2.3 In vivo robotics for GI tract
2.3.1 Existing concepts
Na opinião de Quivy e Campenhoudt (2008, p.183), o processo de colheita de dados no trajeto de uma investigação científica … o sisteà em recolher ou reunir concretamente informações determinadas junto das pessoas ou das unidades de observação incluídas na amostra .ààE t eta to,àaàes olhaàdosài st u e tosàdeà olheitaàdeàdadosàpelosài estigado esà à determinada pelas questões de investigação e pelas definições conceptuais e operacionais dos conceitos em estudo (Fortin, 2009; Streubert & Carpenter, 2002).
Bogdan e Biklen (2010) referem que no âmbito da investigação qualitativa, a entrevista representa um instrumento básico que permite recolher dados descritivos na linguagem própria do sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspetos da realidade. Na entrevista, o participante Diz «eu», com o seu próprio sistema de pensamentos, os seus processos cognitivos, os seus sistemas de valores e de representações, as suas emoções, a sua afetividade e a afloração do seu inconsciente (Bardin, 2009, p.89). O método da entrevista distingue-se pela aplicação de processos basilares de comunicação e interação humana, permitindo uma compreensão dos fenómenos (Quivy e Campenhoudt, 2008). Assim sendo, a natureza deste estudo conduziu a que se privilegiasse a entrevista como o principal instrumento de colheita de dados.
Dotada de um caráter flexível, capaz de responder às exigências metodológicas do presente estudo, a entrevista semiestruturada pareceu-nos ser a estratégia de recolha de informação mais adequada, uma vez que permite, através de um conjunto de questões relativamente abertas, compreender o fenómeno em estudo (Bogdan e Bilken, 2010). Por isso, na entrevista semiestruturada é permitida a abertura ao discurso do entrevistado, mas prevê- se simultaneamente algum controlo, caso este se desvie do objeto de estudo.
A utilização de uma entrevista semiestruturada impôs a construção de um guião com as linhas orientadoras da realidade que pretendemos estudar. Para a construção do guião da entrevista, foram realizadas, numa primeira fase, entrevistas de caráter meramente livre
58 exploratório que tinham como função abrir pistas de reflexão e alargar os horizontes do alcance do fenómeno estudado (Quivy e Campenhoudt, 2008). Depois de redigido o guião da entrevista, este passou por uma prova preliminar – pré-teste. O principal objetivo do pré-teste foi avaliar a eficácia e a pertinência do guião da entrevista, para além de verificar se os termos utilizados eram facilmente compreensíveis, se as questões utilizadas permitiam colher as informações desejadas e não provocavam desinteresse e se as questões não provocavam ambiguidade. Realizou-se o pré-teste com a colaboração de duas mulheres com características similares às das participantes do estudo.
O guião da entrevista semiestruturada foi seguido, variando, por vezes, a ordem de formulação prevista. De acordo com Quivy e Campenhoudt (2008), mesmo utilizando um guião, a entrevista semiestruturada deve dar oportunidade à pessoa entrevistada de orientar o seu conteúdo, pois uma entrevista demasiado rígida anularia o seu carácter qualitativo. Com efeito, a investigadora deve permitir ao entrevistado falar abertamente, com as palavras que desejar e pela ordem que lhe convier, esforçando-se por reencaminhar a entrevista para os objetivos, cada vez que o entrevistado deles se afastar, e por colocar as perguntas às quais o entrevistado não chega por si próprio, no momento mais apropriado e de forma tão natural quanto possível.
No guião orientador da entrevista distinguem-se duas partes (Anexo I). Com as questões da primeira parte do guião pretendemos explorar as expectativas da mulher sobre a experiência de trabalho de parto. Na segunda parte, procuramos compreender a experiência de trabalho de parto e de que forma a experiência vivida se relaciona com as expectativas criadas durante a gravidez e analisar a forma como a mulher interpreta este evento na integração do seu papel de mãe. Adicionalmente, no sentido de assegurar a caracterização da amostra da investigação, foi preenchido um formulário com informações recolhidas, através da própria participante e da consulta do seu processo clínico (Anexo II). Assim, as participantes foram caraterizadas de acordo com os seguintes aspetos: 1) condição sociodemográfica; 2) condições relacionadas com o período pré-natal e 3) condições relativas ao trabalho de parto.
As entrevistas foram gravadas (com o consentimento das participantes), através do uso de gravador áudio, de modo a recolher-se, na íntegra, a informação fornecida por cada participante. Para Quivy e Campenhoudt (2008) a gravação da entrevista é uma estratégia fundamental e Bogdan e Biklen (2010) referem-se à gravação de entrevistas, como a melhor forma de evitar a perda de informações importantes, quando são extensas ou então quando são a principal técnica de estudo, contribuindo para o rigor e confiabilidade da investigação. No decorrer de cada uma das entrevistas procuramos também fazer anotações escritas, de
59 forma a poderem ajudar a obter uma descrição mais compreensiva e precisa, tal como é sustentado por Streubert e Carpenter (2002). De seguida, procedeu-se à audição das entrevistas e transcrição para suporte de papel com fidelidade do discurso dos entrevistados, constituindo o corpus da análise.
O processo de colheita de dados dividiu-se em dois momentos distintos. No primeiro momento, ainda durante o internamento hospitalar, abordamos as participantes de forma a estabelecer o primeiro contacto (Anexo III), com o propósito de apresentar o estudo, averiguar a disponibilidade em participar no estudo e se anuência na realização da entrevista decidir o local, data e hora e a autorização para áudio-gravação, bem como a garantia da confidencialidade dos dados. No segundo momento, procedeu-se à realização da entrevista. Cada entrevista teve uma duração média de 45 minutos.
As entrevistas decorreram entre a 1.ª e a 4.ª semana após o parto. A escolha do momento mais adequado para se proceder à colheita de dados esteve envolta em algumas dúvidas, pois mesmo a literatura disponível foi insuficiente para assegurar a sustentabilidade, solidez e rigor desta opção metodológica. Por exemplo, Simkin (1992) relata uma consistência temporal na perceção da experiência de parto ao longo de vários anos, apesar do decréscimo da quantidade de informação recordada e da ocorrência de mais erros e/ou lapsos na recordação de detalhes específicos da situação. Para Algom &Lubel (1994), as mulheres têm, geralmente, no momento após o parto uma apreciação correta e, mais tarde, uma memória precisa do que aconteceu. Entretanto, num outro estudo, Waldenström (2004a) considera que a avaliação do trabalho de parto logo após a experiência pode ser mascarada pelo alívio e felicidade sentida pelo nascimento de um filho saudável. Concomitantemente, os aspetos mais negativos podem levar mais tempo para se integrar.
As entrevistas decorreram, quase na sua totalidade, nas residências das entrevistadas com exceção de três que preferiram deslocar-se ao Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/Vila do Conde para a sua realização. Definimos como prioridade ética e deontológica adotar todas as medidas possíveis para limitar qualquer tipo de constrangimento institucional. Por isso, incluímos no estudo mulheres com quem a investigadora não contactou durante a sua permanência no bloco de partos do Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/Vila do Conde e optamos, sempre que possível, por realizar a entrevista fora do contexto institucional, no sentido de minimizar o subdimensionamento ou sobredimensionamento das experiências.
Para Streubert e Carpenter (2002, p. 67), áà o pletaà o e t aç oàeàaàpa ti ipaç oà rigorosa no processo da entrevista aumentam o rigor, a confiança e a autenticidade dos dados . Na tentativa de nos aproximarmos, tanto quanto possível, do valor desta proposição,
60 as entrevistas realizaram-se em espaços calmos, organizados de forma a evitar distrações. Foram criadas as condições para que a mulher se fizesse acompanhar pelo seu filho recém- nascido – se assim o desejasse – no sentido de eliminar qualquer sentimento de desassossego motivado pela sua ausência, dando espaço e tempo para ela cuidar, confortar ou amamentar/ alimentar o seu filho, sempre que necessário.
Conforme o preconizado procuramos inicialmente explicitar à participante os objetivos do estudo, reafirmar a sua vontade de participação e esclarecer dúvidas existentes. Foi nosso objetivo fazer o menor número de perguntas adicionais, mantendo contudo algum dinamismo na entrevista e dirigindo para o tema sempre que necessário.
A fase de recolha de dados decorreu entre agosto de 2012 e março de 2013.
Foram realizadas nove entrevistas, após as quais se constatou que as respostas dos participantes começavam a repetir-se e não adicionavam dados novos à pesquisa (Streubert e Carpenter, 2002). Fomos conduzidas a optar pela redundância ou saturação dos dados (Patton, 1990; Holloway e Wheeler, 2002), isto é, o ponto no desenvolvimento das categorias em que não surgem novas propriedades, dimensões ou relações durante a análise. Neste sentido, a redundância ou saturação dos dados converteu-se no principal critério para finalização do processo de recolha de dados.