaboradoras.

Trata-se de mulheres de uma geração que trabalham, que valorizam o trabalho em suas vidas e, ainda assim, o interromperam. Clara parou de trabalhar por imposição do marido, cujo discurso era de que ela precisava dar mais atenção ao filho. Mel e Isabel interromperam a carreira para se mudarem de cidade e acompanhar os maridos. Laura deixou de trabalhar, inicialmente por sugestão do marido e, em seguida, para cuidar da filha que veio a nascer com dificuldades físicas; e Ana, que nunca tinha pensado em parar de trabalhar, não deu conta do ritmo e adoeceu, o que a levou, à época, a desistir do trabalho. Enfim, a se considerar o depoimento das colaboradoras, com o nascimento dos filhos o trabalho feminino sofre alterações significativas.

1.1.2 Do homem

Os homens da pesquisa têm o trabalho como foco de suas vidas. Os estudos são para ajudá-los a trabalhar e ganhar dinheiro. 86% têm curso superior (tabela 5, p. 60) e a maioria assume a responsabilidade financeira da família a partir de seus trabalhos remunerados, como é o caso dos casais entrevistados. Felipe, por exemplo, refere-se à importância dos estudos; contudo, destaca o valor do trabalho. “Fui criado em um regime onde o trabalho e a honestidade prevaleciam sobre todas as coisas. (. . .) Meus pais mal estudaram, mas fizeram

questão que os sete filhos estudassem e fosse alguém na vida.” Assim como Davi, que se formou e entende que os estudos são uma oportunidade na vida da pessoa; no entanto, o orgulho pelo fato de o pai e os irmãos terem trabalhado desde cedo, mesmo sem estudos, é a essência de sua fala. “De nossa família, fui o único que continuou os estudos. Meu pai teve formação técnica, minha mãe ensino fundamental. Meus irmãos pararam seus estudos no ensino médio. Começaram a trabalhar formal ou informalmente entre 13 e 15 anos.”

A determinação dos colaboradores era trabalhar, independentemente se em sua área ou não. O mais importante era sobressair-se profissionalmente. Ainda assim, quatro dos colaboradores desenvolveram suas carreiras dentro do curso realizado. Vitor ressalta a continuidade de sua vida laboral desde o início da faculdade: “graduei em Zootecnia. Para me manter na faculdade, (. . .) iniciei, mesmo que de forma amadora, na vida de vendedor.” Já Rodrigo, fez Arquitetura e trabalhou em outra área; ao assumir os negócios da família, tornou- se empresário e não buscou o apoio de outro curso para desenvolver sua carreira de administrador de empresa. “O trabalho pode ser muito bom para que a gente se realize por completo.”

Nenhum deles falou em casamento e filhos como objetivos, apesar de dois deles terem se casado porque as mulheres engravidaram. Nenhum teve seus objetivos profissionais alterados pela chegada do filho, até mesmo pela tradição de que o homem tem que trabalhar e sustentar a família. Toda a mudança nos planos profissionais ficou para a mulher. Os dados a seguir justificam a fragilidade dos planos femininos. 48% das mulheres pesquisadas nomearam a motivação pessoal como seu maior incentivo no trabalho, sobrepondo a motivação financeira, que foi de 39%, ou social (3%) (tabela 11, p. 63). Observando esses resultados, chega-se a três conclusões. A primeira é de que, com a maternidade, as motivações pessoais são alteradas e afetam o envolvimento da mulher no trabalho. Em segundo lugar, que o dinheiro advindo de seu trabalho, além de não ser prioridade, é insignificante na

composição da renda da família. Na população pesquisada, apenas 12%, das mulheres que trabalham têm contribuição na renda familiar acima de 60%. (tabela 8, p. 61). Por fim, o pequeno incentivo social relacionado ao trabalho justifica a escolha pela família em detrimento às atividades laborais.

In document The Ethnocentrism Problem in Feminism (sider 108-119)