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Examination methods for the intestines

Ao longo de toda a sua existência, os indivíduos estão sujeitos a processos dinâmicos de construção e desenvolvimento pessoal. Existem processos que correspondem a situações que são normativas e socialmente apoiadas (Relvas, 1996) e estão associados aos ciclos naturais de vida. Entre esses processos de desenvolvimento evidencia-se no ciclo de vida da mulher: a maternidade.

Maternidade palavraà ueà o figu a àaà o diçãoàu i e salàdeà se à ãe .àNoài aginário social, mãe é uma figura ímpar no desenvolvimento dos seus filhos e na formação da pessoa (Gonçalves, 2008). A maternidade representa um desafio individual e um marco sem retorno na vida da mulher. Como projeto único a longo prazo, a maternidade requer … à ue,à aisàdoà que se desejar ter um filho, se deseje ser mãe (Leal, 2005, p.12).

Apesar do modo como é encarada pela sociedade, ter vindo a mudar ao longo dos tempos, conforme os valores culturais e históricos vigentes em determinada época e espaço, a maternidade continua a ser descrita como uma das construções mais significativas do percurso de vida da mulher, representando um desafio à sua maturidade e à estrutura da sua personalidade, pois é um período em que um grande número de mudanças pessoais, sociais e biológicas coincidem (Leal, 2005). Nesta linha de pensamento, Canavarro (2001, p.20) afirma: A experiência de maternidade é infinitamente variável mas, em grande medida, depende do significado que lhe é atribuído.

48 Falar em maternidade significa evidenciar o período da gravidez. Autores como Rubin (1984); Brazelton e Cramer (1992); Stern, Bruschweiler e Freeland (2005); Canavarro (2001) e Mercer (2004) consideram a gravidez como uma fase de ensaio para a maternidade. Segundo Brazelton e Cramer (1992), durante a gravidez, a mulher está livre para projetar todo o tipo de expectativas sobre o seu futuro como mãe, sendo esta preparação uma etapa fundamental para que uma mulher se torne mãe. Este postulado ganha maior expressividade no caso de mulheres primíparas (Klaus e Kennel, 1992).

Todavia, o projeto da maternidade não nasce somente com o diagnóstico de gravidez, pois, pode iniciar-se mesmo antes da conceção, quando surgem as primeiras expectativas sobre esta experiência. Estas expectativas podem influenciar o modo com esta transição será experienciada (Oliveira, Pedrosa e Canavarro, 2006). Nesta perspetiva, Warren (2005) refere que a definição de expectativas realistas ajuda a construir confiança e a preparar a mulher para a experiência da maternidade.

Quando existe o projeto de maternidade, o período da gravidez permite a preparação psicológica da mulher para assumir o seu novo papel – o de mãe. À medida que gravidez vai progredindo, a mulher vai ensaiando cognitivamente papéis e tarefas maternas, iniciando um processo de reestruturação de relações para incluir o novo elemento, ligando-se afetivamente ao bebé e começando por incorporar a existência do filho na sua identidade até aprender a aceitá-lo como pessoa única, com vida própria (Canavarro, 2001).

Embora considerados acontecimentos de referência no ciclo de vida de cada mulher, a gravidez e a maternidade ultrapassam a própria definição de momento, evento crítico ou ponto de viragem. No ciclo de vida da mulher, gravidez e maternidade são processos de construção, que se caraterizam pela necessidade de resolver tarefas desenvolvimentais específicas, e viver crises próprias, que implicam a necessidade de reorganização e permitirá à mulher a sua adaptação a uma nova condição. Embora seja consensual a existência de alguma correspondência entre o tempo cronológico e a tarefa desenvolvimental, esta nem sempre acontece de forma linear porque Na vida das pessoas reais as tarefas sobrepõem-se e misturam-se. (Canavarro, 2001, p. 37).

Diversos autores tentaram dividir estes períodos pelas tarefas desenvolvimentais. Rubin (1984) reafirmou a importância das tarefas durante a gravidez para estabelecer a matriz qualitativa do comportamento materno. Neste sentido, descreveu quatro tarefas maternas interdependentes: assegurar uma passagem segura, durante a gravidez e parto, para a mãe e para a criança; assegurar a aceitação social pelos membros da família, para si e para o filho; iniciar a ligação ao filho; aprender a dar-se em benefício de outro.

49 Colman e Colman (1994) definiram seis diferentes tarefas desenvolvimentais que se reúnem ao longo do desenvolvimento da identidade maternal. Aceitar a realidade da gravidez: refere-se às respostas adaptativas da mulher inerentes ao crescimento e desenvolvimento pré- natal. Aceitar a realidade do feto: numa primeira fase da gravidez, o feto é concebido como uma parte da mulher, mas progressivamente torna-se uma representação mais autónoma e real. Reavaliar e reestruturar a relação com os pais: representação da mulher acerca do modelo de comportamento materno proveniente da sua mãe. Reavaliar e reestruturar a relação com o cônjuge/companheiro: porque o nascimento do primeiro filho é um desafio para o relacionamento conjugal. Aceitar o bebé como uma pessoa separada: o feto é cada vez mais observado como um ser separado e real. Reavaliar e reestruturar a própria identidade materna: sintetiza todas as outras tarefas mencionadas e implica a integração do papel, função e significado de maternidade, através da reavaliação dos ganhos e perdas que a maternidade introduziu e aceitação das mudanças implicadas por este novo estádio.

Mercer (1995), influenciado pelo trabalho de Rubin, desenvolveu a teoria da consecução do papel maternal, através da qual se reconhece a transição para a maternidade como um processo dinâmico e multifatorial, e que se desenvolve ao longo de quatro fases, geralmente por um período de quatro meses após o parto: Fase antecipatória: inicia-se durante a gravidez e corresponde a um período de preparação psicossocial da mulher para o papel de mãe. Fase formal: começa com a identificação formal com o filho e com a adaptação ao papel de mãe de acordo com o que é socialmente esperado. Fase informal: a mãe desempenha o seu papel como uma forma única de lidar com o seu bebé; Fase de identidade pessoal ou materna: traduz-se no cumprimento de uma nova identidade para a mulher, através da redefinição do self para incorporar a maternidade. A mãe interioriza o seu papel e experimenta um senso de confiança, competência e satisfação no desempenho do seu papel. Embora as fases progridam de forma sequencial, podem sobrepor-se e a sua duração é variável (Mercer, 2004).

Mais tarde, após revisão da teoria, Mercer (2004) considera que o termo Consecução do Papel Maternal (Maternal Role Attainment) é insuficiente para descrever o processo associado à formação e desenvolvimento da identidade materna e, como tal, é substituído por uma nova designação: Tornar-se mãe (Becoming a Mother). Para Mercer (2004) o termo Tornar-se mãe é um estado mais fluído e assegura a conotação da transformação e crescimento contínuo da identidade materna, ao longo do tempo. Assim, mudar o nome do processo permitiu reconhecer que as mulheres continuam a crescer como mães durante a vida de seus filhos. Assim, tornar-se mãe inclui a aprendizagem de novas competências e o

50 aumento da confiança em si própria, à medida que enfrenta novos desafios nos cuidados do(s) seu(s) filho(s) (Manning, 2008). O conceito de confiança materna tem sido identificado na literatura como uma variável essencial na adaptação à maternidade e ao papel maternal, afetando inclusive a satisfação da mulher no exercício do papel de mãe (Mercer, 1995).

Embora as etapas permaneçam globalmente as mesmas, Mercer (2004) redefiniu-as e renomeou-as: compromisso, apego e preparação, que ocorre durante a gravidez, em que a mulher constrói expectativas sobre o seu novo papel; conhecimento, aprendizagem e restauração (primeiras duas semanas após o parto), fase que se inicia com o nascimento da criança, quando o papel de mãe é assumido e a aprendizagem se realiza no contexto do seu sistema social; movimento em direção à normalização (dois a quatro meses após o parto), estágio em que a mulher faz com o seu novo papel se encaixe no seu estilo de vida de uma forma pessoal; integração da identidade materna (cerca de quatro meses após o parto), fase durante a qual a mulher interioriza o papel de mãe e experimenta uma sensação de harmonia, competência e confiança, envolvendo-se afetivamente (Mercer e Walker, 2006).

Nelson (2003), com base numa revisão de nove estudos, identificou dois processos inerentes à transição para a maternidade. O processo primário é o de envolvimento, o qual descreve a necessidade da mãe experimentar a presença da criança e o estar envolvida ativamente no seu cuidado. Segue-se o processo secundário, que se refere ao crescimento pessoal da mulher, num processo contínuo de transformação através da perceção do seu novo papel – o de mãe, envolvendo uma expansão do self.

As experiências de transição para a maternidade são individuais. No desenvolvimento da identidade materna, repercussões contraditórias podem colidir (Miller, 2006). Por um lado, este processo de transição pode aumentar a autoestima materna, quando a mulher apreende um novo significado para a vida, ao sentir-se competente ao tomar consciência dos ganhos para si e para o contexto social (Taubman-Ben-Ari [et al.], 2009).

Por outro lado, há mulheres que enfrentam períodos difíceis, e que se manifestam através de sentimentos como inadequação, culpa, perda, exaustão, ressentimento e raiva. A pressão social e falta de apoio do companheiro ou de uma rede de proximidade, a perda da autoconfiança e da autoestima são fatores de tensão. Referem limitação do tempo disponível para si, com sentimento de mudanças do estilo de vida anterior que leva à exaustão física e emocional (Nyström e Öhrling, 2004; Taubman-Ben-Ari [et al.], 2009; Darvill [et al.], 2010).

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CAPÍTULO 2. ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO

O êxito de um trabalho de investigação depende, em grande parte, do enquadramento metodológico, pois fornece aos investigadores a possibilidade de dispor de um conjunto de diretrizes que orientam a investigação e que, segundo Fortin (2009), configuram a fiabilidade e qualidade científica do próprio estudo.

Sendo assim, neste capítulo são descritas as opções e as atividades metodológicas que mobilizamos para o desenvolvimento do presente estudo de investigação.