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Reactive oxygen species and skeletal muscle atrophy

1.3 Skeletal muscle atrophy

1.3.4 Reactive oxygen species and skeletal muscle atrophy

De um ponto de vista metodológico, a teoria gravitacional pode ser considerada como uma teoria relacional, que descreve o grau de interacção espacial entre dois ou mais pontos de uma forma análoga aos fenómenos físicos.

A teoria gravitacional clássica estabelece que uma relação de atracção entre duas massas onde a força de atracção (aij) que lhe está subjacente é proporcional às massas (mi e mj) e inversamente proporcional ao quadrado da distância (dij) entre as mesmas. Em termos formais: aij = γ mi mj dij-2onde γé um factor constante de proporcionalidade.

Foi em meados do século XIX que se observou a presença de forças gravitacionais em fenómenos sociais (H.C. Carey em Principles of Social Science, 1858 – 1859), ficando estabelecido que tal força era directamente proporcional com a massa e inversamente proporcional com a distância (Tiiu Paas, 2000). Nos modelos gravitacionais utilizados nas ciências sociais uma região é usualmente concebida como uma massa estruturada de acordo com certos princípios. Estes princípios governam o comportamento de partículas individuais restringindo e iniciando a sua acção. Deste modo, as relações inter-regionais podem ser encaradas como interacções entre massas.

A teoria gravitacional tem-se centrado principalmente em áreas onde a distância desempenha um papel relevante. Assim, a teoria gravitacional tem provado ser útil na descrição de fenómenos sociais no espaço, como sejam a migração de populações, fluxos de mercadorias, capitais, informação, movimentos de tráfego e turismo. Aplicado especificamente aos fluxos de comércio internacional, o modelo gravitacional estabelece que a dimensão ou magnitude dos fluxos de comércio entre dois países é

determinado pelas condições da oferta na origem, pelas condições da procura no destino e pelas forças promotoras ou dissuasoras existentes nos fluxos bilaterais específicos entre aqueles países.

O modelo gravitacional utilizado no estudo dos fluxos de comércio internacionais tem a sua raíz na física, concretamente na lei de Newton. De acordo com as leis físicas da gravidade estabelece-se que a gravidade entre dois objectos está relacionada com as suas massas e com a distância entre os mesmos. Deste modo, de acordo com a abordagem gravitacional, os fluxos bilaterais de comércio ente duas regiões/países é directamente proporcional com os seus rendimentos (PIB, PNB) e inversamente com a distância entre si.

Tendo na sua base as leis da física, outra abordagem ao modelo gravitacional, mais elaborada, suporta-se no modelo de equilíbrio geral de Walras, em que cada país dispõe das suas próprias funções de oferta e procura para todos os bens. Esta abordagem foi desenvolvida por Linnemann (An Econometric Study of International Trade Flows, 1966) que considerou a existência de três factores principais a ser considerados: a oferta (ou exportações) total potencial de um país para o mercado mundial; a procura (ou importações) total potencial de um país para o mercado mundial e; aqueles factores que criam resistência ao comércio afectando igualmente o grau de intensidade comercial, como sejam as barreiras comerciais (tarifas) e os custos de transporte (Tiiu Paas, 2000). Ignorando os fluxos internacionais de capital, serviços ou transferências de terras, espera-se que os dois primeiros factores sejam iguais entre si. De acordo com Linnemann, o modelo gravitacional para estudar os fluxos internacionais de comércio pode ser apresentado, na sua forma básica, pela equação:

Xij = b0 Yib1 Yjb2 Nib3 Njb4 Dij–b5 Pij–b6 Onde,

Xij – fluxo comercial entre os países i e j;

b0 – constante;

b1, b2, b3, b4, b5, b6 – coeficientes, ponderadores de médias geométricas;

Yi e Yj – despesas domésticas per capita nos países i e j, respectivamente;

Ni e Nj - população nos países i e j, respectivamente;

Dij – resistência ao comércio derivada da distância geográfica entre os países i e j;

Pij - variável dummy que considera factores preferenciais de comércio entre os países i e j.

De um modo geral, a formulação adoptada na maioria das aplicações do modelo gravitacional na análise dos fluxos de comércio internacional pode ser reduzida à seguinte equação:

Yijt = A X1itβ1 X2jtβ2 X3ijt β3 Onde,

Yijt - fluxos de interacção esperados entre as localizações i e j por unidade t de tempo;

A - coeficiente pré-determinado (uma constante ou uma quantidade previsível); X1it - mede as características do país i geradores de fluxos de saída de bens (factores push);

X2jt - mede a atractividade do país j (factores pull);

X3ijt - medida para os factores espaciais que influenciam os fluxos de investimento entre os dois países;

β1, β2, β3 - parâmetros correspondentes.

A forma log-linear da equação anterior que caracteriza os fluxos de interacção esperados do país i para o país j, pode ser escrita da forma que se segue:

Onde a letra L indica o logaritmo de base natural, β1, β2, β3 são os coeficientes a estimar. Segue-se o pressuposto de que os resíduos εijt são idêntica e independentemente distribuídos com média zero e variância constante σ2.

Embora a aplicação do modelo gravitacional seja mais comum na análise dos fluxos de comércio internacional, a sua aplicação ao investimento directo estrangeiro justifica-se porquanto a estrutura conceptual dos modelos beneficia do paralelismo entre os fenómenos, isto é, tanto o movimento internacional de bens como o movimento internacional de factores de produção, nomeadamente o capital, são variáveis dependentes de elementos de atracção, impulso e condicionamento.

Vários estudos foram levados a cabo na área dos investimentos internacionais recorrendo à equação gravitacional. De entre estes, tomou-se como inspiração para a análise desenvolvida neste trabalho, o trabalho de Martín e Velázquez (1997).

À semelhança do que sucede na aplicação do modelo gravitacional à teoria do comércio internacional, a consideração do conceito de distância também encontra lugar no estudo dos fluxos de IDE entre países. No estudo dos fluxos de comércio internacional, aplicando o modelo gravitacional, a distância surge como uma taxa segundo a qual o volume de comércio entre localizações varia no sentido inverso dos custos de transporte. Já no tocante à teoria do IDE, é feita uma interpretação do conceito como podendo constituir um incentivo ao investimento, ou seja, o aumento dos custos de transporte tem um impacto positivo sobre os fluxos de IDE entre localizações dado que se tornará preferível instalar unidades produtivas a efectuar exportações para o mercado “distante”. Posto isto, é de esperar que, no caso de fluxos de capitais, na forma de IDE, as medidas estimadas para o parâmetro β3 possam ter sinal positivo. Em relação aos restantes parâmetros (β1 e β2), à semelhança do que sucede na teoria do comércio internacional, no âmbito da teoria do IDE as suas estimativas terão uma leitura

comportamental similar, traduzindo, deste modo, a atractividade ou agressividade dos destinos e das origens do investimento, respectivamente. Desta forma, na formalização dos fluxos de comércio internacional espera-se que β1>0, β2>0e β3<0, ao passo que para os fluxos de IDE aqueles parâmetros deverão ser β1>0, β2>0e β3>0. O parâmetro

β3 pode ser interpretado como uma relação de substituibilidade entre comércio e investimento do ponto de vista do país de origem. Contudo, admitindo a complementaridade dos fluxos de comércio e investimento ou se as diferenças culturais entre países forem muito acentuadas é possível admitir um valor negativo para o parâmetro β3. Considerando distâncias muito elevadas é de supor que a relação seja sempre negativa.

O modelo gravitacional, na sua especificação tradicional, foi alvo de críticas, nomeadamente por parte de Mátyás (1997, 1998). No seu estudo de 1997, o autor sugere que a especificação dos modelos gravitacionais deve incluir efeitos específicos tanto para o país de origem como para o de acolhimento, bem como para o tempo. Este provou que, sem a inclusão destes efeitos, os parâmetros estimados podem conduzir a inferências incorrectas devido ao facto dos seus valores estarem artificialmente inflacionados ou deflacionados por causa de má especificação do modelo. Na especificação tradicional dos modelos gravitacionais, assumia-se a igualdade de todos os parâmetros estruturais do modelo ao longo de toda a amostra (para todos os países e período em análise). Segundo Mátyás (1998), é importante averiguar se tal assumpção se pode considerar verdadeira para a amostra em estudo. Caso aquela assumpção se revele não aplicável, a inferência feita com base nas estimativas obtidas pode ser incorrecta, como acima referido. Neste estudo não foi possível incorporar aqueles efeitos fixos propostos por Mátyás, por limite em termos de graus de liberdade, dada a amostra em causa ser de dimensão relativamente reduzida.