CHAPTER 10: MAIN FINDINGS AND CONCLUSION
10.7. Reflections on COVID-19
Combustíveis não-poluentes, de fontes renováveis, como os produzidos a partir de biomassa, são alternativas com viabilidade crescente e estão atraindo volumes significativos de investimentos, com países e empresas buscando posição nesse mercado. Ou seja, os indícios são de que as alternativas ao consumo dos combustíveis derivados de petróleo deverão ser sancionadas pelo mercado (preço, padrão, fornecimento etc.), consideram Libardi et al. (2009).
Empresas privadas nacionais e investidores internacionais têm se reorganizado produtivamente, tentando fazer frente às exigências mercadológicas, realizando aquisições, fusões e implantação de novos projetos para a produção de etanol. Assim, parece fora de dúvida que o álcool combustível assumirá grande importância na demanda global de combustíveis, e que o Brasil manterá posição de destaque no fornecimento global, explanam Libardi et al. (2009). É justamente o potencial brasileiro
para a produção de álcool de cana-de-açúcar que gera preocupações. Possivelmente haverá reforço da posição do Brasil como fornecedor mundial de matérias-primas, com possibilidade de pressão sobre a floresta amazônica, deslocamento da produção de alimentos com aumentos dos preços, aumento da concentração fundiária etc. Apesar disso, com o nível de conhecimento acumulado desde a produção de cana-de-açúcar até a transformação em álcool, com aproveitamento econômico dos resíduos, na instalação de usina, na fabricação dos equipamentos utilizados no cultivo, colheita e processamento e, além disso, com o desenvolvimento de produtos derivados do álcool, abre-se a possibilidade de desenvolvimento de indústrias da alcoolquímica. Assim, do ponto de vista das oportunidades, a expansão da produção de álcool (de cana-de- açúcar e outras biomassas) como commodity internacional cria possibilidades de expansão industrial, em que o Brasil pode se posicionar como fornecedor de tecnologia e equipamentos para a produção e transformação de biomassa em álcool combustível e para a produção de produtos derivados do álcool, (LIBARDI; et al., 2009, p. 2).
O Protocolo de Quioto que conta com 141 países, assinado em 1997 e ratificado em 2005, serve como estímulo para o mundo adotar uma matriz energética mais limpa, com menores emissões de gases geradores do efeito estufa e menor dependência do petróleo em sua matriz energética. Alguns países desenvolvidos, tais como Austrália, Japão e países da União Europeia, estão com estudos bastante avançados e alguns já misturam o álcool na gasolina.
Figueira (2005) ressalta que vários países do mundo, tanto os desenvolvidos, como os países em desenvolvimento, estão adotando programas para a utilização de biocombustíveis em sua matriz energética. A perspectiva de que o Brasil venha a se tornar também um grande exportador de etanol apresenta-se positiva para a economia nacional, por criar importante potencial para a entrada de divisas e geração de renda e emprego.
O setor sucroalcooleiro possui uma grande importância para a economia nacional, particularmente para o estado de São Paulo que concentra cerca de 70% da produção nacional. Além do estado de São Paulo, são importantes estados produtores de cana-de-açúcar na região Centro-Sul do país, o Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás. Na região Norte- Nordeste, destacam-se os estados de Alagoas e Pernambuco, segundo Figueira (2005).
O modelo produtivo exigido ou costumeiramente utilizado na cultura da cana- de-açúcar traz significativos desafios para o país: apesar de o Brasil ser o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo, o país ainda possui áreas para ampliar esta produção. Além disso, a cana, em tese, pode ser produzida em grande parte do território nacional, confirmando o potencial para a exportação da cultura da cana-de-açúcar em território brasileiro, face à vasta área agricultável ainda a ser explorada no país. Todavia, essa opção, ou a opção pelo modelo produtivo tradicional, confronta diretamente a opção de reserva de solo para outras culturas, sobretudo aquelas relacionadas à base alimentar, como o feijão e o trigo, ou mesmo a pecuária leiteira ou de corte.
Não obstante esse dilema, o interesse pelo etanol foi um dos motivos das visitas realizadas ao Brasil pelos presidentes estadunidenses George W. Bush, em 2007 e, mais recentemente, em março de 2011, de Barack Obama, já que a perspectiva é de que os Estados Unidos reduzam o consumo de gasolina em 20% até 2017, assim como o Japão e vários países da Europa.
Se verificar a história do Brasil, desde os primórdios de sua colonização, certificar que essa postura de socorrer a terceiros ou quartos interesses não é nova, e que a lembrança do Brasil como apanágio para problemas que afligem outros países não é recente.
[...] o caso brasileiro ilustra perfeitamente a ideia segundo a qual, com a presente globalização, o território de um país pode tornar-se um espaço nacional da economia internacional. A economia globalizada reclama condições territoriais indispensáveis para a sua produção e regulação. Esses espaços globalizados tanto são espaços agrícolas como industriais e de serviços, e caracterizam-se pela sua inserção numa cadeia produtiva global, pelas relações distantes e, frequentemente, estrangeiras que criam e também pela sua lógica extravertida. Mas o território não é “global”, ele não é completamente globalizado. No entanto, e seja como for, o comportamento dos agentes e dos lugares que não são globalizados é, direta ou indiretamente, influenciado e, em muitos casos, subordinado, acarretando com isso efeitos não desejados. Produz-se um efeito de entropia das empresas globais e das grandes empresas sobre as nações e os lugares, na medida em que, para melhor funcionarem, tais empresas criam ordem para si mesmas e desordem para o resto. [...] o espaço nacional é organizado para servir às grandes empresas hegemônicas e paga por isso um preço, tornando-se fragmentado, incoerente, anárquico para todos os demais atores. (SANTOS; SILVEIRA, 2001, p. 257).
Produzimos sempre o que outras nações estão precisando, atendendo às necessidades externas e, não, as nossas reais necessidades. Como já referido, historicamente a
indústria brasileira priorizou o café, a carne, o couro, a soja, o açúcar e, agora, o etanol, que foram e ainda são produtos demandados, ao menos, inicialmente, pelo mercado exterior.