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Recommendation & Conclusion

Diariamente, somos surpreendidos guardando um bilhete ou uma carta, um e-

mail, o rabisco de um desenho, a ideia inicial de uma proposta artística ou fazendo anotações no diário ou no caderno de receitas e acumulando fotografias; no entanto, nem nos damos conta que estamos preservando nossas vidas através de nossos arquivos e narrando nossa história constantemente.

Todavia, os escritos que não trouxeram boas notícias, as fotografias de pessoas que nos magoaram e/ou encheram nossos corações de alegria e até mesmo as cartas que já não são poesias para os nossos ouvidos, pois se tornaram mentiras pelos atos de quem as escreveu, muitas vezes são rasgadas e não mais farão parte do acervo de nossa existência. “O arquivamento do eu não é uma prática neutra; é muitas vezes a única ocasião de um indivíduo se fazer ver tal como ele se vê e tal como ele desejaria ser visto” (ARTIÉRES, 1998, p. 31). Destarte, o referido autor ainda afirma:

Arquivar a própria vida é simbolicamente preparar o próprio processo: reunir as peças necessárias para a própria defesa, organizá- las para refutar a representação que os outros têm de nós. Arquivar a própria vida é desafiar a ordem das coisas: a justiça dos homens assim como o trabalho do tempo (ARTIÉRES, 1998, p. 31).

Para Artiéres (1998), sempre arquivamos as nossas vidas pensando em possível leitor autorizado ou não, que talvez tenha interesse em conhecer nossa história. Levamos em consideração o outro, independentemente de quem ele seja ou quando poderá se interessar por nosso eu; queremos é através de nossos arquivos guardados nos apresentar e refletir nossos pensamentos, gostos e direcionamentos.

“Escrever é, pois “mostrar-se”, dar-se a ver, fazer aparecer o rosto próprio junto ao outro” (FOUCAULT, 1992, p. 136). Podemos, deste modo, destacar além da escrita propriamente dita, que se utiliza do alfabeto tradicional, outras formas de autopronunciamento, como através de um desenho, um poema, uma pintura e até um rascunho. Entendemos que não é o tipo de escrita que representa o indivíduo, mas a maneira como ele se permite que o vejam. Nivalson Miranda “escrevia” e se

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apresentava para o mundo por meio de seus desenhos que, por sua vez, representavam o seu olhar do mundo exterior e do seu olhar interior.

Logo, a respeito da escrita de si, Klinger (2012, p. 19) afirma ser necessário considerar que, “se a escrita de si aparece como um sintoma do final do século, não por isso significa que ela seja uma novidade para a literatura latino-americana. De fato, uma olhada retrospectiva revela o contrário, pois a escrita de si tem uma presença forte na nossa história”.

A autora assinala dois momentos a respeito dessa história, sendo o primeiro referente ao momento em que a escrita de si se inscreve no horizonte da formação da identidade nacional, seus conflitos e suas transformações. Já o segundo momento é localizado nos anos da recuperação democrática nos países do Cone Sul7 que

passaram por ditaduras militares nos anos 70 e 80. De tal modo, nesse contexto de ditadura, surgem vários “relatos memorialistas das experiências dos jovens políticos ou exilados, romance-reportagem ou romance-depoimento, testemunhos autobiográficos que, de alguma maneira, podem ser considerados como testemunho de uma geração” (KLINGER, 2012, p. 20).

Na escrita de si dos anos da pós-ditadura se produz, então, uma inversão com relação à escrita de si do século XIX e do modernismo, pois a memória não é mais dispositivo ao serviço da conservação dos valores de classe, mas, pelo contrário, funciona como testemunho e legado de uma geração que precisamente teve um projeto de mudança de valores (KLINGER, 2012, p. 21).

Portanto, Gomes (2004) constata por meio de catálogos de editoras, livrarias ou em suplementos literários de jornais que, nos últimos 10 anos, vivemos uma espécie de boom de publicações de caráter biográfico e autobiográfico. “É cada vez maior o interesse dos leitores por um certo gênero de escritos - uma escrita de si -, que abarca diários, correspondências, biografias e autobiografias,

7 Região composta pelas zonas austrais da América do Sul, ao sul do Trópico de Capricórnio,

formando uma espécie de grande península que define o sul do subcontinente. Geograficamente, o Cone Sul da América é a porção sul do continente americano, cuja forma se assemelha a de um triângulo escaleno.

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independentemente de serem memórias ou entrevistas de história de vida, por exemplo” (GOMES, 2004, p. 7).

Os indivíduos, em sua maioria, apresentam o desejo ou a curiosidade de conhecer mais acerca do outro, principalmente se o outro for uma pessoa pública. Para tanto, a escrita de si percebida nos diários, (auto)biografias e correspondências é a ponte entre o anseio do leitor e a história de vida da pessoa, evidenciada nesses escritos documentais.

As práticas de escrita de si podem evidenciar, assim, com muita clareza, como uma trajetória individual tem um percurso que se altera ao longo do tempo, que decorre por sucessão. Também pode mostrar como o mesmo período de vida de uma pessoa pode ser “decomposto” em tempos com ritmos diversos: um tempo de casa, um tempo do trabalho etc. E esse indivíduo, que postula uma identidade para si e busca registrar sua vida, não é mais apenas o “grande” homem, isto é, o homem público, o herói, a quem se autorizava deixar sua memória pela excepcionalidade de seus feitos. Na medida em que a sociedade moderna passou a reconhecer o valor de todo indivíduo e que disponibilizou instrumentos que permitem o registro de sua identidade, como é o caso da difusão do saber ler, escrever e fotografar, abriu espaço para a legitimidade do desejo de registro da memória do homem “anônimo”, do indivíduo “comum”, cuja vida é composta por acontecimentos cotidianos, mas não menos fundamentais a partir da ótica da produção de si.

Para Klinger (2012, p. 21), é verdade que toda contemplação da própria vida está inserida numa trama de relações sociais e, portanto, todo relato autobiográfico remete a um “para além de si mesmo”. Nesse sentido, é pertinente compreendermos que todo relato de experiência é de certa forma uma demonstração do indivíduo, de uma época que ele viveu e pode ter ocorrido há muito tempo ou, ser um passado recente.

Klinger (2012) faz citação a Foucault, em que ele expõe o fato da escrita de si não ser apenas um registro do eu, mas constitui o próprio sujeito, performa a noção de indivíduo.

Embora exacerbada na cultura burguesa da Ilustração, a escrita de si não é nem um aspecto moderno nascido da Reforma, nem um produto do romantismo; é uma das tradições mais antigas do Ocidente – uma tradição já bem estabelecida, profundamente

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enraizada quando Agostinho começa a escrever suas Confissões, que geralmente são citadas como o primeiro referente de uma escrita autobiográfica (KLINGER, 2012, p. 23).

A respeito da escrita como uma atividade individual, Klinger (2012) a relaciona com o exercício do pensamento sobre si mesmo, pois para ela, compõe uma etapa essencial no processo para o qual tende toda a askêsis8: “a preparação dos

discursos que são recebidos e reconhecidos como verdadeiros em princípios racionais de ação. De maneira que a escrita opera a transformação da verdade em

ethos9” (KLINGER, 2012, p. 23).

“Escrever “é se mostrar”, se expor. De maneira que a carta, que trabalha para a subjetivação do discurso, constitui ao mesmo tempo uma objetivação da alma. Ela é uma maneira de se oferecer ao olhar do outro [...]” (KLINGER, 2012, p. 25). Neste sentido, Gomes (2004, p. 19) esclarece que “a escrita de si e também a escrita epistolar podem ser (e são com frequência) entendidas como um ato terapêutico, catártico, para quem escreve e para quem lê”. Para a autora, o ato de escrever para si e para os outros suaviza as angústias motivadas pela solidão, exercendo a função de cúmplice, ou seja, quem escreve se expõe, provando, portanto, sua sinceridade.

“Inclinamo-nos, em princípio, a considerar o cuidado de si como qualquer coisa suspeita, imoral, como uma forma de egoísmo em contradição com o interesse que é necessário ter em relação aos outros ou com o necessário sacrifício de si mesmo” (FOUCAULT, 2004, p. 268).

Arfuch (2013, tradução nossa) faz alguns questionamentos a respeito da biografia, interrogando-se como nasce a ideia de escrever uma biografia. Ou o que leva uma pessoa a refazer os passos do outro, a esquadrinhar as minúcias de uma trajetória? Logo, a autora questiona-se sobre possíveis respostas: é o fascínio por uma

8 Palavra de origem grega. Em português, é traduzida como ascese e consiste na prática da

renúncia do prazer ou mesmo a não satisfação de algumas necessidades primárias, com o objetivo de atingir determinados fins espirituais. O conceito abrange, por isso, um grande espectro de práticas, em culturas e etnias distintas, que vão dos ritos iniciativos aos hábitos monásticos de diversas religiões.

9 A palavra ethos significava para os gregos antigos a morada do homem, isto é, a natureza.

Os gregos compreendiam que o homem habita o ethos enquanto a expressão normativa da sua própria natureza.

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obra, a busca da chave da vida, o mistério de uma interioridade? Ou seria a ilusão, a paixão de restaurar uma presença e de fazer justiça?

Ou seja, o desejo de escrever sobre o outro e averiguar a vida de um determinado indivíduo nasce juntamente com a busca por respostas e verdades acerca do outro, o que possibilita trazer à tona a presença dos que já não existem, embora seja apenas por lembranças, como é o caso de Nivalson Miranda, o qual fez excelente trabalho e não obteve o merecido reconhecimento. Talvez, esse trabalho, essa escrita de si, seja um primeiro passo para fazer justiça e conduzir a obra do artista à visibilidade, mesmo que in memoriam ele será reconhecido.

Em conformidade com Arfuch (2013, tradução nossa), a biografia possibilita resgatar personagens que, por algum motivo, não foram satisfatoriamente reconhecidos ou de alguma maneira foram injustamente esquecidos. De tal modo, essas biografias se constituem em modelos do gênero, tendo relevância não apenas no plano ético ou no que pode contribuir para o conhecimento e a revalorização de uma obra científica, literária, artística, no contexto de uma época, mas também como postura crítica a respeito dos parâmetros valorativos que imperam em um horizonte cultural.

Enquanto a biografia se constrói geralmente em torno de uma vida notável acentuando melhor a diferença que faz uma singularidade, cada teste a esse respeito não deixa de mostrar que se trata sempre de uma vida com outros e também para outros, e nesse sentido como todo relato vivencial, tende a produzir identificação ou a gerar intimidade entre estranhos (ARFUCH, 2013, p. 50, tradução nossa).

Logo, enfocamos o fato de trabalharmos com a escrita de si, possibilitando tratar da história de vida do indivíduo como um todo e relacionada ao outro, pois não existe apenas o eu, mas o eu está sempre atrelado ao outro, seja de forma direta ou indireta. Relacionamo-nos com familiares ao mesmo tempo em que dialogamos com pessoas que nos cercam ou são necessárias para nossa vida enquanto cidadãos. “A biografia aparece assim como reconstrução de uma impensada verdade cotidiana: a vida inseparável de outras vidas, um desdobramento sem fim de caixas no abismo” (ARFUCH, 2013, p. 52, tradução nossa).

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De acordo com Gomes (2004), a escrita autorreferencial ou escrita de si integra um conjunto de modalidades do que se convencionou chamar produção de si, autobiografias, narrativas de si, confissões do eu, identidade de si, no mundo moderno ocidental.

Essas práticas de produção de si podem ser entendidas como englobando um diversificado conjunto de ações, desde aquelas mais diretamente ligadas à escrita de si propriamente dita – como é o caso das autobiografias e dos diários, até a da constituição de uma memória de si, realizada pelo recolhimento de objetos materiais, com ou sem a intenção de resultar em coleção. É o caso das fotografias, dos cartões postais e de uma série de objetos do cotidiano, que passam a povoar e a transformar o espaço privado da casa, do escritório etc. em um “teatro da memória” (GOMES, 2004, p. 11). Vislumbrando essas práticas no legado de Nivalson Miranda, os rabiscos que projetavam seus desenhos e pinturas podem ser também compreendidos como uma escrita de si, pelo fato de serem os rabiscos as formas iniciais de como ele estava visualizando a paisagem e ao mesmo tempo o trabalho final. Conforme Foucault (1992), a própria alma que há que constituir naquilo que se escreve ou se desenha; contudo, do mesmo modo como um indivíduo traz na face, a semelhança com os seus familiares, é pertinente que se possa aperceber naquilo que escreve, desenha, rabisca, a filiação dos pensamentos e das imagens que ficaram gravados na sua alma.

“A escrita como exercício pessoal praticado por si e para si é [...] uma maneira refletida de combinar a autoridade tradicional da coisa já dita com a singularidade da verdade que nela se afirma e a particularidade das circunstâncias que determinam o seu uso” (FOUCAULT, 1992, p. 133).

Nesta perspectiva da escrita de si, Gomes (2004) assegura que por meio desses tipos de práticas culturais, o indivíduo contemporâneo estabelece uma identidade para si tendo como base seus documentos. Desta forma, ao escrever sobre si, o indivíduo passa a se conhecer melhor, como Orrú e Andrade (2008, p. 1) ressaltam.

O autoconhecimento é uma ferramenta necessária na promoção de uma maior interação com o outro. Um dos exercícios que levam ao conhecimento de si é a escrita sobre si. A escrita é reveladora. Por

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meio da produção escrita, entramos em contato com aspectos sobre nós mesmos que até então desconhecíamos.

Assim, podemos entender a escrita como uma ‘capa’, capaz de tornar as pessoas visíveis ou invisíveis, pois à medida que ela se reconhece, passa também a ser (re)conhecida pelo outro. Por conseguinte, Orrú e Andrade (2008) asseguram que ao escrever, o indivíduo se mostra e se expõe, passando a existir junto ao outro e, portanto, estará visível ao olhar do outro. Algumas pessoas têm a necessidade de serem vistas e se possível reconhecidas, para tanto escrevem suas autobiografias com afinco, tendo como objetivo se mostrar além do que é aparentemente percebido. Desse modo, em uma visão à frente de seu tempo, Lejeune (1997, p. 113) observa que as autobiografias ou diários cresciam pelo interesse humano em se mostrar ao outro e afirma:

Há uma indiferença semelhante pelas autobiografias, mas comuns nos meios científicos que, no entanto, deveriam se interessar por elas. Sociólogos, psicólogos, terapeutas ou professores privilegiam a história de vida oral que eles provocam e podem controlar. Mostram- se desconfiados em relação a relatos escritos espontaneamente fora de seu controle. Quanto aos arquivistas, têm medo de ser invadidos por uma avalanche de diários e de autobiografias, testemunhos pouco confiáveis e suspeitos. Os escritos de um homem comum só lhes interessam se ele estiver morto há muito tempo. Que ninguém ouse se apresentar vivo aos Arquivos Departamentais com seu diário debaixo do braço...

O escrito autobiográfico implica uma cultura em que o indivíduo situe sua vida ou seu destino acima da comunidade a que ele pertence, idealizando sua vida como uma aventura para ser inventada (CALLIGARIS, 1998). De acordo com o pensamento de Pena (2004), o relato autobiográfico, em sua maioria, busca ordenar os episódios de uma vida de forma diacrônica, fantasiando assim a constituição de uma história retilínea, com início, meios e fim.

O desejo de perpetuar-se, mas, mais que isso, o de constituir a própria identidade pelos tempos adiante, responde ao anseio de forjar uma glória. Lembre-se Aquiles: já os gregos pensavam na opção entre uma vida longa e pouco notável ou uma vida breve, porém seguida de glória imorredoura. O que os arquivos pessoais

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podem atestar, o que o desejo de guardar os próprios documentos pode indicar, será esse anseio de ser, a posteriori, reconhecido por uma identidade digna de nota (RIBEIRO, 1998, p. 35).

De tal modo, Gomes (2004, p. 13) explana que “é exatamente porque o “eu” do indivíduo moderno não é contínuo e harmônico que as práticas culturais de produção de si se tornam possíveis e desejadas, pois são elas que atendem à demanda de uma certa estabilidade e permanência através do tempo”.

O texto autobiográfico e o texto biográfico, guardadas as diferenças, são, assim, tentativas de dar conta de uma identidade, um processo de subjetivação: a prova de uma existência única e singular. Essas escritas do eu ou escritas de si, entendidas aqui como toda obra onde o autor apresenta indícios de referencialidade, estão presentes na literatura ocidental desde a antiguidade (ASSIS, 2009, p. 86).

Pelo fato de a sociedade atual reconhecer o valor do indivíduo, disponibilizando instrumentos capazes de registrar a sua identidade, surgiu então o espaço para legitimação de registro da memória do homem desconhecido, que possui uma vida comum, mas de fundamental importância a partir da ótica da produção de si (GOMES, 2004).

Falando em história de vida, Bourdieu (2005, p. 74) pontua ser ela “uma dessas noções de senso comum que entraram de contrabando no universo do saber; primeiro, sem alarde, entre os etnólogos, depois, mais recentemente, e não sem ruído, entre os sociólogos”.

Falar sobre a história de uma vida é detalhar os acontecimentos diários de um indivíduo, narrando os fatos e as ligações entre ele e os sujeitos à sua volta. A história de uma vida não é uma narração estática, são várias histórias contadas ao mesmo tempo, tendo em vista que na vida real, não somos seres seguindo um tempo retilíneo, à medida que somos filhos, somos estudantes, amigos e namorados ao mesmo tempo.

Tentar compreender uma vida como uma série única e, por si só, suficiente de acontecimentos sucessivos, sem outra ligação que a vinculação a um sujeito cuja única constância é a do nome próprio, é quase tão absurdo quanto tentar explicar um trajeto no metrô sem

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levar em conta a estrutura da rede, isto é, a matriz das relações objetivas entre as diversas estações (BOURDIEU, 2005, p. 81).

Ou seja, a compreensão da história de vida de um indivíduo perpassa pelas relações entre o sujeito e o mundo. “[...] não podemos compreender uma trajetória [...], a menos que tenhamos previamente construído os estados sucessivos do campo no qual ela se desenrolou; [...]” (BOURDIEU, 2005, p. 82).

Nessa perspectiva, traçamos a trajetória de Nivalson Miranda, levando em consideração as pessoas à sua volta, as atividades profissionais exercidas enquanto professor da Universidade Federal da Paraíba, pesquisador, historiador de ofício10 e

artista plástico. Além disso, observamos o Nivalson escritor, membro do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP11), Instituto Paraibano de Genealogia e

Heráldica (IPGH), sócio honorário do Instituto Histórico e Geográfico do Cariri e sócio da Fundação Fortaleza de Santa Catarina (FFSC), como pode ser visualizado no (Esquema 3).

O esquema apresenta Nivalson Miranda em seus vários ‘eus’, enquanto membro de uma família, profissional, cidadão e homem público. Com relação à família, podemos dizer que exercia o papel de esposo e de pai de quatro filhos, sendo dedicado. Como cidadão, é conhecido por seu lado generoso para com todo e qualquer ser humano. Amigo muito querido, simpático e capaz de ouvir quando necessário.

10 Nivalson Miranda não era historiador de profissão, contudo desenvolveu ao longo de suas

inúmeras pesquisas além do amor pela história, o titulo de historiador de ofício, ou seja, historiador por exercer diariamente a pesquisa histórica.

11 Instituto Histórico e Geográfico Paraibano foi fundado em sete de setembro de 1905, na

Parahyba, capital da Parahyba do Norte, por um grupo de intelectuais e políticos com intensa participação na vida pública e sob o incentivo do engenheiro militar Álvaro Lopes Machado, então presidente do Estado. O Instituto não possui nenhum tipo de fins lucrativos, tendo como finalidade promover e divulgar na Paraíba, estudos, pareceres e pesquisas de história e geografia, assim como suas ciências auxiliares e correspondentes, com o objetivo de contribuir para o conhecimento da realidade paraibana sob aspectos históricos, geográficos, políticos, sociais e econômicos.

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Esquema 3: Os vários ‘eus’ de Nivalson Miranda

Fonte: Dados da pesquisa.

O Miranda profissional revela um homem dedicado a tudo o que fazia, fosse