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Tools and Engineering Processes

3.2 Realization of the 3D model

A natureza da investigação qualitativa dita que a análise e a colheita de dados devem ser entendidas como dois processos simultâneos (Streubert e Carpenter, 2002). Este princípio de concretização metodológica confere ao estudo qualitativo um carácter aberto e interativo (Aires, 2011). Nesta linha de pensamento, à medida que as entrevistas foram realizadas, procedemos à sua transcrição para suporte de papel, respeitando integralmente a linguagem utilizada e recorrendo a algumas convenções preconizadas por Kirk e Miller (cit in Quivy e Campe houdt,à :à asà aspasà si plesà à à assi ala à osà o e t iosà dasà pa ti ipa tes;à osà parênteses retos ([ ]) pretendem demarcar as explicitações resultantes da interpretação dos i estigado esàeàasà eti iasà … àe ide ia àosà o e tosàdeàsil iosàeàpausa.

Na transcrição, cada entrevista é denominada de E, sendo seguida de um número, que i di aà o ologi a e teàasà ulhe esà ueàfo a àe t e istadasà po àe e plo,àE ,àE àE ,à…E ,à assegurando o anonimato das participantes.

61 Para a análise dos dados, procedemos à análise de conteúdo, tendo por base os princípios emanados por Laurence Bardin (2009), dado o carácter metodológico de cada fase da análise. Antes de se descrever o processo levado a cabo na temática levantada neste trabalho, convém referir a definição da autora (2009, p.44) para a análise de conteúdo: Um conjunto de técnicas de análise das comunicações que pretende obter, através de procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimento relativamente às condições de produção/recepção dessas mensagens.

Para Bardin (2009, p.11) parece evidente que E ua toàesfo çoàdeài te p etaç o,àaà análise de conteúdo oscila entre os dois pólos do rigor da objetividade e da fecundidade de su jetividade. Podemos dizer que o aspeto mais importante da análise de conteúdo é o facto de permitir, além de uma rigorosa e objetiva representação dos conteúdos das mensagens, o avanço fecundo, à custa de inferências interpretativas derivadas dos quadros de referências teóricos do investigador (Amado, 2000).

Bardin (2009) considera que as diferentes fases de análise de conteúdo organizam-se em torno de três pólos cronológicos:

 Pré-análise

 Exploração do material

 Tratamento de resultados, inferência e interpretação.

A primeira fase, designada por pré-análise, é considerada a fase de organização dos dados. Corresponde a um período de intuições, mas tem por objetivo tornar operacionais e sistematizar ideias iniciais, de maneira a conduzir a um esquema preciso do desenvolvimento das operações sucessivas, num plano de análise (Bardin, 2009, p.121). Assim, a autora propõe ueà seà p o edaà aà u aà leitu aà tipoà flutua te à o deà asà p i ei asà i p essõesà eà o ie taçõesà devem invadir o investigador, fornecendo informações que se consolidaram ao longo da análise.

A segunda fase é a exploração de material consiste na descrição analítica, traduzida num conjunto de operações de codificação, decomposição ou enumeração, em função de regras precisas. Para Bardin (2009, p. 129) Tratar o material é codificá-lo. Deste modo, a codificação, para conseguir a representação do conteúdo, vai refletir três tipos de escolha: O recorte: escolha das unidades; a enumeração: escolha das regras de contagem e a classificação e a agregação: escolha das categorias (Bardin, 2009, p.129).

62 Dentro da análise de conteúdo, optamos pela modalidade do tipo temática como técnica de análise de dados, definindo as unidades de registo, as categorias e subcategorias.

De acordo com Bardin (2009, p.104), por unidades de registo, entende-seà … àunidade de significação a codificar e corresponde ao segmento de conteúdo a considerar como unidade deà ase,àvisa doàaà atego izaç oàeàaà o tage àf e u ial. Neste contexto, ao analisarmos tematicamente o texto transcrito, procuramos descobrir os núcleos de sentido, que compõem a comunicação (Bardin, 2009) e, assim, identificar os segmentos mais significativos das entrevistas e definir as unidades de registo ou significação.

A análise realizada proporciona quadros de referência que nos permitiram organizar os fragmentos de informação, facultando-nos uma certa organização lógica, através da qual foram definidas categorias e subcategorias (Bardin, 2009). As categorias são rubricas ou classes, as quais reúnem um grupo de elementos (unidades de registo) sob um título genérico, agrupamento esse efetuado em razão dos caracteres comuns destes elementos (Bardin, 2009). Sucintamente, pode dizer-se que a categorização consiste em agrupar e classificar as unidades de registo em categorias.

É o método das categorias que permite a classificação dos elementos de significação constitutivos da mensagem e simultaneamente, revela-seà … àeficaz na condição de se aplicar a discursos directos (significados manifestos) e simples (Bardin, 2009, p. 147).Tendo em vista a taxionomia da categorização, aplicada ao material recolhido para o trabalho, optamos por critérios semânticos que orientassem a codificação dos textos em categorias. Assim, o critério de categorização foi de ordem temática, significando que as categorias agruparam por temas as unidades de registo. Tratam-se, portanto, de categorias temáticas (Bardin, 2009).

Nas diferentes fases de codificação procuramos respeitar os princípios enunciados: a homogeneidade, em que uma categoria tem que conter em si apenas um registo e uma dimensão da análise; a exaustividade, que contempla uma análise profunda e pormenorizada; a exclusividade, na qual cada unidade de significação só pode pertencer a uma categoria; a objetividade, que presume a definição sistemática de critérios utilizados nas mais diversas decisões a tomar na fase da codificação; a pertinência, que implica um sistema objetivo de categorias adaptado ao material em análise e aos objetivos da investigação e a produtividade, pela possibilidade de uma análise fértil, criadora de um discurso novo, embora adequado e coerente com os dados (Bardin, 2009).

A última fase da análise de conteúdo proposta por Bardin (2009) é o tratamento de resultados, a inferência e a interpretação, que tem como objetivo tornar significativos os dados que resultaram do processo de tratamento, isto é, dotá-los de capacidade de falarem por si.

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2.7 Considerações Éticas

A ética é o suporte legítimo do saber científico (Martins, 2008). Qualquer investigação efetuada com seres humanos levanta questões éticas e morais. Assim, durante todo o processo de investigação existe um limite que não deve ser ultrapassado e que se refere ao respeito pela pessoa e à proteção do seu direito de viver livre e dignamente enquanto ser humano (Fortin, 2009). A investigação em Enfermagem não descora estas exigências e requisitos e obedece aos princípios éticos nacional e internacionalmente estabelecidos. Assim, durante o desenvolvimento do estudo foram considerados alguns princípios éticos.

Consideramos importante salientar as preocupações éticas específicas que emergem da prática investigativa e que se encontram relacionadas, sobretudo, com a proteção dos direitos dos participantes do estudo, através do reconhecimento explícito da dignidade como valor central de toda a pessoa (Polit e Hungler, 2004; Martins, 2008; Fortin, 2009). Objetivamente, Fortin (2009) reconhece os seguintes direitos fundamentais dos sujeitos: (1) respeito pelo consentimento livre e esclarecido; (2) respeito pelos grupos vulneráveis, (3) respeito pela vida privada e pela confidencialidade das informações pessoais; (4) o respeito pela justiça e pela equidade; (5) equilíbrio entre vantagens e inconvenientes; (6) a redução dos inconvenientes; (7) a otimização das vantagens.

Assim, este trabalho de investigação teve em atenção os princípios éticos referidos e procurou assegurar todos os direitos das pessoas envolvidas, ao longo de todas as fases do processo. Neste sentido, foram contemplados os seguintes pressupostos:

1. Obtenção de autorização para a aquisição de participantes para o estudo e respetiva colheita de dados na instituição hospitalar, através de requerimento enviado ao Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/Vila do Conde (Anexo IV).

2. Obtenção do consentimento informado aseadoà aà De la açãoàdeàHelsí uia àdaà Associação Médica Mundial) de todos os participantes no estudo (Anexo V). A assinatura do participante no consentimento informado constitui a prova da aceitação na colaboração do estudo decorrente. O consentimento informado significa que todos os participantes possuem a informação necessária em relação a todos os aspetos da investigação, para que possam livremente recusar a participação no estudo, participar ou desistir a qualquer momento Streubert e Carpenter (2002). Algumas questões do guião da entrevista incitaram a exposição de ideias e sentimentos, pelo que procuramos assegurar o compromisso de confidencialidade.

64 3. Assegurar a confidencialidade dos dados ao usá-los de modo a garantir o anonimato, com exceção das investigadoras. Neste sentido, a fonte dos dados será sempre apresentada de forma codificada, sendo esta apresentada pelo número de entrevista.

4. Isenção e autenticidade na análise e no tratamento dos dados e na apresentação das conclusões.

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CAPÍTULO 3. APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

No presente capítulo apresentamos os resultados observados, através da análise e da discussão do conteúdo das nove entrevistas realizadas. Desenvolveremos um texto narrativo, acompanhado por excertos das entrevistas e esquemas interpretativos, de forma a apresentar a interpretação do ueà foiàdito .à

A análise de conteúdo do material recolhido fez sobressair três unidades temáticas:  Expectativas associadas ao Trabalho de Parto Oàantes

 Experiência de Trabalho de Parto Oàdu a te

 Impacto da Experiência de Trabalho de Parto na Desenvolvimento do Papel Maternal Oàdepois .

Após a obtenção das unidades temáticas seguimos para a organização das unidades de registo analisadas, em categorias e subcategorias (Anexo VI), através das quais os resultados obtidos serão comparados com a perspetiva de outros autores. Para a representação das categorias e subcategorias selecionaremos apenas algumas das unidades de registo.