1.3 Skeletal muscle atrophy
1.3.3 Molecular mechanisms regulating skeletal muscle mass
Os movimentos de saída de capitais estrangeiros do nosso país, apesar dos potenciais efeitos negativos em termos económicos e sociais, devem ser encarados de forma tão natural quanto os movimentos de entrada. Contudo, resta saber se tais movimentos de saída se prendem mais com a incapacidade da economia nacional se adaptar às novas exigências de competitividade, ou se apenas estão relacionados com o fim previsível de projectos de investimento ligados ao próprio ciclo de vida do produto.
De facto, os movimentos de entrada e de saída, bem como o padrão de actividade das empresas multinacionais num dado país sofrem alterações à medida que este percorre o seu caminho de desenvolvimento, revelando-se, desta forma, a existência de um caminho de desenvolvimento do investimento (Dunning, 1993). Deste modo, à medida que um país se desenvolve, a configuração das suas vantagens OLI enfrentadas pelos potenciais investidores estrangeiros nesse país ou pelas empresas domésticas que possam investir no estrangeiro, sofre mutações, sendo possível identificar as condições que conduzem a essa mudança, bem como o seu efeito na trajectória de desenvolvimento. Assim, o percurso de qualquer país inicia-se numa fase de pré- industrialização em que a capacidade de atracção de IDE é inexistente, bem como o investimento no exterior por parte de empresas domésticas, dado que os atractivos L são escassos e as suas vantagens O das empresas domésticas são inadequadas. Num estádio posterior verificam-se algumas melhorias na configuração OLI, capazes de atrair investimentos em sectores baseados em recursos, nos sectores transformadores tradicionais e trabalho-intensivos, no comércio e distribuição, transporte e comunicações, construção e talvez no turismo. Os atractivos L podem aumentar dependendo da capacidade de criar um sistema legal satisfatório, infra-estrutura
comercial e cultura de negócios, infra-estruturas de transportes e comunicações, recursos humanos, da política governamental em relação à entrada de IDE. Estas melhorias nas vantagens L de um país podem ajudar as suas empresas domésticas a desenvolverem as suas vantagens O. Nestas fases iniciais do desenvolvimento, o papel do governo é particularmente importante.
A dada altura no seu percurso de desenvolvimento, o país deixa de ser atractivo pelos seus baixos custos de mão-de-obra, mas sim pelo seu capital humano e capacidade de inovação. Neste estádio, as empresas domésticas vão desenvolvendo as suas vantagens O e começam a exportar capital, tornando-se também elas investidoras internacionais. Após esta fase, o último estádio de desenvolvimento é caracterizado pelo alcançar de determinada maturidade económica, passando a propensão do país para investir no estrangeiro a superar a propensão das empresas estrangeiras incorrerem em investimento directo.
Deste modo, pode dizer-se que alguns dos movimentos de deslocalização registados na economia portuguesa prendem-se com o próprio desenvolvimento do país. De acordo com a tipologia estabelecida por Dunning (1993), Portugal encontra-se entre os segundo e terceiro estádio do caminho de desenvolvimento do investimento, não sendo por isso de estranhar a deslocalização de certos tipos de investimentos mais baseados em recursos e trabalho intensivos.
De um modo geral, é possível agrupar estes movimentos de deslocalização em três grupos. Num primeiro grupo podem-se inserir os desinvestimentos irreversíveis, onde o desinvestimento é devido à perda de competitividade do projecto ou do próprio segmento produtivo. Alterações da competitividade das actividades e dos respectivos custos de produção inerentes, quer em relação à concorrência, quer em termos de perda de competitividade da unidade no seio do grupo, podem conduzir as empresas a optar
pela deslocalização das actividades para outras zonas do globo, onde os custos permitem uma manutenção da competitividade. Tratam-se, geralmente, de actividades produtivas que usam tecnologias maduras com forte intensidade de mão-de-obra. Num segundo grupo encontram-se aquelas situações em que se verifica um esgotamento da competitividade pontual decorrente da utilização de incentivos à instalação dos investimentos no território nacional. Por fim, num terceiro grupo podem-se incluir aquelas situações onde o encerramento corresponde a uma opção estratégica do grupo económico, assumindo as questões relacionadas com a competitividade do projecto menor relevância. Nestes últimos casos a intervenção correctiva do Estado poderá ser capaz de evitar o desinvestimento, dependendo o sucesso de possíveis negociações e eventuais prestações de benefícios adicionais.
Com a entrada de novos membros na União Europeia, Portugal poderá assistir à deslocalização de actividades de produção do seu território para o dos novos membros, concretamente os PECO. De facto, o potencial desenvolvimento considerável apresentado por aqueles países, conjugado com a existência de mercados emergentes com dimensão significativa, a diminuição dos riscos políticos existentes no início dos anos 1990’s, uma proximidade geográfica e cultural do centro da União Europeia e recursos humanos com um grau apreciável de qualidade face às qualificações técnicas exigidas, bem como com a existência de níveis salariais relativamente baixos para a média da UE, constituem sérios sinais de alerta para a economia nacional e para a manutenção de investimentos estrangeiros. Se é certo que alguns investimentos estrangeiros podem sair de Portugal, mais difícil será a saída de capitais nacionais, por abandono completo da produção em Portugal. Por outro lado, o alargamento a Leste representará mais uma oportunidade de expansão e não de substituição das actividades em território nacional, para as empresas portuguesas.
O alargamento aos PECO parece constituir, basicamente, uma ameaça para sectores mão-de-obra intensivos, sendo que possíveis deslocalizações da economia nacional representariam um impacto negativo no emprego nesses mesmos sectores. Assim, poder-se-ão verificar vários movimentos de deslocalização de actividades, sobretudo de produção, tendo por base essencialmente os diferenciais de custos de produção (principalmente ao nível do custo do factor trabalho). Se é certo que Portugal beneficiou bastante a nível de IDE derivado dos baixos custos do factor trabalho, também é certo que em termos desses mesmos custos a nossa economia tende a aproximar-se mais rapidamente dos países desenvolvidos do que em termos de ganhos de produtividade. Assim, esta tendência é reveladora da diminuição da vantagem competitiva alicerçada nos custos laborais, uma vez que os ganhos de produtividade têm sido insuficientes para compensar o crescimento do custo deste factor.
Deste modo, os mercados dos PECO apresentam características que os transformam, por um lado, em localizações privilegiadas para grande parte das empresas que pretendam realizar novos investimentos na Europa, e por outro, como destino de parte significativa dos processos de deslocalização no próprio continente europeu.
Considerando a dependência da estrutura económica nacional em relação a empresas de alguns sectores industriais como os têxteis, vestuário e calçado, por exemplo, que apesar de algumas tentativas no sentido do desenvolvimento de novos factores de competitividade, na maioria dos casos, a competitividade da sua produção ainda é baseada no factor custo da mão-de-obra, tornando-se evidente o paralelismo com os PECO, sobressai a necessidade das empresas adoptarem estratégias que lhes permitam evoluir para novos factores competitivos, sob pena de parte dessa produção ser deslocalizada para o Leste.