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refleksjoner fra de som skal bemanne JSF og NAOC

Depois de alguns anos de trabalho, quem emigra sente necessidade de enviar dinheiro para os familiares e, por vezes, para os amigos que deixou na sua terra natal.

128 - Vincencio Baez Finol: Venezuela –Informaciones útiles para los emigrantes, Ingrana, Caracas, 195-],

p.3.

129 - Estatísticas mencionadas por M. Luís Marinho Antunes in José Fernando Moreira da Cunha: Viagem

Ao longo do século XX, muitas remessas entraram na Ilha, favorecendo ao seu desenvolvimento:

[…] a emigração para outros países resultou em enormes remessas de capital dos embarcados, significando, durante muito tempo, uma indispensável fonte de receita para as famílias residentes. / Duas razões de forte importância condicionaram a relevância destas remessas: o fluxo emigratório, a motivação para emigrar e a evolução etária dos emigrantes e, por outro lado, a situação económica e social dos países de destino dessas mesmas pessoas.130

É de referir que o dinheiro vindo de diversos emigrantes espalhados pelo Mundo, em especial da Venezuela, teve uma grande importância na melhoria da alimentação e do vestuário, no desenvolvimento da agricultura e do comércio e no incremento da construção urbana e no melhoramento rústico na Madeira, sobretudo nas décadas de 40 a 60:

A Emigração para Venezuela tem sido factor importante de progresso económico na vida da Madeira nos últimos anos. Muitos madeirenses que para ali emigraram fizeram fortuna, arrecadaram dinheiros e capitais que depois investiram, sob diversas modalidades, na sua ilha natal. Muitas regiões e localidades da nossa terra experimentaram um grande surto de desenvolvimento no comércio, na construção, no arroteamento agrícola, mercê do dinheiro vindo de Venezuela […].131

Essas economias permitiram a construção de belas casas, a título de exemplo, na rua Pedro José de Ornelas, no Cascalho e no Bairro dos Moinhos: “neste bairro, a maior parte das construções foi feita com dinheiro enviado da Venezuela.”132

Uma notícia de 1965, explicou “o valor das remessas dos Emigrantes na Balança de pagamentos do país”133 das comunidades portuguesas. Esses valores eram

provenientes dos emigrantes nos E.U.A., Venezuela, Brasil, África do Sul, onde a percentagem de madeirenses era mais numerosa. As transferências correspondiam, principalmente, a pensões e rendas estabelecidas a favor dos residentes, a salários e outras remunerações e a subsídios de auxílio familiar.

O artigo acima referido expôs que em 1960 Portugal obteve, na moeda antiga, 1868 milhões de escudos, em 1961 houve um decréscimo para 1489 milhões, em 1962 recebeu 1704 milhões e em 1963 aumentou para 2000 milhões de escudos.

130 - Cláudia Câmara Vasconcelos et al.: Madeira – Reflexos sobre o seu desenvolvimento, 1ª ed., s/ed.,

s/l, 2005, p.293.

131 - DN, 09-10-1964, p.1.

132 - Mota de Vasconcelos: Epopeia do Emigrante Insular, op. cit., pp. 189,190. 133 - DN, 25-07-1965, pp. 3 e 7.

As remessas enviadas eram, também, destinadas ao pagamento de Missas e Festas nos arraiais da Ilha da Madeira. Dedicaremos um capítulo a anúncios encontrados nos periódicos Diário de Notícias e Jornal da Madeira, entre os quais de festeiros madeirenses que viviam na Venezuela. O emigrante regressava, sobretudo, de Abril a Agosto, para visitar os seus familiares e organizar os arraiais.

Há casos particulares de emigrantes madeirenses na Venezuela que muito contribuíram para o desenvolvimento da Ilha, através de determinadas ofertas, inclusive à Igreja, como forma de agradecimento a Deus pela melhoria de vida no país latino- americano.

Em 1956, alguns emigrantes, naturais do Curral das Freiras, ofereceram à Igreja Paroquial uma imagem nova de Nossa Senhora de Fátima. Presentearam, igualmente, a Paróquia com um rosário trabalhado em puro ouro, que foi posto sobre o pescoço da Santa, e uma coroa em prata, colocada sobre a imagem: “A coroa é uma notável obra artística, de ourivesaria venezuelana, que esteve [...] numa montra do Funchal à Rua de Fernão de Ornelas, admirada por quantos tiveram ocasião de a examinar convenientemente.”134

Outro exemplo marcante é o de João Gonçalves Brito, natural de Câmara de Lobos que, com apenas 19 anos, emigrou clandestinamente num barco rumo à Venezuela, sem qualquer documentação. Expôs a sua situação a um sacerdote de Caracas que o ajudou a legalizar os documentos, permitindo que se tornasse cidadão venezuelano e que arranjasse uma boa colocação comercial: “Estava assim lançada a vida desse rapaz que, embora pobre de haveres, era rico de sentimentos cristãos.”135 Em

seis anos, estabeleceu-se em negócios de mercearia, frutaria e carniçaria em Caracas, onde foi sempre estimado: “o seu comércio tem sido próspero graças ao método simpático de atender a sua numerosa e selecta clientela.”136

Ao regressar à Ilha, em Dezembro de 1958, ofereceu um Sacrário para o culto de Nossa Senhora da Conceição, na Capela junto ao mar da vila de Câmara de Lobos, como forma de gratidão por ter melhorado as suas condições de vida e de trabalho.

134 - JM, 25-08-1957, p.1.

135 - DN, 25-01-1959, p.6. 136 - Ibidem.

Queríamos, ainda, fazer alusão a Luís Gonçalves Canha, natural da Ponta do Sol, que, em 1960, ofereceu uma auto-maca, de marca Volkswagen, aos Bombeiros do seu Concelho:

Ilustração 5

Foto da auto-maca oferecida por Luís Canha in DN, 17-03-1960, p.3.

Esta oferta vem comprovar que, por ter sido um caso de sucesso no país americano, Luís Canha quis ajudar os seus conterrâneos:

Não esqueceu o Sr. Luís Gonçalves de Canha nem a sua terra natal, nem os seus conterrâneos menos bafejados pela fortuna […] e a comprová-lo está o facto de se anunciar, nas vésperas do seu regresso da Venezuela, o propósito […] de […] oferecer aos seu concelho natal uma moderna auto-maca – donativo da maior utilidade, que vem suprir uma falta há tanto verificada na Ponta do Sol.137

É crença geral que todo aquele que vem da Venezuela é portador de bolívares em abundância. Na vida prática, tal nem sempre acontece e esse foi, exactamente, o caso de Domingos Ferreira, morador no Estreito da Calheta: “Chegou como fora, pobre de bens materiais, possuindo unicamente a mesma vontade de trabalhar sem canseiras.”138

Outro exemplo é o percurso de Fernando Guerra, um dos mais abastados do Seixal. Este madeirense, que era instruído e sabia falar a língua inglesa, partiu para a Venezuela, onde trabalhou em hotéis de luxo, chegando a ter um automóvel de marca Mercedes. Todavia, como sempre trabalhou como empregado, não conseguiu poupar, acabando por falecer na miséria.

137 - DN, 17-03-1960, p.3.