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Cultural Contextualists

In document The Ethnocentrism Problem in Feminism (sider 87-90)

3 The Political Prong of the Ethnocentrism Charge

3.3 Transnational Feminism

3.3.3 Cultural Contextualists

Vários resultados que foram significativos, ou seja, tiveram um P < 0,05, serão comentados nesta sessão a fim de se perceber que existem, sim, diferenças significativas entre os grupos de mães que interromperam ou alteraram seus trabalhos das mães que mantiveram suas atividades profissionais em virtude do nascimento dos filhos. O primeiro deles foi o tempo de profissão (figura 3, p. 70): quanto menos tempo de profissão, maior a chance de as mães pararem de trabalhar, o que demonstra menos envolvimento com a carreira, uma carreira que não decolou ou, até mesmo, um entendimento de não ser aquele o caminho desejado.

A carga horária (figura 4, p. 70) também revela a forma de envolvimento da mulher com o trabalho: 100% das mulheres com carga horária elevada continuaram trabalhando após a maternidade. Isso demonstra que, se existe grande envolvimento com a profissão, a mãe não muda o ritmo de trabalho mesmo com o nascimento dos filhos, mesmo sabendo que a carga horária de atividades de uma mulher com filhos aumenta em, pelo menos, 18 horas semanais. As mães que mais interromperam suas atividades foram as de 40 horas semanais, situação que corresponde a um trabalho remunerado de oito horas diárias, o que remete mais a obrigação de que a envolvimento. Finda a jornada de trabalho, termina o compromisso daquele dia.

Outros fatores que interferem na decisão de deixar ou não o trabalho são: a satisfação no trabalho (figura 10, p. 73), o gosto pela área de atuação (figura 11, p. 73) e a renda da mulher em salários (figura 5, p. 71): quanto mais a mulher é satisfeita no trabalho, atua em uma área de que gosta e recebe bem por seu trabalho mais ela luta para continuar trabalhando

após o nascimento dos filhos. Fica evidente que, além de, provavelmente, ser mais bem sucedida, essa mulher sente-se reconhecida financeiramente pelo que faz e isso a motiva e lhe dá poder para conciliar trabalho e maternidade. Por outro lado, receber menos que cinco salários mínimos, valor insignificante para famílias em que a grande maioria dos maridos recebe mais que 20, faz com que sua presença em casa comece a ter mais peso que seu trabalho; sobretudo para seus maridos, que exercem forte poder sobre elas.

Somado à renda da mulher, outro ponto importante na decisão de interromper o trabalho é a mulher que, tendo um baixo salário, vê sua participação financeira na casa tornar- se insignificante. Por isso, a percentagem de contribuição da mulher (figura 7, p. 71) na família define, evidentemente, se ela pode optar por parar de trabalhar ou não. Se a família depende do dinheiro da mulher para sua sobrevivência ou, até mesmo, para manter certos “luxos” da família, como pagar escola particular para o filho ou fazer uma viagem para a praia no final do ano, a tendência da mulher é manter-se no trabalho. Este foi um dos motivos de escolha desta classe social para averiguação do tema. As mulheres que deixaram seus trabalhos poderiam manter suas vidas normalmente pela renda suficiente do companheiro (figura 8, p. 71); outro valor que, além do nível de significância, confirma o anterior.

O incentivo do marido nas decisões do trabalho demonstrou o quanto eles são participativos em relação às decisões de suas mulheres. Nesse caso do trabalho, uma participação autoritária, que envolve poderes nos mais diferentes sentidos. Uma “participação” não percebida nos cuidados com os filhos ou da casa e, menos ainda, na influência das mulheres nas decisões dos maridos, o que será clarificado na etapa qualitativa do estudo. O número de filhos (figura 14, p. 74) também é considerado fundamental para essa decisão. A mulher que tem a tendência a deixar o trabalho até tenta a conciliação no caso do primeiro filho, mas vê-se “impossibilitada” de conciliar trabalho e maternidade a partir do segundo.

A questão é que a mulher sofre toda essa pressão interna e externa, abandona o trabalho e fica insatisfeita; seu lado profissional desfaz-se e ela não se conforma, tanto que a vontade voltar de trabalhar (figura 16, p. 74) está presente em 85% dos casos.

CAPÍTULO

IV

AS VIVÊNCIAS DOS CASAIS: UM OLHAR PARA RELAÇÕES QUE SE COMPLEMENTAM

Nesta seção contar-se-ão as histórias das vivências de cinco casais – Clara e Pedro, Laura e Davi, Mel e Vitor, Ana e Rodrigo; Isabel e Felipe2, no que diz respeito à maternidade e à vida profissional dessas mulheres. O número de casais entrevistados, cinco, representa 10% das pessoas que responderam ao questionário e poderiam participar da etapa qualitativa da pesquisa. Nem todos os maridos puderam dar a entrevista pessoalmente, mas se disponibilizaram a responder às perguntas por escrito.

No momento da pesquisa, as mulheres e Pedro, único homem que participou da entrevista pessoalmente, mostraram-se motivados a contar suas histórias. As entrevistas foram gravadas e transcritas, mediante o compromisso de que eles as leriam e se posicionariam, indicando se estavam de acordo com o texto, se faltava algo que gostariam de acrescentar às entrevistas ou se havia alguma parte que gostariam de cortar. Todos fizeram a leitura e nada acrescentaram. Pouca coisa foi cortada, mas nada de importante para a pesquisa. Os colaboradores que não participaram da entrevista responderam às perguntas via e-mail.

Os encontros com os casais ocorreram em momentos distintos; no entanto, suas histórias serão contadas em conjunto, para se dar uma melhor noção de como a vida de cada membro do casal e a relação dos mesmos desencadearam a interrupção ou a alteração do trabalho feminino após o nascimento dos filhos, de suas vivências em relação a essa resolução, o que envolveu a decisão tomada e as consequências vividas até o momento em que as entrevistas foram realizadas.

Trata-se de duas pessoas com histórias diferentes que se unem para continuar uma história a dois, depois com os filhos, com as famílias afins, enfim, com outras histórias, e que

precisam dar prosseguimento às suas existências, afetando e sendo afetados pelo outro. Nem sempre a união é simples, pois os cônjuges são pessoas muito próximas, inclusive fisicamente, que precisam relacionar-se cotidianamente. Um complementa o outro; no entanto, várias são as formas de interação.

As leituras de cada história serão realizadas ao final do relato das vivências, por intermédio de descrições dos casos, e buscar-se-á compreendê-los utilizando-se o conceito de relação complementar, já apresentado no capítulo primeiro. A exceção acontecerá no caso do primeiro casal apresentado, quando se fará uma leitura passo a passo, ou seja, durante o relato da vivência, mostrar-se-á o tipo de relação complementar que eles estão usando. A intenção é exemplificar que, a despeito de o casal ter um movimento que predomina em sua forma de atuar no mundo, existem variações no decorrer de suas histórias.

In document The Ethnocentrism Problem in Feminism (sider 87-90)