4.4 Validity and reliability
5.2.1 Rearmament and bridge building
O princípio de proteção radiológica que trata da limitação de doses não é aplicado para exposições médicas (ICRP, 2007). Para a proteção dos pacientes são aplicados valores de dose médios, conhecidos como níveis de referência em radiodiagnóstico.
Estes NRDs são baseados em medidas realizadas em simuladores ou pacientes representativos para cada tipo de exame e incidência do feixe de radiação. São medições realizadas em clínicas ou hospitais de várias regiões de um país, de modo que sejam valores estatisticamente confiáveis. Para que estes valores de dose sejam considerados como válidos, as imagens necessitam atender aos requisitos de qualidade das boas práticas em radiodiagnóstico (CE, 1996).
A comunidade européia publicou estudos nos quais foram realizadas medidas do
Ka,e de pacientes escolhidos aleatoriamente em 20 hospitais britânicos
(SHRIMPTON et al., 1986) e em 20 hospitais europeus que faziam parte de um programa para avaliação dos critérios de qualidade da imagem (MACCIA et al., 1990; CE, 1996). Foi adotado o terceiro quartil da distribuição de doses observadas como níveis de referência, uma vez que 75 % dos estabelecimentos conseguem imagens com qualidade diagnóstica com esses níveis de radiação.
O governo brasileiro, através de sua legislação, também adotou, como forma de proteção do paciente e verificação da otimização da qualidade das imagens radiográficas, os NRDs (BRASIL, 1998). Na Tabela 1 são mostrados os valores considerados como referência em vários tipos de exames e incidências na Comunidade Européia e no Brasil. É mostrado também o produto Kerma no ar-área de referência fornecido pelo National Radiological Protection Board – NRPB da Inglaterra (HART et al., 2002).
62 Tabela 1. Níveis de referência em radiodiagnóstico adotados pelo Ministério da Saúde brasileiro, pela
comunidade européia e pelo governo britânico. Fonte: LACERDA, 2007.
Estudos realizados em todo o mundo têm sido desenvolvidos para avaliação da grandeza Ka,e, como em PAPAGEORGIOU et al., (2000) que realizaram uma
pesquisa para estimar os níveis de dose recebidos pelos pacientes submetidos a exames radiológicos, de modo a estabelecer NRD‘s na Grécia.
Neste estudo seis grandes hospitais em Atenas foram selecionados e 385 pacientes foram tomados como amostra. Os NRD‘s foram obtidos de cinco exames mais comuns (tórax, coluna cervical, coluna lombar AP e lateral e pelve) através do posicionamento de TLD‘s na pele dos pacientes e de medidas do Kerma no ar com a utilização de uma câmara de ionização. Os parâmetros de exposição, distância foco- filme e Kerma no ar na superfície de entrada do paciente foram comparados aos níveis estabelecidos pela comunidade européia. PAPAGEORGIOU et al. (2000) encontraram discrepâncias nas doses em pacientes e nas técnicas radiográficas que mostram a importância do estabelecimento de um programa nacional de garantia da qualidade e dos protocolos para os exames, de modo a assegurar que as exposições sejam mantidas as mais baixas quanto razoavelmente possível. Todos os exames estudados apresentaram resultados dentro das recomendações da comunidade européia, exceto para os exames de tórax, que apresentaram
63 resultados consideravelmente acima do recomendado devido ao uso de baixas tensões e grandes valores de carga elétrica (mAs).
CIRAJ et al. (2005) pesquisaram o Kerma no ar na superfície de entrada, o produto Kerma no ar-área e a dose efetiva para exames de radiodiagnóstico mais frequentes em hospitais da Sérvia e Montenegro. Foram pesquisados 510 procedimentos para 11 diferentes tipos de exames em três hospitais, mostrando grandes variações do
Ka,e (conforme apresentado na Tabela 2) de um hospital a outro devido às diferentes
condições dos equipamentos em termos da filtração do tubo de raios X e da técnica radiográfica utilizada. Verificou-se que as doses mais elevadas foram submetidas ao pacientes nos hospitais que utilizaram tensões mais baixas com cargas elétricas mais altas, conforme já havia evidenciado PAPAGEORGIOU et al. em seus estudos. Porém não foram levadas em consideração as condições de processamento dos filmes ou outros fatores como a velocidade e a combinação do filme com o ecran. Tabela 2. Média do Kerma no ar na superfície de entrada do paciente com seu desvio padrão e média
das doses efetivas para vários tipos de exames de três hospitais da Sérvia e Montenegro. Fonte: CIRAJ et al., 2005. Ka,e (mGy) Dose Efetiva (mSv) Ka,e (mGy) Dose Efetiva (mSv) Ka,e (mGy) Dose Efetiva (mSv) 0,5 ± 0,2 0,02 1,0 ± 0,9 0,04 2,4 ± 0,6 0,12 - 0,4 ± 0,3 <0,01 1,0 ± 0,5 <0,01 1,7 ± 1,0 0,02 - 1,7 ± 0,9 0,23 2,1 ± 1,3 0,30 2,4 ± 0,3 0,35 10 0,9 ± 0,5 0,09 2,0 ± 0,2 0,16 1,7 ± 0,4 0,18 7 1,6 ± 1,0 0,21 2,7 ± 0,8 0,27 4,0 ± 0,3 0,36 10 2,2 ± 1,0 0,06 5,9 ± 1,8 0,10 5,2 ± 0,8 0,85 30 0,2 ± 0,1 0,03 0,6 ± 0,2 0,05 0,4 ± 0,2 0,04 0,3 0,3 ± 0,2 0,03 - - - - 1,5 1,0 ± 0,7 0,01 1,3 ± 0,4 0,01 - - 5 0,9 ± 0,6 0,01 1,0 ± 0,3 0,01 - - 3 Hospital - 2 Hospital - 3 Procedimento Coluna Cervical - AP Coluna Cervical - Lateral
Crânio - PA Crânio - Lateral NRD Comunidade Européia (mGy) Pelve - AP Coluna Torácia - AP Coluna Lombar - AP Coluna Lombar - Lateral
Tórax - PA Tórax - Lateral
Hospital - 1
CIRAJ et al. (2005) concluíram que a determinação das doses a que foram submetidos os pacientes dependem de múltiplos fatores, o que torna o trabalho bastante complexo. Foi mostrada a importância da determinação dos níveis de referência em radiodiagnóstico por cada país, baseados nas suas práticas e tipos de equipamentos. Eles mostraram que estas pesquisas devem ser refeitas em
64 intervalos regulares de tempo, de modo a verificar a correta otimização da prática aliada ao avanço tecnológico dos equipamentos de radiodiagnóstico.
PAPADIMITRIOU et al. (2001) avaliaram as técnicas radiográficas e a qualidade da imagem de três tipos de exames (tórax – PA, pelve – AP e coluna lombar – Lateral) em dois hospitais gregos e compararam os resultados de medidas do Kerma no ar na superfície de entrada dos pacientes com os níveis de referência em radiodiagnóstico da comunidade européia. As medidas foram feitas com dosímetros termoluminescentes de fluoreto de lítio (LiF) calibrados. Os pacientes foram selecionados de acordo com sua massa (70 ± 10 kg) e sua altura (1,70 ± 0,10 m). A dose efetiva foi calculada utilizando o programa PCXMC®. Eles encontraram valores de dose abaixo dos NRD‘s, contudo as doses médias nas diferentes salas de raios X estudadas diferiram em cerca de duas vezes.
FILIPPOVA (2006) avaliou a dose de radiação recebida pelos pacientes em 23 hospitais da Estônia. Sua avaliação se baseou na análise do rendimento dos equipamentos de raios X e na avaliação dos parâmetros utilizados para a obtenção das imagens radiográficas. FILIPPOVA calculou os valores do Kerma no ar na superfície de entrada corrigindo os valores do Kerma pelas distâncias foco-pele dos pacientes através da lei do inverso do quadrado da distância associado a um fator de retroespalhamento, obtendo os resultados dispostos na Tabela 3. Verificou-se que apesar das diferenças encontradas entre os vários hospitais (de até 12 vezes) o valor do Kerma no ar na superfície de entrada médio está dentro do recomendado pela Comunidade Européia, mas ainda é preciso otimizar as técnicas radiográficas nos locais onde foram encontrados grandes valores de Kerma.
Tabela 3. Valores do Kerma no ar na superfície de entrada para exames realizados na Estônia. Fonte: FILIPPOVA, 2006. Ka,e Mín (mGy) Ka,e Máx (mGy) Ka,e Média (mGy) NRD Comunidade Européia (mGy) 0,05 0,6 0,3 0,3 0,2 2,3 0,9 2 1,8 10,0 6,4 10 3,7 21,8 10,7 30 1,8 10,0 3,9 10 Pelve - AP Tórax - PA Tórax - Lateral Coluna Lombar - AP Coluna Lombar - Lateral
65 A FDA “Food and Drug Administration” publicou um trabalho que mostra os níveis de
doses a que foram submetidos pacientes de várias modalidades de exames radiológicos comparadas a exames de tórax, mostrando os altos valores de dose proporcionados pelas modalidades de Tomografia Computadorizada, Medicina Nuclear e Radiologia Intervencionista. Na Tabela 4 são mostradas as doses efetivas médias de vários tipos de estudos comparadas à dose efetiva média submetida a um paciente adulto que realiza um exame de tórax em incidência póstero-anterior (FDA, 2010).
Tabela 4. Doses de radiação provenientes de vários tipos de procedimentos de imagens médicas. Fonte: FDA, 2010.
Tipo de Procedimento Dose Efetiva Média (mSv)
Estimativa da Dose Equivalente (N° de Exames de Tórax) Raio-x Odontológico 0,005 - 0,010 a 0,25 - 0,5 Raio-x de Tórax 0,02 1 Mamografia 0,4 20 Tomografia Computadorizada 2 - 16 b 100 - 800 Medicina Nuclear 0,2 - 41 c 10 - 2050 Radiologia Intervencionista 5 - 70 d 250 - 3500
a O valor de 0,005 mSv representa a dose efetiva média aplicada a um paciente adulto submetido a exames de raios X odontológicos intra-orais. O valor de 0,01 mSv representa a dose efetiva média aplicada a um paciente adulto submetido a exames de raios X panorâmicos.
b O valor de 2 mSv representa a dose efetiva média aplicada a um paciente adulto submetido a exames de tomografia computadorizada de crânio. O valor de 16 mSv representa a dose efetiva média aplicada a um paciente adulto submetido a exames de angiografia coronária com tomografia computadorizada.
c O valor de 0,2 mSv representa a dose efetiva média aplicada a um paciente adulto submetido a exames de pulmão com 99Tc-DTPA. O valor de 41 mSv representa a dose efetiva média aplicada a um paciente adulto submetido a exames para estudos da viabilidade miocárdica usando tálio-201.
d O valor de 5 mSv representa a dose efetiva média aplicada a um paciente adulto submetido a exames angiográficos do crânio e/ou pescoço. O valor de 70 mSv representa a dose efetiva média aplicada a um paciente adulto submetido a exame de anastomose portossistêmica intra-hepática transjugular – TIPS.
66
3.5.6. Dose absorvida em um tecido ou órgão (DT)
A dose absorvida em um tecido ou órgão é definida como a energia média depositada (dE) em um tecido ou órgão de massa (dm), de acordo com a
equação 8.
dm E d
DT = (8)
Sua unidade no SI é o J.kg-1, que recebe o nome especial de gray (Gy).
3.5.7. Dose equivalente em um tecido ou órgão (HT)
A dose equivalente em um tecido ou órgão (HT) é definida como a dose média absorvida em um tecido ou órgão (DT) ponderada pelo tipo de radiação incidente WR. Este fator de ponderação depende do tipo e energia da radiação incidente (ICRP, 2007). T R R T W D H
∑
(9)Sua unidade no SI é o J.kg-1, que recebe o nome especial de sievert (Sv).