• No results found

Nesta parte da pesquisa, pontuaremos acerca da formação do artista plástico desde sua infância quando estudou na cidade do Recife, até a sua formação no curso de Farmácia e aperfeiçoamento nos cursos realizados em outros estados como Minas Gerais, Paraná e São Paulo. Todavia, em meio aos estudos e dedicação pela formação acadêmica, Nivalson Miranda seguia firme com seu gosto pela arte e pela pesquisa histórica.

Segundo Ramos (2013), Nivalson Miranda era um menino bastante peralta, ou seja, era uma criança comum, levado e traquino. Ele estudou no Recife, na Escola “Amauri de Medeiros” e no Colégio Padre Azevedo e de volta à capital paraibana, aos 12 anos de idade, foi estudar na Escola de Artífice (Fotografia 5), aprendendo a arte de tipografia e da encadernação. Para o referido Ramos (2013), talvez tenha sido na Escola de Artífice que Nivalson desenvolveu a efetiva vocação pela arte.

Suellen Barbosa Galdino 85

Fotografia 5: Escola de Aprendizes Artífices da Paraíba

Fonte: Dados da pesquisa.

Ramos frisa que possivelmente a vertente artística de Nivalson Miranda tenha nascido nessa escola. “Concluído o curso de Artífice, Nivalson empreendeu uma viagem a São Paulo buscando novos horizontes para sua vida. Na capital bandeirantes, trabalhou nos jornais “Última Hora” e no “O Dia”. Permaneceu naquela metrópole por doze anos” (RAMOS, 2013, p. 8), do qual desfrutou de um significativo aprendizado de vida com boa dose de boêmia.

Voltando à cidade de João Pessoa em 1951, Nivalson Miranda foi estudar no Lyceu Parahybano, concluindo em 1959 e, posteriormente, é aprovado no vestibular para o curso de Farmácia e Bioquímica na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Um ano após a conclusão da graduação em Bioquímica, ele realizou uma especialização em Análise Química na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) (RAMOS, 2013).

No retorno à Paraíba, após finalizar a especialização, é aprovado em concurso e nomeado professor auxiliar de Bioquímica da Universidade Federal da Paraíba. Nessa Instituição, trabalhou por 27 anos, lecionando várias disciplinas, juntamente com a dedicação às pesquisas e publicações de trabalhos científicos. Logo, se aposentou em 1993 com 66 anos de idade, como professor titular (RAMOS, 2013). Assim sendo, ele concluiu o curso de Farmácia no ano de 1963 e, desse modo, podemos visualizar na Fotografia 6 sua colação de grau, na qual observamos a

Suellen Barbosa Galdino 86

presença de seu pai à esquerda da imagem. Já na Fotografia 7, observamos Nivalson Miranda vestindo a beca do curso e com o anel de farmacêutico.

Fotografia 6: Formatura do urso de Farmácia

Fonte: Acervo de Nivalson Miranda.

A vida acadêmica de Nivalson Miranda foi marcada por participação em vários cursos intensivos em Minas Gerais, Pernambuco, Paraná e São Paulo, além da monitoria da cadeira de Bioquímica. Foi eleito vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia, vice-chefe do Departamento Industrial Farmacêutico, no biênio de 1972 a 1973. Também assumiu a responsabilidade técnica pelo Laboratório e Análise da Associação dos Servidores Públicos do Estado da Paraíba (ASPEP), no período de 1965 a 1971 (RAMOS, 2013).

Nesse sentido, elaboramos o Quadro 1 e o Quadro 3 como demonstrativo do acervo de Nivalson Miranda, considerando no primeiro, os documentos pessoais, o gênero, a espécie e o tipo documental. Logo, observamos que, em sua maioria, os documentos elencados no Quadro 1 versam sobre a profissão de farmacêutico que o Professor Nivalson Miranda exerceu até a sua aposentadoria. É evidente, nos certificados e diplomas, o quanto ele se esmerava em tudo o que fazia, buscando sempre estudar, pesquisar e se aperfeiçoar.

Fotografia 7: Formatura do curso de Farmácia

Suellen Barbosa Galdino 87

Quadro 1: Panorama dos documentos pessoais de Nivalson Miranda de caráter acadêmico, quanto ao gênero, à espécie e ao tipo documental

GÊNERO ESPÉCIE

DOCUMENTAL

TIPO DOCUMENTAL DATA

Textual Declaração Declaração de estágio no Laboratório de Tecnologia Forense (+ 1 cópia)

1967

Textual Declaração

Declaração do exercício da função de responsável técnico do Laboratório de Análises Clínicas da ASPEP (+ 1 cópia)

1972

Textual Declaração

Declaração que Nivalson Miranda foi eleito membro titular da Câmara Departamental do

Departamento de Ciências Farmacêuticas 1981 Textual Ofício

Ofício informando aceite do Professor Dr. Eugênio Aquarone em ser orientador de

Nivalson Miranda no mestrado 1973

Textual Portaria

Portaria de contratação, como professor titular do Departamento de Ciências

Farmacêuticas 1975

Textual Portaria

Portaria interna para constituição da comissão de Pós-graduação do

Departamento de Ciências Farmacêuticas 1975 Textual

Diploma Diploma de Farmacêutico – Universidade da Paraíba/ Faculdade de Farmácia da Paraíba

1964

Textual Diploma

Diploma de Titular - Sociedade de Farmácia

e Química de São Paulo 1970

Textual Diploma

Diploma do curso sobre diagnóstico

laboratorial das doenças venéreas (+ 1 cópia). 1967

Textual

Diploma Diploma do curso sobre pesquisa bibliográfica

1967

Textual

Diploma Diploma de sócio efetivo do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica (IPGH)

1973

Textual Certificado Certificado de conclusão do curso científico (+2 cópias)

1961

Textual Certificado

Certificado de curso intensivo de imunologia

e sorologia (+1 cópia) 1962

Textual Certificado

Certificado de curso intensivo de exames

parasitológicos (+ 2 cópias) 1963

Textual Certificado

Certificado de curso de cromatografia e

eletroforese (+ 1 cópia) 1963

Textual Certificado

Certificado de especialização em fabricação

Suellen Barbosa Galdino 88

Textual Certificado

Certificado de participação da “IIIª Operação Saúde- Marinha” - (Baía da Traição/PB)

1971

Textual Certificado

Certificado de participação da “IV Operação

Saúde- Marinha”- (Pitimbu/PB) 1971

Textual Certificado

Certificado de participação da “V Operação

Saúde-Marinha”- (Mataraca/PB) 1971

Textual

Certificado

Certificado de participação na “VI Operação Saúde- Marinha” - (Lucena, Fagundes,

Costinha, Ponta de Lucena e Forte Velho). 1972

Textual Certificado

Certificado de curso de extensão universitária “Aspectos da Revolução

Paraibana de 1817” 1972

Textual Certificado

Certificado de Honra ao Mérito –

Departamento de Ciências Farmacêuticas 1995 Textual Certificado Certificado de participação da II Bienal

Internacional de Arte Postal

2008 Fonte: Dados da pesquisa.

É importante observarmos que em meio a tantos documentos, comprovantes da sua dedicação, como professor e farmacêutico, localizamos os resquícios de seu amor pela arte. Em 1972, ao passo que participava da “VI Operação Saúde-Marinha” - (Lucena, Fagundes, Costinha, Ponta de Lucena e Forte Velho), também recebeu certificado de participação em curso de extensão universitária “Aspectos da Revolução Paraibana de 1817”.

No ano de 1973, é informado por meio de ofício que o Professor Dr. Eugênio Aquarone aceita ser seu orientador no mestrado sobre “Dosagem de açúcares redutores totais em melaço de cana por fotocolorimetria”. No mesmo período, recebe o diploma de sócio efetivo do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica (IPGH). Visualizamos, portanto, o Nivalson Miranda profissional farmacêutico buscando qualificação através do mestrado e, ao mesmo tempo, enxergamos o artista plástico que já se destacava como heraldista passando a fazer parte do IPGH.

Observamos no currículo de Nivalson Miranda, no ano de 1963, que ele realizou na cidade do Recife o curso intensivo de 11 semanas de estudos parasitológicos na Faculdade de Pernambuco – (U. R.), e também realizou estágio no instituto de bioquímica da Faculdade de Medicina de Pernambuco (U.R.) sob a

Suellen Barbosa Galdino 89

orientação do professor Marcionilo Lins. No mesmo ano, participou de Encontro no Paraná.

Em 1964, na Universidade de Minas Gerais, fez o curso extensivo de laboratório de análises clínicas, como bolsista da CAPES. Realizou também o curso extensivo de microbiologia e imunologia e o curso intensivo de medicamento psicotrópico. Em 1967, na Universidade de São Paulo, ele realizou o curso intensivo de tecnologia geral como bolsista da CAPES, juntamente com o curso de pós- graduação da cadeira de tecnologia geral. Na mesma Universidade, fez ainda o curso de toxicologia forense, diagnóstico laboratorial das doenças venéreas ocorrido durante cinco dias e outro sobre pesquisa bibliográfica por cinco dias. Ainda realizou vários outros cursos pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) nos anos de 1970, 1971 e 1972,

Por conseguinte, ressaltamos que para elaboração dos quadros tomamos como base Bellotto (2006) que, por sua vez, considera como elementos externos ou físicos do documento o/a:

 Suporte: material sobre o qual a informação é registrada (ex: papel, filme, disco magnético);

 Formato: configuração física de um suporte, de acordo com sua natureza e maneira com que foi confeccionado (ex: caderno, folha avulsa, livro);

 Forma: tradição documental (minuta, original, cópia);

 Gênero: configuração que assume um documento, dependendo do sistema de signos usado na comunicação do conteúdo (textual, iconográfico, sonoro, áudio visual, informático);

 Língua e modo da escrita;

 Espécie: configuração que assume um documento de acordo com a disposição e a natureza das informações neles contidas;

 Tipo: configuração que assume a espécie documental de acordo com a atividade que ele representa.

Referente ao gênero documental, Paes (2004) considera ainda que o documento pode ser: cartográfico – documentos em formatos e dimensões variáveis;

Suellen Barbosa Galdino 90

micrográfico – documento em suporte fílmico resultante de microrreprodução de imagem.

Rendón Rojas (1999, tradução nossa) analisa a relação objeto/documento e distingue três níveis, sendo no primeiro, o objeto por si mesmo (ex.: uma pistola, uma carta de um escritor a outro); no segundo, o mesmo objeto se torna documento, contudo para uma determinada área (ex.: um criminalista vê na pistola uma evidência de um crime que esteja investigando; um pesquisador encontra na carta uma informação para a sua pesquisa literária); e no terceiro nível estaria o documento propriamente dito, isto é, aquele que após ter sido elaborado por seu ator, passa ao cientista da informação que só então irá trabalhá-lo (um sistema de informação sobre armas ou sobre correspondência de literatos).